INTRODUCTION:Diabetes mellitus (DM) is associated with negative psychological conditions, specifically burnout, in cases where there is less glycemic control and longer illness time. The aim of this study was to adapt and validate the Diabetes Burnout Scale [DBS, Escala do Burnout na Diabetes (EBD)] into European Portuguese, as an evaluation measure tailored to the Portuguese context. METHODS:The scale was translated, retranslated and adapted. This study resorted to online and in-person collection of a convenience sample of people with DM. Reliability tests and convergent validation tests were performed, using the EQ-5D-5L and Problem Areas in Diabetes Scale 5 (PAID-5) as reference. Factor structure was evaluated using fit and invariance tests. Associations between the total score of the scale and variables like the respondents' most recent glycated hemoglobin (HbA1c) and socioeconomic index were analyzed. RESULTS:A total of 1070 people with DM participated, 50.6% male and 49.3% female, with an average age of 56.0 ± 15.7 years and an average time since diagnosis of 20 ± 12.3 years. A three-factor structure was ascertained with a good fit: exhaustion, detachment and loss of control - invariant by sex and DM type. The internal consistency, as given by Cronbach's Alpha, was 0.885. Spearman's correlation showed the relation between EBD total score and EQ-5D-5L utility index (ρ = -0.382, p < 0.001), PAID-5 total score (ρ = 0.638, p < 0.001), and most recent HbA1c (ρ = 0.295, p < 0.001). CONCLUSION:The EBD scale was successfully adapted and validated for European Portuguese.
Background: Women’s rugby sevens is rapidly expanding, yet injury patterns remain poorly understood, limiting prevention strategies. This systematic review aimed to describe injury incidence, severity, burden, and risk factors across competitive levels. Methods: Original studies on senior or U19 women’s rugby sevens reporting ≥ 2 epidemiological variables were included; studies on men, mixed samples without disaggregation, 15-a-side rugby, other sports, or players below U19 were excluded. Searches were conducted in PubMed, Google Scholar, ScienceDirect, SpringerLink, and Scielo (last searched September 2024), supplemented by gray literature and hand searching. Risk of bias was assessed with ROBINS-I, and study quality was assessed with STROBE. Results were tabulated and synthesized narratively due to heterogeneity. Results: Fifteen studies were included. Injury incidence ranged from 40.5 to 153.6 per 1000 match h at the elite level and 26.5–46.3 at the community level. Severity was higher in elite players (45.6–124 days) than in community players (29.6–58.4 days). Lower-limb joint/ligament injuries predominated, contact (especially tackling) was the main mechanism, and injuries often occurred in the second half. Conclusions: Evidence was limited by small samples, inconsistent reporting, and a moderate risk of bias. Injuries are frequent and severe, especially in elite players, highlighting the need for targeted prevention and improved surveillance.
Purpose:Medication adherence is crucial for blood pressure control. Knowledge of medication adherence and its influencing factors, particularly within cultural and healthcare contexts, is essential for developing effective strategies to enhance medication adherence. Qualitative studies have explored patients' perspectives globally. Few have focused on strategies to improve adherence, and such research is lacking in Portugal. This study aimed to gather the perspectives of Portuguese patients with Arterial Hypertension (HTN) concerning the most effective strategies to enhance adherence to antihypertensive medication and to understand its contributing factors. Methods:We conducted qualitative research through online focus groups of four to ten participants each. Participants were adult patients with HTN taking at least one antihypertensive drug from the primary care setting. The number of focus groups was achieved through theoretical saturation. Purposive sampling was used, with patients recruited through their family doctors. Participants were recruited from all seven Portuguese regions, representing both sexes, controlled and uncontrolled HTN, and a diverse range of educational levels, employment statuses, living arrangements, and socioeconomic statuses. Meetings were audio-recorded and transcribed. Two researchers conducted content analyses using MAXQDA 2023 through comparative analyses and consensus. Results are presented narratively. Results:Four focus groups were conducted. Findings reported patients' strategies to improve adherence to pharmacological therapy for HTN. These included changes to medication and blister packs, such as a color-coded system. Other strategies involved reducing medication costs and making specific suggestions for primary healthcare. Patients additionally proposed psychological support and technological aids. Barriers such as difficulties in accepting medication and facilitators, such as fears of complications associated with HTN, were also identified. Conclusion:These results highlight the multifaceted perspectives of Portuguese patients with HTN and emphasise the role of technology, family support, and primary health services in promoting adherence. Such insights should be incorporated when addressing medication adherence in HTN.
