Introdução: Pacientes com neoplasia hematológica são de alto risco para desenvolver neutropenia e infecção primária de corrente sanguínea associada a lesão de barreira mucosa (IPCS-LBM). Entretanto, há poucos dados na literatura comparando o manejo de cateter venoso central (CVC) nestes pacientes: deve ser mantido ou não? Objetivo: Descrever a conduta em relação ao CVC, em pacientes oncohematológicos, que desenvolveram IPCS-LBM. Avaliar a recorrência das infecções, assim como o tempo de defervescência da febre e a evolução. Método: Estudo retrospectivo, descritivo, que incluiu adultos com neoplasia hematológica, internados no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, de janeiro a dezembro de 2023, que desenvolveram IPCS-LBM, segundo critérios da ANVISA e que possuíam um CVC (inserção central ou periférica), no momento da infecção. Excluídos pacientes em cuidados paliativos exclusivos. Recorrência da infecção foi definida como crescimento da mesma bactéria em sangue, em 90 dias. A retirada ou não do CVC e fatores como doença oncológica, agente etiológico, perfil de resistência, defervescência da febre, evolução e critério para ICS relacionada ao CVC, foram avaliados. Resultados: Ocorreram 27 episódios de IPCS-LBM em pacientes com CVC. Dezenove (70%) tiveram o CVC mantido (Grupo 1) e 8 foram removidos (Grupo 2). A média de retirada de CVC foi de 3 dias (1-5 dias). A neoplasia mais frequente nos dois grupos foi Leucemia Mielóide Aguda (17 pacientes; 63%). O CVC de inserção periférica (PICC) foi o mais usado no Grupo 1 (84%), mas 50% no Grupo 2. O tempo médio de defervescência da febre foi 1,8 dias (1-6 dias) no grupo que manteve o CVC e 3,3 dias (1-8 dias), no outro grupo. Recorrência da infecção ocorreu em 2 casos que mantiveram o cateter (11%). Os Gram negativos foram os agentes mais comuns em ambos os grupos (65% x 90%), sendo E. coli o mais frequente no Grupo 1 e K. pneumoniae, no Grupo 2. Mortalidade em 7 dias foi maior no Grupo 1 (16% x 0), mas aos 90 dias, no Grupo 2 (32% x 40%, respectivamente). Conclusão: Pacientes oncohematológicos necessitam de CVC para quimioterapia, antibiótico ou transfusão de sangue e derivados. Desta forma, a manutenção do CVC num episódio de IPCS-LBM minimizaria o risco de um novo procedimento. Em nossa descrição, a permanência do CVC em episódios de IPCS-LBM pareceu segura, embora casos de recorrência e óbitos tenham ocorrido. A presença do PICC pode ter contribuído para a permanência do dispositivo. Estudos com número maior de casos são necessários.
Introdução: A vancomicina é um glicopeptídeo, indicado para tratamento de infecções graves por bactérias gram-positivas, principalmente Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA). Todavia, alcançar uma dose apropriada requer monitoramento do nível sérico. Estudos experimentais e clínicos mostram a área sob a curva (AUC) como melhor parâmetro para esse monitoramento. Objetivo: O objetivo desse estudo foi avaliar a necessidade de ajuste da dose de vancomicina baseado no cálculo da AUC realizado pelo farmacêutico clínico. Método: Foram avaliados retrospectivamente os prontuários dos pacientes que receberam tratamento com vancomicina no período de setembro de 2023 a abril de 2024. Para obtenção do valor da área sob a curva, os farmacêuticos clínicos utilizaram o software Sanford Guide Vancomycin Calculator®. O cálculo do nível sérico ocorreu após coleta de sangue em dois tempos, pico após administração da quarta dose e vale antes da quinta dose. Resultados: Foram analisados 107 pacientes (103 adultos e 4 crianças). No primeiro cálculo da AUC dos pacientes adultos, 56 (54%) estavam dentro da faixa terapêutica e 47 (46%) estavam fora dos valores de referência. Das AUC fora da faixa terapêutica, 24 (23%) estavam abaixo de 400 μg/mL e 23 (22%) acima de 600 μg/mL, sendo necessária intervenção do farmacêutico clínico junto ao médico para ajuste da dose, obtendo uma aceitabilidade de 89%. Após ajustada a dose, 30 (64%) pacientes finalizaram o tratamento ou tiveram a vancomicina suspensa antes da próxima coleta de nível sérico, 9 (19%) necessitaram de novo ajuste da dose e 8 (17%) entraram dentro da faixa terapêutica. Das 4 crianças que fizeram uso de vancomicina nenhuma atingiu a faixa terapêutica na primeira coleta do nível sérico, 3 (75%) crianças tiveram a terapia substituída após a primeira AUC, e 1 atingiu a faixa terapêutica após dois ajustes de dose. Conclusão: A faixa terapêutica na primeira AUC calculada não foi atingida em aproximadamente metade dos pacientes em uso de vancomicina, sendo necessária intervenção do farmacêutico. Evidencia-se a importância do acompanhamento multiprofissional e presença do farmacêutico clínico no ciclo de monitoramento do nível sérico da vancomicina para viabilizar o ajuste precoce da dose e, consequentemente, redução da falha terapêutica.
