
This study discusses whether the Pronaf Mulher credit, the main public program for family farms in Brazil, has helped increase the participation of women in family farming. A quantitative study was conducted with data from the Agricultural Census and the Pronaf Mulher by means of linear regression estimations using the ordinary least squares (OLS) method. Results revealed no relation between the Pronaf Mulher program and the participation of women in family farming. Control variables indicated that tertiary education negatively influenced the participation of women in family farming. In summary, as a family farm policy, Pronaf Mulher has not contributed to empower women in family farming, thereby underscoring the need for a more attentive approach to this policy to ensure an increased participation of women in rural enterprises.
O objetivo deste artigo é avaliar a evolução do crédito do Programa Nacional de Fortalecimento Familiar (Pronaf) – custeio e investimento – em municípios do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Médio Alto Uruguai, bem como os agentes financeiros responsáveis por sua operacionalização. O período da pesquisa compreendeu o intervalo de 2013 a 2024; o tratamento dos dados ocorreu por meio da estatística descritiva e da aplicação do teste de Kruskal-Wallis. Identificou-se que há uma tendência de crescimento no volume do Pronaf para custeio e investimento anualmente, com um crescimento, no período de 2023–2024, do custeio para as atividades pecuárias. A fonte de recursos é, basicamente, proveniente de recursos obrigatórios e de poupança rural. Os municípios do Corede que apresentam o maior número de contratos executados e volume de recursos são Alpestre e Frederico Westphalen, respectivamente. Quanto ao perfil das instituições financeiras, destaca-se o crescimento do número de créditos operacionalizados pelas cooperativas de crédito. Em suma, destaca-se a importância do Pronaf para viabilizar as atividades agrícolas e pecuárias da agricultura familiar.
O Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) completou 30 anos e se tornou uma importante fonte de crédito para os pequenos agricultores no Brasil. Nesta condição, analisou-se como o programa, em seus 30 anos de execução, tem contribuído para a promoção de mudanças socioespaciais no estado de Sergipe, correlacionando agricultura familiar e desenvolvimento rural. O presente estudo foi desenvolvido em caráter analítico, com momentos empíricos, valorando aspectos qualitativos e quantitativos que refletem informações e conhecimentos sobre a realidade sergipana. Como resultado, validou-se que o programa, em termos de contratos e recursos liberados, tem auxiliado os agricultores familiares na geração de emprego e renda, financiando a produção, junto aos estabelecimentos. Deste modo, o Pronaf contribuiu para o desenvolvimento rural, ajudando a moldar o espaço geográfico e melhorando a qualidade de vida dos agricultores no estado de Sergipe.
Ao completar 30 anos em 2025, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) consolidou-se como a principal política pública de apoio ao segmento familiar no Brasil. Instituído em 1996, representou um marco histórico ao estabelecer a primeira ação estatal específica para a categoria. Recentemente, foi elevado à condição de política de Estado, o que assegura sua continuidade institucional independentemente de alternâncias governamentais. Inicialmente, seu desenho priorizou o financiamento produtivo, mas com acesso concentrado na Região Sul e principalmente em produtos vinculados às cadeias do agronegócio. Reformulações progressivas – como redução de juros, estratificação dos beneficiários e expansão da rede bancária – conferiram capilaridade nacional, notadamente no Nordeste. A trajetória do Pronaf evidencia seu papel estruturante na reprodução social e econômica ao menos em parte da agricultura familiar. Seu estudo nessas três décadas constituiu objeto de análise para as ciências sociais, permitindo compreender as transformações no mundo rural, as estratégias de reprodução dos agricultores e as relações entre Estado e sociedade no enfrentamento das desigualdades regionais e sociais que historicamente marcaram o campo brasileiro.