Introdução: A insuficiência cardíaca crónica (ICC) compromete a qualidade de vida (QdV). O Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ) é um instrumento específico de avaliação da QdV na ICC, tendo sido recentemente desenvolvida uma versão curta, com propriedades psicométricas semelhantes à versão longa, que carece de validação para Portugal. Objetivos: Realizar a adaptação cultural e validação para o português europeu da versão curta do KCCQ. Métodos: Estudo observacional transversal em amostra de conveniência de doentes com ICC, em 2024, em consulta presencial de medicina geral e familiar (MGF), aplicando a versão curta do KCCQ e perguntas de contexto sociodemográfico e clínico, após autorização dos autores originais, utilizando frases adaptadas. Realizou-se estatística descritiva, inferencial e correlacional. Resultados: Amostra de 87 doentes, 45 (51,7%) do sexo feminino. Reconheceram sofrer de ICC n=65 doentes (74,7%), n=36 (55,4%) do sexo feminino, sendo a multimorbilidade e polifarmacoterapia superiores no sexo masculino. O valor de KCCQ estava acima da mediana em 45 doentes (51,7%), tendo o sexo feminino pior QdV. Com o KCCQ Overall Summary Scale verificaram-se as seguintes correlações: com índice socioeconómico r=-0,003; p=0,985, com o número de medicamentos tomados por dia r=0,029; p=0,834, com o número de doenças r=0,058; p=0,673 e com o grupo etário r=0,056; p=0,579. Discussão e Conclusão: A versão curta do KCCQ é de mais fácil aplicação na avaliação da QdV específica da ICC. Os resultados mostraram independência da QdV pelo KCCQ em função das variáveis estudadas, refletindo a sua transversalidade.
Introdução: Em situações de menor controlo glicémico e de doença prolongada, a diabetes mellitus (DM) está associada a condições psicológicas negativas, nomeadamente o burnout. Este trabalho teve como objetivo adaptar culturalmente e validar a Diabetes Burnout Scale [DBS, Escala do Burnout na Diabetes (EBD)] para o português europeu, como medida de avaliação populacional. Métodos: Procedeu-se à tradução, retrotradução e verificação de legibilidade da escala. A validação foi realizada pela recolha online e presencial em amostra de conveniência de pessoas com DM, sendo estudada a precisão e efetuada a validação convergente com as escalas EQ-5D-5L e Problem Areas in Diabetes 5 (PAID-5), já validadas para o português europeu. Realizou-se uma análise fatorial exploratória e confirmatória da EBD e verificou-se a associação entre a pontuação total da escala, o mais recente valor de hemoglobina glicada (HbA1c) e o índice socioeconómico dos inquiridos. Resultados: Participaram 1070 pessoas com DM, 50,6% homens e 49,3% mulheres, com idade média de 56,0 ± 15,7 anos e tempo médio de DM de 20,0 ± 12,3 anos. A EBD foi estruturada com base em três fatores – exaustão, desprendimento e perda de controlo – não diferentes por sexo e por tipo de DM. A consistência interna foi de 0,885 pelo alfa de Cronbach. Determinou-se a correlação de Spearman entre a pontuação total da EBD e o índice de utilidade EQ-5D-5L (ρ = -0,382, p < 0,001), o total PAID-5 (ρ = 0,638, p < 0,001), e a HbA1c mais recente (ρ = 0,295, p < 0,001). Conclusão: Foi possível efetuar a adaptação cultural e validação da escala EBD para o português europeu.