Introdução: Vancomicina possui estreito índice terapêutico, e sua ineficácia e toxicidade estão diretamente relacionadas a níveis séricos inadequados. Diretrizes publicadas em 2020 reconhecem que o uso da AUC (área sob a curva) entre 400 e 600 maximiza a eficácia clínica e minimiza o risco quando comparado à dosagem tradicional baseada no vale. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo geral avaliar o impacto da reestruturação e implementação de Protocolo de Vancocinemia institucional, utilizando AUC e tomada de decisão pela equipe Médica e de Farmácia Clínica. Como objetivos específicos, garantir as doses corretas de ataque e manutenção, conforme peso real e AUC; garantir avaliação da AUC sempre que necessário, e consequente correção das doses quando indicada. Método: Estudo de coorte retrospectivo, realizado em hospital privado de alta complexidade de São Paulo, com 411 leitos. Em 2018 foi criado o Protocolo de Vancocinemia, coleta somente pelo vale. Em 2023, foi proposta a elaboração e reestruturação do Protocolo institucional, considerando AUC com cálculo através do software Sanford Guide Vancomycin Calculator®, realizada apresentação do protocolo para os farmacêuticos, gestores assistenciais e lideranças, e divulgação por treinamentos internos e comunicados para equipe assistencial, ressaltando a importância da coleta em horários pré-definidos (entre 4° e 5° dose, pico e vale respectivamente). Estabeleceu-se responsabilidade do farmacêutico clínico na programação das coletas e ajuste das doses e/ou intervalos, este junto com o responsável clínico. Definiram-se os seguintes indicadores: Proporção de Prescrições Avaliadas; Proporção de Intervenções realizadas; Proporção de intervenções aceitas e Tempo para atingir AUC alvo. Neste estudo foram incluídos pacientes acima de 28 dias em tratamento com vancomicina intravenosa ≥ 48h entre setembro de 2023 a abril de 2024. Os dados foram obtidos por meio de prontuário eletrônico do serviço e estratificados através de banco de dados no Excel. Resultados: 112 casos prescritos no período, sendo 109 avaliados pelo farmacêutico clínico (97%); desses em 57 houve necessidade de intervenções farmacêuticas ao médico prescritor (52%), e dessas 51 foram aceitas pelo médico (89%). O ?t mediano para obtenção da AUC alvo foi de 2,3 dias. Conclusão: A atualização do Protocolo de Vancocinemia utilizando AUC, mostrou-se uma ferramenta eficiente para garantir níveis séricos adequados e AUC alvo em média com 3 dias.
Introdução: Mycobacterium kansasii é considerada uma das Micobactérias não tuberculosas (MNT) mais patogênicas e a segunda espécie mais descrita na América do Sul. Casos têm sido descritos em pacientes oncológicos, mas fatores de risco, apresentação clínica e evolução da doença não estão bem estabelecidos na literatura. Objetivo: Descrever a epidemiologia, apresentação clínica e evolução dos casos de M. kansasii em pacientes com câncer. Método: Estudo retrospectivo, em que foram identificados pacientes, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, com cultura para MNT positiva, realizada no período de janeiro de 2011 a setembro de 2023. Dentre estas, os casos de M. kansasii foram selecionados e classificados de acordo com o critério diagnóstico da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA). As variáveis avaliadas foram: idade, sexo, doença oncológica, sítio de infecção, comorbidades, tratamento e evolução. Resultados: Sessenta e sete pacientes com cultura positiva para MNT foram identificados. M. kansasii foi a espécie mais comum, com 19 casos (28%), seguida por M. gordonae (13 casos: 19%). Quatro casos de M. kansasii não fecharam critério para infecção. Foram avaliados, 15 pacientes. A média de idade foi 61 anos e 60% foram homens. Doença pulmonar foi a apresentação clínica mais comum (11 casos), com o agente identificado em 2 amostras de escarro ou uma, de lavado broncoalveolar. Em 1 paciente, houve o crescimento de M. kansasii em cultura de sangue e linfonodo. Onze ocorreram em pacientes com tumor sólido (73%) e 4 em oncohematológicos. Câncer de laringe foi a neoplasia mais frequente, com 3 casos (20%). Tabagismo esteve presente em 10 pacientes (67%) e etilismo, em 4 (27%). Seis pacientes não foram tratados, mas 3 destes, foram diagnosticados “post-mortem”. Outros 6, foram tratados com 4 drogas. Óbito ocorreu em 75% dos pacientes oncohematológicos e 18% dos tumores sólidos. Conclusão: Em nossa série, M. kansasii foi a MNT mais prevalente. Fatores de risco descritos na literatura como: tabagismo, etilismo, tuberculose prévia, câncer de laringe e esôfago, foram encontrados. Doença disseminada foi incomum e ocorreu em paciente com neoplasia hematológica. A mortalidade é elevada e o diagnóstico foi “post-mortem” em 3 casos, reforçando a importância da suspeita clínica e do aprimoramento dos métodos diagnósticos.
