Este artigo analisa a polissemia do uso de drogas nas trajetórias de jovens egressos do sistema socioeducativo fluminense, que revelam o consumo de substâncias psicoativas como prática social densa, operando simultaneamente como vetor de sociabilidade, combustível para a violência, tecnologia de gestão do sofrimento psíquico e moeda simbólica em uma economia de prestígio viril. Dialoga-se com a sociologia da juventude de José Machado Pais, a antropologia do risco de David Le Breton, a sociologia da violência e do desvio de Michel Misse e os estudos de gênero de Judith Butler e Raewyn Connell para demonstrar como essas práticas, forjadas nas sociabilidades do grupo de pares, são submetidas a um processo de tradução punitiva pelas agências de controle formal. Argumenta-se que a droga opera como um mediador ambivalente: passaporte para o reconhecimento no “mundo do crime” e, simultaneamente, prova material para os mecanismos institucionais da sujeição criminal. A análise generificada e racializada das narrativas revela que a aparente universalidade da “cultura do risco” oculta economias morais distintas para homens e mulheres no tráfico, bem como uma distribuição desigual da sujeição criminal entre corpos negros e brancos. Ao final, sustenta-se que qualquer política de drogas e socioeducação que pretenda romper com o ciclo de estigmatização e encarceramento deve partir de uma “sociologia leiga” dos atores, reconhecendo a expertise leiga dos jovens sobre seus próprios consumos e as racionalidades que os sustentam.
O debate sobre aprendizagem e cultura digital costuma condensar em um único diagnóstico afirmações de naturezas distintas, atribuindo a dispositivos técnicos a responsabilidade por transformações que envolvem simultaneamente capacidades cognitivas, disposições motivacionais e arranjos institucionais. Este artigo examina como sustentar aprendizagem profunda em contextos culturais organizados pela velocidade, pela fragmentação informacional e pela recompensa imediata. Trata-se de ensaio teórico-analítico construído por revisão narrativa de literatura sociológica, psicológica e educacional, articulada a evidências empíricas selecionadas e conferidas quanto à procedência e aos metadados. O argumento desenvolve-se em quatro movimentos. Primeiro, delimita o imediatismo como transformação na relação social com o tempo, e não como efeito direto de tecnologias específicas, recusando explicitamente formulações deterministas. Segundo, esclarece o que a expressão aprendizagem profunda designa na literatura, empregando-a como categoria analítica abrangente e distinguindo qualidade do processamento, gestão da carga cognitiva e prática de recuperação da simples duração da exposição. Terceiro, propõe distinguir três planos que o debate público tende a confundir: capacidade atencional, disposição ao esforço prolongado e ecologia informacional e institucional. Formula-se, como hipótese analítica e não como resultado demonstrado, que há descompasso entre a proeminência discursiva de cada plano, o estatuto da evidência que o sustenta e o alcance da ação institucional sobre ele. Quarto, examina a alternativa entre adaptar a educação às novas formas de atenção e formar capacidades que exigem desaceleração, propondo a noção de assimetria temporal deliberada como proposição normativa que dissolve o dilema sem recorrer a nostalgia. Reconhecem-se como limitações a ausência de evidência primária, o caráter predominantemente correlacional da evidência relativa à associação entre multitarefa midiática e controle atencional, a cobertura restrita da literatura sociológica sobre temporalidades e a seletividade inerente à revisão narrativa.
A análise tradicional das organizações frequentemente prioriza suas estruturas formais e organogramas, negligenciando a dimensão espacial em que as relações cotidianas ocorrem. Diante dessa lacuna, este artigo investiga como o espaço institucional é ativamente produzido e ressignificado pelos sujeitos que o habitam. O objetivo deste trabalho é analisar a produção do território organizacional a partir das relações interpessoais e de poder, utilizando a perspectiva do território usado e das territorialidades. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um ensaio teórico de abordagem qualitativa, fundamentado em uma revisão bibliográfica, com destaque para o referencial conceitual miltoniana. Os principais resultados indicam que o ambiente corporativo se constitui como um território usado dinâmico, onde os sistemas de objetos, a estrutura física, e os sistemas de ações, as interações sociais são indissociáveis. Revela-se que o controle de fluxos informacionais e materiais reflete diferentes formas poder que produzem microterritórios e reconfigurações constantes por meio de processos de desterritorialização e reterritorialização. Conclui-se que as relações interpessoais e de poder produzem o território nas organizações, pois a partir do uso do território e de sua territorialização evidencia-se que as relações interpessoais constituem práticas espaciais ativas que redefinem fluxos e atribuem novos significados territoriais.
Abstract The objective of this study was to estimate the adaptability and stability parameters of 20 commercial maize ( Zea mays L.), developed by Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária and Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, cultivars intended for grain production and grown in different environments in the state of Espírito Santo, Brazil. The experimental design was randomized blocks with three replicates. Analyses were conducted using univariate mixed models via restricted maximum likelihood/best linear unbiased prediction, linear regression, and multivariate analysis via genotype + genotype × environment (GGE) biplot, aiming to identify superior genotypes in terms of productivity, adaptability, and stability. A significant effect of genotypes and genotype × environment (G × E) interaction was observed, indicating a differential response of genetic materials to environmental variations. The estimates of mean heritability (0.68) and selective accuracy (0.82) indicated high experimental precision. Variance decomposition revealed a predominance of environmental effects on phenotypic expression, characterizing the G × E interaction as complex. Among the evaluated genotypes, the cultivars BRS 4157‐Sol da Manhã, BR 5202–Pampa, and BRS Missões stood out, exhibiting the best performance across the evaluated environments. The agreement among the results obtained through the harmonic mean of the relative performance of predicted genetic values, linear regression analysis, and variance component‐based approaches using the GGE biplot and the additive main effects and multiplicative interactions model reinforces the effectiveness of these methodologies for the selection of superior maize genotypes. These findings highlight the efficiency of these three widely used methodologies for the selection and optimized recommendation of high‐yielding genotypes that are responsive to environmental stimuli and exhibit predictable performance under environmental variation.