Objetivo: Avaliar o fenómeno do impostor (FI) nos médicos especialistas em medicina geral e familiar (MGF), segundo o sexo e o tempo de prática de especialidade, verificando a associação entre FI e distress ou sofrimento psicológico. Métodos: Estudo observacional transversal numa amostra de conveniência de especialistas de MGF, por aplicação de um questionário em redes específicas de conversação com os questionários Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS) e Patient Health Questionnaire-4 (PHQ-4) em 2023. Resultados: Numa amostra de n=304 verificaram-se diferenças significativas para o distress por sexo, pior na mulher (p<0,001) e número de anos de especialidade, os mais novos sofrendo mais (50,2%), para prática profissional até cinco anos para 27,6% e de 11,1% acima dos 16 anos de prática profissional (p=0,008). O FI foi significativamente diferente para o número de anos de prática de especialidade, os mais novos sofrendo mais (p<0,001). O distress ou sofrimento psicológico moderado ou severo verificou-se em 21,7% da amostra, a mulher tendo significativamente mais distress moderado ou severo, p<0,001. Verificou-se uma correlação positiva, fraca e não significativa entre o distress ou sofrimento psicológico e o FI, r=0,066, p=0,249, em valor absoluto de cada escala. Discussão: O FI estava fraca e não significativamente relacionado com sofrimento psicológico, mas tem impacto negativo no status funcional do indivíduo, pelo que devem ser pensadas medidas mitigadoras a nível pessoal e institucional. Conclusão: Verificou-se uma frequência de 27,6% de médicos em FI frequentes ou intensos, sem diferença entre sexos, mas significativamente menor com o avançar dos anos de prática profissional. O distress ou sofrimento psicológico moderado ou severo verificou-se ser significativamente mais frequente no sexo feminino e nos especialistas mais novos. Foi fraca e não significativa a correlação entre FI e distress ou sofrimento psicológico.
Introdução: A versão portuguesa do Patient Satisfaction Questionnaire (PSQ-PT) implica a perceção, em autoavaliação pelo médico, da sua consulta. Objetivos: Verificar a confiabilidade e fiabilidade do Questionário e Satisfação Médica (QSM) e validá-lo convergentemente com a autoavaliação da satisfação da realização da consulta em medicina geral e familiar. Métodos: Adaptou-se o PSQ-PT para QSM e aplicou-se inquérito com o QSM, menor pontuação como melhor resultado, a questão “Como classifica a sua satisfação com as suas consultas, em geral?”, escala 1-10, 10 sendo a melhor e as perguntas de contexto sexo, categoria na carreira e tipo de unidade de saúde de trabalho, em dezembro/2023 e dezembro/2024, online em redes sociais específicas de conversação, com tamanho amostral mínimo de n=71 respostas, sem duplicados, em cada aplicação. Resultados: A fiabilidade verificou resultados iguais. Estudou-se amostra de n=265, 67,2% mulheres, 76,6% especialistas, 83,4% em modelo USF, n=149 em 2023 e n=116 em 2024. A confiabilidade foi de 0,675, alfa de Cronbach e se item excluído entre [0,634 e 0,685] e o Coeficiente de Correlação Intraclasse de 0,298 [0,161 a 0,420], intervalo de confiança de 95%. A correlação de Kendall entre o somatório de QSM e a satisfação com as consultas foi de r=-0,384, p<0,001. Apenas por sexos, o QSM foi significativamente diferente, p<0,001, homem 16,3±3,1 e mulher 18,3±3,1. Discussão: Estudo inédito em escala de boa consistência interna e fiabilidade, que permitirá melhoria futura da qualidade, adequando algumas das premissas pior respondidas. Conclusão: O QSM permite avaliar a satisfação profissional com a consulta em medicina geral e familiar, possibilitando a identificação de áreas passíveis de melhoria.