Este artigo investigou se o crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem contribuído para a indução de inovações tecnológicas (IT) entre os agricultores familiares da região Sul do Pará. A partir da noção de espaço social e via da análise de correspondências múltiplas, foram examinados 234 financiamentos do Pronaf e do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), utilizando 43 variáveis obtidas de dados secundários do Sistema de Gestão e Planejamento do Estado (Sigplan). Os resultados mais expressivos indicam que a bovinocultura e a abacaxicultura predominam e são reforçadas pelo Pronaf e FNO, porém sem promover IT. Já os resultados menos robustos revelam relações incipientes entre Pronaf e IT, observadas em agricultores familiares com menor capitalização, em estágios iniciais de estruturação, sobretudo pequenos produtores e assentados que atuam na bovinocultura.
Este estudo analisa a evolução da receita bruta esperada entre agricultores familiares beneficiários de crédito da modalidade de custeio do Pronaf no período de 2013 a 2024. Utilizando um painel de dados individuais construído a partir do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor-Bacen), aplicaram-se modelos de efeitos fixos para investigar a associação da receita esperada ao tipo de produto financiado, à recorrência no uso do crédito e à dinâmica temporal das contratações. Os resultados evidenciam uma heterogeneidade no efeito do crédito para custeio nesta variável, que é mais efetiva em regiões e culturas com maior infraestrutura e inserção em cadeias de valor dinâmicas, sugerindo uma maior receita advinda da produção agrícola nestes casos. Enfatiza-se a importância de articular o crédito para a agricultura familiar com políticas que se associem a ele para promover o desenvolvimento agrícola de uma maior heterogeneidade de perfis de produtores.
Este artigo investiga o perfil sociodemográfico e produtivo dos agricultores familiares do Brasil não enquadrados nos critérios do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), denominados não pronafianos, segundo os Censos Agropecuários 2006 e 2017. A análise dos microdados do censo de 2017 revela que esses agricultores tendem a ter uma renda maior, ser mais cooperativados, especializados e integrados ao mercado, além da maioria estar localizada no Sul do país. Ainda que teoricamente excluídos do Pronaf, parcela do crédito público obtido pelos não pronafianos foi por meio desse Programa (63% em 2006 e 81% em 2017). A recorrência do fenômeno não indica necessariamente erro metodológico, mas evidencia a heterogeneidade da agricultura familiar e a existência de limites flexíveis entre as categorias de crédito rural. Os resultados do Plano Safra 2024/25 reforçam essa interpretação, ao mostrar que pequenos produtores, potenciais beneficiários do Pronaf, também acessam outros instrumentos de crédito, sinalizando a presença de um segmento familiar em transição, no qual podem estar inseridos os não pronafianos.
O artigo analisa como fatores pessoais, institucionais e relacionais influenciam o comportamento dos burocratas de nível de rua na implementação do Pronaf, com foco no acesso das mulheres rurais do Vale do Rio Pardo (RS). A pesquisa qualitativa, baseada em estudo de caso, utilizou entrevistas com agentes implementadores e beneficiárias, além de análise documental e observação direta. Os resultados indicam que crenças pessoais, limitações institucionais e relações interpessoais condicionam o processo, gerando barreiras burocráticas e culturais que restringem o acesso feminino. Conclui-se que, embora o Pronaf promova inclusão produtiva, sua eficácia depende da postura dos agentes, da capacitação contínua e da articulação com organizações locais, evidenciando que as relações na implementação podem ampliar ou reduzir desigualdades de gênero.
A luta pela terra na África do Sul está intrinsecamente ligada à disputa por narrativas contracoloniais que reconheçam múltiplos mundos e subjetividades, ultrapassando o olhar eurocêntrico e proprietário, ainda predominante no cânone acadêmico e literário global. O romance A promessa, de Damon Galgut, vai na contramão deste caminho desejado. Este plaasroman (romance de fazenda) contemporâneo tematiza o declínio de uma família fazendeira branca, obliterando propositadamente personagens negros do enredo. A escolha do autor é premiada com o prêmio Booker e aclamada por uma audiência cosmopolita, que vê sua sensibilidade liberal e sua estética imperial contempladas pelo romance. Neste artigo, articula-se literatura e o trabalho etnográfico da autora com o Landless Peoples Movement, em KwaZulu-Natal, para demonstrar como, na África do Sul, a fazenda opera como espaço de proteção da branquidade, privilegiando a nostalgia e a ansiedade dos settlers, em detrimento das realidades de quem, no pós-Apartheid, ainda aguarda a restituição de suas terras ancestrais.
