
O manejo de colostomias e ileostomias é desafiador, com risco de infecções e significativo desconforto. A saúde digital pode contribuir para a vivência de pacientes nesse contexto. O objetivo é mapear as tecnologias digitais, abordando o auxílio aos pacientes com ostomia. Trata-se de uma revisão de escopo com os descritores “eHealth”, “mobile app”, “platform”, “telehealth”, “ostomy”, “patient”, “care” e outros. Foram incluídos 24 estudos, predominantemente internacionais, publicados entre 2013 e 2023. Aplicativos móveis e videoconferências foram as tecnologias mais frequentes, principalmente para atendimento virtual. Os achados indicam as tecnologias digitais como ferramentas emergentes para o autocuidado do paciente ostomizado, com ênfase em atendimento virtual e educação. O contexto brasileiro carece de produtos nacionais para atendimento remoto, e há necessidade de mais estudos que incorporem a perspectiva do paciente na elaboração dessas soluções.
Este estudo realizou uma análise bibliométrica da produção científica sobre absenteísmo em profissionais de saúde no período de 1992 a 2022. Foram identificadas 79 publicações, com crescimento pontual nos anos de 2020 e 2021, possivelmente influenciado pela pandemia da covid-19. A produção apresentou distribuição irregular ao longo do tempo e concentrada geograficamente em poucos países, sobretudo Estados Unidos, Canadá, Itália, Brasil e Espanha. A análise de coautoria evidenciou baixa densidade colaborativa e fragmentação entre pesquisadores. A frequência de termos indicou predominância de temas relacionados a fatores ocupacionais, estresse e impactos organizacionais. Os achados indicam que o campo científico ainda apresenta lacunas estruturais, assimetrias geográficas e limitada integração internacional. Conclui-se que há necessidade de fortalecimento das redes colaborativas e de ampliação das abordagens analíticas sobre os fatores preditores do absenteísmo.
This study compared the impact-relevant self-citation rates of scientific journals in the fields of Dentistry, Oral Surgery & Medicine; Nanoscience & Nanotechnology; and Health Care Sciences & Services, from 2015 to 2021 and tested the correlation between impact-relevant self-citation rates and their impact factors. Dentistry, Oral Surgery & Medicine journals showed statistically greater impact-relevant self-citation rates compared to Nanoscience & Nanotechnology journals (in 2015; 2016; 2017; 2018; 2019; and 2020) and Health Care Sciences & Services journals (in 2015 and 2017). A significant negative correlation was observed between the impact-relevant self-citation rate and the journal’s impact factor in Nanoscience & Nanotechnology journals. Self-citation in Dentistry, Oral Surgery & Medicine in the time series analyzed was remarkable and impact-relevant self-citation rate was negatively associated with the journal’s impact factor in nanoscale research journals. The direct effect of journal self-citation rates on bibliometric assessments should be analyzed with caution.
Esta revisão de escopo teve como objetivo identificar e caracterizar evidências que tenham utilizado narrativas pessoais ou métodos congêneres na área da saúde, compreendendo-os como práticas comunicacionais e dispositivos de produção de sentidos no cuidado. Utilizou-se a estratégia (("Health Services") OR ("Health Personnel")) AND (("Life-writing") OR ("Escrevivência") OR ("Personal Narrative")), sem restrição de ano ou idioma. Foram identificadas 2.568 evidências, resultando em 15 artigos após análise. O método de narrativa pessoal predominou (60,0%), seguido por relato de experiências (15,0%), escrevivência (13,3%) e fotovoz (6,7%). A entrevista foi a principal ferramenta (60,0%), sendo mais envolvidos profissionais de psicologia (40,0%), enfermagem (33,3%) e medicina (33,3%). Os resultados indicam que, embora ainda pouco exploradas na literatura em saúde, as metodologias narrativas desempenham papel relevante na comunicação em saúde, ao promoverem escuta, diálogo e compreensão ampliada das experiências de cuidado sob múltiplas perspectivas.