Introdução: A diabetes mellitus tipo 2, doença crónica necessita especial e adequado seguimento médico, implicando o conhecimento do sofrimento por com ela viver. Objetivos: Estudar as preocupações e receios de Pessoa que sofre de diabetes mellitus tipo 2 (PDM2) e comparar a sua abordagem pelo médico de medicina geral e familiar (MGF), com as experiências das PDM2. Métodos: Estudo observacional multifásico, quali-quantitativo, inicialmente entrevistando PDM2 e questionando em redes específicas de conversação para saber de preocupações e receios. Realizou-se análise temática de conteúdo, indutiva, com recurso a Excel, sendo todas as questões resolvidas por consenso. Foi realizado questionário semelhante a MGF em rede específica de conversação e presencialmente a PDM2 em quatro Unidades de Saúde Familiar (USF), pessoas e unidades escolhidas em conveniência. Resultados: Por entrevistas a 40 PDM2, 52,5% mulheres, 35,0% maiores de 65 anos e 32,5% com idade inferior a 50 anos foram revelados quatro temas principais: receio de complicações, sofrimento, preocupações com cuidados médicos e receios quanto à medicação. Segunda fase com entrevistas pela mesma investigadora a 44 PMD2 sem diferenças significativas nos temas, segundo as variáveis sociodemográficas estudadas. Para 97,7% das PDM2, a abordagem destes temas em consulta melhoraria o controlo da DM2. Todos os entrevistados afirmaram ausência de questionamento sobre complicações/consequências da doença, sofrimento pela DM2 e preocupações relacionadas com os cuidados médicos. Para as mesmas questões, 44,3%, 62,5% e 70,5% dos médicos referiram não as questionarem. Nos receios com a medicação, 93,2% das PDM2 não referiu questionamento e 25,0% dos médicos afirmou não questionar. Discussão/Conclusão: A abordagem em consulta de MGF dos quatro temas principais, receios de complicações, fatores de sofrimento, preocupações quanto a seguimento médico e medos pela medicação encontrados, ainda não estava percebida na perspetiva da Medicina Centrada na Pessoa, podendo a sua abordagem pelos MGF melhorar o controlo da PDM2.
Humans spend around 90 % of their time indoors, making Indoor Air Quality (IAQ) of utmost importance. Its importance has been recently highlighted by COVID-19. However, IAQ significantly impacts public health, concerning not only respiratory, but also cardiovascular diseases. The World Health Organization defines One Health as "an approach to designing and implementing programmes, policies, legislation and research in which multiple sectors communicate and work together to achieve better public health outcomes". This scoping review fills a gap in the literature by exploring the One Health approach, which integrates human, animal, and environmental health, applied to the study of airborne transmission. We searched various databases for articles that assessed microbiological IAQ using the One Health approach. Eligible documents assessed air contamination, with a focus on infectious threats and antimicrobial resistance. Our work maps the topics covered, the methodologies employed, and the evidence gaps identified. Our literature search yielded 8471 articles, from which 18 studies were selected for detailed analysis. Findings indicate that the One Health approach effectively addresses the complex challenge of airborne microbiological contamination. This approach comprises a comprehensive view of topics, contexts, agents and methodologies employed to study airborne transmission in indoor spaces. The agents included range from influenza, legionella and others, to the dispersal of mycotoxins and antibiotic resistance genes. The role of animals in diverse human-animal interaction settings was highlighted as a significant factor influencing IAQ, particularly in relation to zoonotic spillover risks, and the airborne transmission of antimicrobial resistance. The review also identified evidence gaps in research and highlighted the need for interdisciplinary collaboration. Incorporating One Health principles into IAQ research is essential for developing comprehensive health strategies that can address both current and emerging infectious threats. Future research should prioritise settings involving animal-human indoor interactions, focusing on workplace contamination, zoonotic spillover, emergent threats, and the airborne transmission of antimicrobial resistance, to ensure a robust framework for safeguarding global health.
