
ABSTRACT The aim of this paper is to analyze the oral falling diphthongs in two varieties of Portuguese: São Tomé and Príncipe Portuguese (PSTP) and Brazilian Portuguese (BP). To do so, based on a corpus formed from lexical items elicited through carrier sentences, collected in the field on the islands of São Tomé and Príncipe, West Africa, we extracted the first and second formant (F1 and F2) values of stressed oral vowels using PRAAT. This methodological procedure was carried out in order to establish the acoustic dispersion between the vowel (V) and the glide (G) that form the falling diphthongs in PSTP. Once the acoustic dispersion between the VG was calculated, we established a dispersion scale comprising four points: high dispersion, medium dispersion, low dispersion, and very low dispersion. This scale was then compared to the scale proposed by Eberle (2022) for PB. Finally, a contrast between both scales revealed differences in terms of the acoustic contrast between the V and the G of the oral diphthongs in PSTP and PB. These differences seem to stem primarily from the insertion of [ə] in the stressed oral vowel system of PSTP.
RESUMO A emergência da figura do flâneur, no nascente projeto artístico e midiático da modernidade no século XIX, é analisada, neste ensaio, enquanto exercício da parresia, na relação entre o que se diz e a vida que se leva, conforme descreve Michel Foucault. Charles Baudelaire personifica a vida de artista, num movimento dialético entre a força poética e a cooptação pelo mercado. Foram mobilizados pressupostos teórico-metodológicos dos estudos discursivos foucaultianos em diálogo com conceitos do filósofo Walter Benjamim, tais como fantasmagoria e imagem dialética. Nossos resultados indicam que a flânerie se configura como um tipo de resistência estética e comportamental que funciona como linha de fuga em relação aos antagonismos entre burgueses e operários, mercadoria e poesia. O flâneur, portanto, é pensado como subjetividade na descontinuidade histórica, representação de um sujeito poético no espaço possível de resistência a uma lógica utilitarista e produtivista. Motivos pelos quais sua revisitação produz sentidos no contemporâneo.
RESUMO Este estudo visa analisar os sentidos do termo descendência com lentas modificações na obra A origem das espécies por meio da seleção natural, do naturalista britânico Charles Darwin, em seu domínio semântico de determinação. O referido termo foi substituído pela expressão teoria da evolução na sexta e última edição da obra, marcando o único ponto em que a palavra evolução substitui outro termo em toda a produção do naturalista inglês. A análise de descendência com lentas modificações e de sua substituição possibilita compreender as determinações de sentido atribuídas à teoria da evolução na obra. Será feita ainda uma análise dos termos descendente, modificação e lenta na mesma obra com o objetivo de verificar como essas expressões funcionam independentemente. O método de análise proposto baseia-se na Semântica do acontecimento, conforme desenvolvida por Eduardo Guimarães em seu livro homônimo (2002). Para elucidar os sentidos do termo descendência com lentas modificações na obra, a intenção é examinar seu funcionamento semântico-enunciativo e sua relação com outros termos do livro.
RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de um estudo bibliométrico que examina, quantitativa e qualitativamente (Vanti, 2002; Araújo; Alvarenga, 2011; Ren; Huang, 2021), os artigos científicos que tenham como tema a formação em tradução publicados em periódicos científicos brasileiros especializados em Estudos da Tradução, bem como naqueles vinculados aos campos de Letras e Linguística, em seus números temáticos sobre tradução. Além de aferir dados numéricos quanto ao volume de artigos publicados ao longo dos últimos 41 anos, a seus autores e suas relações de coautoria e às instituições às quais se filiam, este artigo também examina as palavras-chave por eles adotadas, buscando relacioná-las a possíveis tendências de pesquisa no subcampo da formação em tradução.
RESUMO O artigo analisa as narrativas de uma futura professora de Inglês como Língua Estrangeira durante seu estágio e que já começou a lecionar fora do ambiente acadêmico. Por meio de pesquisa narrativa, uma estudante universitária brasileira chamada Julia descreveu suas experiências durante grupos focais e em relatórios de estágio. Os resultados indicam que a relação entre conceitos cotidianos e científicos é construída sob a lacuna da teoria/prática, devido a três aspectos: primeiro, que as experiências concretas fora da universidade ofereceram maior contato com os desafios da sala de aula; segundo, que devido a esses eventos anteriores, o estágio adquiriu um significado diferente, resultando em um desencontro entre as expectativas da futura professora em relação ao que seu curso poderia oferecer ao seu desenvolvimento profissional; terceiro, que uma ferramenta cultural como o relatório de estágio também foi afetada pela lacuna, mostrando uma função utilitarista que atrapalha o potencial de mediar suas observações de aula. O arcabouço teórico se baseia em conceitos de atividade mediada e o papel da formação de conceitos na psicologia histórico-cultural, assim como perspectivas em Linguística Aplicada sobre formação inicial de professores. O estudo busca contribuir com as pesquisas histórico-culturais contemporâneas sobre ensino e aprendizagem como práticas assentadas na cultura.
