
A água produzida (AP), subproduto da indústria de petróleo e gás, apresenta altos teores de sólidos suspensos, compostos orgânicos, hidrocarbonetos e metais pesados. Diante das exigências legais e da demanda por sustentabilidade, este trabalho avaliou a eficiência do tratamento físico-químico da AP por coagulação/floculação lastreada com microareia e com resíduos de crustáceos e moluscos (biolastro). A pesquisa dividiu-se em duas etapas: (I) caracterização da AP e seleção do coagulante de maior eficiência; e (II) aplicação do coagulante selecionado em sistemas com diferentes agentes de lastro. A AP in natura ultrapassou os limites legais para sólidos suspensos totais (SST) e óleos e graxas (TOG). Dentre os agentes testados (sulfato de alumínio (SA), cloreto férrico (CF) e policloreto de alumínio (PAC)), o SA (0,2 g/L) destacou-se com remoções de 88,79% de SST e 91,24% de TOG, além do melhor custo-benefício. Enquanto o lastro com microareia (5 g/L) apresentou desempenho equivalente ao processo convencional, o biolastro (5 g/L) promoveu ganhos adicionais de remoção de 5,78% para SST e 1,32% para TOG. Ademais, o biolastro não alterou o perfil de metais da amostra, reforçando sua viabilidade ambiental. Assim, o biolastro surge como uma alternativa sustentável à microareia, promovendo a valoração de resíduos marinhos e contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas no tratamento de AP.
O câncer de mama permanece como uma das principais causas de mortalidade entre mulheres, reforçando a necessidade do desenvolvimento de novos agentes antitumorais eficazes e seguros. A curcumina apresenta limitações farmacocinéticas que restringem sua aplicação clínica, motivando a obtenção de novos análogos estruturais. Neste estudo, avaliou-se a atividade antitumoral in vitro de uma nova pentadienona O-glicosilada (composto 9), derivada da curcumina, frente à linhagem de adenocarcinoma mamário humano MCF-7. A citotoxicidade foi determinada pelo ensaio do MTT, enquanto os mecanismos celulares associados foram investigados por análise do ciclo celular, potencial de membrana mitocondrial (ΔΨm) e liberação de citocromo c por citometria de fluxo. Adicionalmente, modelagem molecular, análise de potencial eletrostático e uma abordagem exploratória de target fishing foram empregados para correlacionar propriedades estruturais e eletrônicas com a atividade biológica observada. O composto 9 apresentou atividade citotóxica moderada contra células MCF-7 (CI₅₀ = 14,94 µM). Valores de CI₅₀ relatados para a curcumina em células MCF-7 variam de acordo com as condições experimentais e são apresentados aqui para fins de contextualização. A redução do ΔΨm e o aumento da liberação de citocromo c foram compatíveis com participação da via mitocondrial da apoptose. Em FN-1, o composto apresentou CI₅₀ = 6,05 µM e índice de seletividade de 0,40, evidenciando baixa seletividade tumoral. O target fishing sugeriu possíveis associações com alvos envolvidos em migração celular e angiogênese, como o eixo CXCL12. Em conjunto, o composto 9 constitui um protótipo molecular citotóxico que requer otimização estrutural para melhorar a seletividade tumoral.
