
Resumo Neste trabalho, adotamos por referencial teórico-metodológico a visada dialógica bakhtiniana e a Pedagogia Crítica para analisar discursos que abordam questões sobre educação e democracia, publicamente enunciados na mídia digital Brasil Paralelo. Adotamos a etnografia digital como aporte para investigar manifestações socioculturais que refletem e refratam a posição de enunciadores sobre a noção de democracia e de suas interrelações com o papel/lugar da educação e dos educadores na sociedade brasileira. Nossa análise vislumbra como as posições axiológicas assumidas pelos falantes dessa mídia, firmadas no viés do ultraconservadorismo, materializam-se na retratação de personagens e fatos históricos. Ao adotar discurso autoritário que associa educadores e a educação à agenda para a consolidação de "ideais comunistas", os enunciadores assumem posição que apropria e (res)significa a noção de democracia para fomentar processos de desdemocratização.
Resumo A leitura do enjambement, usualmente descrito como um "desencontro" entre unidade sintática e padrão métrico fixado pela linha que limita o verso, envolve complexos processos cognitivos — percepção, reconhecimento de padrão, processamento de sentenças, antecipação, categorização. Para explicar esse fenômeno, os modelos se revezam entre versões mais ou menos internalistas — leitores de poesia versificada são processadores desincorporados, "sanduíches cognitivos" (cognitive sandwiches) do tipo input → processamento → output, livres de hábitos (culturais, físicos, sensório-motores), livres de artefatos sociotécnicos e de contextos. Interessa-nos aqui compreender como certas teses fundamentais do "externalismo cognitivo ativo", especialmente aquelas relacionadas à "percepção como ação", e à "cognição como predição", podem ajudar-nos a situar o enjambement no paradigma da cognição 4E (embodied, embedded, enacted, extended cognition)? Exploramos as implicações de certas premissas (4E) no domínio mais recente de discussão sobre a cognição estendida do verso e da quebra do verso.
Abstract To substantiate pedagogically sound initiatives for teachers’ Language Assessment Literacy (LAL) within the Brazilian context, this study investigates the profile and assessment practices of English and Spanish teachers as additional language instructors, as well as their (self-)perceptions regarding their LAL needs. This quantitative exploratory study surveyed 132 teachers using an online questionnaire and analyzed the data with descriptive statistics. Findings indicate that topics related to the process of planning assessment, such as establishing clear purposes and designing assessment tools, were considered highly relevant by teachers, showing consensus. Conversely, skills associated with traditional, non-traditional, inclusive, and bilingual assessments revealed divergent perceptions, reflecting tensions between paradigms, inequalities in access to training, and the influence of institutional contexts. These results underscore the complex nature of LAL and reinforce the importance of teacher education policies that integrate technical competency, critical reflection, and contextual responsiveness.
RESUMO Este estudo descreve a elaboração e implementação de dois instrumentos de avaliação de desempenho integrada, em inglês, Integrated Performance Assessments (IPA), para língua portuguesa, seguindo o modelo de Troyan et al. (2023). As avaliações de desempenho são ferramentas utilizadas na avaliação de alunos de línguas estrangeiras em contextos instrucionais e têm como objetivo medir o desenvolvimento da competência comunicativa. Os instrumentos aqui propostos avaliam três modos de comunicação: interpretativo, interpessoal e expositivo. Eles foram elaborados para os níveis iniciante e intermediário, de acordo com os descritores de proficiência do Conselho Americano de Ensino de Línguas Estrangeiras, em inglês, American Council on the Teaching of Foreign Languages (ACTFL). Relatamos também a sua utilização em dois cursos universitários de língua portuguesa, bem como as percepções e experiências dos alunos que concluíram as tarefas dos instrumentos de avaliação.
