
Ao final da Idade Média (XV-XVI) e ao alvorecer do Renascimento (XV-XVI), a Europa viveu intensas mudanças nas suas relações sociais e econômicas, acompanhadas da manifestação de tendências quantificadoras em vários campos da vida social, constituindo o que Crosby (1999) chamou de pantometria. Na relação para com o espaço, especialmente na cartografia, as cartas marítimas iam demarcando um novo campo, recorrendo à experiência empírica e à mensuração matemática, em contraposição ao estilo da cartografia medieval, preenchida de simbolismo religioso. Na arte pictórica, artistas desenvolviam os primeiros passos da técnica chamada de perspectiva linear, cujas linhas orientavam o tamanho dos objetos na tela. Nesse cenário é que a Geografia de Ptolomeu é trazida à luz, graças a sua primeira tradução ao Latim. Seu uso de métodos astronômicos e geométricos para a feitura de mapas, como o uso de projeções cartográficas e a grade de longitudes e latitudes, insere novos elementos matematizantes nas mudanças que então ocorriam nas concepções espaciais renascentistas. É nesse sentido que a Geografia de Ptolomeu surgiu como um novo reforço à então crescente geometrização do espaço que se deu ao período, incentivando a feitura de novos mapas com técnicas inovadoras para o contexto.
A ‘Rota Geoturística BR-156’ é uma proposta de roteiro geoturístico para o estado do Amapá, na região amazônica brasileira, visando à promoção do geoturismo na região e à divulgação de informações sobre a geodiversidade de locais com potencial turístico. Em cada atrativo do itinerário proposto, realizou-se a seleção e a descrição fisiográfica de elementos da geodiversidade relevantes para compor o roteiro. Esses elementos foram avaliados com base nos valores da geodiversidade e dos serviços geossistêmicos, com o propósito de identificar os eventuais benefícios à sociedade e aos visitantes, de modo a sensibilizar sobre a importância do uso sustentável da natureza. O roteiro engloba seis atrativos, incluindo duas cachoeiras, duas corredeiras, um sítio arqueológico e uma praia oceânica, todos acessíveis através da Rodovia Federal BR-156. Foram identificados 12 diferentes benefícios, cinco valores e cinco serviços em todo o roteiro. Os benefícios mais recorrentes foram ‘lazer’, ‘qualidade ambiental’, ‘educação’ e ‘história e evolução da Terra’. Por fim, pode-se dizer que o roteiro proposto se configurou como um itinerário de quedas d’água, tendo em vista que a maior parte das paradas apresenta cachoeiras ou corredeiras. Contudo, há uma incipiente logística e infraestrutura tanto para o deslocamento de visitantes quanto para a recepção deles, sobretudo devido aos longos trechos de estradas não pavimentadas e à pouca oferta de serviços de alimentação e de hospedagem no interior do estado. Portanto, fica evidente que há necessidade de que o poder público, em parceria com o setor privado, se mobilize para o desenvolvimento do geoturismo, sobretudo em função do poder educacional e informativo que ele apresenta sobre a geodiversidade do Amapá.
Áreas úmidas são sistemas hidrogeomorfológicos de grande relevância social, econômica e geoambiental. No entanto, pouco se conhece sobre esses sistemas no contexto morfoclimático de Mares de Morros. Diante disso, este trabalho buscou contextualizar os condicionantes hidrogeomorfológicos de formação das áreas úmidas nas bacias hidrográficas do córrego Igrejinha e do ribeirão Espírito Santo (Juiz de Fora-MG), relacionando suas características fisiográficas com a estrutura e dinâmica da paisagem. Com o uso de técnicas de sensoriamento remoto, de fotointerpretação e com auxílio de mapeamentos temáticos, foram identificadas e caracterizadas 193 áreas úmidas, sendo 18 delas investigadas em campo para levantamento dos aspectos fisiográficos e geoecológicos. Os resultados obtidos evidenciam que há uma massiva influência da dinâmica e evolução da paisagem na configuração e conformação das áreas úmidas, assim como na manutenção das mesmas — em múltiplas escalas têmporo-espaciais. Percebe-se que suas ocorrências estão intrinsecamente ligadas às condições hidrogeomorfológicas, litoestruturais e climáticas da região, caracterizada por seus vales encaixados e mamelonização do relevo. Logo, é possível afirmar que a relação entre hidromorfismo do solo e formas de vida da vegetação higrófila é um indicador dos estágios evolutivos das áreas úmidas, evidenciando a relevância de se compreender as complexas interações desses sistemas com a paisagem na qual se inserem.