Solanum L. é o maior gênero de Solanaceae e inclui plantas daninhas e plantas de interesse alimentar para humanos, como o tomate, pimentas e batata. O estudo estrutural de plântulas é importante para a biologia, ecologia, agricultura e preservação de espécies vegetais, mas é pouco explorado no gênero Solanum. Nesse trabalho, plântulas de Solanum foram morfoanatomicamente investigadas e os caracteres foram comparados com Capsicum annuum, que tem relação filogenética com o gênero. As plântulas se desenvolveram em casa de vegetação, a partir de sementes coletadas em terrenos baldios de áreas urbanas ou obtidas comercialmente. Os fragmentos de várias partes das plântulas foram secionados em micrótomo de rotação e analisados em microscópio de luz. As plântulas são faneroepigeias com cotilédones foliáceos. A raiz primária é diarca e a região de transição raiz-caule começa na raiz ou no hipocótilo e termina no nó cotiledonar. O nó cotiledonar é unilacunar com traço duplo. O epicótilo tem natureza caulinar. O nó do eofilo é também unilacunar com 1-3 traços foliares. Os cotilédones e eofilos são dorsiventrais, geralmente com mesofilo esponjoso e uma camada de células amplas, alongadas ou em forma de funil na face adaxial do mesofilo. A análise das plântulas revelou caracteres que podem ser úteis na separação das espécies investigadas de Solanum, como o formato dos cotilédones e eofilos, o início da região de transição raiz-caule e o número de traços foliares dos eofilos.
A espinheira-santa (Monteverdia ilicifolia (Mart. ex Reissek) Biral) é utilizada no tratamento de distúrbios gastrointestinais, entretanto, relatos apontam sua frequente adulteração quando adquiridas no comércio. O estudo avaliou a qualidade das drogas vegetais comercializadas como “espinheira-santa” no varejo de Cascavel, Paraná, com foco nos parâmetros de identidade, pureza e doseamento preconizados pela Farmacopeia Brasileira. A análise morfológica e anatômica das folhas demonstrou que sete das 10 amostras correspondiam à espécie Monteverdia ilicifolia, enquanto três apresentaram características compatíveis com Sorocea bonplandii. As amostras autênticas apresentaram manchas cromatográficas correspondentes à epicatequina, enquanto as adulteradas não exibiram esse marcador químico, confirmando adulteração. Os teores de água e cinzas totais permaneceram dentro dos limites farmacopeicos; entretanto, todas as amostras apresentaram valores elevados de matéria estranha, variando de 34,78% a 89,28% (máximo 2,0%). Além disso, todas apresentaram índice de espuma inferior ao mínimo estabelecido (<250) e nenhuma atingiu o teor mínimo de 2,0% de taninos totais. As análises microbiológicas não detectaram presença de patógenos, enquanto os metais potencialmente tóxicos (Cd, Pb e Ni) apresentaram valores abaixo do limite de quantificação, também houve diferença na concentração de Fe e Mn entre as amostras de M. ilicifolia e S. bonplandii. Os resultados demonstram que as drogas vegetais avaliadas não atendem aos requisitos mínimos de qualidade, evidenciando problemas relacionados à adulteração, presença de impurezas e baixos teores de marcadores químicos. Isso indica a necessidade de maior fiscalização e de melhores práticas de manejo e comercialização dessas plantas medicinais.
O Stock Altos Verdes (SAV), faz parte do magmatismo potássico sincrônico à colisão Brasiliana (≈ 630 Ma), presente no Sistema Orogênico Sergipano. O SAV é intrusivo em rochas metassedimentares do Domínio Macururé, sendo formado predominantemente por dioritos maciços e orientados segundo a foliação regional. Enclaves máficos, de composição monzondioríticas, centimétricos a métricos, ocorrem isolados ou reunidos em diques sin-plutônicos, o que indica presença de processo de mistura entre magmas máfico e intermediário na estruturação do SAV. A mineralogia dessas rochas é formada de andesina-oligoclásio, feldspato alcalino (ortoclásio e microclina), mica, anfibólio, titanita, apatita, minerais opacos e zircão. O estudo mineraloquímico permitiu identificar e quantificar a presença de zonação química normal e oscilatória em plagioclásio (An7,7-24,8 Ab75-92 Or0) o que indica evolução magmática por cristalização fracionada. A zonação oscilatória é interpretada como o registro de aportes de magmas máficos (enclaves) no SAV. A cristalização do anfibólio magmático foi de 27-17 km de profundidade. As rochas do SAV apresentam geoquímica com assinatura shoshonítica e cálcio-alcalina de alto K, de magmas de arco vulcânico, comparável às reportadas para outros stocks shoshoníticos no Domínio Macururé.