O cuidado à pessoa idosa com Doença de Alzheimer impõe elevada sobrecarga ao familiar cuidador, especialmente em razão do caráter progressivo da doença. O acúmulo de responsabilidades, frequentemente, resulta em déficit de autocuidado, uma vez que o cuidador passa a priorizar as necessidades do familiar adoecido em detrimento das próprias. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos no autocuidado e nas relações pessoais e sociais do familiar cuidador da pessoa idosa com Doença de Alzheimer. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa, que utilizou a narrativa de vida como método de investigação. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual de Santa Cruz, sob o parecer nº 6.184.971 e desenvolvida no Centro de Referência à Saúde do Idoso, localizado em um município do sul da Bahia. A coleta de dados ocorreu em setembro de 2025 através de entrevistas individuais e gravadas, realizadas no domicílio das familiares cuidadoras principais de pessoas idosas com Alzheimer cadastradas no serviço. Como resultados, identificou-se a predominância do sexo feminino no exercício do cuidado às pessoas idosas com Alzheimer, bem como a dedicação em tempo integral à função. Evidenciou-se um significativo impacto do cuidar na saúde física e emocional das cuidadoras por meio do cansaço intenso e das dificuldades inerentes ao processo. As participantes apresentaram déficit de autocuidado em decorrência do tempo destinado ao cuidado do familiar, além de limitações pessoais e sociais, expressas pela percepção de perda da liberdade e de autonomia. O déficit de autocuidado reforça um ciclo de adoecimento silencioso do familiar cuidador, evidenciando a necessidade de reconhecê-lo como alguém que também necessita de cuidado, atenção e suporte institucional.
Este texto faz parte de pesquisa de doutorado em andamento e apresenta uma investigação vinculada às atividades do Grupo de Pesquisa Educação, Gestão, Território e Tecnologias (LABGETTec) no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC), da Universidade do Estado da Bahia. O estudo emerge do esforço coletivo de pesquisadores sobre possíveis contribuições das Instituições de Ensino Superior (IES), campi físico, para o desenvolvimento socioeconomico, reflete sobre Indicadores de Desenvolvimento (ID), destacando suas possibilidades e limitações, e sobre contribuições de políticas governamentais para educação superior a partir dos planos de desenvolvimento. Recorre à literatura existente que investiga ID, tendo como base a abordagem qualitativa, com a utilização de recursos e técnicas de pesquisa bibliográfica. Baseia-se em autores como Gerhardt e Silveira (2009) para metodologia, Bertolin (2007) e Macedo, Vieira e Neto (2022) para discutir sobre a importância do papel da IES no desenvolvimento das regiões onde estão localizadas, Síntese de Indicadores Sociais – IBGE (2019) para discussão de ID e sistema e-MEC para para identificação de IES autorizadas a funcionar. Reconhece o poder dos governantes e ações dos seus agentes no planejamento socioeconômico e sugere a participação da comunidade nesse planejamento. Discute sobre a instalação de uma IES possivelmente ser o fator de desenvolvimento socioeconômico, mas polemiza sobre não ser possível afirmar que ela sozinha foi o motor desse desenvolvimento, mesmo sendo a pioneira na região. Discorre sobre a importância do estudo de uma associação de ID e do reconhecimento das externalidades positivas ou negativas ao se avaliar o papel de promotores no processo de desenvolvimento. Propõe análise aprofundada para o encontro de indicadores mais precisos do fator de desenvolvimento socioeconômico, uma vez que os fatores podem estar interligados. Sugere que identificar assertivamente as possíveis contribuições das IES para as regiões, auxiliarão nas políticas de expansão do ensino superior sem incorrer no equívoco de tentar se estabelecer relação de causa e efeito; Por fim, conclui sobre a chance dos desequilíbrios regionais poderem ser identificados e tratados pelos governantes com mais acertos, com a inclusão da comunidade na identificação das demandas existentes e com a crescente participação da tecnologia na coleta e análise do ID estudado. E avalia que a utilização de uma associação de ID poderá levar a resultados mais assertivos na identificação dos fatores promotores de desenvolvimento socioeconômico.
O presente artigo discute como a ausência de ações intersetoriais em saneamento básico intensifica o racismo ambiental nos povoados afetados pelo trecho I da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). A pesquisa analisa os impactos decorrentes da implantação da FIOL, com ênfase em três componentes essenciais do saneamento básico: abastecimento de água, manejo de resíduos sólidos e esgotamento sanitário. Para a realização do estudo, contou-se com a participação de lideranças locais, que desempenharam papel fundamental na coleta de informações em campo, possibilitando a identificação de ações (ou da ausência delas) voltadas à oferta desses serviços nos povoados impactados, situados no Litoral Sul da Bahia.
O presente estudo tem como objetivo tratar dos precedentes judiciais no ordenamento jurídico brasileiro, fazendo uma análise a partir do princípio da segurança jurídica e da uniformização das decisões. Para tanto, a pesquisa adota uma abordagem com base na análise doutrinária e dos dispositivos do Código de Processo Civil de 2015. O trabalho busca evidenciar o papel da segurança jurídica e da uniformização das decisões, bem como analisar as técnicas de distinção e superação dos precedentes como mecanismos que visam evitar o engessamento do sistema jurídico, permitindo uma maior adaptação às complexidades e contínuas modificações das relações sociais. Nesse contexto, observa-se que o Código de Processo Civil de 2015 trouxe importantes inovações ao estabelecer um sistema complexo de precedentes judiciais, cuja finalidade visa conferir aos tribunais uma maior uniformidade e estabilidade às decisões, buscando garantir aos jurisdicionados maior segurança jurídica e previsibilidade no plano decisório, de modo a possibilitar uma melhor efetivação da prestação jurisdicional.
A caminhabilidade resulta da interação entre atributos do ambiente construído relacionados à continuidade, segurança, acessibilidade e conforto dos deslocamentos a pé. A avaliação conjunta de diferentes aspectos da caminhabilidade pode, contudo, produzir resultados gerais favoráveis mesmo quando persistem deficiências importantes em componentes específicos. Este artigo analisa as condições da infraestrutura para pedestres no entorno das estações de metrô da Asa Sul do Plano Piloto de Brasília, adotando uma leitura desagregada de três componentes: calçadas, travessias e sombra e abrigo. A pesquisa reanalisa dados georreferenciados do Geoportal/DF, observações de campo e registros fotográficos produzidos em investigação anterior e processados em QGIS. Os indicadores derivam do Padrão de Qualidade DOTS 3.0 e são examinados individualmente. Os resultados mostram ampla disponibilidade de sombra e abrigo, associada à arborização e a elementos arquitetônicos, ao mesmo tempo em que persistem irregularidades nas calçadas e descontinuidades nas travessias. A agregação dos componentes produz avaliações gerais mais favoráveis e reduz a visibilidade de fragilidades específicas. Conclui-se que índices sintéticos são úteis para comparação territorial, mas sua aplicação à definição de intervenções deve ser acompanhada de leitura desagregada, especialmente quando atributos críticos de acessibilidade e segurança não são funcionalmente substituíveis por bons resultados de conforto ambiental.