Os objectivos deste artigo são eminentemente conceptuais e operacionais, orientados para a missão de manter o pensamento bessiano vivo, independentemente do falecimento do Professor Marques Bessa em Agosto de 2022. A pergunta de partida pode ser formulada nestes termos: como ler o Olhar de Leviathan de modo a dele extrair ensinamentos teóricos e metodológicos para a análise de política externa e internacional? Desta forma, brota uma estrutura que deve começar por (1) sistematizar alguns aspectos filosóficos e epistemológicos essenciais. Na secção seguinte, (2) voltar a atenção para os fundamentos teóricos do assunto. E, por fim, (3) listar as necessidades e tarefas metodológicas. Embora, como se referiu, a obra crucial para o tratamento da análise bessiana de política externa e política internacional seja O Olhar de Leviathan, o artigo compreende um período temporal de 21 anos de produção científica de Bessa, desde 1993 a 2014.
Discutir a realidade dos destinos turísticos demanda a compreensão da dinamicidade e da multiplicidade de agentes que reproduzem tais recortes, possibilitando a análise das ações e variáveis que configuram as dinâmicas turísticas a partir da elaboração do Índice de Desenvolvimento Turístico (IDT), composto por dados disponíveis no Mapa do Turismo Brasileiro. O estudo tem a finalidade de analisar o desenvolvimento turístico dos destinos de Canoa Quebrada, Icaraí de Amontada e Jericoacoara a partir da elaboração do IDT, com foco nas potencialidades e fragilidades turísticas dos objetos de estudo e, para isso, recorre à abordagem hermenêutica-fenomenológica para discutir as singularidades dos paraísos litorâneos enquanto formas urbanas, ao passo que utiliza-se de abordagem dialética quantiqualitativa para discutir os processos de formação dos referidos balneários e os resultados do IDT. Constata-se que a referida ferramenta fornece indícios importantes sobre os processos formativos dos balneários e as ações estatais de planejamento, possibilitando assim a melhoria das ações e uso dos investimentos assim como a replicação para outras realidades em cenário nacional.
Objetivo: Analisar os padrões epidemiológicos e espaciais da mortalidade infantil antes e durante a pandemia pela covid-19 em Pernambuco, de 2017 a 2022. Método: Estudo ecológico, sendo os municípios a unidade de análise espacial. Utilizaram-se dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, Sistema de Informações sobre os Nascidos Vivos e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os dados foram analisados por triênios, sendo 2017-2019 (pré-pandêmico) e 2020-2022 (pandêmico). Para a análise espacial, foi utilizada a estatística de Scan. Resultados: Registraram-se 9.609 óbitos infantis, sendo 4.993 (52%) no 1º triênio e 4.616 (48%) no 2º triênio. Do total, 5.231 (55,1%) eram do sexo masculino, 6.914 (77,2%) negros, 5.766 (66,2%) com baixo peso. Sobre as mães, 7.052 (79,5%) tinham 20 anos ou mais e 5.786 (67,4%) possuíam oito ou mais anos de estudo. A análise espacial revelou a presença de dois clusters no período pré-pandêmico nas macrorregiões Vale do São Francisco e Araripe, Agreste e Sertão e, durante o período pandêmico, um cluster no Vale do São Francisco e Araripe. Conclusão: O perfil e a identificação de clusters podem contribuir no direcionamento de programas e estratégias para a melhoria da assistência e da vigilância em saúde, voltados ao público materno-infantil.