Instigado pela presença da palavra Tapera nos pioneiros trabalhos que, no século XIX, sistematizam um vocabulário típico do Rio Grande do Sul, este estudo, também considerando as peculiaridades dos processos de apropriação de terras e sedentarização de populações no contexto da bacia do Rio da Prata – o Pampa –, focalizou e perquiriu, por meio de fontes literárias com mais de 100 anos de publicação, os sentidos que a Tapera permite evidenciar em termos de figurações da sociedade, seja da época, seja para estudos contemporâneos. Os textos analisados permitiram que fosse identificada como acionadora de quatro centros de sentido que se vinculam com conflitos e violências. Também um estudo exploratório das pesquisas contemporâneas reforça a convicção de que a Tapera opera como um ícone crítico da memória e da violência, em especial para o estudo, análise e compreensão de processos e políticas que se relacionam com o acesso, a apropriação e o usufruto de terras/territórios.
A partir de observações de atividades realizadas junto ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), este artigo analisa o uso crítico da imagem do Jeca Tatu em espaços de formação política do movimento. Nesses contextos, a negação do personagem assume um caráter afirmativo, e é usada para posicionar o campesinato como sujeito coletivo, produtivo e portador de conhecimento. Com base na análise do discurso de Mikhail Bakhtin, o estudo evidencia tensões estéticas e discursivas em torno do Jeca Tatu, historicamente construído como forma estética que objetifica o campesinato brasileiro como “atrasado” e “improdutivo”. Inicialmente, essa imagem serviu como suporte ideológico à modernização conservadora do campo e à exclusão dos saberes tradicionais. Posteriormente, ela é apropriada pelo MPA como estratégia de disputa simbólica e afirmação camponesa. O artigo articula o discurso de Monteiro Lobato com entrevistas recentes de militantes do movimento, demonstrando a atualidade desse tensionamento.
O artigo propõe uma análise comparativa de dois romances portugueses: Gaibéus (1940), da autoria de António Alves Redol, e Levantado do chão (1980), de José Saramago. Reconhecendo que há um vínculo estilístico entre essas obras, a investigação procura identificar pontos de convergência ou de divergência entre elas. Com base no modelo metalinguístico proposto por Algirdas Julien Greimas, o estudo destaca o primeiro capítulo desses romances como corpus. A análise comparativa permite inferir que as obras divergem em relação à temporalização (abrangência do tempo histórico), espacialização (Ribatejo e Alentejo) e actorialização (coletivo de trabalhadores e grupo familiar). No entanto, são semelhantes algumas estratégias discursivas, como o narrador onisciente e a figuratividade relativa à espoliação do trabalhador rural português. O estudo conclui que, no nível fundamental do percurso gerativo do sentido, em Gaibéus a categorização é dada pela dicotomia trabalho vs. capital e em Levantado do chão pela dicotomia posse vs. propriedade. Palavras-chave: Neorrealismo português, trabalhador rural, semiótica discursiva, Alves Redol, José Saramago.
O artigo analisa os conflitos agrários no Pampa sul-brasileiro, articulando pesquisa etnográfica e leitura do romance As Aventuras da China Iron, de Gabriela Cabezón Cámara (2021). A plantation da soja é apresentada como projeto de controle total que molda territórios, corpos e subjetividades, almejando o apagamento de modos de vida diversos. A partir do caso de Capão do Cipó (RS), a pesquisa revela como o agronegócio opera racializações, normatividades de gênero, regimes de verdade, homogeneização de paisagens e afetos. Em contraste, o romance é mobilizado como ferramenta crítica e especulativa, revelando alianças éticas com seres humanos e mais-que-humanos. O texto propõe que os conflitos agrários contemporâneos são embates ontológicos entre mundos inconciliáveis, nos quais emergem brechas e insurgências cotidianas. Plantas daninhas, desejos dissidentes e práticas subversivas se tramam performando desobediências que tensionam a plantation e fabulam futuros possíveis.