RESUMO Este artigo objetiva investigar a teia referencial e os efeitos de (inter)subjetividade na (re)construção textual dos referentes da peça publicitária “A ufologista”, no que diz respeito ao enfrentamento à desinformação e aos movimentos antivax. Para isso, discutimos como os conceitos de linguagem, desinformação e publicidade se entrelaçam na produção de sentido para persuasão, a partir de Pinto (1999), Carvalho (2002), Wardle e Derakhsan (2017), Martins (2018), Hissa (2022), Silva (2022), Barreto (2024), Demuru (2024), entre outros. Em seguida, apresentamos convergências de duas áreas da Linguística, a saber, a Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) (Furtado da Cunha; Bispo; Silva, 2013; Rosário; Oliveira, 2016, entre outros) e a Linguística Textual (LT) (Koch, 2015; Cavalcante, M. et al., 2022, entre outros), mobilizando, principalmente, os conceitos de construção (Croft, 2001) referencial, (inter)subjetividade (Traugott; Dasher, 2003) e referenciação (Mondada; Dubois, 2019[1995]). Quanto à metodologia (Paiva, 2019), esta pesquisa é de natureza aplicada, de abordagem qualitativa e caracteriza-se, quanto aos objetivos, como descritiva. Os resultados da análise mostram que construções nominais referenciais (re)criam a teia referencial e o mundo discursivo de “A ufologista” e promovem uma identificação dos personagens com o interlocutor. Essas estratégias (inter)discursivas e (inter)subjetivas favorecem a valorização do discurso pró-vacina e, consequentemente, a adesão ao centro aplicador delas, o laboratório Hermes Pardini, num jogo de sedução publicitária. Conclui-se que a linguagem publicitária pode ser uma alternativa de combate à desinformação, servindo-se de aspectos co(n)textuais que criam uma narrativa persuasiva significativa no enfrentamento desse problema social.
Abstract In this article, I discuss experiences in critical language teacher education throughout a one-semester English Practicum course at a Brazilian university. The theoretical framework draws on Global South epistemologies, which, according to Merladet (2020), do not refer to a geographical location, but to anti-capitalist and anti-colonial ways of knowing that reject monocultural modes of knowledge production and seek to unlearn legitimized forms of oppression and unjust human suffering. Key concepts also include knowledge constellations (Herrera, 1997), the bureaucratization of the Practicum (Borelli, 2018), and the concept of universityschool (Mastrella-de-Andrade, 2020). The discussions highlight three significant movements towards overcoming bureaucracy in the Practicum: (1) opening space for the geo-body-political positionalities of those involved in teacher education, exploring their meanings and affects; (2) adopting critical perspectives on literacy and language education, understanding them as spaces for constructing democratic access to the English language and empowering teachers and students as legitimate users of legitimate local contexts; and (3) breaking with the colonial hierarchy between university and school to foster constellations of knowledge among educators from these different formative spaces. In conclusion, in my discussions I propose a political-affective perspective for language teacher education, grounded in unpredictability as a condition for the construction of new, living knowledges in language teacher education.
RESUMO Este artigo tem como objetivo analisar sistematicamente a escala de proficiência destinada à avaliação do controle fonológico no Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas (QCER), sob a perspectiva do pluricentrismo no ensino e na avaliação de línguas estrangeiras, com vistas a problematizar sua definição operacional e a organização hierárquica de seus critérios avaliativos. Fundamentados nos debates da literatura pluricêntrica de Flores e Rosa (2015), Carvalho e Schlatter (2024) e Garcez, Armani e Santos (2025), bem como nos estudos geográficos e sociológicos de Haesbaert (2004; 2014), analisamos a operacionalização do controle fonológico por meio do uso de Árvores de Decisão de Desempenho (ADD), a fim de extrair os critérios hierarquicamente organizados em uma escala analítica voltada à avaliação da pronúncia. Os resultados revelam que tanto os critérios quanto sua hierarquização refletem uma visão homogênea de língua, o que resulta na penalização de variedades nativas e não nativas em favor de um desempenho idealizado. Considerando a projeção política e educacional do QCER, pretende-se fomentar o debate acerca da urgência de revisar os critérios avaliativos do desempenho oral ainda pautados em concepções monolíticas de língua, em razão de seus impactos sobre as políticas globais de (i)mobilidade.
RESUMO O presente artigo propõe uma descrição analítica de um conjunto de procedimentos metodológicos empregados na execução do projeto de pesquisa intitulado Website da Literatura Brasileira Traduzida: internacionalização, educação e acessibilidade, financiado pelo CNPq. O projeto interinstitucional visou a criação de um amplo portal eletrônico com informações sobre a presença da literatura brasileira no exterior, com foco inicial nas traduções de língua inglesa. O website abriga um repositório de pesquisas sobre a literatura brasileira traduzida para o inglês concernente aos seguintes segmentos: produções acadêmicas que podem ser encontradas em diferentes bases de dados e entrevistas com tradutores, editores e pesquisadores sobre o tema. Além disso, o projeto produziu e elaborou novos conteúdos disponibilizando-os nos seguintes formatos: catálogo da literatura brasileira traduzida para o inglês; acervo de perfis dos tradutores e das tradutoras da literatura brasileira para o inglês; e audiolivros da literatura brasileira traduzida para o inglês. Para alimentar cada uma dessas seções, estabelecemos um conjunto de procedimentos metodológicos que podem orientar pesquisadores interessados em colaborar com nosso projeto no futuro.
