In this paper, we explore the possibility of radical behaviorism to respond to the challenges posed by Merleau-Ponty to scientific psychology. According to this philosopher, modern dichotomous thinking places every psychological project in a stalemate: it adopts either mentalism, distancing itself from science, or physiologism, distancing itself from psychology. For Merleau-Ponty, the notion of behavior could be a way to avoid this impasse as long as behavior was taken as a phenomenon in its own right. However, the first behaviorist proposals did not follow this path. But what about radical behaviorism? To answer this question, we begin with different understandings of the notion of behavior found both in B. F. Skinner's works and in the behavior-analytic literature. Considering the diversity of positions, we adopt the Merleau-Ponty stance that sees ambiguity as a constitutive characteristic of the behavioral phenomenon. From there, we present an understanding of behavior based on a relational ontology that could respond to the challenges posed by Merleau-Ponty. This proposal updates the philosophical potential of radical behaviorism, allowing it to dialogue with other traditions that have historically attempted to overcome the alternatives of mentalism and physiological reductionism.
Mais de 200 mil famílias foram direta ou indiretamente afetadas pela subsidência do solo causada pela extração de sal-gema realizada pela Braskem em Maceió, configurando, assim, o maior crime corporativo socioambiental urbano em andamento no mundo. O presente ensaio visual é fruto de um encontro etnográfico entre Laryssa Owsiany (que, à época, realizava sua pesquisa de doutorado) e Carlos Eduardo Lopes, seu interlocutor e idealizador do projeto Cotidiano Fotográfico. Juntos, eles percorreram as rotas de fuga e os escombros dos territórios arruinados pela mineração na capital alagoana, consolidando, assim, uma grande parceria de pesquisa. O recorte apresentado neste ensaio visual se concentra em manifestações de fé expressas por meio de intervenções artístico-políticas nos “bairros fantasmas”.
Este ensaio revisita o debate entre humanismo moderno e anti-humanismo com o objetivo de examinar a possibilidade de estabelecimento de um novo humanismo. Apresentamos a concepção de ser humano autônomo e desnaturalizado a partir do humanismo moderno. Indicamos que a crítica anti-humanista, catalisada pelas ciências humanas, atingiu parcialmente o cerne da concepção humanista. Mas, embora o anti-humanismo denunciasse o caráter ilusório da noção de autonomia humana, ele ainda preservou a ideia de um ser humano separado da natureza, reforçando a dicotomia entre as ciências naturais e as ciências humanas. Encontramos no relacionismo multidimensional de B. F. Skinner uma possibilidade do renascimento do ser humano. O que renasce, porém, não é o ser humano do humanismo moderno, pois nesse novo humanismo o ser humano não é desnaturalizado e suas atividades reflexivas e transformadoras se constituem intersubjetivamente e não isoladamente. Além disso, esse novo humanismo procura compreender o ser humano na relação transdisciplinar (e não dicotômica) entre diferentes ciências, ressuscitando as especificidades humanas na trindade antropológica espécie-indivíduo-sociedade, que constitui um mundo natural complexo governado por ordens vitais, individuais e socioculturais. Nesse novo humanismo, a condição humana define-se pela possibilidade de prospectar e gerar culturas e indivíduos sensíveis às diferentes vidas, humanas e não humanas, do presente e do futuro.
Aunque no se trata de una filosofía centrada en el yo, el conductismo radical puede discutir esta noción. Desde una perspectiva conductista, el yo puede ser entendido como un repertorio verbal complejo compuesto de autoconocimiento, autocontrol y autogobierno ético (en algunos casos, contracontrol). Como es un repertorio verbal, el yo tiene una génesis social. Esta tesis permite un análisis político, reconociendo que las relaciones de poder permean las contingencias sociales responsables de la constitución del yo. Sin embargo, una concepción radicalmente social del yo, como la que propone el conductismo skinneriano, plantea un problema político: si el entorno social determina enteramente al yo, ¿de dónde vendría la eventual “voluntad” de ruptura con este sistema, como la que muestran los “yoes” comprometidos con el cambio político? A primera vista, la posibilidad de una acción política transformadora parece requerir mantener una noción descontextualizada del yo, es decir, un yo iniciador. Esta conclusión parece cuestionar la posibilidad de que el conductismo radical dé cuenta de un yo políticamente activo. Considerando esa dificultad, este trabajo propone una interpretación política del yo en el conductismo radical, manteniendo en el horizonte la posibilidad de una acción política transformadora. Para ello, examinamos cómo los “yoes” oprimidos se vuelven sumisos y cómo ciertas contingencias permiten el surgimiento de “yoes” subversivos, que se oponen al sistema de dominación. La constitución de este yo desobediente depende de contingencias diferentes a las formalmente organizadas por las agencias controladoras poderosas, como el gobierno, la religión y, principalmente, la economía. Un yo subversivo también requiere un repertorio “más amplio” de autoconocimiento, incluida la discriminación del control que estas agencias poderosas promueven. Finalmente, el yo subversivo también exhibe un repertorio bien establecido de autocontrol, ya que actuar contra el control institucional es muy probable que produzca consecuencias aversivas inmediatas. Concluimos que el análisis de las contingencias responsables de la constitución de un yo subversivo nos permite hablar de un yo políticamente activo en el conductismo radical.
