
Este artigo analisa as transformações das relações amorosas na contemporaneidade a partir do diálogo entre o filme Amores Materialistas (HBO Max, 2025) e as lógicas dos aplicativos de relacionamento. Partindo de uma discussão teórica, o estudo discute a racionalização dos afetos e a mercantilização do amor que predominam na contemporaneidade. Adota-se uma abordagem qualitativa, com base no Método de Análise de Imagens em Movimento. Como resultados, evidencia-se como Amores Materialistas encena criticamente a promessa de previsibilidade afetiva e seus limites, ao tensionar métrica, consumo e experiência; e que, apesar das tentativas de controle e otimização do amor, os afetos devem permanecer atravessados pela imprevisibilidade, pela vulnerabilidade e pela alteridade.
Este trabalho investiga como a atriz Clara Moneke se constrói como figura estética da negritude, a partir da análise de conteúdos das páginas Steal The Look e Africanize Oficial, no Instagram. Parte-se da ideia de que a moda é também meio de comunicação e pode operar como linguagem de resistência. O estudo mobiliza a noção de corpo- território para compreender a visibilidade no ambiente digital, considerando o papel dos algoritmos na circulação das imagens. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com base na metodologia da semiótica discursiva e plástica. As análises evidenciam uma estrutura narrativa que desloca o corpo negro da ausência histórica, alçando-o como território de afirmação e reexistência, mesmo em um ambiente digital marcado por intensas disputas semióticas e algorítmicas.
O objetivo é apresentar os principais conceitos envolvidos neste dossiê. Em primeiro lugar, os afetos na sua relação com as subjetividades nos modos da indústria midiática e do consumo. Em seguida, abordamos a definição espinosana de afeto, considerando a potência impulsionadora do conatus. Ainda, refletimos sobre as capturas maquínicas produzidas pelo capitalismo, que tendem a comprometer a liberdade, no sentido de Espinosa. Em contraponto, a partir das três ecologias propostas por Guattari, lançamos luz a rotas de fuga para a produção de subjetividades, que representam possíveis experiências de fortalecimento de suas potências, para si e para o mundo. A partir da tríade afetos-consumo-subjetividades, traçamos caminhos de questionamentos que se desdobrarão em seguida, nos artigos deste dossiê
O artigo analisa como as narrativas sobre sustentabilidade são mediadas por influenciadores digitais de ciência em conteúdos patrocinados por empresas petrolíferas. Examinamos como confiança, autoridade científica e identificação são mobilizadas para apresentar o consumo e a tecnologia como respostas convenientes às contradições socioambientais do capitalismo contemporâneo. No bojo dos debates sobre crise climática e consumo e sobre as aproximações entre ciência e mercado, foram analisados vídeos patrocinados de Átila Iamarino e Pedro Loos, a partir de uma perspectiva analítica inspirada no campo da análise social dos discursos. Foram evidenciados os limites da autenticidade e da reputação científica quando atravessadas por interesses mercadológicos.
Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre as imagens de violência e tortura presentes nos filmes de José Mojica Marins produzidos nos anos 1960 e a atuação do Serviço de Censura de Diversões Públicas durante a ditadura militar brasileira, a partir dos relatórios de censura produzidos pelo órgão. Considerado o principal expoente do cinema de horror nacional, Mojica teve seus filmes perseguidos por um órgão subordinado a um regime que se sustentava pela violência, sob a justificativa de proteção à moral e aos bons costumes. A investigação parte de três questões centrais: o silenciamento de sujeitos não explicitamente opositores ao regime; a forma como os censores lidavam individualmente com imagens de tortura em um contexto autoritário; e o papel da censura na ocultação da violência estatal. Com base no referencial teórico-metodológico de Siegfried Kracauer, o estudo compreende o cinema como documento social capaz de revelar medos e contradições de seu tempo, demonstrando como os relatórios censórios expressam repulsa e horror diante de imagens que, ao mesmo tempo, espelhavam a violência silenciada pelo governo.