A territorialização figura como um dos processos fundamentais da Atenção Primária a Saúde (APS) para subsidiar a análise situacional e sanitária da população, mas pouco tem se discutido sobre quais e como os determinantes político-locais do território das Equipes de Saúde da Família (EqSF) afetam o processo territorialização. Esse estudo teve como objetivo identificar os determinantes locais da territorialização na APS em sistema municipal de saúde do oeste baiano. Trata-se de estudo qualitativo com nível analítico centrado no âmbito local das EqSF e que adotou como referencial as proposições teóricas de Milton Santos. Participaram do estudo Agentes Comunitários de Saúde (ACS), gerentes das EqSF, gestores da APS e um representante de Universidade Federal. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas e um grupo focal. O material empírico da pesquisa foi processado com apoio do Software QRS NVIVO, onde as fontes de evidências foram unificadas e classificadas em categorias empíricas. Posteriormente, o material processado foi cotejado com plano analítico e suas respectivas categorias teóricas de análise, a saber: o espaço e seus elementos. O presente estudo identificou que os principais determinantes locais abarcam de relações políticas e poderes paralelos até questões estruturais. Determinantes mais decisivos relacionaram-se com a influência dos atores individuais e coletivos de organizações criminosas que exerciam o controle sobre os fluxos de profissionais e pessoas nas comunidades, a acessibilidade geográfica ao território e a incipiente cobertura de agentes comunitários para as demandas de cadastro populacional. O perfil cultural das comunidades influenciava a colaboração com o processo de visitação e cadastros das pessoas. Ademais, o perfil dos imóveis e a atividades comerciais locais, também exerciam importante determinação da territorialização, evidenciando a complexidade sanitária local para o processo de trabalho das EqSF. Recomendam-se estudos futuros sobre os avanços e limites na implementação de cadastros populacionais informatizados nos cenários rurais e urbanos, bem como estudos comparativos do processo de territorialização na APS em contextos singulares como fronteiras intermunicipais e interestaduais.
Cada vez mais se evidencia a necessidade de mudança no padrão de mobilidade individualista e insustentável adotado historicamente por tantas cidades, inclusive no Brasil. Assim, nos últimos anos, discussões sobre mobilidade urbana vêm sendo aprimoradas, e a busca por um modelo mais ativo e voltado para as pessoas tem recebido relevância. Nesse panorama, a caminhabilidade, que se refere à qualidade e condições do lugar para o deslocamento de pedestres, é vista como um fator primordial para o desenvolvimento de espaços urbanos mais sustentáveis e amigáveis. No Brasil, embora o caminhar seja o meio de deslocamento mais utilizado nas cidades, as condições de mobilidade pedonal na maioria das cidades brasileiras são inadequadas, o que torna preciso estudos mais aprofundados de caminhabilidade nesse cenário. Diante disso, o objetivo deste trabalho é analisar as condições de caminhabilidade na cidade de Queimadas, no estado da Paraíba, a partir da perspectiva dos pedestres. Para tanto, foi utilizado o modelo proposto por Medeiros e Vasconcelos (2021), que foi aplicado por meio de entrevistas e analisado através de análise de conteúdo. As entrevistas realizadas revelaram um cenário de caminhabilidade insuficiente no local de estudo. Os aspectos da dimensão calçada foram percebidos como necessitados de melhoria, principalmente referente à padronização, o que, por sua vez, também impacta na dimensão mobilidade, que recebeu percepção negativa, assim como a segurança viária. A segurança pública foi analisada negativamente, enquanto os aspectos ambientais carecem de maior incentivo. Questões relativas à atratividade da rua foram as melhores avaliadas. No que tange à hierarquização, os resultados apontam em primeiro lugar em grau de importância a dimensão segurança pública, seguida de mobilidade, ambiente, calçada, segurança viária e, por fim, atração.
A Bacia Hidrográfica do Córrego Amarelo - BHCA (ES) tem um histórico de diferentes formas de uso-cobertura da terra e eventos de inundações que afetam parte de sua população. Este trabalho utilizou recursos de geoprocessamento para caracterização morfométrica e confrontação de dados de mapeamento (uso-cobertura da terra e áreas de inundação). Os resultados permitiram estimar a influência da morfometria e da intervenção humana sobre as ocorrências de inundações nesta bacia. Os valores de geometria e canais indicam uma bacia alongada, pouco suscetível à cobertura por chuvas e boa drenagem. O relevo apresenta vertentes longas e inclinadas nas cabeceiras e entorno, com um extenso fundo de vale entre o centro e a foz, o que favorece a rápida concentração de águas na calha principal. Edificações são as principais ocorrências localizadas nas margens do canal principal em trechos suscetíveis a inundações. Obras de engenharia alteram as dimensões do canal e reduzem sua capacidade de armazenamento e vazão, resultando na subida de nível e transbordo. Os fatores morfométricos e antrópicos indicam que a BHCA requer atenção durante as chuvas intensas.