RESUMO Acrise ecológica atual resulta de séculos de capitalismo predatório; todavia, os discursos da grande mídia e os encaminhamentos de políticas públicas em torno da emergência climático-ambiental insistem em negligenciar as condições sociopolíticas que levaram à destruição do ambiente. Por serem fruto do colonialismo, as consequências da crise climática já em curso são experimentadas desigualmente pelos habitantes do planeta (ONU, 2023) e têm ameaçado superações já alcançadas de estados de pobreza, indignidade, desnutrição (CARE, 2024). Entendemos que as condições físicas dos corpos - gênero, raça, etnia e deficiência - definem tanto o acesso ao mundo quanto os níveis de subalternidade e invisibilidade atribuídos. Nesse sentido, foca-se em um ambientalismo isolado, uma ecologia fraturada. Neste artigo queremos advogar pela educação linguística ancorada na ecologia decolonial (Ferdinand, 2022), na biointeração (Bispo, 2022), no futuro ancestral (Krenak, 2020) e nos estudos críticos sobre a deficiência (Goodley, 2013). Assim, usando a convocação de “trazer o corpo de volta” (Menezes de Souza, 2020), queremos fazer do corpo o ponto de partida para propor um deslocamento epistêmico que pense a emergência climática a partir de corpos historicamente apagados. A partir do corpo feminino e deficiente, buscamos escrutinar as narrativas ecológicas fraturadas e a ecologia colonial branca para propor narrativas outras vinculadas à reconfiguração necessária para alcançarmos a reversão da situação climática em que nos encontramos.
RESUMO Neste artigo, compartilhamos e problematizamos uma experiência de educação em língua inglesa como um espaço de existência, desenvolvida em uma turma de 4º ano do curso de Letras: Inglês da Universidade Federal de Rondonópolis. Partimos da compreensão da sala de aula como espaço poderoso de constituição de existências por meio da educação linguística e entrelaçamos três perspectivas praxiológicas: a pedagogia da existência de Albán (2013), que envolve emoção, criatividade e expressão sem ataduras; os letramentos de reexistência de Souza (2011; 2016), que defende a ideia de que reexistir é criar novas formas de existência coerentes com nossa história em constante construção; e o diário de Jesus (2014), que materializa uma nova maneira de existir, rompendo com o inferno em que a colonialidade do poder, do ser e do saber mantém as/os condenadas/os (Maldonado-Torres, 2018). A pesquisa de sala de aula aqui narrada, que acreditamos estar comprometida com “as lutas pela vida” (Guerrero Arias, 2012), consistiu em, juntamente com as professoras licenciandas, construir a compreensão da existência de Carolina Maria de Jesus e discutir a escrita criativa como forma de testemunhar fatos (Hoffler, 2020). Esse processo resultou em textos sobre eventos conflituosos que fizeram com que as licenciadas existissem de outra forma em sala de aula e exigiram da professora uma forma outra de olhar para tais textos.
RESUMO Diante do aumento no número de estudantes com Deficiência Intelectual (DI) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas (Roberts; Webster, 2020; Brasil, 2024), evidencia-se a importância e urgência de mais pesquisas para capacitar professores/as sobre como promover um processo de avaliação de aprendizagem justo para esses/as estudantes. O presente trabalho insere-se neste contexto, apresentando uma coleção de ações avaliativas realizadas com estudantes com DI e com TEA em sala de aula de língua adicional em uma escola de Educação Especial. Para isso, mobilizamos construtos teóricos referentes a características sobre TEA e DI (Schmidt, 2013, 2017; Apa, 2014), aspectos referentes ao seu processo de aprendizagem (Alves, 2018; Muniz, 2018; Silva, 2018; Truyts; Bonilha, 2020; Almeida; Tartuci, 2021; Melo; Santos; Souza, 2021), avaliação da aprendizagem (Perrenoud, 1999; Hoffmann, 2004; Luckesi, 2001; 2006; 2011) e avaliação de línguas adicionais na escola (Schlatter; Garcez, 2009; 2012). Em seguida, compartilhamos e analisamos criticamente as ações avaliativas desenvolvidas. Concluímos que as avaliações para estudantes com DI e TEA, como as tratadas neste artigo, requerem diversificação, uso de atividades lúdicas, recursos visuais, e foco nas potencialidades dos/as estudantes.
