
Este artigo analisa narrativas construídas por professores formados em Educação do Campo, atuantes no interior de Alagoas, Nordeste do Brasil, com o propósito de compreender como suas experiências formativas e práticas pedagógicas se articulam às especificidades socioculturais e territoriais do contexto rural nordestino. As experiências relatadas emergem de um processo formativo desenvolvido pela Universidade Estadual de Alagoas, que se constituiu como uma iniciativa educacional singular e transformadora para o Agreste e o Leste alagoano. A investigação pauta-se na escuta sensível de sujeitos do campo, por meio de entrevistas semiestruturadas e registros em áudio, assumindo a narrativa como instrumento político-pedagógico de afirmação de memórias, saberes e modos de vida. Com base na perspectiva do conhecimento sistêmico e insurgente, o estudo denuncia a permanência das lógicas coloniais no campo educacional e reafirma a urgência de práticas contra-hegemônicas. Defende-se que a Escola do Campo, ao valorizar as epistemologias locais (Toledo; Barrera-Bassols, 2015), deve operar como espaço de resistência. Ela deve ser enraizada na pedagogia da alternância (Ribeiro, 2008), na agroecologia e no ethos rural (Rosset, 2017); isso abrirá caminhos para que os sujeitos do campo não apenas sejam ouvidos, mas também reconhecidos como produtores de conhecimento.
As transformações demográficas, o envelhecimento populacional e a crescente complexidade das organizações de saúde têm impulsionado a busca por modelos assistenciais mais integrados e preventivos. Em entidades confessionais, esse desafio ganha relevância diante das especificidades do cuidado a populações religiosas envelhecidas e da necessidade de articular saúde, bem-estar e dignidade no envelhecimento. Objetivou-se avaliar a transição de um modelo de gestão em saúde centrado no tratamento para um modelo voltado à integração e à prevenção. Trata-se de pesquisa qualitativa realizada com profissionais, usuários e stakeholders jesuítas de quatro comunidades da Província dos Jesuítas do Brasil. Foram analisadas 61 entrevistas por meio da Análise Textual Discursiva e agrupamento por similaridade, com apoio do software NVivo. A análise revelou três eixos principais: mudanças nos processos com maior profissionalização, fortalecimento da segurança psicológica e desenvolvimento do cuidado. Conclui-se que estratégias centradas na pessoa e no estilo de vida contribuem para o bem-estar e a qualidade do cuidado em populações religiosas envelhecidas.
Este texto propõe uma aproximação entre a noção de colonialidade de gênero, desenvolvida por María Lugones, e a política da libertação, formulada por Enrique Dussel, buscando evidenciar como a articulação entre esses dois marcos teóricos pode oferecer contribuições relevantes para a interpretação crítica de estruturas e problemas sociais contemporâneos. A partir de uma incursão exploratória na literatura acadêmica de perspectiva decolonial, dialoga-se com autoras e autores que questionam a construção eurocêntrica do saber e do fazer político. Trata-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico e documental, que mobiliza textos originais dos(as) autores(as) referidos(as) e de seus(suas) principais intérpretes, publicados nas últimas décadas e disponíveis em repositórios virtuais. Entre as contribuições mapeadas, destaca-se que a ação política à qual Enrique Dussel se refere pretende provocar uma cidadania crítica e insurgente. Associando as inquietações de María Lugones, pode-se questionar leituras sociais que isolam categorias como gênero e raça, negligenciando interseccionalidades, para miradas em fazeres-outros verdadeiramente comprometidos com a decolonialidade.
Com aumento da procura por lazer e bem-estar, os espaços públicos se tornam preferência para a coletividade e a cultura popular se apresenta como uma possibilidade, uma necessidade ou um valor para a sociedade, nesse sentido praças e parques tornam-se um diferencial para momentos de esportes, espaços culturais e de proximidade junto à natureza. Nesse contexto, o município de Canoas/RS por meio da Lei nº 6.577/22 preconizou meios para que ocorra adoção de praças e parques. Nessa linha o presente estudo se desenvolve com objetivo de investigar os benefícios percebidos, e o desenvolvimento da cultura popular nesses locais, a partir das reflexões de Milton Santos, utilizando como metodologia, a leitura e reflexão de bibliografia relacionada ao tema, os artigos, dissertações e teses, e a legislação pertinente. Buscou- se entender como ocorre essa integração social entre a comunidade e seus usuários decorrentes das ações entre o poder público e o setor privado. Assim, a pesquisa indica o uso sazonal e cotidiano a todos os cidadãos consumidores dessa cultura popular e o estímulo à formação de uma consciência ecológica, em prol da conservação da natureza. A análise visou demonstrar, a partir das reflexões propostas, a preocupação do município em conduzir as políticas públicas culturais e ambientais que atendam os anseios da sociedade, trazendo consigo a inquietação de incorporar premissas relativas à ODS 11, com a finalidade de consolidar todas essas práticas culturais.
Reflective practice is a crucial component of initial teacher education (ITE), potentially guiding pedagogical praxis toward social justice and equity. Based on the written work of residents in the Chemistry Teaching Program, this article analyses the challenges and opportunities that reflection offers for developing this awareness. Through a qualitative study on the interpretive analysis of two residents' final projects, we investigate how their reflections on chemistry teaching reveal an emerging awareness (or lack thereof) of social justice and equity dimensions. The findings indicate a predominance of focusing on technical and didactic challenges and using descriptive and dialogic reflective writing modalities. While signs of sensitivity toward equity emerge—particularly in the concern for all students' understanding and pedagogical clarity—explicitly critical reflection on the structural dimensions of social justice is still incipient or absent. It is concluded that, although reflective practice constitutes fertile ground, FDI needs to implement more intentional strategies and tools to guide future teachers in connecting their didactic reflections with an active commitment to equity and social justice in the science classroom.