Os valores sociopolíticos, identitários, ambientais e territoriais tornaram-se estratégicos atualmente na construção social dos mercados, estimulando a criação de dispositivos de reconhecimento voltados a se comunicar com os consumidores. Porém, ainda são infrequentes estudos empíricos que abordam estes dispositivos considerando os mercados como arenas de “lutas por reconhecimento”. Assim, analisamos a criação do Selo Quilombos do Maranhão (SQM) e suas contribuições para o acesso a mercados e as lutas por reconhecimento. A metodologia da pesquisa foi qualitativa, recorrendo à análise documental, observação direta, entrevistas semiestruturadas e reuniões com grupos focais. Constatamos que a criação do SQM foi menos resultado imediato das lutas e do protagonismo dos grupos beneficiários do que da intervenção pública do Governo do MA. Ponderamos, no entanto, que a criação deste dispositivo se vinculou à consolidação de uma agenda étnico-racial no Brasil e das políticas públicas dela provenientes. Sendo, portanto, resultante do histórico de lutas por reconhecimentos e direitos que vem ressignificando as identidades etnoculturais das comunidades quilombolas no Brasil.
O objetivo deste artigo é compreender a inserção do setor sucroenergético nas estratégias operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a partir dos anos 2000, analisando as transformações institucionais que informaram o desenho e os propósitos dos programas setoriais desenvolvidos no período e impactaram diretamente o financiamento do complexo canavieiro brasileiro no século XXI. Partiu-se de um referencial teórico neoinstitucionalista para a realização de uma pesquisa fundamentalmente qualitativa, a partir de entrevistas semiestruturadas e do empreendimento de análise documental que teve como fonte as publicações disponíveis nos periódicos BNDES Setorial e Revista BNDES. Conclui-se que um determinado enquadramento da questão ambiental e da crise climática, atrelado às possibilidades de sua mitigação através da promoção de biocombustíveis, serviu de ponto de convergência que permitiu a aproximação do banco e do setor e o consolidou na qualidade de atividade estratégica para a economia nacional.
Historicamente, distinções como “selvagem-civilizado”, “arcaico-novo”, “tradicional-moderno”, “primitivo-avançado”, “atraso-progresso”, “desenvolvido-subdesenvolvido” serviram para hierarquizar (inferiorizando ou elevando) raças, povos, nações e regiões. Tomando como pano de fundo o surgimento e ampliação dos conflitos agrários na América Latina e, em especial, no Brasil, pretendo procurar pelo que haveria de arcaico no novo, primitivo no avançado, tradicional no moderno, selvagem no civilizado. Para tanto, parto de três recortes históricos. Primeiro, visando mostrar como modos ditos tradicionais de dominação não foram só adaptados à exploração capitalista, mas constitutivos desta, reconstruo a emergência deste tipo de conflito desde a invasão europeia. A seguir, problematizo sua multiplicação quando, nos anos 1960, a agricultura moderna chega com força ao “mundo subdesenvolvido”. Aqui discuto como a imposição de políticas agrícolas imprimiu novo ritmo à acumulação primitiva ao reforçar expedientes em tese nada “civilizados”: grilagem, migração forçada, precarização do trabalho e chacinas. Por fim, parto da atual relação entre conflito agrário e trabalho escravo para refletir sobre a conexão entre dois aspectos presentes na formação dos países latino-americanos: sua imputação ao atraso articulada com o que há de mais avançado no sistema mercantil mundial.