Introdução/Objetivo: A vigilância epidemiológica das Infecções representa uma das principais atividades exercidas pelo Serviço de Controle de Infecção (SCIH), e um dos aspectos desta atividade é a definição e elaboração de indicadores de resultado. Quando apresentados de forma global, nem sempre é possível compreender as especificidades, bem como planejar medidas de prevenção e controle. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da reestruturação do sistema de vigilância das Infecções do Sítio Cirúrgico (ISC), estratificando os indicadores de resultado por especialidade cirúrgica e por cirurgião. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo, com avaliação dos dados de ISC obtidos do banco eletrônico do SCIH do Hospital. Até setembro de 2022, os indicadores de resultado consistiam em: taxa de ISC global, taxa de ISC em cirurgias limpas e proporção de ISC por especialidades. Em outubro de 2022, foi reestruturada a vigilância, com cálculo de taxas de ISC em cirurgias limpas por especialidade e por cirurgião, ambos realizados retroativamente desde janeiro de 2022, e consequente programação de intervenção. Para o cálculo das taxas, dividiu-se o número de ISC de determinada especialidade ou cirurgião (numerador) pelo número total de cirurgias daquela especialidade ou cirurgião (denominador), respectivamente; a razão foi multiplicada por 100, sendo expressa sob a forma percentual. Definiu-se iniciar o processo, incluindo intervenção, com a especialidade com maior taxa. Resultados: Foram diagnosticados 70 casos de ISC em 19.258 cirurgias realizadas em 2022, com taxa global de 0,36%, sendo 40 ISC em cirurgias limpas, com taxa de 0,48%. Nas taxas por especialidade, detectou-se taxa de 0,99% na neurocirurgia (NC) e de 0,54% na ortopedia. Optou-se, portanto, por iniciar a avaliação individualizada pela NC. Na taxa estratificada por cirurgião da NC, obteve-se a incidência distribuída por 5 cirurgiões: cirurgião 1 (4,55%), cirurgião 2 (3,39%), cirurgião 3 (9,09%), cirurgião 4 (3,03%) e cirurgião 5 (11,76%). As ações de intervenção foram planejadas e priorizadas para as equipes conforme volume cirúrgico e taxa detectada. Conclusão: O detalhamento do indicador permitiu identificar os potenciais fatores de risco, de acordo com perfil dos procedimentos cirúrgicos (especialidade e equipes), em cada período de vigilância. Este acompanhamento individualizado tem o potencial de otimizar medidas de prevenção e controle, a fim de proporcionar maior segurança ao paciente.
Introdução/Objetivo: Os antimicrobianos amplamente utilizados no âmbito hospitalar representam grande impacto financeiro à instituição, e seu uso inadequado pode propiciar o desenvolvimento de bactérias multirresistentes. A partir disso, foi implantado o Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos (ASP) que envolve conjunto de ações destinadas ao controle e uso racional dos antimicrobianos nos serviços de saúde, sendo um dos objetivos secundários a redução de custos financeiros com medicamentos (farmacoeconomia), contribuindo para a otimização de cuidados, tomada de decisão e melhor uso dos recursos financeiros. O objetivo é avaliar o impacto da implantação de um Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos na farmacoeconomia hospitalar. Métodos: Estudo retrospectivo quase-experimental, com intervenção, realizado em um hospital público oncológico, universitário, quaternário. Os períodos do estudo foram: pré-implantação–2018, pós-implantação–2022. A implantação do ASP ocorreu em 2019, com o início do gerenciamento do consumo de 18 antimicrobianos, sendo ampliado o escopo para 35 antimicrobianos em 2020. Esta seleção foi baseada em maior valor financeiro, medicamentos de amplo espectro e/ou uso restrito, e aqueles gerenciados pela COVISA. O ASP implantado avalia o consumo de antimicrobianos a partir de 5 indicadores: 1. Densidade de Prescrição (DP); 2. Dose Diária Definida (DDD); 3. Dias de Terapia (DOT); 4. Duração da Terapia (LOT); 5. Razão DOT/LOT. Além de realizar auditorias prospectivas beira-leito, avaliação de prescrição, e reunião mensal entre a equipe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, membros do ASP e equipe multidisciplinar das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), setor de maior consumo de antimicrobianos, a fim de fornecer devolutivas. Compararam-se os custos financeiros com os 35 antimicrobianos monitorados entre os dois períodos. Resultados: Foram analisados os setores: Unidades de Internação, Hematologia e UTI. No ano de 2022 (pós) a Unidade de Internação apresentou 52,54%, Onco-hematologia 25,19% e UTI 59,87% de diminuição de custo financeiro quando comparado com o ano de 2018 (pré). Conclusão: O estudo mostrou uma diminuição do custo com antimicrobianos em todos os setores em 4 anos de implantação do ASP, reforçando sua importância, principalmente em unidade de saúde pública onde os recursos financeiros são limitados.