Esse texto coletivo surgiu a partir da interação entre Roberto Lima e Camila Prates (pesquisa as controvérsias tecnocientíficas em contextos de conflitos e desastres ambientais) na mesa de encerramento da 6ª Semana de Antropologia da UFS ocorrida no dia 24 de novembro e dos aportes de Juliane Lima (pesquisa o conflito ambiental da Braskem) e Carlos Lopes (pesquisador da etnofotografia no contexto do desastre), no chat do evento. A partir disso surgiu a ideia de fazer uma entrevista ao trio de pesquisadores sobre o desastre da Braskem em Maceió. Rapidamente foi organizado coletivamente os pontos de interesse meus e dos colegas e a conversa foi realizada no dia 6 de dezembro de 2024. Essa versão que está sendo publicada é o resultado da transcrição da conversa com a revisão por cada um dos autores de suas falas individuais. Convém lembrar que o desastre da Braskem se dá em decorrência da extração de Sal-gema no subsolo alagoano (iniciado na década de 1970). O desastre foi direcionado pela extração industrial e sem as devidas fiscalizações, com o Serviço Geológico do Brasil atestando a Braskem como responsável pelo afundamento (subsidência) do solo de cinco bairros.
A primeira tradução para o português do livro Science and Human Behavior(S&HB), de 1953, foi publicada em 1967 no Brasil. O trabalho de tradução ocorreu em respostaa uma necessidade premente, na época, de produção de material para as disciplinasdo então novo curso de psicologia da UnB, concorrendo com outras demandas de traduçãoatribuídas aos tradutores. Diante desse contexto, não seria surpreendente se houvesse falhasna tradução de alguns termos. Porém, mesmo com mais de dez edições, uma revisão datradução ainda não foi feita. Este artigo ilustra a necessidade de uma tradução revisada dolivro por meio do exame do conceito de força do comportamento operante, que desapareceuna tradução para o português. Além de indicar como ocorreu esse desaparecimento, discutiremosalgumas dificuldades dele decorrentes, tanto para diferenciar os efeitos de processoscomportamentais básicos, quanto para enfrentar questões epistemológicas relativas ao papelda teoria no sistema skinneriano. Uma vez que S&HB é o livro de Skinner mais citado naliteratura analítico-comportamental nacional, revisar essa obra seminal seria uma forma dehonrar o importante legado de tradução deixado pela primeira geração de analistas do comportamento.
Examinamos neste artigo a arrojada tese defendida por Abib no ensaio “O que é Comportamentalismo?”, qual seja, a de que a história do Comportamentalismo começa com Skinner, e não com Watson. Para explicitar seus argumentos, apresentamos, inicialmente, a forma de trabalho intertextual de Abib, pautada em uma interpelação filosófica e cultural do texto psicológico. Com base nesse método, Abib delineia uma história filosófica do Comportamentalismo, descortinando os compromissos epistemológicos e metafísicos das teorias do comportamento de J. B. Watson, E. C. Tolman e B. F. Skinner. O resultado dessa investigação conceitual mostra que apenas a teoria de Skinner é capaz de realizar o sentido originário da proposta de psicologia comportamentalista, que é explicar os fenômenos psicológicos no comportamento. Destacamos algumas vantagens da história filosófica de Abib sobre outras versões da história do Comportamentalismo, e concluímos que sua análise arqueológica fornece ferramentas heurísticas profícuas para nos ajudar no debate sobre propostas comportamentais contemporâneas.
