
Currently, it has been observed that relationships are almost always volatile and ephemeral: couples engage in relationships without commitment, moving away from traditional roles that aimed at genuine and lasting commitment. Therefore, this study aims to identify traces of the fragility of romantic relationships in the work Memorias Postumas de Bras Cubas (Posthumous Memoirs of Bras Cubas) through the relationships of the character Bras Cubas. Regarding methodology, we opted for qualitative research and, in relation to technical procedures, we used the bibliographic method. To achieve this, we sought support in the basic instruments of Bauman (2001, 2004), Bosi (2006), Bourdieu (2007), Gomes and Barros (2019), Leal (2022), Ramos (2003) and Silva (2018), among others. We start from the hypothesis that, even though it is a novel written in the 19th century, it can reflect on timeless themes, such as interpersonal relationships and human issues, which always deserve reflection. The intention is to investigate traces in the narrative that demonstrate this volatility in romantic relationships and correlate them with the concepts of sociologist Zygmunt Bauman, since Machado's novel serves as a harbinger of the precepts defended by Bauman. Thus, bringing to light discussions about instability in romantic relationships and also enabling reflection on the anticipation, in Machado's narrative, of Bauman's view on the fluidity of relationships contributes significantly to the scientific community that turns its gaze to Brazilian literature. The discussions presented here are organised into two sections, in addition to the pre-textual and post-textual elements, namely: "Fluidity of relationships" presents some discussions about the fluidity of relationships; the second section presents the data analysis, entitled: "The emptiness of affection: symbolisations of love in Memorias Postumas de Bras Cubas".
O presente artigo tem como objetivo principal investigar como a epistemologia da tradução literária de Haroldo de Campos perpassa pela imagem da constelação mallarmaica e se torna, portanto, uma teoria constelar – que privilegia a visão sincrônica do ato tradutório. Essa evocação imagética se vê indissociável de uma sincronia na poesia, que vai e volta na tipografia do papel sem necessariamente seguir uma ordem preestabelecida. Não obstante, Campos mobiliza essa ideia em sua teoria da tradução, constelar por excelência. O ato tradutório e a história, para ele, se veem indissociáveis da sincronia, pois apenas construímos passado e presente a partir da existência de um diálogo, um movimento contínuo. Além do mais, não deixa de ser parte desse objetivo maior a concretização de um estudo que privilegie uma visão desconstrutora do logocentrismo, tendo em vista que, mesmo com o avanço dos estudos tradutórios nos últimos tempos, ainda predominam ideias mais obsoletas, como a ideia de tradução servil, dívidas e influências. Assim, tomando por base a teoria constelar da tradução de Haroldo de Campos, pretendemos analisar, por meio de uma leitura dos estudos da tradução e da literatura comparada, como essa concepção mallarmaica se viu presente. Para tanto, valemo-nos dos pressupostos de Jacques Derrida (2001, 2006), Jorge Luis Borges (1999), Márcio Seligmann-Silva (2018), Silviano Santiago (2000), Susana Kampff Lages (1998) e Walter Benjamin (2010). Ademais, também de materiais organizados por Inês Oseki-Dépré (2012), Marcelo Tápia e Thelma Médici Nóbrega (2013).
Nas historiografias literárias portuguesa e brasileira, a bifurcação do Romantismo em três fases implicou, desde logo, certo desdém pela segunda geração nos dois países. Esse desapreço, manifesto já na alcunha hiperbólica que a designa – “ultrarromantismo” –, parecer ter enturvado a lupa da crítica para o escrutínio de inflexões nessa vertente romântica. Sob a premissa de que tal fase é mais nuançada do que presume a historiografia, este artigo examina em que medida ali se delineou, em Portugal e no Brasil, uma Escola Cemiterial análoga à Graveyard School britânica, com a qual literatos de ambos os países travaram contato. Para tanto, procedo ao cotejamento entre os poemas “O noivado do sepulchro”, de Soares de Passos, e “O poeta moribundo”, de Álvares de Azevedo, pois ambos encapsulam idiossincrasias dessa congênere lusófona e as exploram com mais finura do que seus pares. A apreciação comparatista desses textos evidencia que um e outro se fundam na conciliação entre duas categorias estéticas, o trágico e o grotesco, na medida em que aquela fornece a base temática (a morte de si ou do outro) e esta seu tratamento (o insólito ou o cômico). Em “O noivado do sepulchro”, a abordagem da morte harmoniza o trágico (a separação dos amantes) e o grotesco (o reencontro dos cadáveres), tal que ambos se atenuam reciprocamente e a balada não resta macabra nem burlesca. Por sua vez, em “O poeta moribundo”, o trágico e o grotesco se imiscuem de forma agonística, uma vez que a tragicidade da morte é contraposta pela comicidade da sua representação.
Este ensaio investiga a relação intelectual entre Ricardo Piglia e Jorge Luis Borges, analisando como a leitura crítica de Piglia sobre a obra borgeana influenciou sua própria produção literária e teórica. A partir de três eixos — os Diários de Emilio Renzi (alter ego de Piglia), uma aula pública transmitida pela TV argentina e reflexões políticas e teóricas —, demonstra-se que Borges foi não apenas uma presença obsessiva nos escritos piglianos, mas também um modelo estrutural para suas "Teses sobre o conto". Piglia interpreta Borges como inventor de uma "ficção especulativa", cuja técnica narrativa (baseada na dualidade entre história aparente e secreta) redefine o gênero. Além disso, discute-se a ambiguidade política de Borges, entre o populismo inicial e o conservadorismo posterior, destacando como Piglia lia essas contradições sem reducionismos. Conclui-se que a recepção pigliana de Borges é fundamental para compreender tanto a literatura argentina do século XX quanto a teoria contemporânea do conto.
O objetivo deste artigo é discutir os usos que os professores de inglês fazem do livro didático no contexto do ensino da língua na escola pública de nível médio. Para tanto, realizamos a análise das relações dialógicas das respostas dos professores a uma entrevista semiestruturada sobre o livro didático utilizado por eles nas aulas de inglês. À luz do conceito de língua do Círculo de Bakhtin, as respostas dos professores às perguntas “com que frequência você usa o livro didático em suas aulas?” e “para que você o utiliza?” foram tomadas como enunciados que refletem e refratam suas experiências profissionais com o livro didático durante a prática de ensino da língua. Participaram da pesquisa 3 professores da rede estadual do município de OMISSÃO DE AUTORIA. A entrevista com os professores foi realizada em novembro de 2022. A análise dos enunciados dos professores revelou que os professores utilizam o livro com bastante frequência (“constantemente”; “sempre uso”) e com finalidades diversas (ensinar gramática; ampliar o conhecimento de mundo dos estudantes), o que aponta para uma avaliação positiva da política pública que garante a distribuição de livros na escola. Além disso, evidenciou-se a presença predominante do discurso pedagógico (o que o professor faz em sala de aula para ensinar a língua), para justificar o uso frequente do livro na aula de inglês (traduzir/não traduzir; preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio), e sua relação dialógica com o discurso de uma sociedade civil brasileira que, historicamente, tem denunciado as condições precárias da escola pública (basicamente, na escola pública, o livro didático é o único material). Conclui-se que, para além do campo científico, esses dados possuem o potencial de serem apreciados no contexto da formação de professores e da produção de políticas públicas para a educação linguística.