Introdução: Os problemas dentários são muito prevalentes e associam-se a comorbilidades comuns. Isso é particularmente importante na medicina geral e familiar, que aborda todo o tipo de doentes e constitui frequentemente o primeiro contacto com o sistema de saúde. Objetivos: Caracterizar a população que recorre a unidades de cuidados de saúde primários com problemas dentários, assim como o registo e classificação clínicos associados. Métodos: Realizou-se um estudo observacional transversal dos utentes do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego com classificação ICPC-2 de problemas dentários ativos a 31/dezembro/2021. Esses utentes foram analisados segundo características sociodemográficas, tipo de unidade de saúde de inscrição, utilização de cheque-dentista e comorbilidades. Resultados: Obteve-se uma amostra de 5.335 doentes, 70% inscritos em USF, 29,5% em UCSP e 0,5% não inscritos. Foi observada uma maior prevalência de problemas dentários em Condeixa-a-Nova (2,1%). A maioria dos utentes era do sexo feminino (57,3%) e maioritariamente adultos (54,0%). Em número absoluto, a mulher teve maior número de cheques-dentista emitidos e não utilizados e, em termos relativos, o homem foi menos utilizador do cheque-dentista. Foram os jovens quem mais cheques-dentista recebeu. o Capítulo ICPC-2 mais associado à patologia dentária foi o músculo-esquelético, seguindo-se o endócrino, metabólico e nutricional. As comorbilidades mais frequentes foram alteração do metabolismo dos lípidos, perturbação depressiva e excesso de peso. As diferenças geográficas na classificação de problemas dentários podem dever-se a problemas sociais e à diferente atuação das equipas médicas. A maior frequência no sexo feminino pode traduzir maior preocupação das mulheres com a saúde oral. A baixa prevalência em idosos, grupo de risco possivelmente subdiagnosticado, impõe a necessidade de medidas corretivas. Conclusões: A patologia dentária no âmbito dos cuidados de saúde primários na região do Baixo Mondego carece de atenção, nomeadamente na sua classificação como problema de saúde.
Non-oncologic lower limb pain is a complex condition that influences patients’ quality of life and is challenging to manage due to its multifactorial nature. Traditional pain assessment methods focus on intensity, overlooking broader patient experiences. The Best-Worst Scale (BWS) is an approach that is increasingly used in healthcare, particularly in understanding patient preferences. The aim of this study is to map the existing research, identify key concepts, evidence types, and gaps in the literature on the management and implications of non-oncologic lower limb pain with the goal of enhancing patients’ quality of life using BWS methodology. A narrative review was performed and conducted between October and November 2024, in PubMed and the Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. The search strategy focused on chronic non-oncologic pain of the lower limb and another one on BWS and its application to the topic under study. From 124 articles, 16 were included. Regarding BWS, the studies describe it as a promising tool for improving healthcare research, highlighting its various applications, advantages, and limitations. They address the main concerns of osteoarthritis patients and their preferences regarding available treatments. Integrating BWS into clinical practice can lead to improved perception of pain assessment and greater patient satisfaction, shaping the treatment strategy based on patient preferences. The analysis suggests that BWS is a superior approach to other forms of assessing non-oncologic pain in the lower limbs. It may allow us to identify a mismatch between the goals of clinicians and the patient’s goals. Best-worst scales to be used in this area must be carefully adjusted when in general application, and their validity and effectiveness thoroughly evaluated. Future research should focus on the implementation and development of BWS in holistic approaches, ensuring both patient-centered and evidence-based treatment. Bridging these gaps will contribute to an improvement in the quality of life of individuals suffering from non-oncologic pain in the lower limbs.
Introduction:The degree to which patients are able to understand, cope with, and manage their illness and daily lives can be assessed using the Patient Enablement Instrument (PEI) questionnaire, a tool widely recognized as the gold standard for such evaluations. The primary objective of this study was to assess the level of agreement between patients and General Practitioners (GPs) in evaluating enablement following a consultation. Patients and Methods:A cross-sectional observational study was carried out using the PEI in urban area, (3,88% of patients without GP). Surveys were conducted with individuals over 18 years of age after their GP appointment. They were invited post-consultation to self-complete the PEI survey (range: 0-12) and sociodemographic questionnaire, following the written informed consent. Both patients and GPs completed the PEI. A minimum sample size of 108 participants was calculated, and a favourable opinion was obtained from the Ethics Committee of the Faculty of Medicine of the University of Porto (FMUP). Results:The study included 16 physicians and 238 patients (65.1% women, median age 59). Patients reported higher levels of enablement than GPs (median 8 vs 6), with a mean bias of 0.89. The agreement between the patients and the GPs was poor (42%-46%), and the reliability of the total score across the six PEI items (intraclass correlation coefficient: 0.126) was low. Conclusion:In this sample, GPs underestimated patients' perceived enablement levels. Enablement is multidimensional and depends on various clinical interactions and care processes. Factors influencing enablement and its impact on disease self-management and health outcomes should be explored in future research.