Este artigo analisa as representações sociais da covid-19 construídas por jovens de 18 a 24 anos. O estudo investigou as dimensões das representações sociais (informação, atitude e imagem) sobre a pandemia, elaboradas por esse grupo, bem como o impacto dessas representações em seu cotidiano. Para tanto, foram conduzidos quatro grupos focais em Belém com jovens de perfis socioeconômicos (estudantes de universidades públicas e privadas) e filiações religiosas (católicos e evangélicos) diversos. Os debates revelaram um núcleo representacional intensamente negativo, marcado por medo, tristeza e incerteza, alimentado por perdas pessoais e pela cobertura midiática alarmista. A televisão emergiu como a fonte mais confiável de informações sobre a pandemia, enquanto as redes sociais foram vistas como polos de desinformação. Por outro lado, o excesso de informações, muitas vezes imprecisas ou até mesmo falsas, desencadeou o fenômeno chamado de “evitação de notícias”.
Apesar dos avanços em políticas públicas, ainda é alto o índice de infecção pelo HIV. As narrativas visuais podem ser excelentes estratégias educativas para evitar novas infecções, dado seu poder comunicacional. Este trabalho buscou identificar, na história em quadrinhos Pílulas azuis, as representações sobre HIV para sua utilização no ensino de ciências/biologia. A obra autobiográfica relata os dilemas de Frederik Peeters ao descobrir que sua namorada é soropositiva. Através da análise de conteúdo, identificamos 67 trechos que abordam os temas investigados, categorizados em: “Preconceitos e estigmas”; “Cuidado e tratamento”; “Transmissão e reprodução do vírus”; “Impactos emocionais e psicológicos”; e “Visão social da ciência”. A obra traz a vivência do HIV de forma empática e sensível, contextualizando temas complexos e estigmatizados na sociedade brasileira.
Este artigo aborda um estudo exploratório, descritivo e quantiqualitativo, com o objetivo de analisar os vídeos mais populares no Brasil relacionados à doença denominada monkeypox e disseminados pelo YouTube. As buscas ocorreram em setembro de 2024, utilizando os termos “varíola dos macacos” e “mpox Brasil”. A amostragem por saturação incluiu os 20 vídeos mais populares, que somaram 4.897.347 visualizações e 240.800 curtidas. Emergiram quatro categorias: surgimento e propagação, abordagens preventivas e clínicas, estigmas da doença e correspondência com a covid-19. A maioria dos enunciados é condizente com as evidências científicas atuais; entretanto, alguns enfatizam a doença na população negra pauperizada e contêm termos técnicos de difícil compreensão. É necessário adequar os enunciados à educação em saúde mais ampla e evitar insinuações imagéticas às pessoas negras.
A sondagem é uma técnica fundamental empregada em entrevistas para obter informações mais abrangentes, esclarecer declarações ambíguas ou encorajar os entrevistados que podem inicialmente hesitar ou alegar que não sabem a resposta. Isso envolve o uso estratégico de perguntas de acompanhamento ou prompts projetados para obter detalhes específicos de uma resposta dada anteriormente. Este ensaio exploratório tem como objetivo apresentar as principais características da sondagem, o papel da padronização na interação entrevistador-respondente em surveys e a implantação de técnicas de conversa em entrevistas de surveys para estabelecer e fomentar rapport e confiança entre o entrevistador e o respondente. Ao se afastar de um formato rígido de perguntas e respostas para um fluxo de diálogo mais natural, essas técnicas podem promover um ambiente de entrevista mais confortável e envolvente.
A coletânea Proteção de dados pessoais nos serviços de saúde digital discute o tema como um eixo de disputas entre Estado, mercado e usuários no contexto do Sistema Único de Saúde e da saúde suplementar. Ancorado na tradição da saúde coletiva, o livro articula críticas ao neoliberalismo, à datificação e ao colonialismo de dados com uma perspectiva de direitos que ultrapassa a abordagem estritamente jurídica. Combina capítulos teóricos, estudos de caso e análises normativas sobre telemedicina, aplicativos de saúde, testes genéticos, Open Health e governança de dados, evidenciando assimetrias de poder, injustiças epistêmicas e novas formas de dominação e monetização dos dados. Ao tensionar o tecnossolucionismo, a obra contribui diretamente para o porvir de uma crítica sistemática à chamada “saúde digital” e, por isso, cumpre um papel ímpar em ratificar o caráter absolutamente estratégico das novas tecnologias, dados e informação em tempos de “revolução tecnológica”.