Publicado em 1953, Science and Human Behavior (S&HB) foi inicialmente escritopor B. F. Skinner com o propósito de auxiliá-lo em suas aulas para alunos de graduação emHarvard. À época, resenhas do livro consideraram a obra uma “nova psicologia”, e um retratobem-acabado do sistema científico de Skinner. Neste ano, S&HB completa 70 anos, o quepode sugerir que o livro é datado. O objetivo deste artigo é defender que a leitura de S&HBainda pode ser proveitosa, mesmo para analistas do comportamento. Para sustentar essa tese,discutiremos a necessidade de uma leitura integral da obra, respeitando sua estrutura sistêmicae recursiva. Por meio dessa estratégia, pretendemos dar relevo a algumas característicasda proposta skinneriana que tendem a ser negligenciadas tanto no ensino quanto na pesquisaem Análise do Comportamento.
A group can be considered countercultural when its actions explicitly contest dominant values and cultural practices, to build a new form of social organization.This essay aims to show that Behavior Analysis has a countercultural potential that can be explored in confronting oppressive cultural practices that prevail in Brazil.The countercultural potential of Behavior Analysis is found in the multidimensional, anti-essentialist and anti-mentalist conception of the human being, defended by Radical Behaviorism.These elements have more prominence when analyzed politically, considering oppressive practices (e.g., sexism, LGBTphobia, and racism) and practices of concealment of oppression that are part of the dominant culture in our country.We conclude by defending the need to abandon political neutrality, which does not mean abdicating objectivity and the search for reliable knowledge, but opposing scientific and professional practices that are compatible with exploitative and unfair society projects.
Tributários da compreensão dialética, ou não linear, de comportamento delimitada por Merleau-Ponty (La Structure du Comportement), E. Thompson (Mind in Life) e S. Gallagher (Enactivist Interventions) alegam que ela contrasta com uma compreensão behaviorista a respeito. Segundo tal linha de raciocínio, ainda que algumas análises enativistas e comportamentais de categorias psicológicas (por ex., raciocínio matemático) assemelhem-se, resultam muito diferentes sob um olhar mais atido, em razão de diferentes compromissos filosóficos sobre o comportamento. Tanto aquelas como estas situam na dinâmica interativa organismo-ambiente os fenômenos psicológicos e seus fatores explanatórios decisivos, além de dispensarem a postulação de representações simbólico-computacionais no cérebro para interpretá-las. Porém, Thompson e Gallagher pensam que seu enativismo, mas não “o behaviorismo”, é não linear. Discute-se aqui que a crítica merleau-pontyana das noções comportamentais ligadas ao fisiologismo e ao mecanicismo cartesiano, embora possa atacar o behaviorismo inicial (associado a J. B. Watson), não atinge o delineamento (behaviorista radical) de Skinner, conectado ao que este veio a chamar de modelo de seleção pelas consequências. Ou seja, a concepção de Skinner, como a de Merleau-Ponty, qualifica-se também como dialética, ainda que seu vocabulário às vezes conote diferentemente. Algumas propostas enativistas e comportamentais sobre categorias psicológicas resultam mais próximas do que Thompson e Gallagher sugeriram.
As diferenças epistemológicas entre Skinner e Platão são amplamente conhecidas. Contudo, no âmbito político, Skinner parece aproximar-se de Platão, inclusive mencionando a República como uma inspiração para Walden two. Partindo dessa afinidade, este artigo tem o objetivo de explicitar semelhanças e diferenças políticas entre Walden two e a República. Para evitar um anacronismo com o termo ‘política’, em obras temporal e culturalmente diferentes, as discussões amparam-se na proposta sistemática de Aristóteles. De acordo com essa proposta, o campo político envolve, pelo menos: i) as formas de governo; ii) as características das populações governadas; e iii) os mecanismos utilizados para evitar a degeneração do governo. Seguindo esses pontos, é possível concluir que a proposta política de Walden two converge com a platônica, principalmente no que diz respeito à adoção de uma aristocracia. A despeito dessa afinidade, o argumento de Skinner para justificar uma aristocracia tecnocientífica enfrenta problemas que estão ausentes na República. Isso coloca em dúvida a coerência de Walden two com alguns dos pressupostos filosóficos do comportamentalismo radical.Palavras-chave: Walden two, República, Política, Utopia.
