
The article analyzes the algorithmic governance of deforestation in the Amazon, arguing that satellite monitoring systems, such as PRODES and DETER, are not merely technical instruments but political devices that reconfigure the territory by defining what is visible or invisible. Based on a critical infrastructure analysis, which examines parameters such as 30-meter spatial resolution and detection thresholds, the study reveals how the conversion of the forest into data produces structural zones of opacity and epistemic hierarchies. Despite the rhetoric of transparency, the technical architecture unequally redistributes the capacity for action, favoring state and global actors over local communities. The article concludes that climate justice in the Amazon requires a "justice of visibility," which involves the democratization of metadata and the recognition of the right to strategic opacity.
Este artigo tem como objetivo analisar as disputas narrativas sobre a COP30, a fim de compreender nuances da cultura climática em torno da maior conferência global do clima. Enquanto percurso metodológico, adotou-se abordagem qualitativa, com pesquisa documental orientada pela análise de enquadramento midiático, com foco analítico amparado no conceito de discursos de atraso climático e em abordagens de institutos de pesquisas, coalizões e veículos jornalísticos, além de documentos complementares. A ênfase recai sobre os eixos da desordem informacional, como estrutura do ecossistema midiático, da estigmatização territorial, enquanto processo de deslegitimação simbólica, e da integridade da informação, como prática institucional de enfrentamento à desinformação. Como resultado, a articulação desses eixos e seus marcadores permite compreender as disputas narrativas pela construção de sentidos sobre a COP30, Belém e Amazônia, indicando que a desinformação atua por meio de enquadramentos recorrentes, que repetem regimes históricos de exclusão e deslegitimação. Ademais, traz à percepção de que a integridade da informação emerge como um elemento estratégico de resistência para se promover um debate plural e democrático sobre a crise climática.
This article examines the socio-environmental and territorial implications of large-scale mining in the Andes, through the case of the Veladero project in San Juan, Argentina. It investigates how state development strategies, transnational geoeconomic interests, and plural conceptions of nature interact within a high-mountain socioecological system composed of mining infrastructure, glacial and periglacial environments, glacier-fed watersheds, downstream communities, and regulatory and scientific institutions. The article argues that Veladero reveals a tension between raison d’État, expressed in policies that prioritize investment, exports, and mineral production, and raison de système, understood not as an autonomous environmental imperative but as a strategic orientation that incorporates the interdependencies, feedback effects, and long-term vulnerabilities generated by decisions taken within complex socioecological systems. The theoretical framework combines neo-extractivism, the distinction between raison d’État and raison de système, Southern epistemologies, and climate justice. Based on a qualitative case study and documentary analysis, the findings show that the extractive coalition formed by state agencies and transnational corporations possesses greater institutional and material capacity than the fragmented actors that articulate systemic concerns, including scientific institutions, courts, affected communities, environmental organizations, and glacier-protection legislation. Extractive expansion is therefore a dilemma not for capital accumulation in itself, but for public authorities and societies confronted with confronted with the tension between short-term economic gains and the long-term reproduction of water security, ecological resilience, and territorially embedded ways of life.
Este artigo analisa projetos financiados pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no período de 2022 a 2025, com o objetivo de verificar a presença do conceito de Organização do Conhecimento (OC) e discutir suas implicações para a inovação. A pesquisa baseou-se na extração de dados da Biblioteca Virtual da FAPESP e na análise dos resumos dos projetos. Os resultados indicam que nenhum projeto utilizou explicitamente o termo, embora tenham sido identificadas iniciativas próximas a práticas de organização, como gestão de dados e curadoria da informação. Tal ausência revela uma lacuna conceitual e sugere a baixa visibilidade da Ciência da Informação no ecossistema da inovação. O estudo contribui ao evidenciar a necessidade de integrar a OC às políticas públicas de fomento, de modo a ampliar a apropriação social do conhecimento e fortalecer a articulação entre inovação tecnológica e responsabilidade social.
A realização da COP 30 no Brasil mobilizou debates na esfera parlamentar, tornando-se um evento relevante para a análise da comunicação climática institucional. Assim, objetivamos analisar como a COP 30 foi enquadrada nos discursos da Câmara dos Deputados, ao longo de 2025, identificando padrões discursivos e diferenças entre coalizões políticas. A partir de uma abordagem metodológica mista, examinamos 148 discursos, por meio de técnicas quantitativas, como a modelagem de tópicos, combinadas à análise qualitativa baseada na Teoria Fundamentada nos Dados. Os resultados apontam que a conferência foi apropriada de maneira diferenciada: a base governista enfatizou disputas legislativas e ambientais, enquanto a oposição priorizou aspectos econômicos e fiscais. Conclui-se que a agenda climática no Parlamento brasileiro apresenta forte partidarização, sendo mediada por posicionamentos ideológicos.