Introdução/objetivo: A pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) é uma das infecções hospitalares mais prevalentes em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tendo em vista a relação entre a presença de patógenos orais e o desenvolvimento de infecções respiratórias, o profissional habilitado em Odontologia Hospitalar, ao realizar procedimentos de prevenção, detecção e remoção de focos infecciosos orais, poderia contribuir na prevenção da PAV. O presente estudo tem como objetivo avaliar o papel da equipe de odontologia na redução da PAV em UTI oncológica. Método: Estudo retrospectivo de avaliação de intervenção, em hospital público oncológico universitário de São Paulo. Foram incluídos adultos internados em UTI sob ventilação mecânica (VM) há mais de 48 horas, de 01/2021 a 05/2023. Comparativo entre 2 UTIs que somam 70 leitos. Os pacientes da UTI A foram submetidos à intervenção da equipe de odontologia: avaliação da cavidade bucal e higiene oral (escova com sucção e clorexidina 0,12%) 1 × /dia; a enfermagem realizou higiene com swab oral e clorexidina 0,12% nos demais períodos. Os pacientes da UTI B foram atendidos pela odontologia sob demanda (pedido de interconsulta pelo intensivista) e a enfermagem realizou higienização oral 3 × /dia (swab oral e clorexidina 0,12%). Durante a intervenção, foi atualizado o protocolo de higiene oral em pacientes sob VM e realizado treinamento para a equipe assistencial das 2 UTIs, com participação da odontologia. O bundle de PAV seguiu sendo aplicado pela equipe assistencial nas UTIs. Períodos avaliados foram: pré intervenção (PrI) 01-08/2021, durante intervenção (DuI) 09/2021-06/2022 e pós (PoI) 07/2022-05/2023. Os desfechos avaliados foram densidade de incidência de PAV (DI PAV) e mortalidade nos 10 dias após o diagnóstico de PAV nos 3 períodos (PrI, DuI e PoI). Resultados: Foram identificados 74 casos de PAV (41 PrI, 13 DuI e 20 PoI). A DI PAV (1000 VM-dia) nos 3 períodos foi de 8,6 PrI, 2,5 DuI e 3,7 PoI. A DI PAV (1000 VM-dia) na UTI A foi de 10,0 no PrI para 2,6 DuI e 0,8 no PoI. Na UTI B também houve redução da média de DI PAV (1000 VM-dia) de 5,2 no PrI para 2,2 DuI, que não se manteve no PoI (5,4 PAV/1000 VM-dia). A mortalidade em 10 dias foi de 52,7% (70,7% PrI, 38,5% DuI e 35% PoI). Conclusão: O presente estudo demonstrou que a atuação da Odontologia Hospitalar na UTI pode contribuir na redução da incidência de PAV e da mortalidade associada em pacientes críticos oncológicos.
Introdução/Objetivo: Bacillus spp. são bactérias em forma bastonetes, Gram positivas, podendo estar associadas a microbiota cutânea habitual ou a contaminação de amostras clínicas. No entanto, algumas espécies (Bacillus cereus), estão relacionadas a infecções em humanos, especialmente imunodeprimidos. Em nossa Instituição, observamos aumento de Hemoculturas (HMC) positivas para Bacillus spp. no primeiro semestre de 2022(1,08%), quando comparado a 2021(0.06%). Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo descrever a investigação, análise dos casos, e o impacto das medidas de intervenção. Método: Estudo descritivo, retrospectivo, comparativo, realizado em hospital privado de alta complexidade. Etapas das ações. A primeira foi de investigação e análise (abr‒mai/2022), com avaliação do perfil dos pacientes e correlacionando com a unidade de internação. A segunda foi de intervenção (mai‒jul), com a tentativa de identificar possíveis fontes de contaminação das amostras e ações corretivas estruturais e de processos; incluiu auditoria e revisão da coleta e transporte de materiais, seguida por treinamento, revisão dos processos na fase analítica e avaliação da estrutura física laboratorial. A terceira foi de acompanhamento, que se estendeu até fev/2023. Em todas as etapas foram avaliadas as HMC positivas para Bacillus spp. e a taxa de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS). Resultado: Entre jan/2021 e fev/2023, detectamos 118 amostras de HMC positivas para Bacillus spp., em 77 pacientes, porém apenas 7 (9%) pacientes (26 amostras no total) evoluíram com sinais clínicos que resultaram em IRAS. Portanto, 77,9% (n=92) das amostras foram consideradas contaminantes. Este dado infere em uma possível contaminação na fase pré-analítica (coleta e/ou transporte) e/ou na fase analítica (processamento laboratorial da amostra), o que direcionou as principais ações. Analisando apenas o ano de 2022 por semestre, a taxa de positividade das amostras foi de 1,08% no primeiro semestre, para 0,24% no segundo semestre, período após início das intervenções. Nos dois primeiros meses de 2023, a taxa de positividade foi de 0,30%. Conclusão: A investigação demonstrou que a maioria dos casos de Bacillus spp. em hemocultura foi definida como contaminação. Intervenções de auditoria e treinamento, nas fases pré-analíticas e analíticas, foram capazes de diminuir a incidência. Entretanto, ainda se observam oportunidades de intervenção para obtenção de resultados ainda melhores.