Este texto trata de um relato de experiência das estratégias de comunicação do resultado de pesquisa sobre políticas públicas voltadas à população em situação de rua, implementadas entre os anos de 2023 e 2024. A experiência integra o projeto Estratégias de Divulgação do Alcance das Políticas de Saúde e Proteção Social do Município de Belo Horizonte para a População em Situação de Rua frente à Pandemia da Covid-19. Para tanto, utilizaram-se três estratégias de comunicação direcionadas aos públicos de interesse do estudo: oficina de grafite para pessoas em situação de rua; livro para profissionais da rede de saúde e da assistência social, sociedade civil organizada e movimentos sociais; e episódios de podcast para sociedade em geral. As estratégias de comunicação apresentaram-se como uma ferramenta potente para o compartilhamento de resultados de pesquisas científicas na saúde devendo ser incorporadas desde o planejamento dos projetos de pesquisa.
Este estudo investiga as estratégias adotadas pelos Agentes Comunitários de Saúde da cidade de Imperatriz, Maranhão, no combate à desinformação sobre a vacinação. Embora os agentes atuem sob a supervisão do Ministério da Saúde, verificamos, por meio de grupos focais, a insuficiência de orientações eficazes da Secretaria Municipal de Saúde, especialmente em relação à vacina contra a covid-19. Frente a essa lacuna institucional, os Agentes Comunitários de Saúde adotam táticas autônomas, entre elas, destacam-se a checagem de informações por meio de pesquisas independentes, o uso de redes locais de apoio e a adoção de estratégias argumentativas e de reforço institucional para orientar a população resistente. Os dados, analisados com o auxílio do software ATLAS.ti, resultaram em três mapas de redes que demonstram o contraste entre as expectativas institucionais e a prática cotidiana dos agentes de saúde.
Este estudo aplicou o Faster R-CNN para a detecção e a classificação de tumores cerebrais primários (glioma e meningioma) utilizando imagens de ressonância magnética. O modelo utilizou as arquiteturas VGG-19 e ResNet-101, alinhando uma Rede de Proposta de Região capaz de classificar os objetos e planos de fundo. O conjunto de dados contém 6.307 imagens de gliomas, 6.391 de meningiomas e 3.066 sadias, dividido em 60% para treino, 20% para teste e 20% para validação. As métricas de avaliação incluem Acurácia, F1-Score, Precisão Média, Média de Precisão Média e Interseção sobre União. Nesse sentido, a VGG-19 obteve melhor desempenho para meningioma (Acurácia 0,910, F1-Score 0,900, IoU 0,830) e glioma (Acurácia 0,895, IoU 0,810), superando a ResNet-101 (meningioma: Acurácia 0,880, F1-Score 0,822; glioma: Acurácia 0,870, IoU 0,740).
O objetivo do presente estudo foi mapear as evidências disponíveis sobre a comunicação em saúde realizada por Agentes Comunitários de Saúde na Atenção Primária à Saúde, junto à comunidade por eles assistida. Trata-se de uma revisão de escopo realizada nas bases: Biblioteca Virtual em Saúde, Excerpta Medica dataBASE, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, Educational Resources Information Center, National Library of Medicine – National Institutes of Health, SciVerse Scopus e Web of Science. Foram encontradas 1.450 publicações, das quais 40 atenderam aos critérios de inclusão. Os resultados apontam para o papel dos Agentes Comunitários de Saúde, suas habilidades, o impacto de sua atuação, bem como desafios. Evidenciou-se a comunicação em saúde como estratégia que compõe a rotina de trabalho, porém observa-se escassez conceitual e de sistematização para uso no cotidiano. Aponta-se a necessidade de ampliação de pesquisas na temática.