RESUMO Neste artigo, partindo de uma análise neomaterialista dos discursos, nosso objetivo é analisar a biotecnovoz como heterotopologia do corpo (corpo-vocal) no filme Blue, de Derek Jarman, tomando-a como ponto de problematização da vida gênero dissidente com hiv nos anos noventa do século XX. Interessa-nos, por um lado, pensar o queer e a exceção materializados no cinema e, por outro lado, os modos pelos quais a voz, lida como biotecnovoz, coloca-se no limite entre o corpo, a língua e os processos de subjetivação produzidos no dispositivo da aids. Para dar conta dessa rede de distribuição de agência e de efeitos, nos valemos de breves discussões acerca dos dispositivos, do cinema queer e do conceito de biotecnovoz. Concluímos que, não obstante os esforços de normalização, nem a voz como conceito nem o corpo-vocal da pessoa que vive com hiv podem ser subsumidos a práticas de circunscrição normativa e que, no filme de Jarman, é justamente a heterotopologia que funciona como resistência e invenção.
RESUMO Esta pesquisa analisa os efeitos do retorno a Alagoas na preservação ou abandono de variantes paulistas por alagoanos que residiram no estado de São Paulo. Para tanto, investigam-se correlações entre fatores sociais e três variáveis diferenciadoras de dialetos – (i) /R/ em coda medial (‘po[ɻ,ɾ,h]ta’); (ii) /S/ em coda medial (‘pa[s,ʃ]ta’); e (iii) /t, d/ diante de [i] (‘[dʒ,d]ia’) – em gravações com 32 alagoanos. As análises, com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008) e na literatura sobre contato dialetal (Trudgill, 1986; Chambers, 1992) e normas (Milroy, 2002), demonstram que as variantes paulistas persistem após o retorno a Alagoas e exibem dinâmicas próprias que as diferenciam em termos de reconhecimento social, frequência de uso e valores normativos. O Estilo foi a única variável que se correlacionou com as três variáveis resposta: o contexto de leitura desfavorece a variante paulista de (R) e favorece as variantes paulistas de (S) e (TD). Esses resultados apontam que os migrantes se orientam por normas supralocais no estilo mais monitorado, um reflexo de sua experiência multidialetal, diferentemente da fala de não migrantes, que tendem a se orientar pelas normas locais.
RESUMO O objetivo deste artigo é analisar os ditongos decrescentes orais em duas variedades da língua portuguesa: o português de São Tomé e Príncipe (PSTP) e o português brasileiro (PB). Para tanto, com base em um corpus formado por itens lexicais elicitados a partir de frase-veículo, coletados in loco nas ilhas de São Tomé e de Príncipe, Costa Oeste Africana, extraímos, com auxílio do PRAAT, os valores do primeiro e do segundo formante (F1 e F2) de vocoides tônicos orais. Esse procedimento metodológico foi feito de modo a estabelecermos a dispersão acústica entre a vogal (V) e o glide (G) que constituem ditongos decrescentes em PSTP. Calculada a dispersão acústica entre VG, estabelecemos, em seguida, uma escala de dispersão compreendendo quatro pontos: alta dispersão; média dispersão; baixa dispersão e baixíssima dispersão. Essa escala foi, por fim, comparada à escala proposta por Eberle (2022) para o PB. Por fim, ao contrapor ambas as escalas, foram observadas algumas diferenças em termos de contraste acústico entre V e G de ditongos orais do PSTP e do PB. Essas diferenças parecem decorrer, sobretudo, da inserção de [ə] no sistema tônico oral de vogais do PSTP.