RESUMO O objetivo deste trabalho foi apresentar o resultado de análises realizadas acerca de algumas questões de cunho identitário e ideológico que perpassam a discussão da substituição linguística, mais precisamente morfológica, da lexia “homossexualismo” por “homossexualidade”. Os excertos analisados foram coletados a partir de textos jornalísticos produzidos e publicados no século XXI, da versão on-line do jornal Folha de S. Paulo. Esse trabalho se justifica pela pertinência da discussão acadêmica acerca da reivindicação pautada na ideia de que o sufixo “-ISMO”, em oposição a “-DADE”, contenha valores semânticos atrelados à patologia, o que, direta ou indiretamente, expressaria, por meio do discurso, aspectos de preconceito e discriminação social. Assim, a proposição do emprego de “homossexualidade” em vez de “homossexualismo” passou a se manifestar como uma forma de reivindicação ou representação de uma identidade social. O presente artigo se fundamenta na Lexicologia (Zavaglia, 2012; Lara, 2006), na Morfologia (Gianastacio, 2009; Simões, 2009) e na Análise do Discurso (van Dijk, 2005; Charaudeau, 2015). Foi possível observar que a reivindicação analisada é legitimada pelos argumentos de caráter identitário e ideológico dos grupos LGBTQIAP+, e não pelo de caráter linguístico, fato que contribui para a desmobilização de discursos de poder hegemônicos que visam a manutenção do status quo.
RESUMO Este estudo visa contribuir para ampliar a inteligibilidade acerca da colonialidade da linguagem (VERONELLI, 2015; 2019; 2021; BAPTISTA, 2019; BAPTISTA, 2022) e possíveis conexões dela com o lócus de enunciação (BAPTISTA, 2019; BAPTISTA, 2021; BAPTISTA, 2022); (ARGÜELLO PARRA, 2016; BERNARDINO-COSTA; GROSFOGUEL, 2016; FIGUEIREDO; GROSFOGUEL, 2010). Com essa finalidade, discutimos hierarquização linguística e colonialidade, com foco na concepção de racialização linguística (CERQUEIRA; CARVALHO, 2022). Em seguida, focamos a colonizaçãoda linguagem (VERONELLI, 2015; 2019; 2021; BAPTISTA, 2019; BAPTISTA, 2022), problematizando sobre como esse conceito pode ser revisto e ampliado a partir da ideia de lócus de enunciação. Por fim, apresentamos exemplos que enfatizam a importância do lócus de enunciação para expandir discursivamente a participação política, cultural e estética e da inscrição no lócus de enunciação para a emersão de outro ethos de poder e subjetividade no Sul Global (GROVOGUI, 2011), frente aos discursos racializados (MEDEIROS; VIEIRA, 2019).
RESUMO Neste trabalho, partimos da compreensão de que uma das consequências contemporâneas mais drásticas do colonialismo é o dualismo radical entre razão e natureza, que forjou ideologias, práticas e políticas de uma humanidade alienada do organismo vivo que é a Terra, e que tem servido como justificativa para um intenso projeto de exaustão da natureza. Como constitutiva das relações entre os seres, entendemos que práticas de linguagem também foram profundamente afetadas pela racionalidade moderno/colonial, tendo sido isoladas da vida, da natureza e submetidas a regimes purificadores alegadamente universais, de modo a servir aos projetos coloniais/nacionalistas de dominação. Considerando que alternativas à modernidade não emergirão de dentro da própria modernidade, buscamos apresentar percursos da práxis de educação linguística intercultural, a partir de experiências co-construídas no curso de Educação Intercultural, da Universidade Federal de Goiás, fundadas na ideia de fricção com a Terra. Implementadas no âmbito do Estágio Pedagógico, numa escola indígena do povo Kuikuro, no Território Indígena do Xingu, buscamos demonstrar como a natureza e as relações entre os seres e o território tornam-se matriz epistêmica, por meio da qual recursos e práticas comunicativas são reconectados à vida, à cosmologia e às demandas contemporâneas por formas de existir mais sustentáveis e que, esperamos, possam inspirar experiências educativas em outros tempos-espaços.
RESUMO A partir de uma pesquisa exploratória, são aqui observados os riscos discursivo-narrativos presentes nos meios de comunicação hegemônicos e não hegemônicos ao tratarem notícias ambientais atualmente no Brasil. Se, de um lado, o catastrofismo apocalíptico está à espreita ao se noticiar desastres ambientais, por acirramento das mudanças climáticas e/ou da inoperância de setores responsáveis, por outro se avistam aspectos da banalização, naturalização ou negação dos problemas ecológicos. Através dos conceitos de guerras narrativas e eco-comunicação, e do instrumental da Análise Crítica da Narrativa, este artigo identifica a estabilização dos discursos catastróficos e negacionistas em meios de comunicação no país, expondo suas marcas discursivas mais evidentes. No entanto, os resultados da investigação também apontam para práticas de linguagem que podem ser consideradas decoloniais, pois indicam a emergência de uma terceira via de construção narrativa, por sua vez ligada aos movimentos em prol de futuros possíveis.