Introdução/Objetivo: Aeromonas spp. são microrganismos ubíquos, frequentemente encontrados em ambientes aquáticos, e podem causar infecções graves em pacientes imunossuprimidos. Este estudo tem como objetivo avaliar as características clínicas e microbiológicas de pacientes oncológicos com bacteremia por este microrganismo. Métodos: Estudo retrospectivo, envolvendo pacientes com Aeromonas spp. isolado em hemoculturas no período de janeiro de 2013 a maio de 2023 em um hospital oncológico. As características clínicas e demográficas dos pacientes foram analisadas. A identificação e o perfil de sensibilidade das cepas de Aeromonas aos antimicrobianos foram determinadas por métodos automatizados (VITEK2). Resultados: Foram identificados 56 pacientes com bacteremia por Aeromonas spp. A maioria era do sexo masculino (32; 57,1%) e portador de tumor sólido (41; 73,2%), principalmente câncer de pâncreas (14; 25,0%) e de vias biliares (8; 14,3%). Quinze (26,8%) pacientes tinham doença onco-hematológica (10; 17,9% tinham leucemia mieloide aguda). Vinte (35,7%) pacientes eram neutropênicos e 37 (66,1%) receberam quimioterapia nos 30 dias antes do diagnóstico. Maioria das infecções foram identificadas na admissão (34; 60,7%) e o sitio primário de infeção foi o trato biliar na maior parte dos casos (23; 41,1%), mas 21 pacientes (37,5%) apresentaram infecção primária da corrente sanguínea. A maioria dos casos (30;53,6%) foram considerados como infecção polimicrobiana; E. coli (15; 26,8%) e K. pneumoniae (14; 25%) foram os microrganismos mais isolados. Mais de 90% das cepas de Aeromonas eram sensíveis aos aminoglicosídeos, cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações, piperacilina-tazobactam, carbapenêmicos e fluorquinolonas. Meropenem (26; 46,4%) e piperacilina-tazobactam (19; 33,9%) foram os antimicrobianos mais utilizados para o tratamento. A mortalidade em 7 e 30 dias foi de 41,1% e 60,7%, respectivamente. Conclusão: Pacientes com câncer podem apresentar infecções intra e extra-abdominais por Aeromonas, com elevada mortalidade. A maioria das infecções eram admissionais e polimicrobianas. Os beta-lactâmicos (cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações; piperacilina-tazobactam e carbapenêmicos), os aminoglicosídeos e as quinolonas continuam ativos contra este microrganismo.
Introdução/objetivo: A equipe que atua nos cuidados ao paciente muitas vezes não tem acesso e/ou conhecimento dos indicadores de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS). Desta forma, a comunicação efetiva dos dados pelo gestor e a equipe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) poderia ter um impacto positivo nas ações de melhoria da assistência. Este trabalho tem o objetivo de descrever uma estratégia de divulgação dos dados e de reconhecimento do desempenho da equipe multiprofissional através da certificação de tempo sem IRAS associadas a dispositivos invasivos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) oncológica. Métodos: Relato de experiência de ações de incentivo às boas práticas na prevenção de IRAS, em um hospital público universitário de referência em Oncologia em São Paulo. Foram avaliadas três UTIs (1, 2 e 3), no total de 70 leitos, no período de janeiro/22 a março/23. Foi realizado o levantamento de casos e da Densidade de Incidência (DI) de Infecção de Corrente Sanguínea associada a Cateter Venoso Central (ICS-CVC), Infecção do Trato Urinário associada a Cateter Vesical de Demora (ITU-CVD) e Pneumonia Associada à Ventilação mecânica (PAV). As unidades que atenderam aos requisitos foram certificadas (Bronze: 3 meses; Prata: 6 meses; Ouro: 9 meses e Diamante: 12 meses sem IRAS por topografia associadas a dispositivos). A certificação ocorreu no fechamento de cada trimestre, na reunião de devolutiva das IRAS entre SCIH, equipe multidisciplinar da UTI e diretoria executiva. Resultados: A UTI 1 recebeu duas vezes o certificado Bronze de ITU-CVD (sem IRAS de julho a setembro/2022 e de janeiro a março/2023) e um certificado Prata de PAV (sem IRAS de outubro/22 a março/23). A UTI 2 recebeu o certificado Ouro de ITU-CVD (sem IRAS de julho/22 a março/23). A UTI 3 recebeu o certificado Diamante de ITU-CVD (sem IRAS desde julho/21). Nenhuma unidade alcançou a certificação de tempo sem ICS-CVC (mínimo de 3 meses). Houve redução da incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos (queda de 60,8% da DI PAV; 39,1% de DI ITU-CVD e 51,8% de DI ICS-CVC) nas UTIs em 2022, em comparação com o ano anterior. Conclusão: A divulgação dos dados de IRAS e o reconhecimento do desempenho da equipe da UTI, através da entrega de certificados de tempo sem IRAS, pode ser uma importante ferramenta motivacional visando uma melhor adesão às boas práticas pela equipe assistencial, e diminuição da DI de infecções associadas a dispositivos invasivos.