Objetivos: Avaliar a capacitação de pessoas sofrendo de diabetes mellitus tipo 2 (PsDM2) pelo Patient Enablement Instrument (PEI), em função da comunicação com o médico, avaliada pelo Communication Assessment Tool (CAT), segundo o contexto sociodemográfico. Métodos: Estudo transversal observacional de caráter académico e clínico, realizado nas USF Mondego e Manuel Cunha no concelho de Coimbra, em amostra de conveniência de tamanho representativo, recrutada entre julho e outubro/2023. Aplicaram-se PEI, CAT e as variáveis de contexto, idade, sexo, nível de escolaridade, rendimento mensal, tipo de família, com as três últimas, calculando-se o Socio-Economic Deprivation Index (SEDI). Utilizou-se estatística descritiva e inferencial, qui-quadrado, testes não paramétricos e correlacionais. Resultados: A amostra (n=110), constituída maioritariamente por homens (57,3%) e idosos (65,5% com ³65 anos), vivia acompanhada (76,4%) e apresentou níveis de escolaridade (52,7%) e rendimento mensal (62,7%) acima do mínimo. A última consulta de vigilância da diabetes ocorrera há três-seis meses para 51,8% e 51,8% julgaram não ter a sua doença controlada. Verificaram-se diferenças significativas segundo o grupo etário para o sexo (p=0,027), escolaridade (p=0,001) e rendimento (p=0,002). A correlação de Spearman entre SEDI e PEI foi fraca, negativa e significativa (ρ=-0,197, p=0,039), entre SEDI e CAT foi fraca, positiva e não significativa (ρ=0,084, p=0,382) e entre PEI e CAT foi negativa, fraca e não significativa (ρ=-0,119, p=0,217). Discussão: Em amostra masculina mais jovem e feminina mais idosa verificaram-se níveis de escolaridade e rendimento mais baixos para os indivíduos com idade ³65 anos. Classe socioeconómica mais alta associou-se a maior perceção da qualidade da comunicação do médico e classe socioeconómica mais baixa a maior capacitação. Estas são matérias centrais para melhores resultados em saúde a serem percebidas pelos médicos. Conclusão: Os médicos devem ter em atenção a classe socioeconómica das PsDM2 com quem comunicam.
Objetivos: Estudar o perfil da pessoa com perturbação depressiva (PD) segundo fatores de contexto como o sexo, a idade, o tipo de família e o nível socioeconómico no Centro de Portugal. Métodos: Estudo observacional transversal com dados de pessoas com PD em 31/dezembro/2022, pela Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Primários – 2 nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) Pinhal Litoral e Dão Lafões da região Centro, selecionados aleatoriamente com dados anonimizados, fornecidos pelo serviço informático da Administração Regional de Saúde do Centro. Resultados: Numa população de n=556.332 verificaram-se 69.215 casos de PD, 12,4% de prevalência, sendo de 13,3% em Dão Lafões e de 11,5% em Pinhal Litoral. Eram do sexo feminino 78,5% dos casos e 75,0% tinha idade igual ou superior a 40 anos. Nos 2.400 (3,5%) indivíduos com PD e tipo de família conhecido, 65,4% viviam em família nuclear. Nos 2.202 (3,2%) com nível socioeconómico conhecido, 58,1% estavam em classe Graffar média. As pessoas com PD do sexo masculino eram significativamente mais novas (57,4 vs 58,9 anos; p<0,001). A classe Graffar foi significativamente diferente segundo o tipo de família (p<0,001) e segundo a idade do doente (p<0,001). Discussão: Em 2022, a prevalência de pessoas com PD nos ACeS estudados foi superior no sexo feminino e em idade igual ou superior a 40 anos, à semelhança do descrito para Portugal. No homem, a PD poderá estar subdiagnosticada. A maior prevalência de PD nas classes Graffar média, média-alta e alta é algo a estudar. Conclusão: Nos cuidados de saúde primários, na região Centro, a PD estava associada ao sexo feminino, à idade igual ou superior a 40 anos, a viver em família nuclear e estar em classe Graffar média. Tipo de família e Graffar estavam subpreenchidos.