RESUMO A vasta extensão geoespacial do território brasileiro, combinada com a pluralidade linguística e social, impõe desafios à criação de atlas linguísticos, apresentando uma diversidade complexa para aqueles que buscam descrever as múltiplas facetas do português e das demais línguas, por meio da Geolinguística. Após 1996, ano de lançamento do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), observa-se um crescimento robusto na feitura de atlas, desenvolvidos como teses ou dissertações, possibilitado a partir de uma base sólida de trabalho geolinguístico. Ademais, é notável também que a Geolinguística no Brasil tem tomado contornos de área de interesse, e não mais como um método auxiliar da Dialetologia. A partir desses apontamentos e do crescimento da produção de atlas linguísticos com diferentes perspectivas, o objetivo deste estudo é propor uma (re)classificação tipológica que amplia a proposta de Alinei (1994), voltada aos atlas europeus, de quatro para oito categorias: continentais, grupos de línguas, nacionais, regionais, estaduais, de pequeno domínio/locais, contatuais/fronteiriços e de rotas histórico-linguísticas, de acordo com o escopo e finalidade dessas obras. Para essa tarefa, utilizou-se, metodologicamente, levantamento bibliográfico com objetivo crítico-descritivo, analisando obras geolinguísticas canônicas e contemporâneas, com destaque para produções da família românica.
Resumo A finalidade deste trabalho é a de analisar a nasalização das vogais e dos ditongos presentes em 250 textos poéticos das vertentes religiosa e profana da lírica trovadoresca. O objetivo da pesquisa consiste em verificar, por meio da análise dos manuscritos remanescentes daquela época, se o til presente na representação gráfica das palavras encontradas no corpus era a abreviatura de uma consoante nasal ou se esse sinal simbolizava a nasalização da vogal e do ditongo. A metodologia se embasa em um estudo voltado à origem de tais palavras e à análise do contexto de ocorrência desses termos. A relevância deste estudo se mostra pela importância de se discutir as mudanças sofridas pelos segmentos, no contexto das palavras analisadas, no que diz respeito à nasalidade na diacronia do português. Essa evolução histórica foi definida por vários processos linguísticos, que nos auxiliam a compreender a trajetória desse fenômeno nesta língua. Os dados coletados demonstraram que a nasalidade presente na língua registrada nas cantigas vinha de períodos anteriores e era representada, na origem, por um elemento nasal n que, ao desaparecer, transferiu seu traço nasal para a vogal das imediações. Logo, mesmo que a nasal não fosse mais realizada foneticamente como uma consoante e sim como a nasalização de uma vogal, sílabas com vogais com marca de til (que já marcava nasalização da vogal na época) ou seguidas por consoante nasal no registro escrito do ancestral medieval do galego e do português se comportam como travadas por elemento consonântico, no nível fonológico.
RESUMO Apresentamos, neste trabalho, a descrição de um fenômeno interacional e argumentativo que nomeamos de “assimilação argumentativa”, o qual representa o momento em que dois discursos recalcitrantes, antagônicos, passam a representar um alinhamento argumentativo, a partir da adesão à fala de um proponente por um oponente. A partir de uma revisão dos estudos retóricos, problematizamos a dicotomia “persuadir” vs. “convencer” (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2008; Perelman, 1989, 1999, 2002; Meyer, 2008a, 2008b; Grize, 1995; Angenot, 2008), com o objetivo de mostrar a atuação das quatro etapas do processo de assimilação argumentativa, via Diagrama de Venn. Por meio de metodologia que preconiza o estudo da argumentação com foco na interação verbal e, ainda, com amparo nos estudos da análise conversacional e do Modelo dialogal da argumentação (Plantin, 2008, 2016; Plantin; Doury, 2015; Traverso, 2007; Kerbrat-Orecchioni, 1992, 2011; Damasceno-Morais, 2021, 2022, 2023a, 2023b), apresentamos análise de um estudo de caso, oriundo do banco de dados ‘Tribunal’, e que ilustra o fenômeno. Concluímos que o estudo da argumentação numa perspectiva interacional é profícuo para nos ajudar a enxergar fenômenos afins, o que não seria possível se seguíssemos à letra os estudos da argumentação em perspectiva meramente lógico-matemática e formalista, num ideal cartesiano que deixa de fora o olhar para as idiossincrasias do fio da interação argumentativa.
RESUMO A função adversativa, apesar de frequente em resumos de artigos científicos, não é descrita com detalhes na literatura. Para além da estrutura retórica básica de resumos acadêmicos (Swales, 1990), a sinalização adversativa é recorrente nesse gênero textual, independentemente da área de estudo. Com o objetivo de descrever o uso e a distribuição de operadores que estabelecem relação adversativa em resumos científicos com base na Teoria da Estrutura Retórica (RST), a pesquisa analisa um corpus composto por 28121 resumos, totalizando 4350415 palavras. Os resultados apontam que a argumentação “adversativa”: (1) é retoricamente complexa; (2) aparece em diferentes movimentos retóricos do resumo acadêmico; e (3) é empregada com alta frequência, em especial, para problematizar o fenômeno em investigação bem como para argumentar a apresentação dos resultados.