Este artigo analisa a aplicação de conceitos e metodologia para regularizar uma área de expansão urbana no município de Joinville, o mais populoso (IBGE, 2022) de Santa Catarina (SC). A região, na porção sul do território municipal, é atualmente classificada como rural, mas sua transformação em área urbana requer a apresentação de um projeto urbanístico específico, conforme estipulado pelas Leis Federais nº10.257,de 10 de julho de 2001 e nº12.608, de 10 de abril de 2012. O objetivo principal foi combinar o diagnóstico socioespacial com conceitos urbanísticos para desenvolver cenários de uso, ocupação e cobertura do solo alinhados com as diretrizes do Plano Diretor municipal. Como resultado, foi elaborada uma proposta de macrozoneamento, zoneamento e tabelas de índices e permissibilidade de parcelamento, uso e ocupação do solo, que, quando incorporadas à legislação municipal, pode apresentar potencial de promover benefícios sociais, econômicos e ambientais para a comunidade local.
A Antártida, também conhecida por Antártica, é o quarto continente em extensão territorial do planeta, sendo caracterizado pelo extremo rigor de seu clima. Dada a importância do continente para o equilíbrio climático planetário, o presente trabalho tem como objetivo trazer uma abordagem geopolítica da Antártida no século XXI, com ênfase no Tratado Antártico (que expira em 2041) e nos riscos que uma hipotética exploração comercial do continente representa para o clima da Terra. Inicialmente, o texto traz elementos que respaldam a importância da Antártida para o clima planetário. Na sequência, o trabalho afere os desdobramentos do tratado de 1959. Por fim, é enfocada a disputa territorial pela Antártida e evidenciada a ameaça à vida humana, tendo em vista o avanço do aquecimento global e a cobiça sobre os recursos naturais do continente. Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade da criação de um novo tratado internacional que garanta a proteção do ecossistema antártico e, consequentemente, do clima planetário. Em relação à metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa, pautada em análise bibliográfica, sob a ótica da Geografia Política e da Geopolítica.
O combate à Guerrilha do Araguaia, conflito ocorrido no Sul do Pará entre 1972 e 1974, em plena Ditadura Militar (1964-1985), guarda nexos até o presente em localidades diferentes das dos destacamentos A, B e C. Assim sendo, objetiva-se refletir sobre o que representou a Guerrilha do Araguaia e qual o seu legado para o Sudeste do Pará, Oeste Maranhense e Bico do Papagaio Tocantinense no que concerne à organização e à luta dos trabalhadores rurais. Para isso, além da revisão bibliográfica (que vai de artigos científicos a documentos de época e relatos de ex-guerrilheiros por meio de cartas), houve a realização de trabalho de campo por onde antes passaram os militantes do PCdoB, empregando, então, entrevistas semiestruturadas com lideranças locais e/ou indivíduos que tomaram contato com a repressão dos militares. Para maior aprofundamento, as influências da Guerrilha do Araguaia são trazidas para a atualidade à luz do enfrentamento ao agronegócio na área de divisa Pará-Maranhão-Tocantins e as rugosidades, formas-conteúdo que se mantêm na paisagem como resquícios da repressão e do silêncio pelo medo, são expostas, com destaque para o 50 BIS (50º Batalhão de Infantaria de Selva), exemplo visitado na pesquisa de campo.
A arborização provê benefícios sociais, econômicos e ambientais às cidades e serve de apoio a comunidades saudáveis. Essa pesquisa objetiva investigar o padrão da distribuição espacial da arborização viária em áreas urbanizadas dos municípios do Rio Grande do Sul, Brasil e sua relação com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). A análise espacial foi realizada através do Índice Global Moran para dados globais e Indicadores Locais de Associação Espacial (LISA) para os 497 municípios do estado. O índice Global Moran mostrou correlação da arborização viária de áreas urbanizadas dos municípios do Rio Grande do Sul e o IDHM. O Mapa LISA evidenciou a presença de hotspots ou cluster espacial tipo high-high localizados a noroeste, na fronteira com a Argentina e no centro do estado; low-high ao norte e tipo low-low e tipo high-low a nordeste e sudeste do estado. É evidenciada a relação da espacialização desses clusters com o IDHM e a urgência de medidas quanto a planejamento; incentivo a arborização de vias públicas em áreas urbanizadas nos 24 municípios do cluster baixo-baixo, nas dos 8 municípios do cluster baixo-alto, e nas dos 16 municípios do cluster alto-baixo, especialmente na Região Funcional 3 de planejamento do estado do Rio Grande do Sul nos COREDES Campos de Cima da Serra, Serra e Hortênsias.