Introdução/objetivo: O Acinetobacter baumannii é um dos principais patógenos implicados em infecções hospitalares, com resistência a múltiplas drogas, dificultando o tratamento e o prognóstico do paciente. Os sítios de infecção mais comuns são trato respiratório, sangue, urina e com menos frequência, pele/partes moles e Sistema Nervoso Central (SNC). O objetivo deste estudo é relatar a cura microbiológica de paciente oncológico com infecção em SNC por A. baumannii. Descrição do caso: Paciente do sexo feminino, 37 anos, portadora de ependimoma grau II, submetida a 4 ressecções tumorais e 30 sessões de radioterapia até 2014. Em 2022 apresentou alterações cognitivas e visuais, apatia, dificuldade para dirigir e de marcha. Evolui com quadro de perda do controle esfincteriano, não conseguindo realizar atividades intermediárias de vida diária. Em 06/02/23 foi submetida a craniectomia suboccipital para exérese de tumor em IV ventrículo e Derivação Ventricular Externa (DVE). Fez uso de piperacilina-tazobactam 4,5g de 8/8h por 7 dias, por pneumonia pós-operatória, evoluindo para sepse de foco pulmonar, escalonado para meropenem 1g 8/8h por 4 dias. Em 13/02 foi realizada Coleta de Líquor (LCR) da DVE por crise convulsiva: 1 célula/mm3, glicose 85 mg/dL, proteínas totais 8 mg/dL e lactato 2 mmoL/L, cultura negativa. No LCR de 28/02, 108 células/mm³, glicose 20mg/dL, proteínas totais 203 mg/dL, lactato 10 mmoL/L e cultura com crescimento de A. baumannii com sensibilidade apenas à colistina (MIC <2 mg/L), sendo iniciada polimixina B (dose de ataque de 1.500.000 UI, seguida de 1.000.000 UI de 12/12h por 27 dias e linezolida 600 mg 12/12h por 11 dias (por S. epidermidis em LCR de 21/02). Em 02/03 foi associada ampicilina-sulbactam 9g de 8/8h por 21 dias. A coleta do LCR no intraoperatório para troca de DVE em 07/03 identificou A. baumannii, com perfil de sensibilidade semelhante ao anterior, 52 células/mm3, glicose 25 mg/dL, proteínas totais 66 mg/dL e lactato 7 mmoL/L. As culturas de LCR dos dias 11 e 17/03 foram negativas, com melhora dos parâmetros quimiocitológicos. Paciente evoluiu com melhora clínica, recebendo alta da UTI para enfermaria em 04/05. Comentário: As infecções do SNC por Acinetobacter estão se tornando cada vez mais comuns, em especial no cenário neurocirúrgico, com alta mortalidade. A terapia combinada com ampicilina-sulbactam em dose elevada, baseada no Guideline de 2022 da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, mostrou eficácia clínica e laboratorial.
Introdução/Objetivo: O uso inadequado de antimicrobianos (ATM) contribui para a resistência antimicrobiana. O Programa de Stewardship do Uso de Antimicrobianos (ASP) busca promover um uso adequado, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Nosso objetivo é aferir o uso de ATM na UTI pós-implementação do ASP e explorar o impacto da visita multidisciplinar sistemática pelo ASP em hospital privado terciário com corpo clínico aberto. Métodos: Estudo quasi-experimental, do tipo antes e depois, realizado nas UTI de Hospital privado terciário de grande porte em São Paulo, com 105 leitos de UTI, envolvendo pacientes adultos em uso de ATM. Comparados os períodos pré-intervenção (pré-i;2020/2021) e pós-intervenção (pós-i;2022/1°semestre2023). A intervenção consistiu na participação do ASP nas visitas multidisciplinares de forma sistemática, pelo menos 1 vez por semana em todas as UTI, com discussões com a equipe, intervenções e posicionamento do grupo referente aos antimicrobianos. Adicionalmente, mantido acompanhamento contínuo por infectologista e farmacêutico clínico, com intervenções in loco quando necessário. Avaliados os seguintes desfechos: dose diária definida global (todos ATM juntos) (DDD)/1000 pacientes-dia; dias de terapia global (DOT)/1000 pacientes-dia; taxa de adesão às intervenções médicas e farmacêuticas; mortalidade por saídas. Dados de consumo obtidos através de software da unidade de estudo, e de intervenções por instrumento de coleta do pesquisador. Resultados: Foram realizadas 196 intervenções médicas com 71% de adesão em 2022, e 316 com 77% de adesão no 1° semestre/2023; 366 intervenções farmacêuticas com 70% de adesão em 2022, e 127 com adesão de 89% no 1° semestre/2023. O DOT global médio mensal no pós-i foi de 1284,7(2022) e 1169(1° semestre/2023), com redução de 17,8% quando comparado com o período pré-i - 1513(2020) e 1473(2021). Nas duas UTI priorizadas e com visita multidisciplinar do ASP mais consolidada, a redução foi mais evidente (24,85%), DOT 1651(pré-i), 1241(pós-i). O DDD global médio mensal foi de 1778,3(2022) e 1677,1(1° semestre/2023) com redução de 19% quando comparado com o período pré-i – 2136,4(2020) e 2125,3(2021). Quanto à mortalidade, foi de 6,2% no pré-i, e 4,0% no pós-i, redução de 36%. Conclusão: Os resultados obtidos demonstram que a intervenção do ASP nas UTI foi uma estratégia eficiente e segura para a otimização do uso de ATM em pacientes submetidos a cuidados de terapia intensiva.