O enfrentamento à pandemia de covid-19 no Brasil ainda ressoa nos dias atuais, sendo lembrado como um dos maiores desafios já enfrentados pela humanidade e como exemplo da incapacidade política de um governo dominado pelo negacionismo científico. Com o objetivo de compreender as estratégias discursivas adotadas pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro (2019-2022) durante a pandemia, analisamos mensagens veiculadas no Twitter/X que promoviam um suposto “tratamento precoce” para controlar a covid-19. Foi adotada uma perspectiva multimetodológica, com procedimentos estatísticos para análise do corpus formado por 4.627 postagens e análise de discurso das mensagens com maior engajamento. Como conclusão, verifica-se que o ex-presidente combinava estratégias discursivas de autoridade, referencialidade e proximidade, recorrendo ao clamor religioso e por vezes emulando o discurso científico, mesmo sendo um dos seus detratores. Também usava com destreza os recursos tecnodiscursivos proporcionados pela plataforma.
Há um grande volume de informações sobre saúde disponibilizadas atualmente; portanto, é fundamental que as pessoas tenham pensamento crítico para avaliar a veracidade dos conteúdos. Na pesquisa aqui apresentada, analisou-se o contexto de ensino do pensamento crítico sobre saúde, mediado por tecnologias digitais de informação e comunicação no contexto escolar e de saúde no Brasil. Trata-se de um estudo qualitativo em que a coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e revisão documental. Os resultados apontam a inserção do pensamento crítico nos currículos e documentos oficiais; porém, há dificuldades para sua aplicação prática. São escassos os momentos do seu estímulo nas escolas, e o uso de tecnologias para tal fim encontra obstáculos estruturais, organizacionais e de formação. Conclui-se que o ensino do pensamento crítico sobre saúde mediado pelo uso de dessas tecnologias não é deliberado no contexto brasileiro; porém, há possibilidades para a sua inserção visto sua potencialidade expressa.
Neste texto, examina-se como a arquitetura das redes sociais, orientada por retenção, coleta de dados e monetização da atenção, pode favorecer padrões de uso compulsivo e agravar riscos à saúde mental de crianças e adolescentes. Discute-se a dependência digital na infância e na adolescência, com ênfase em perda de controle, sintomas de abstinência e impactos na rotina, no desempenho escolar e nas relações sociais. No contexto brasileiro, em que 85% da população de 9 a 17 anos possuem perfil em ao menos uma rede social, destaca-se o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, como marco recente de garantia de direitos e proteção no ambiente online. A lei impõe deveres de gerenciamento de riscos e medidas preventivas desde a concepção dos produtos, exige configurações por padrão para reduzir uso compulsivo e amplia obrigações de prevenção contra conteúdos danosos.
O objetivo foi identificar artigos acadêmicos revisados por pares que abordaram a conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e os desafios para se adequar a esta lei no setor de saúde pública brasileiro. Para tanto, adotou-se como método a Revisão Multivocal de Literatura, que integra evidências das literaturas formal e informal. A pesquisa foi conduzida com base em critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, utilizando as bases de dados Scopus, Google Scholar, PubMed e Google Web. Os resultados indicam que o método se mostrou eficaz na identificação dos principais desafios enfrentados pelas instituições públicas de saúde quanto à adequação à lei, além de oferecer uma visão abrangente e atualizada da produção científica relacionada ao tema. A pesquisa contribui para o campo da governança da informação em saúde ao ressaltar a necessidade de maior alinhamento entre as normativas legais e as práticas institucionais.
A relação entre mídia e saúde é a possibilidade mais rápida e abrangente para a comunicação em saúde. Propôs-se analisar a frequência e a abordagem das mortes por covid-19 pelo jornalismo, relacionando-as aos dados de mortalidade no Espírito Santo, Brasil (2020 a 2021). A captura das matérias utilizou o sistema robô SIG Covid-19. Obteve-se o número de óbitos (12.170) do Painel Covid-19, da Secretaria Estadual de Saúde. Das 7.297 matérias capturadas, restaram 1.803 após adoção de critérios de exclusão. Não houve correlação significativa entre ocorrência de óbitos e matérias (p-valor = 0,053). Os fatores socioambientais que potencializaram o risco de infecção e morte foram pouco evidenciados. É necessário colocar em debate a aproximação dos critérios de valoração da notícia às necessidades de saúde. A morte precisa ultrapassar as estatísticas e os conceitos biológicos isolados, sendo abordada nos contextos que a potencializam para implementar políticas públicas que deem suporte à vida.