This study aims to identify landscape corridors best able to support Yellow Fever (YF) virus spread and risk areas based on the disease transmission process. Spatial approaches tools were used, such as the land use and land cover to define buffers, kernel estimation to identify areas with greater intensity of ecological corridors, and the Moran Local Bivariate Index of human cases, epizootics of Non-Human Primates (NHP), and the number of corridor areas. Reported 975 Human cases of YF and 2,424 NHP epizootics, but only 576 were confirmed. The approach allowed the identification of the principal risk in corridors with a larger area, where groups of NHP can move more frequently, leading to crossings between different groups and providing populations with greater genetic diversity. In this situation, virus spread would be less likely to cause YF in many NHPs, acting as a regulator of virus circulation.
Belém vem sendo, nos últimos anos, assinalada por um processo de urbanização regional policêntrica que produz uma cidade-região com espaços de consumo dispersos, disparidade de renda dos grupos sociais das áreas dispersas, desenvolvimento de outras centralidades e configuração de novos espaços precários cada vez mais distantes do núcleo metropolitano. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa consistiu em analisar a natureza das novas ocupações nas bordas do espaço metropolitano de Belém, sua inserção no processo de urbanização regional e seus rebatimentos em termos do direito à cidade e da justiça espacial. Para tanto, utilizou-se de uma abordagem qualitativa e estudo de caso em Mosqueiro e Santa Bárbara do Pará, com levantamentos bibliográficos e documentais, trabalhos de campo exploratórios e para efetivação de entrevistas. Constataram-se aspectos importantes relativos à precariedade da moradia nas ocupações estudadas, Bairro Novo, em Mosqueiro, e Comunidade Juquilândia, em Santa Bárbara do Pará, com carências em serviços e infraestruturas, gerando limites quanto à garantia do direito à cidade dos seus moradores.
A área urbana isolada de Praia do Forte sofreu intensas modificações socioespaciais desde sua venda ao engenheiro paulista Klaus Peters, na década de 1970. O espaço, outrora como uma bucólica vila de pescadores, passou a abrigar grandes resorts e condomínios de alto padrão ao longo do tempo, transformando-se em um dos principais destinos turísticos do estado da Bahia. Praia do Forte está inserida numa área protegida, pioneira na incorporação do planejamento socioespacial à dimensão ambiental. Este trabalho tem como objetivo central compreender como se dá a atuação do capital internacional na produção de espaços da Praia do Forte. Foram realizados levantamentos bibliográficos, documentais em cartórios de imóveis e na Prefeitura de Mata de São João, cartográficos e de campo para observação dos empreendimentos hoteleiros e registros fotográficos. Através dos processos metodológicos expostos foi possível exemplificar os meios pelos quais o capital internacional agiu na produção do espaço urbano em Praia do Forte através da interação com os demais agentes sociais produtores do espaço. A ação do capital internacional em Praia do Forte se deu por intermédio de megaempresas e megaentidades que vislumbraram a localidade como um potencial reprodutor de seus capitais, investindo e reinvestindo capital na forma de dinheiro a fim de lucrar com a imagem criada do local que, historicamente e através da atuação do Estado, dos proprietários fundiários e dos promotores imobiliários, ganhou aspectos atratores para o setor turístico e imobiliário, transformando-se em um centro receptor de capital internacionalizado.