The gold standard for diagnosing invasive candidiasis still relies on blood cultures, which are inefficient and time-consuming to analyze. We developed an in-house qPCR assay to identify the 5 major Candida species in 78 peripheral blood (PB) samples from ICU patients at risk of candidemia. Blood cultures and (1,3)-β-D-glucan (BDG) testing were performed concurrently to evaluate the performance of the qPCR. The qPCR was positive for DNA samples from all 20 patients with proven candidemia (positive PB cultures), showing complete concordance with Candida species identification in blood cultures, except for detection of dual candidemia in 4 patients, which was missed by blood cultures. Additionally, the qPCR detected Candida species in six DNA samples from patients with positive central venous catheters blood (CB) but negative PB cultures. BDG values were similarly high in these six samples and the ones with proven candidemia, strongly suggesting the diagnosis of a true candidemia episode despite the negative PB cultures. Samples from patients neither infected nor colonized yielded negative results in both the qPCR and BDG testing. Our qPCR assay was at least as sensitive as blood cultures, but with a shorter turnaround time. Furthermore, negative results from the qPCR provided strong evidence for the absence of candidemia caused by the five major Candida species.
Introdução/Objetivo: A resistência antimicrobiana é um desafio global. O uso inadequado de antimicrobianos (ATM) contribui para o aumento da resistência, com consequências graves. Os Programas de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos (ASP) são estratégia eficaz para otimizar o uso desses medicamentos. Nosso objetivo é avaliar o impacto da implementação do ASP em um hospital privado terciário de grande porte. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo, realizado em hospital privado de alta complexidade de São Paulo, com 422 leitos. O ASP foi estruturado em 2018, com estabelecimento de diretrizes e protocolos de prescrição. Em 2021, foi intensificado, com monitorização e controle do uso de ATM definidos como restritos, e em 2022 teve sua atuação expandida com constituição de time operacional dedicado (médico infectologista e farmacêutico exclusivos do ASP), avaliação do uso de ATM, visitas médicas regulares do ASP às unidades críticas com maior uso de ATM, realização de intervenções quando necessárias e auditoria prospectiva e diária dos ATM restritos. O consumo de ATM foi mensurado em dias de terapia (DOT) e por dose diária definida (DDD) por 1000 pacientes-dia, também foi avaliado DOT e DDD do ATM de amplo espectro de maior uso – meropenem, em todas as unidades de internação, críticas e não-críticas. Os seguintes desfechos foram avaliados, e comparados entre os períodos de 2020/2021-P1, e 2022/2023-P2: DOT global (de todos os ATM), DDD global (de todos os ATM), DOT de meropenem e DDD de meropenem, mortalidade geral (por saídas) e custos com ATM. Os dados foram obtidos através de software da unidade de estudo. Resultados: Os dados de consumo de ATM foram: DOT global (todas as unidades) 1115,0 P1 vs 996,3 P2, redução de 10,7%; DOT Global UTIs 1493,3 P1 vs 1226,8 P2, 17,8% de redução; DDD global (todas as unidades) 1497,1 P1 vs 1324,6 P2, 12% de redução; DDD global UTIs 2130,8 P1 vs 1727,6 P2, 19% de redução; DOT de Meropenem de todas unidades 115,0 P1 vs 97,94 P2, 15% redução; DOT Meropenem UTIs 244,1 P1 vs 200,2 P2, 18% redução; DDD Meropenem todas unidades 117,9 P1 vs 101,9 P2, 13% redução; DDD Meropenem UTIs 234, P1 vs 199,13 P2, 15% redução. A mortalidade no P1 foi de 2,4% e de 1,6% no P2. O custo com antimicrobianos teve redução de 41,84%. Conclusão: Os resultados demonstraram redução significativa no consumo total de ATM após a implementação do ASP, em todo o hospital e especificamente em UTI, com impacto clínico positivo e redução de custos.
Horizontal transmission of fluconazole-resistant Candida parapsilosis (FRCP) through healthcare workers' hands has contributed to the occurrence of candidemia outbreaks worldwide. Since the first COVID-19 case in Brazil was detected in early 2020, hospitals have reinforced hand hygiene and disinfection practices to minimize SARS-CoV-2 contamination. However, a Brazilian cardiology center, which shares ICU patients with a cancer center under a FRCP outbreak since 2019, reported an increased FRCP candidemia incidence in May 2020. Therefore, the purpose of this study was to investigate an inter-hospital candidemia outbreak caused by FRCP isolates during the first year of the COVID-19 pandemic in Brazil. C. parapsilosis bloodstream isolates obtained from the cancer (n = 35) and cardiology (n = 30) centers in 2020 were submitted to microsatellite genotyping and fluconazole susceptibility testing. The ERG11 gene of all isolates from the cardiology center was sequenced and compared to the corresponding sequences of the FRCP genotype responsible for the cancer center outbreak in 2019. Unprecedentedly, most of the FRCP isolates from the cardiology center presented the same genetic profile and Erg11-Y132F mutation detected in the strain that has been causing the persistent outbreak in the cancer center, highlighting the uninterrupted horizontal transmission of clonal isolates in our hospitals during the COVID-19 pandemic.