RESUMO Este artigo examina a crise do pensamento humanocêntrico e suas implicações para a concepção de língua(gem) a partir de uma perspectiva pós-humanista. Argumenta-se que o humanocentrismo, consolidado pela modernidade ocidental, subordinou a língua(gem) à razão humana, reduzindo-a a um instrumento de organização e controle. Essa visão instrumental contribuiu para processos de hierarquização e apagamento cultural, especialmente em contextos coloniais. Propõe-se, como alternativa, a emancipação da língua(gem), entendida como uma infraestrutura híbrida e ecológica, que age e interage para além do domínio humano. Adotando uma abordagem ensaística e bibliográfica, o estudo revisita o papel histórico da língua(gem) no pensamento humanocêntrico, destacando como ela foi instrumentalizada para reforçar dicotomias entre humano e não humano, razão e materialidade. Discute-se, ainda, a emergência de uma ontologia pós-humanista, na qual a língua(gem) é reconhecida como agente ativa em redes de interação que incluem humanos, máquinas e ecossistemas completos. A emancipação da língua(gem) implica uma revisão ontológica e epistemológica que (re)considera sua materialidade, performatividade e capacidade de agir em contextos híbridos. Concluiu-se que essa abordagem amplia os horizontes para uma ciência da língua mais inclusiva e sustentável, rompendo com paradigmas reducionistas da modernidade ocidental. O artigo, assim, fomenta o debate sobre o papel da língua(gem) em um mundo interconectado e pós-humano, promovendo novas perspectivas para além da centralidade do humano.
Abstract The COVID-19 pandemic emerged not merely as a global health crisis impacting millions, but as a pivotal moment compelling modern Western science to heed insights from the pluriverse (Pratt, 2022). It exacerbated existing challenges, including climate change, dehumanization, structural racism, and extractivism. In response to the adverse effects of neoliberal capitalism, Indigenous thought has gained prominence. My research among Kichwa educators in Ecuador spotlights corazonar-thinking with the heart-as a central guiding principle for living in moral, ethical, political, social, economic, spiritual, and communal spheres. This article utilizes corazonar (Guerrero Arias, 2018; 2012) to delve into the experiences of five Indigenous Kichwa teachers during the pandemic. Corazonar is deeply rooted in Andean cosmology, perceiving life’s cycles as pachakutik (pacha: time, space, and existential meaning, and kutik: transformation). Guerrero Arias characterizes corazonar as sabiduría insurgente, or the insurgent wisdom of the heart, reflecting the struggle for existence under colonizing ideologies. This study examines the teachers’ resilience, resourcefulness, and joy through corazonar’s interwoven elements: spatiality and temporality. Rather than viewing COVID-19 as a dire calamity, the Kichwa teachers perceived it as a human-induced challenge, expecting that a period of scarcity would lead to eventual prosperity. Embracing corazonar during the pandemic offers scholars from both the Global South and North essential wisdom for cultivating heart-based education, emphasizing mutual care, obligation, and planetary responsibility.
Abstract Since the publication of the Sustainable Development Goals (SDGs) for the 2030 Agenda for Sustainable Development, proposed by the United Nations in 2015, the term sustainability has gained increasing visibility across various sectors. However, as we write this text - with only six years remaining before the established deadline to achieve these goals - it is evident much remains to be done. This paper, presented in the form of an interview, offers a critical Applied Linguistics perspective on language education for sustainability. The overall aim is to reflect on whether and how we have addressed the SDGs in our research, in theoretical frameworks, and mainly, in language education. The discussion focuses on how decolonial, Indigenous ontoepistemologies inform us on ways we can transform the neoliberal, naturalized perceptions and knowledge into thinking and acting otherwise in a collapsing world. Such perspectives challenge the dualistic views of the Modern European logic that operates through binary, hierarchical concepts such as human/nature, human/nonhuman, reason/affect, materiality/spirituality, thus fostering co-existence and mutual wellbeing. Some key aspects addressed in the conversation are the devastating effects of colonialism, the persistence of linguistic racism, and the importance of delinking from current colonial language traditions while relinking to Indigenous principles and methods. Moreover, as the UNESCO orientations on education for sustainable development are reviewed, concepts such as “dispositions” in place of competences, and learning as lifelong and lifewide are proposed.