A inteligência artificial constrói, através da computação, sistemas com capacidades especiais na medida em que são capazes de realizar tarefas elaboradas para as quais a inteligência humana seria, em princípio, essencial. Um desses sistemas, um projeto de longo prazo e larga escala conhecido como CYC, propõe-se a uma tarefa considerada muito difícil, que é a de representar e tornar utilizável computacionalmente o conhecimento de senso comum, isto é, conhecimento não especializado, de que as pessoas lançam mão no decorrer do dia a dia sem mesmo dar-se conta de que o estão utilizando. Para realizar este projeto, seus criadores partem de premissas não explicitadas, tais como a de que esse conhecimento é, em primeiro lugar, representável de alguma maneira formal. Examinaremos com atenção esse projeto, para tentar tornar visíveis algumas dessas premissas que consideramos importantes. Buscaremos mostrar, ademais, como o conhecimento ali expresso é marcado pela perspectiva dos seus criadores sobre o mundo e sobre o que se constitui como conhecimento válido.
Esta tese analisa noções construídas sobre o ser humano que são apropriadas com fins tecnológicos, em sistemas computacionais produzidos por praticantes da Inteligência Artificial. Foi desenvolvido com base em um trabalho de campo de observação participante junto a grupos de pesquisa acadêmico na área de Inteligência Artificial, um brasileiro e outro europeu (português). O trabalho articula-se com as demandas da Informática na Educação ao focar, de maneira não estrita, projetos com caráter pedagógico. O presente estudo, através dos significados e as práticas observadas a partir de dentro dos grupos, procurou compreender o conhecimento do participante enquanto pertencente a uma cultura própria e peculiar, e a lógica interna desta cultura. Foram interrogados com especial atenção os artefatos produzidos: sistemas computacionais, investidos das características funcionais desejadas pelos participantes, e materializando suas práticas e premissas. Observou-se como emoção, conhecimento, cultura, e agência, entre outros, são conceituados, estabelecidos e colocados em práticas como categorias do humano, não apenas como definições expressas em texto, mas como materializadas em artefatos e em expectativas sobre o encontro entre estes artefatos e seus usuários. Foi consistentemente trabalhado o “colocar em perspectiva” das práticas e noções próprias do campo estudado, a partir de ferramentas teóricas propostas pelos Estudos de Ciência e Tecnologia, em especial por B. Latour, L. Suchman e D. Forsythe. As práticas e noções, no campo abordado, são conhecimento científico e tecnológico, com estatuto próprio e estabelecido como válido e legítimo; em relação a isto, foi sistematicamente buscada a colocação desta validade e desta legitimidade em perspectiva, mostrando como esta validade relaciona-se com a forma de produção e legitimação, e como esta produção e legitimação podem ser vistas de outras formas. Espera-se, com estes resultados, contribuir para um diálogo mais sofisticado dentro da Informática na Educação entre as práticas tecnológicas, a Ciência da Computação e Inteligência Artificial, e a aplicação social e pedagógica destas práticas.
Um estudo foi realizado em que um agente artificial foi implementado em duas plataformas, um robo e um telefone celular. Foram realizados videos de interacao entre uma pessoa e o agente nas duas plataformas, que foram apresentados a usuarios, os quais responderam a questoes sobre se os agentes pareciam o mesmo, e justificaram a resposta. As respostas nao foram conclusivas a favor ou contra a identidade entre os agentes apresentados. A partir das justificativas escritas, contudo, mostraremos resultados que sugerem que os usuarios, longe de nao haverem compreendido a performance do agente, colocaram em acao suas capacidades interpretativas e de discernimento sobre o comportamento do agente.