
Este artigo apresenta resultados de uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL), realizada entre 2018 e 2024, com foco nas intersecções entre política curricular e ensino de inglês no Ensino Médio. De natureza qualitativa, fundamenta-se nos estudos de Bogdan e Biklen (1994), no ciclo de políticas (Ball; Bowe, 1992; Ball; Maguire; Braun, 2016), e em autores como Stephen Ball e Lopes e Macedo (2011). A RSL foi conduzida nas plataformas BDTD, Scielo e Google Acadêmico, utilizando os descritores: “Política Curricular”, “Ensino Médio”, “Ensino de Inglês”, “Plataformas Digitais” e “Performatividade”. Foram analisados 13 artigos, 2 dissertações e 1 tese. Os resultados evidenciam a intensificação da lógica performativa, a plataformização do ensino, disputas curriculares e o protagonismo juvenil. Identificam-se duas forças em tensão: uma tecnicista e padronizadora e outra crítica e democrática. O estudo contribui para refletir sobre os efeitos das políticas públicas no ensino de inglês no Ensino Médio.
Propomos, neste artigo, uma análise discursiva da história em quadrinhos (HQ) Humberto em: o falante, uma HQ presente na edição número 116 da revista “Cebolinha”, originalmente publicada em 1982. Com esta análise, buscamos compreender que sentidos de surdo e surdez são produzidos e postos em circulação na/por essa HQ. Para tanto, utilizamo-nos do dispositivo teórico-metodológico da Análise de Discurso materialista, tendo Michel Pêcheux e Eni Orlandi como principais teóricos que embasam esse trabalho. A partir da análise, pudemos explicitar o modo como já-ditos, isto é, pré-construídos acerca dos surdos e da surdez ressoam na HQ analisada, bem como o modo como essa HQ é atravessada por um discurso religioso. Explicitamos, ainda, o modo como na/pela HQ (re)produz-se um discurso que compreende a surdez como um impeditivo à felicidade e à capacidade de interação das pessoas surdas ao tempo que significa a capacidade de oralizar como o melhor (e único?) método possível a esses sujeitos, numa reprodução de pré-construídos já cristalizados no imaginário social sobre os surdos.
Este estudo analisa as intersecções entre políticas linguísticas, alfabetização, letramentos e inclusão educacional no município de Viçosa (MG). A pesquisa parte da compreensão de que a linguagem é central para a formação de identidades, cidadania e participação social, mas que seu ensino, em contextos de deficiência intelectual, requer políticas e práticas pedagógicas específicas. O referencial teórico baseia-se em autores que discutem políticas linguísticas como instrumentos ideológicos e sociais (Spolsky, Maher, Ribeiro), bem como em perspectivas críticas da alfabetização e dos letramentos (Soares, Sardinha). Metodologicamente, trata-se de uma análise documental qualitativa do Plano Decenal Municipal de Educação (PDME), com foco nas metas e estratégias ligadas à alfabetização, aos letramentos e à inclusão. Os dados revelam avanços pontuais, como o reconhecimento da necessidade de respeitar especificidades e evitar terminalidades temporais, mas também lacunas significativas, incluindo indícios de uma visão tecnicista e universalizante da alfabetização. Conclui-se que, embora o PDME valorize formalmente a inclusão, sua abordagem fragmentada e quantitativista limita a efetividade de uma política linguística realmente inclusiva. O estudo aponta para a necessidade de políticas educacionais que incorporem acessibilidade, diversidade e letramento crítico como eixos estruturantes.
Este trabalho complementa a análise de Sales e Batista da Silveira (2022) sobre a avaliação social das realizações alveolar e palatal de /t, d/ na fala do estado brasileiro do Rio Grande do Norte. Nessa comunidade, as formas africadas parecem ser manifestadas mais produtivamente em ambiente átono contíguo a ditongo (remédio, muito). A literatura, no entanto, indica que a realização das oclusivas no contexto delimitado é ainda variável (Cristófaro-Silva et al., 2012; Ananias; Cunha, 2022). Diante disso, objetivamos, sob os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística (Weinreich; Labov; Herzog, 2006), delimitar os valores sociais indexados às variantes em discussão. Com esse fim, inspecionamos respostas de 76 indivíduos a um questionário de atitudes linguísticas, elaborado com a abordagem matched-guise (Lambert et al., 1960), em que estímulos com as realizações [t, d] e [tʃ, dʒ] foram avaliados em uma escala de similaridade de fala e em atividades de atribuição de escolaridade, faixa etária, atividade profissional e naturalidade. Os resultados das análises de regressão mostram variabilidade avaliativa de acordo com a direção assimilatória. Em contexto regressivo (remédio), as formas alveolares e palatais são equilibradamente avaliadas. Já em contexto progressivo (muito), as realizações [tʃ, dʒ] são rejeitadas como uma característica da fala local e associadas a características mais negativas.
A provável autora das Cartas Portuguesas, Sóror Mariana Alcoforado, traz em seu texto a inconformidade por ter de relegar seu sentimento de amor mundano devido à obrigação imposta a ela para seguir a vida religiosa. Nas cinco cartas que envia ao amante, Mariana ora mostra a alegria do amor, ora mostra masoquismo por esse sentimento proibido, ora revela a certeza de que jamais terá junto a si tanto o amante quanto a liberdade. A objetividade do texto afasta-se da escrita barroca e prenuncia o Romantismo; no entanto, seu conteúdo e expressividade remetem à ambiguidade própria da estética seiscentista, como se pretende mostrar nesse estudo. Apesar de uma linguagem simples, mas elegante e expressiva, as Cartas seguem um rigoroso discurso retórico que envolve a clareza e a persuasão. Entre outras e outros estudiosas e estudiosos, vali-me de Aristóteles, Francisco Maciel Silveira, Paulo Silva Pereira, Érica Araújo da Costa, Francisco Manuel S. Melo.