
Este trabalho aborda os signos distintivos de indicação geográfica (IG) e patrimônio. Foram analisados os produtos que possuem dupla proteção (IG e patrimônio), com o objetivo de relacionar os mesmos e investigar suas contribuições ao turismo. A metodologia usada seguiu uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada em dados secundários. A pesquisa analisou 72 veículos digitais, os quais são compostos por perfis do Instagram, sites de prefeituras e de entidades representativas. Os resultados encontrados indicam que existe uma carência de informações e menções relacionadas às IGs, ao patrimônio e ao turismo nos meios digitais que foram verificados. Assim, foi possível concluir que os veículos analisados possuem outras prioridades, que não voltadas à explicação ou menção aos signos distintivos. Em suma, o trabalho contribuiu para identificar essas lacunas relacionadas à falta de informações e subutilização, proporcionando um panorama atualizado de como as IGs, o patrimônio e o turismo estão (ou não) sendo abortados.
Originalmente publicado no Volume 1 do CVT, o texto de Bertha K. Becker é resultado de conferência realizada em 1995 e constitui sistematização sobre políticas e planejamento do turismo no Brasil. A partir de uma análise do potencial da zona costeira brasileira, a geógrafa examina as origens e a trajetória do desenvolvimento do turismo no país, situando-o no contexto mais amplo das transformações econômicas e territoriais. O texto destaca o papel estratégico do turismo como atividade emergente, ao mesmo tempo em que problematiza sua inserção nas políticas públicas e nos processos de planejamento. Becker também discute a formação do aparato institucional voltado à promoção do turismo, evidenciando a atuação do Estado na organização do setor e na indução de sua expansão. Ao articular território, políticas públicas e dinâmica econômica, o trabalho contribui para a compreensão do turismo como fenômeno estruturado por relações espaciais e institucionais, oferecendo uma leitura pioneira sobre os desafios do planejamento turístico no Brasil.
Originalmente publicado no Volume 8 (2008) do Caderno Virtual de Turismo (CVT), o texto de Hassan Zaoual apresenta uma reflexão sobre as transformações do turismo contemporâneo a partir da crise do modelo de turismo de massa e da emergência de novas dinâmicas baseadas na diversidade, na proximidade e no sentido. A partir da teoria dos sítios simbólicos de pertencimento, o autor analisa os limites das abordagens econômicas convencionais, destacando a importância das crenças, dos valores e das representações dos atores locais na configuração das práticas turísticas. O texto discute o declínio do turismo massificado e a emergência de demandas orientadas pela busca de autenticidade, qualidade das relações e reconhecimento cultural. Nesse contexto, Zaoual propõe o conceito de turismo situado como alternativa paradigmática, fundamentada na articulação entre cultura, natureza e economia, e orientada pelo respeito à diversidade dos territórios. Ao enfatizar o papel dos atores e das dinâmicas locais, o trabalho contribui para uma compreensão ampliada do turismo como fenômeno social, simbólico e territorial, oferecendo bases teóricas para modelos mais sustentáveis e contextualizados de desenvolvimento turístico.
Registro fotográfico do processo de cocriaçao de filme em realidade virtual por realizadores da Mídia Indígena e do projeto Metaversidade, no Maranhão
No texto publicado originalmente na obra de 2009: “Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras”, Roberto Bartholo desenvolve uma reflexão sobre o conceito de proximidade como elemento central para a compreensão de práticas turísticas alternativas. O autor contrapõe as dinâmicas do turismo convencional, marcadas pelodistanciamento e pela superficialidade das relações, a uma perspectiva que valoriza o encontro, o reconhecimento mútuo e a inserção nos contextos locais. A proximidade é apresentada não apenas como condição espacial, mas como uma construção relacional, que envolve vínculos sociais, culturais e éticos entre visitantes e comunidades anfitriãs. Nesse sentido, o turismo de base comunitária é compreendido como uma prática situada, ancorada no cotidiano dos territórios e orientada por princípios como autonomia, participação e respeito às especificidades locais. Ao enfatizar a importância das relações e da experiência vivida, o texto contribui para uma crítica às abordagens universalizantes do turismo e reforça a necessidade de modelos que reconheçam a diversidade dos contextos e promovam formas mais justas e sensíveis de interação entre sujeitos e lugares.