RESUMO A aquisição da escrita tem sido considerada uma importante fonte de mudança na mente/cérebro do aprendiz, especialmente na maneira como a linguagem é processada. Vários aspectos desse tipo de mudança têm sido estudados, entretanto, poucos trabalhos abordam mudanças especificamente na representação fonológica. Este artigo busca promover esta discussão, com foco na representação da coda silábica do Português Brasileiro. Para tanto, são analisados dados de escrita de 166 crianças brasileiras monolíngues, estudantes dos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental. Os resultados mostram que as crianças produzem mais erros na escrita das consoantes nasal e lateral em relação à fricativa e à rótica nesta posição silábica. Este resultado é atribuído principalmente a uma assimetria entre a fonologia infantil e a fonologia adulta, que é refletida no sistema ortográfico. Em razão desse conflito, argumenta-se que a representação da coda pode ser alterada no sistema fonológico das crianças brasileiras, tendo como resultado o seu alinhamento com a gramática alvo.
RESUMO Este trabalho tem como objetivo apresentar o processo de elaboração das entradas dos termos de parentesco no Dicionário Bilíngue Guarani-Mbyá/Português – Português/Guarani-Mbyá, considerando-se as especificidades da língua e da cultura indígena e possíveis contribuições do projeto. O parentesco Guarani é pensado a partir de Schaden (1974), Litaiff (1996), and Pissolato (2007). A organização do Dicionário inspira-se nas propostas de Welker (2004) e nos pressupostos teóricos relacionados à elaboração de dicionários bilíngues, considerando-se as possibilidades para a apresentação dos sentidos (Adamka-Salaciak, 2016) e a relação entre a Lexicografia e as teorias da Semântica Lexical (Geeraerts, 2016). A análise dos dados linguísticos trouxe à tona a necessidade de um tratamento específico aos casos de polissemia nos termos de parentesco, bem como a organização das informações culturais necessárias à apresentação dos sentidos lexicais, considerando-se as condições da língua em uso e contextos de interação. Como resultado, este artigo ressalta o caráter sociopolítico de trabalhos lexicográficos comprometidos com projetos de revitalização e retomada de línguas indígenas no Brasil, além das pretendidas contribuições aos estudos linguísticos.
RESUMO Este artigo tem como objetivo investigar, ao longo da história da sintaxe, movimentos retóricos e descritivos que levaram a gramaticografia ocidental da análise baseada nos casos latinos à análise baseada em funções sintáticas. Segue-se a linha sugerida por Colombat et al. (2017, p. 129), segundo os quais, a análise lógica da proposição foi de fato sistematizada nas gramáticas das línguas modernas europeias somente a partir do século 17, com os racionalistas franceses de Port-Royal. A base disciplinar da pesquisa é a Historiografia da Linguística (Swiggers, 2009a; Koerner, 2020) e, de modo particular, a historiografia da gramaticografia (Swiggers, 2020, entre outros). Os resultados indicam que a ambivalência da categoria “caso”, compreendida como fenômeno tanto flexional quanto lógico-semântico desde a Gramática castellana de Nebrija (1492), só foi finalmente resolvida pela gramaticografia francesa de meados do século 18, o que levou à substituição de um modelo sintático baseado em casos por um modelo baseado em funções. O estudo abre um percurso investigativo relevante: explorar as repercussões da mudança de modelos sintáticos dos casos às funções na continuidade da gramaticografia ocidental, sobretudo de língua portuguesa.
ABSTRACT This work aims to present the process of compiling the entries for kinship terms in the Bilingual Guarani-Mbyá/Portuguese-Portuguese/Guarani-Mbyá Dictionary, considering the specificities of the indigenous language and culture, as well as the possible contributions of the project. Guarani kinship is considered based on Schaden (1974), Litaiff (1996), and Pissolato (2007). The organization of the Dictionary is inspired by the proposals of Welker (2004) and the theoretical assumptions related to the development of bilingual dictionaries, considering the possibilities for presenting meanings (Adamka-Salaciak, 2016) and the relationship between Lexicography and the theories of Lexical Semantics (Geeraerts, 2016). The analysis of linguistic data highlighted the need for specific treatment of polysemy in kinship terms, as well as the organization of cultural information necessary to present lexical meanings, considering the conditions of language in use and the contexts of interaction. As a result, this article highlights the sociopolitical nature of lexicographical works committed to projects of revitalization and revival of indigenous languages in Brazil, in addition to the intended contributions to linguistic studies.