Cresceram, nas últimas décadas, as evidências dos impactos socioambientais e econômicos negativos causados pelos sistemas agroalimentares. Diversas transformações sociotécnicas promissoras e narrativas alternativas que enfatizam o caráter sistêmico e complexo das dinâmicas associadas às questões alimentares estão sendo encampadas por diferentes comunidades epistêmicas que atestam a importância da construção de quadros institucionais e políticas mais integrados para uma transição sustentável. O objetivo desse artigo é discutir as razões pelas quais, apesar da disseminação da retórica sistêmica, os caminhos para direcionar as transformações emergentes para um futuro mais sustentável e inclusivo ainda são tão controversos. O que se pretende demonstrar é que, mesmo em muitos atores que utilizam essa retórica, ainda persistem enfoques particularizados e unidimensionais que não tomam em conta as complexas interdependências que caracterizam o problema das transições sustentáveis nos sistemas agroalimentares, revelando certa dissonância entre narrativas e práticas.
A seção temática “Conflitos Agrários e o Romance” traz estudos que aprofundam a relação entre a sociologia dos conflitos agrários e a literatura, indicando os potenciais teóricos e heurísticos das análises de romances que tematizem conflitos agrários na sociedade contemporânea, seus personagens e os embates sociais e políticos. Desse modo, foram analisados distintos romances, clássicos e contemporâneos, nacionais e internacionais que atestam a complementariedade entre sociologia e literatura.
O fogo é utilizado pela humanidade há milênios. Na agricultura, povos e comunidades tradicionais já usavam esse elemento de forma controlada com o objetivo de “limpar a área” antes do plantio, em um processo conhecido como agricultura de corte e queima. Em uma outra perspectiva, tem-se o uso do fogo de forma indiscriminada pela agricultura empresarial, com desmatamento para implementação de monocultivos em grande escala. A não diferenciação dessas lógicas levou à criminalização do uso controlado do fogo, vulnerabilizando comunidades tradicionais. O presente artigo tem como objetivo apresentar uma análise do marco legal que ampara a agricultura de corte e queima em sistemas agrícolas tradicionais. Além disso, examina os direitos dos povos indígenas, quilombolas e comunidades camponesas tradicionais a nível internacional e nacional, com destaque para o estado de Minas Gerais. Os tratados internacionais e os marcos regulatórios nacionais e do estado de Minas Gerais garantem amparo legal aos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais e ao uso do fogo controlado em suas práticas agrícolas e proíbem o seu emprego sem controle, no entanto, conforme ilustra o caso das comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas é necessário o compromisso de técnicos e gestores governamentais para que a legislação seja cumprida.
A recente valorização das commodities agrícolas e minerais, tanto na sua dimensão produtiva quanto financeira, é uma poderosa força transformadora das economias, especialmente dos países em desenvolvimento. Com enorme potencial transformador essa dinâmica tem alterado a distribuição espacial das atividades extrativas no território. A Amazônia tem sido um dos principais palcos dessas mudanças. Nesta apresentação procuramos avançar na análise das dinâmicas contemporâneas que se estabelecem entre os corredores de infraestrutura, os mercados fundiários e as dinâmicas de expansão da fronteira agropecuária. Na primeira seção, discutimos, de uma perspectiva teórica, os corredores de infraestrutura, as fronteiras extrativas e os mercados fundiários. Em seguida, abordamos as principais dinâmicas recentes que afetam a Amazônia Sul-Americana. E, por fim, apresentamos de forma resumida os oito artigos. Nosso objetivo inicial era avançar no desenho de um panorama amplo da Amazônia Sul-Americana, mas isso não foi possível, dado que todos os artigos recebidos versavam sobre a Amazônia brasileira. Esse fato pode ser decorrente de falhas na divulgação ou em virtude do reflexo dessa temática não ter ganho, ainda, centralidade nas reflexões dos países vizinhos. De nossa perspectiva, isso nos evidencia que a ampliação desse diálogo não é apenas necessária, mas urgente, abrindo uma nova agenda de pesquisa.