: Analyzing the economic system in force, some authors have argued that, currently, we live in the new culture of capitalism, characterized by a flexible economic structure, which demands from workers something far beyond their own limits, capabilities and moral conceptions. It is an organization without a long-term vision, fixing employees in the dilemmas of the present and in a work activity with innocuous and uncritical tasks. It seems that this social model has also influenced academic work, leading to unbridled productivism and making scientific content uncritical and static. Based on these analyzes of the contemporary context, this research aimed to
Resumo A literatura tem indicado algumas aproximações entre as propostas de Skinner e Wittgenstein, como, por exemplo, a crítica às concepções tradicionais de linguagem psicológica. Wittgenstein assenta essa crítica na impossibilidade de uma linguagem privada, enquanto Skinner a faz por meio do conceito de eventos privados. Contudo, esse conceito parece não ser consistente com a proposta de Wittgenstein. Partindo dessa hipótese, este artigo pretende reavaliar o papel do conceito de eventos privados no comportamentalismo skinneriano à luz das discussões críticas de Wittgenstein. Para isso, é feita uma comparação entre as propostas de Wittgenstein e de Skinner, evidenciando que o conceito de eventos privados é suscetível às críticas de Wittgenstein às concepções tradicionais da linguagem psicológica.
RESUMO: Apesar de encaminhar a superação do dualismo metafísico, o conceito de evento privado não se apresenta de forma consensual, nem é unânime na abordagem analítico-comportamental dos fenômenos subjetivos. O debate travado entre defensores e críticos do conceito, contudo, parece não enfrentar satisfatoriamente uma importante questão: a noção de privacidade como inacessibilidade a estímulos promove a vinculação dessa proposta a pressupostos filosóficos incompatíveis com o projeto comportamentalista radical. Este trabalho apresenta argumentos críticos para a superação da noção de privacidade e do conceito de evento privado, propondo caminhos alternativos de análise. Questiona-se a desvinculação entre observação e interpretação presente na raiz da distinção público-privado, propondo-se a substituição da noção de privacidade pela noção de complexidade.
Evolutionary biology has been a stage of debates between neo-Darwinian and neo-Lamarckian theories. Neo-Darwinism explains every evolutionary process in terms of the selection of random genetic variations. Thus, whatever takes place in the individual’s life history, in its development and learning, does not interfere in the evolutionary course. Whereas, neo-Lamarckian theory upholds the existence of multiple sources of variation, not always random ones, on which selection operates; it also concedes that development and learning may influence evolution. The goal of this essay is to show that Skinner’s model of selection displays features of a neo-Lamarckian evolutionary theory. It concludes that such approximation would help behavior analysis to actively participate in contemporary discussions about evolutionary biology.
A biologia evolutiva tem sido palco de um debate entre as teorias neodarwinista e neolamarckista. Oneodarwinismo explica todo processo evolutivo em termos da seleção de variações genéticas randômicas,assim, o que acontece no âmbito da história de vida do indivíduo, no desenvolvimento e naaprendizagem, não interfere no curso evolutivo. Já a teoria neolamarckista defende a existência demúltiplas fontes de variação, nem sempre randômicas, sobre as quais a seleção opera; ela também admiteque desenvolvimento e aprendizagem podem influenciar a evolução. O objetivo deste ensaio é mostrarque o modelo selecionista skinneriano apresenta características de uma teoria evolutiva neolamarckista.Conclui-se que essa aproximação ajudaria a análise do comportamento a participar ativamente dediscussões contemporâneas da biologia evolutiva.
O comportamentalismo radical foi e ainda é considerado uma filosofia do controle social, reacionária e até antidemocrática. Enfrentando essas críticas, Holland enfatizou o papel político da análise do comportamento em um engajamento voltado para a transformação social, no qual o contracontrole teria papel central. Tendo em vista a persistência das críticas sociais e políticas, este artigo teve como objetivo analisar a repercussão da proposta política de Holland na literatura brasileira especializada em análise do comportamento. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica em 437 artigos nos três periódicos especializados em análise do comportamento atualmente ativos. Os dados obtidos mostram que as propostas de Holland não tiveram repercussão expressiva na literatura analisada. O autor é citado em apenas 1,83% do total de publicações. A menção ao contracontrole também não foi expressiva (2,28%), sugerindo que não se trata de um conceito central para as discussões da área.