Abstract This paper aims to analyse phonological phenomena from the medieval period of Portuguese (or Galician-Portuguese), investigating vowels and diphthongs’ nasalisation in 250 religious and secular troubadours’ poetical texts. Our objective is to verify whether the diacritic tilde in the graphic representation of words that survived in the considered manuscripts corresponds to an abbreviation of a nasal consonant or to a signal of the vowel/diphthong nasalisation. The methodology is based on the consideration of the word origin (=etymology) and the distribution of the graphic marks of nasalisation inside the word. Data show that nasality in the archaic period originates from nasal consonants present in previous periods in which it was graphically represented by n, which disappeared at the phonetic level, transferring its nasal feature to the nearest vowel. In this context, even if the nasal is not phonetically realised as a consonant but as vowel nasalisation, syllables containing nasal vowels phonologically still correspond to a syllable closed by a nasal element.
ABSTRACT This article aims to investigate, throughout the history of syntax, the rhetorical and descriptive movements that led Western grammar writing from an analysis based on Latin cases to one based on syntactic functions. This study follows the approach suggested by Colombat et al. (2017, p. 129), who argue that logical analysis of propositions was systematically applied in the grammars of modern European languages only from the 17th century onward, with the French rationalists of Port-Royal. The disciplinary foundation of this research is the Historiography of Linguistics (Swiggers, 2009a; Koerner, 2020), with particular focus on the historiography of grammar writing (Swiggers, 2020; among others). The results indicate that the ambivalence of the category ‘case’, understood as both a flexional and a logical-semantic phenomenon since Nebrija’s Gramática Castellana [Castilian Grammar] (1492), was only finally resolved by French grammar writers in the mid-18th century, leading to the replacement of a syntax model based on cases with one based on functions. This study opens an important investigative path: to explore the repercussions of the shift in syntactic models from cases to functions in the continuity of Western grammaticography, especially in the grammars of Portuguese.
ABSTRACT The vast geospatial extension of Brazilian territory, combined with linguistic and social plurality, poses challenges to the creation of linguistic atlases, presenting a complex diversity for those who seek to describe the multiple facets of Portuguese and other languages through Geolinguistics. Since 1996, when the Linguistic Atlas of Brazil Project (ALiB) was launched, there has been a robust growth in the production of atlases, developed as theses or dissertations, made possible by a solid base of geolinguistic work. It is also notable that geolinguistics in Brazil has become an area of interest and no longer an auxiliary method of dialectology. Based on these observations and the growth in the production of linguistic atlases with different perspectives, the aim of this study is to propose a typological (re)classification that expands Alinei’s (1994) proposal, aimed at European atlases, from four to eight categories: continental, language groups, national, regional, state, small domain/local, contact/frontier and historical-linguistic routes, according to the scope and purpose of these works. For this task, a bibliographic survey with a critical-descriptive objective was used methodologically, analyzing canonical and contemporary geolinguistic works, with an emphasis on productions from the Romance family.
ABSTRACT In this work, we present the description of an interactional and argumentative phenomenon that we have named “argumentative assimilation,” which represents the moment when two recalcitrant, antagonistic discourses begin to represent an argumentative alignment, due to the opponent’s adherence to the proponent’s speech. By revisiting rhetorical studies, we question the dichotomy “persuade” vs. “convince” ( Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2008 ; Perelman, 1989 , 1999 , 2002 ; Meyer, 2008a, 2008b; Grize, 1995 ; Angenot, 2008 ), to demonstrate four stages of the argumentative assimilation process, via Venn’s Diagram. By using a methodology focused on the study of verbal interactions, and also supported by studies of conversational analysis and the Dialogical Model of Argumentation ( Plantin, 2008 , 2016 ; Plantin; Doury, 2015; Traverso, 2007 ; Kerbrat-Orecchioni, 1992 , 2011 ; Damasceno-Morais, 2021 , 2022 , 2023a , 2023b ), we present an analysis of a case study, from the ‘TRIBUNAL’ database, which illustrates the phenomenon. We conclude that the study of argumentation from an interactional perspective is fruitful in helping us to understand similar phenomena, which would not be possible if we strictly followed studies of argumentation simply from a logical-mathematical and formalist perspective, in a Cartesian ideal.