
O agronegócio é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Contudo, este setor da economia tem sido impactante nas emissões internas de Gases de Efeito Estufa (GEE), de tal modo que suas cadeias produtivas devem implementar soluções para mitigá-las. Nesse contexto, este estudo buscou apresentar uma estrutura-base para ser utilizada na construção de certificações de agricultura mitigadora de GEE e analisar sua aplicação no Programa Soja Baixo Carbono (PSBC), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A estrutura-base foi elaborada a partir da avaliação de conteúdos relacionados à temática de aquecimento global e sustentabilidade. O resultado da análise indicou a robustez da estrutura-base desenvolvida, que se aderiu integralmente ao escopo do PSBC, de mitigação de GEE na produção de soja. Nesse sentido, tal estrutura pode ser adotada na construção de certificações de agricultura de baixo carbono, de culturas relevantes do agronegócio nacional, sobretudo aquelas com sistemas de cultivo similares ao sistema de cultivo da soja.
O estudo analisou a reutilização de resíduos da avicultura na produção de adubo organomineral e sua aplicação na cultura da soja. Foram utilizados resíduos da avicultura, como cama de frango, varrição de fábrica de ração e carcaças de aves compostadas, para produzir o adubo. A compostagem ocorreu em baias de alvenaria e, após 5 meses, o material foi transformado em adubo organomineral, com adição de 5% de fosfato rochoso. O experimento testou diferentes doses do adubo. Além do controle, foram testados 2,5, 5,0, 7,5 e 10 ton.ha?¹ na plantação de soja, avaliando parâmetros como estande final, comprimento da parte aérea, massa fresca de parte aérea, porte final, peso de mil grãos e produtividade de cada tratamento. O adubo organomineral mostrou-se eficiente, sendo a dose de 7,5 ton.ha?¹ a mais vantajosa, resultando em produtividade de 5.352 kg.ha.
Fertilizantes orgânicos e organominerais despontam como alternativas sustentáveis à adubação mineral tradicional. Este trabalho avaliou, em casa de vegetação, como essas duas categorias afetam indicadores de qualidade do solo e o desempenho do milho. Seis regimes de adubação foram comparados: (T1) mineral (uréia, superfosfato simples e KCl); (T2) organomineral equilibrado em N e K (dose fixada pelo teor de P); (T3) organomineral balanceado em K (dose definida pelo teor de K, gerando excesso de N e P); (T4) orgânico equilibrado em P e K (dose ajustada pelo teor de N); (T5) orgânico à base de P (dose definida pelo teor de P, com excedentes de N e K); e (T6) adubação mista (organomineral + orgânica). Os insumos derivaram de resíduos de produção animal: o fertilizante orgânico foi um digestato obtido pela codigestão anaeróbia da fração líquida de água residuária da suinocultura e cama de poedeiras, enquanto os organominerais foram produzidos a partir da fração sólida desses mesmos resíduos, enriquecida com pó de rocha e calcário. Analisaram-se fertilidade do solo, absorção e redistribuição de nutrientes, respiração microbiana, atividades enzimáticas e biomassa microbiana. Todos os tratamentos sustentaram crescimento adequado das plantas. O maior rendimento ocorreu no T5, possivelmente pela rápida liberação de nutrientes semelhante à adubação mineral; o menor, no T6. Esses dois tratamentos diferiram estatisticamente, enquanto os demais apresentaram produtividades intermediárias. Por outro lado, as maiores atividades enzimáticas foram registradas nos tratamentos T3 e T6, ambos com organomineral, sinalizando maior estímulo aos microrganismos e à ciclagem de nutrientes. Assim, embora o digestato orgânico baseado em P (T5) maximize a produtividade de curto prazo, os organominerais demonstram vantagens para a biologia do solo, apontando benefícios em longo prazo. Os resultados reforçam que fertilizantes orgânicos e organominerais podem reduzir a dependência de insumos sintéticos, conciliando ganhos imediatos de produção com um manejo mais sustentável do solo.
A mandioca é uma das principais fontes de energia que garante a segurança alimentar e nutricional de muitas famílias, além de ser um produto básico para processos agroindustriais. Objetivou-se neste estudo caracterizar etnovariedades de mandioca cultivadas por agricultores familiares do Norte do Mato Grosso, considerando sete descritores agronômicos. O experimento foi conduzido no município de Alta Floresta-MT. No total, 68 etnovariedades de mandioca foram avaliadas, em delineamento de blocos casualizados, com três repetições. Doze meses pós-plantio, as etnovariedades foram avaliadas quanto a sete descritores agronômicos. Os dados foram submetidos à ANOVA e as médias comparadas. As etnovariedades apresentam variabilidade para os descritores de importância agronômica avaliados. A GUA03 foi a que obteve maior produtividade de raízes tuberosas. A GUA02 é indicada para produção de massa verde e, portanto, pode ser utilizada para a alimentação animal. A produtividade de raízes apresentou correlação significativa e positiva com a massa fresca de raízes comerciais (r= 0,969), com destaque para GUA03, SOR06, SNP01, ITA06, SNP03 e LCA05, que tiveram as maiores médias de produtividade de raiz (>29 t ha-1) e, consequentemente, as maiores médias de produção de raízes comerciais (>25 t ha-1). A mandioca SNP01 apresenta potencial para futuros estudos de melhoramento com a espécie.
O objetivo foi avaliar fontes e doses de nitrogênio no cultivo do milho e em sucessão a soja, nas várzeas tropicais do Tocantins. Foram conduzidos dois ensaios na safra 2022/2023, diferenciados pela data de semeadura (17/09; 01/10) e híbrido (Semeali 8555; LG36799). Em cada ensaio, foram utilizadas duas fontes de nitrogênio (ureia prill; ureia protegida) e seis doses em cobertura (0, 40, 80, 120, 160 e 200 kg ha-1), sob o delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições. Foram realizadas avaliações da altura de plantas e do índice de vegetação de diferença normalizada (NDVI), entre os estágios V7 e R1. A produtividade de grãos foi avaliada após a maturação fisiológica (R6). A análise de variância e de regressão e o teste de médias foram realizados com os dados de NDVI e produtividade de grãos, enquanto na análise multivariada foram acrescidos os de altura de plantas. As doses e fontes de nitrogênio não influenciaram os resultados de NDVI, que apresentou valor esperado ao longo do crescimento do milho. As doses de N em cobertura promoveram aumento da produtividade com doses ótimas variando entre 120 kg ha-1 de N (11.710 kg ha-1) e 160 kg ha-1 de N (10.009 kg ha-1).