Com a definitiva instalação de Brasília como sede da administração pública federal, surgiu com ela a necessidade de criação de estabelecimentos de serviços para dar suporte à vida. Nos primeiros anos da capital do Brasil, eles ficaram concentrados na Avenida W3 Sul, que segundo os projetos iniciais, seria secundária, com vistas à logística do abastecimento da cidade. Ainda nos anos iniciais, a via gerou uma centralidade, concentrando as principais lojas de departamento, supermercados, magazines e vestuários até o final da década de 1970, quando a partir da consolidação e constituição de shoppings centers, entrou em gradual decadência, permanecendo assim até os dias atuais. Desde meados da década de 1990, a partir de políticas públicas, dá-se a tratativa de sua requalificação, com a implantação de outros usos e funções, com o auge na atualidade, por meio da revitalização de parte de sua infraestrutura, calçamento, jardins e pontos de ônibus, com a prioridade geral de alavancar o setor produtivo e manter os existentes e reabrir equipamentos ligados ao terceiro setor. A partir do entendimento de referências bibliográficas e de entrevistas com consumidores, gerentes, lojistas e funcionários, além de pesquisa de campo em uma sexta-feira anterior ao dia das mães do ano de 2022, foi averiguada, por meio de pesquisa quali-quantitativa, se a intervenção consolidou-se e obteve sucesso e se reverteu a trajetória de degringolamento da W3 Sul. Foi constatado que mesmo após essas ações, dois quintos do estabelecimentos estão fechados, e as funções deles concentram-se nas áreas de serviços bancários, alimentação e bebidas, educação e cursos preparatórios e casa e lar, sobretudo para suporte aos próprios trabalhadores das redodezas. Apesar da adequação da infraestrutura, com o nivelamento da calçada e colocação de ladrilhos, granitina e piso táctil, a política pública solucionou parcialmente a adequação do passeio e insuficientemente a questão central da ação governamental.
As bacias hidrográficas são instrumentos para a articulação socioambiental. A sub-bacia hidrográfica do rio Juramento, em Minas Gerais, enfrenta processos degradativos, que implica no abastecimento público de água do principal centro urbano Norte-Mineiro, o município de Montes Claros. Em conformidade com a Agenda 2030, o engajamento social é indispensável para a aplicabilidade e recuperação desses ecossistemas hídricos degradados. O objetivo geral desse artigo é analisar os impactos socioambientais na sub-bacia do rio Juramento. Investigando especificamente o uso e a ocupação do solo nos anos de 1987 e 2017, relacionando à insegurança hídrica vivenciada pela população montes-clarense. Foram realizados levantamentos bibliográficos, documentais, cartográficos e de campo por meio de entrevistas e registros fotográficos. Identificou-se o avanço dos monocultivos como o eucalipto e a pastagem sobre a vegetação nativa, visto que esses usos antrópicos produzem a exposição e o carreamento do solo para o leito dos cursos d’água. Para recuperar o potencial hídrico, foram propostas intervenções ambientais de engenharia, fomentando, ainda, a criação de um comitê para a sub-bacia hidrográfica. Palavras-Chave: Agenda 2030. Norte de Minas Gerais. Semiárido. Abastecimento de Água. Montes Claros.
O biomonitoramento se constitui enquanto uma ferramenta utilizada para avaliar a qualidade dos ambientes. São considerados indicadores ambientais ou, bioindicadores, espécies e conjuntos de espécies com capacidade de reagir e registar distúrbios ou alterações no ambiente ao qual pertencem. A utilização das respostas de um sistema biológico a respeito de algum agente estressor, possibilitam realizar um planejamento para medidas mitigatórias ou compensatórias no ambiente em questão, visando a identificação do processo, reestabelecimento da normalidade, diminuição da deterioração ou até mesmo uma recuperação de área totalmente degradada. A utilização de liquens como alternativa de biomonitoramento se destaca, porque constituem um grupo extremamente diverso e complexo na natureza, ocorrendo nos mais diferentes ambientes e substratos. Com capacidade de registro biológico os liquens podem determinar tipos de poluentes e processos de degradação ambiental. Uma vez que a poluição do ar é uma preocupação crescente para a sociedade e a cada ano, medidas de investigação sobre causas e efeitos vem aumentando no campo das mais diversas ciências, e a Geografia tem a possibilidade de discutir as relações de causa e efeito da poluição, através do estudo conjunto das ações humanas e as implicações destas no ambiente como um todo. Com intuito de contribuir para a temática o objetivo do artigo é desenvolver uma discussão teórico-metodológica acerca da análise da Biogeografia enquanto possibilidade de atuação nas ações de biomonitoramento ambiental, focando na espécie líquen como estudo de caso.
Réplica aos comentários do ensaio "Geografia Política: o que é afinal e para que serve".