INTRODUCTION:Walk-in appointments (WIA) are intended to respond to acute situations or exacerbations of chronic pathology and are part of the clinical activity of a family doctor. It is necessary to know the reasons that lead patients to resort to this type of consultation and to understand whether these reasons are suitable for it, in accordance with the internal regulations of the two family health units (FHUs), so that we can properly adjust the offer of this kind of appointment or correct mistakes if it isn't being properly used. OBJECTIVES:Our goal was to characterize WIA in two FHUs during the first half of 2022, according to the frequency of reasons for the consultation, diagnosis using ICPC-2, patient referral, and adequacy of this type of appointment in accordance with the internal regulations of each FHU. METHODS:An observational cross-sectional study was performed, whose population was the patients observed in WIA from January to June 2022 in each FHU. Data was collected by a resident doctor in each FHU. An analysis was performed, anonymously, in accordance with the approved protocol. Descriptive and inferential statistics were performed. RESULTS:In a sample of 363 WIA, most patients were women (219 (60.3%)), and the mean age was 47.5 years. The highest number of appointments took place on Tuesdays (80 (22.0%)) and in May (73 (20.1%)). The most frequent reason for consultation was R05 "Cough" (50 (13.8%)), and the most frequently coded assessment was A98 "Health maintenance/prevention" (76 (20.9%)). Of the studied appointments, 144 (39.7%) did not meet the established criteria for this kind of appointment. CONCLUSION:There is a need to invest in health education, so that the public can be made aware of the specific indications for WIA versus a scheduled appointment. It is also crucial to emphasize the importance of complete, clear, and standardized consult notes associated with accurately classifying using ICPC-2.
INTRODUCTION:The perspectives of local healthcare professionals for developing effective strategies to enhance medication adherence in arterial Hypertension as well as its barriers have not yet been explored through qualitative research in Portugal. OBJECTIVES:This study aimed to assess the views of healthcare professionals including general practitioners/family physicians, nurses, and community pharmacists, from Portugal on effective strategies to improve medication adherence in Hypertension, and to identify factors hindering pharmacological adherence. METHODS AND ANALYSES:This was a qualitative study with synchronous online focus groups, in which, the participants were general practitioners/family physicians, family nurses, or community pharmacists in Portugal with experience managing patients with Hypertension. They were selected based on age, sex, and geographical region with the number of focus groups determined by theoretical saturation. Recruitment was facilitated through specific mailing lists. Purposive and snowball sampling techniques were employed. Focus group discussions were recorded and transcribed. Two researchers conducted content analyses via MAXQDA®2023, applying comparative analysis and reaching consensus. The results are described narratively. RESULTS:Three focus group discussions revealed a multifaceted approach to improving medication adherence for Hypertension. Key strategies to enhance coordination and communication among healthcare professionals, patients, and caregivers were identified. These included shared informatics software among healthcare professionals; using mobile applications and wearables; health literacy initiatives and patient empowerment; preprepared medication in pillboxes; involving family and the concept of a "family pharmacist". Participants highlighted barriers to medication adherence such as the lack of communication with patients concerning issues like medication adherence. CONCLUSIONS:This qualitative study outlines strategies to improve medication adherence among patients with Hypertension in Portugal. These involve improving healthcare coordination and communication, patient empowerment, and involving family and "family pharmacists" in supporting adherence. These strategies are based on the insights of healthcare professionals and could be implemented following robust intervention studies. CLINICAL TRIAL NUMBER:Not applicable.