PURPOSE Patients with cancer are at increased risk for unfavorable outcomes from COVID-19. Knowledge about the outcome determinants of severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 infection in this population is essential for risk stratification and definition of appropriate management. Our objective was to evaluate prognostic factors for all-cause mortality in patients diagnosed with both cancer and COVID-19. METHODS All consecutive patients with cancer hospitalized at our institution with COVID-19 were included. Electronic medical records were reviewed for clinical and laboratory characteristics potentially associated with outcomes. RESULTS Five hundred seventy-six consecutive patients with cancer and COVID-19 were included in the present study. An overall in-hospital mortality rate of 49.3% was demonstrated. Clinical factors associated with increased risk of death because of COVID-19 were age over 65 years, Eastern Cooperative Oncology Group performance status > 0 zero, best supportive care, primary lung cancer, and the presence of lung metastases. Laboratory findings associated with a higher risk of unfavorable outcomes were neutrophilia, lymphopenia, and elevated levels of D-dimer, creatinine, C-reactive protein, or AST. CONCLUSION A high mortality rate in patients with cancer who were diagnosed with COVID-19 was demonstrated in the present study, emphasizing the need for close surveillance in this group of patients, especially in those with unfavorable prognostic characteristics.
Clonal outbreaks due to azole-resistant Candida parapsilosis (ARCP) isolates have been reported in numerous studies, but the environmental niche of such isolates has yet to be defined. Herein, we aimed to identify the environmental niche of ARCP isolates causing unremitting clonal outbreaks in an adult ICU from a Brazilian cancer referral center. C. parapsilosis sensu stricto isolates recovered from blood cultures, pericatheter skins, healthcare workers (HCW), and nosocomial surfaces were genotyped by multilocus microsatellite typing (MLMT). Antifungal susceptibility testing was performed by the EUCAST (European Committee for Antimicrobial Susceptibility Testing) broth microdilution reference method and ERG11 was sequenced to determine the azole resistance mechanism. Approximately 68% of isolates were fluconazole-resistant (76/112), including pericatheter skins (3/3, 100%), blood cultures (63/70, 90%), nosocomial surfaces (6/11, 54.5%), and HCW’s hands (4/28, 14.2%). MLMT revealed five clusters: the major cluster contained 88.2% of ARCP isolates (67/76) collected from blood (57/70), bed (2/2), pericatheter skin (2/3), from carts (3/7), and HCW’s hands (3/27). ARCP isolates were associated with a higher 30 day crude mortality rate (63.8%) than non-ARCP ones (20%, p = 0.008), and resisted two environmental decontamination attempts using quaternary ammonium. This study for the first time identified ARCP isolates harboring the Erg11-Y132F mutation from nosocomial surfaces and HCW’s hands, which were genetically identical to ARCP blood isolates. Therefore, it is likely that persisting clonal outbreak due to ARCP isolates was fueled by environmental sources. The resistance of Y132F ARCP isolates to disinfectants, and their potential association with a high mortality rate, warrant vigilant source control using effective environmental decontamination.
OBJECTIVE:To compare the clinical and epidemiological features, treatments, and outcomes of patients with isolated right-sided and left-sided fungal endocarditis and to determine the risk factors for in-hospital mortality in patients with Candida sp endocarditis.METHODS:A retrospective review of all consecutive cases of fungal endocarditis from five hospitals was performed. Clinical features were compared between patients with isolated right-sided and left-sided endocarditis. In the subgroup of fungal endocarditis due to Candida species, binary logistic regression analysis was performed to determine variables related to in-hospital mortality.RESULTS:Seventy-eight patients with fungal endocarditis were studied. Their median age was 50 years; 55% were male and 19 patients (24%) had isolated right-sided endocarditis. Overall, cardiac surgery was performed in 46 patients (59%), and in-hospital mortality was 54%. Compared to patients with left-side fungal endocarditis, patients with isolated right-sided endocarditis had lower mortality (32% vs. 61%; p=0.025) and were less often submitted to cardiac surgery (37% vs. 66%; p=0.024). The most frequent etiology was Candida spp (85%). In this subgroup, acute heart failure (odds ratio 5.0; p=0.027) and exclusive medical treatment (odds ratio 11.1; p=0.004) were independent predictors of in-hospital death, whereas isolated right-sided endocarditis was related to a lower risk of mortality (odds ratio 0.13; p=0.023).CONCLUSIONS:Patients with isolated right-sided fungal endocarditis have particular clinical and epidemiological features. They were submitted to cardiac surgery less often and had better survival than patients with left-sided fungal endocarditis. Isolated right-sided endocarditis was also a marker of a less harmful illness in the subgroup of Candida sp endocarditis.
Chikungunya (CHIK) is a mosquito-borne virus (CHIKV) infection that recently appeared in the Americas and thousands of confirmed cases have been reported in Brazil since the first autochthonous cases were reported in September 2014. We reported four cases of CHIK in kidney transplant recipients. The diagnosis was confirmed by positive CHIKV real-time polymerase chain reaction in two cases and positive CHIKV-IgM serology in two patients. The time between transplantation and CHIKV infection ranged from 2 to 11 years. All of them had arthralgia, and 3 of them had fever. Other symptoms were mild conjunctivitis, rash, and retro-orbital pain. Kidney function remained stable in all cases. In three patients prednisone doses were temporally increased and the symptoms disappeared concurrently with the increase of the dose. As for the fourth patient, the prednisone dose remained unchanged and yet she improved. Other immunosuppressive drugs were not changed for the four cases. As far as we know, there are only two previously reported cases of CHIK among solid organ transplant recipients besides the four cases reported here. Despite the small number of cases, we can speculate that the use of immunosuppression might have played a role in the paucity of symptoms and the gradual complete recovery with no complication.