
Este artigo, inserido no bojo da linguística aplicada e no âmbito quadro teórico-metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo, tem por objetivo compartilhar os resultados apresentados na aprendizagem de língua adicional (LA) com crianças pequenas a partir de sistematizações de relação entre o gênero história infantil (HI) (TONELLI, 2005), a incorporação do sistema narrativa personagem (SNP) (CORDEIRO; DAGHÉ, 2020) e a escolha do conteúdo temático ligado a preceitos da educação para a justiça social (EJS) (ADAMS; BELL; GRIFFIN, 2007). Com este propósito, uma sequência didática (SD) (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004) foi elaborada e aplicada em uma sala de ensino regular com crianças do primeiro ano do ensino fundamental em um contexto público. Sendo assim, neste recorte, apresentamos as produções coletadas demonstrando como o gênero textual HI foi utilizado pelos alunos enquanto espaço de suas construções identitárias ao mesmo passo em que a língua inglesa foi utilizada em práticas sociais pertinentes ao contexto em tela. O foco das análises recaiu sobre o conteúdo temático mobilizado e a agentividade do personagem da HI no plano textual a partir das produções dos alunos. Os resultados revelam que a língua inglesa foi utilizada como instrumento de interação social, uma vez que os indícios de desenvolvimento linguístico na LA foram mais substanciais aos aspectos do conteúdo temático e do SNP. Além disso, foi possível constatar que ao focar a atenção dos alunos nas intenções, sentimentos e ações dos personagens, o conteúdo temático relacionado à EJS e empatia frente à diversidade ganhou destaque na aplicação da SD.
O artigo aborda o ponto de vista dos alunos sobre a língua tal como podemos apreendê-la a partir dos rascunhos. Designaremos assim as diferentes modalidades de aparecimento do texto a partir das retomadas orais e (re)formulações escritas e orais. O artigo, portanto, propõe-se a explorar a noção de frase nos rascunhos “em vias de se fazer”. Posterior a recuperação do status da frase como objeto escolar em sua perspectiva histórica de aparição, a análise se concentra no diálogo (e na produção simultânea) de duas díades de alunos (7 anos de idade e 5 meses) enquanto escrevem um texto ficcional. São as ocorrências meta-enunciativas da palavra “frase” nos diálogos dos escreventes que são analisadas a fim de compará-las com as frases escritas por eles. As mudanças que ocorrem entre a “frase” oral espontânea, a frase ditada e a frase escrita pontuada na produção de textual constituem nosso objeto de análise. Elas revelam o trajeto cognitivo dos escreventes nas diferentes etapas do processo de escritura, modificando a perspectiva de recepção dos rascunhos. Elas contribuem, assim, para lançar luz sobre as relações entre frase e texto, de uma forma diferente da literatura existente.PALAVRAS-CHAVE: Meta-enunciação; Frase; Textualização; Rascunho; Pontuação.
Este artigo analisa um vídeo, que foi publicado no site da Uol, no dia 19/09/2020, no qual um pastor faz uma live religiosa se dirigindo aos seus fiéis. No entanto, sem saber que a gravação já tinha iniciado, ele produz dois enunciados antagônicos. Primeiro, ao imaginar que a câmera estivesse desligada, destrata a sua esposa chamando-a de “imbecil”. Depois, ao imaginar que a câmera estivesse ligada, a partir desse momento, ele saúda aos seus ouvintes com “aceitem a paz do Senhor”. Assim, à luz da perspectiva teórica e dos procedimentos analíticos da Análise do Discurso de linha francesa (AD), baseado nos estudos de Pêcheux, na França, de Orlandi e estudiosos no Brasil, este trabalho objetiva analisar esses dois enunciados publicados em vídeo, atravessados pela historicidade e pelo funcionamento ideológico. Para isso, mobiliza os conceitos de sujeito, formação discursiva, efeitos de sentido e memória discursiva, ao observar que a própria câmera usada para a live, não se mostra apenas como um objeto de filmagem de um evento social, mas funciona, por meio da exterioridade constitutiva, como objeto simbólico sócio-histórico que marca a presença de, pelo menos, duas formações discursivas antagônicas, nas quais o sujeito pastor apresenta no fio de seus discursos, promovendo efeitos de sentido díspares em novas discursivizações.
Márcia Vieira da Silva (Márcia Wayna Kambeba) nasceu em 1979 na aldeia Ticuna, é indígena da etnia Omágua/Kambeba do Alto do Solimões - AM, onde viveu até os oito anos de idade, quando se mudou com sua família para São Paulo de Olivença. Mora hoje em Belém - PA. Em sua formação acadêmica, é Graduada em Geografia, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA, 2006), Especialista em Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, pela Faculdade Salesiana Dom Bosco (2009) e Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM, 2012), com a pesquisa sobre o território e identidade da sua etnia. Atualmente é Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Pará (UFPA/Belém).Possui experiência em educação de jovens e adultos, é professora colaboradora da UEPA na formação acadêmica intercultural de professores indígenas em aldeia e também na área de comunicação - locução de rádio. É escritora de literatura indígena e ambiental e possui três livros publicados: Ay kakyri Tama - Eu moro na cidade (2013), O lugar do Saber e Saberes da Floresta (2020) e Kumiça Jenó: narrativas poéticas dos seres da floresta (2021).Escritora, poeta, compositora, atriz, fotógrafa e ativista, sua poesia mostra semelhanças com a literatura de cordel e reflete a violência contra os povos indígenas e os conflitos trazidos pela vida na cidade. Márcia considera que as pessoas ainda não entendem a questão entre o ser indígena e a relação com a cidade, pois este tem direito à cidade. Sua luta é para que se entenda o bem viver pela perspectiva dos povos indígenas, a questão da memória, da identidade, da cultura e da ancestralidade.Márcia percorre todo o Brasil e a América Latina com seu trabalho autoral, discutindo a importância da cultura dos povos indígenas, em uma luta descolonizadora que chama para um pensar crítico-reflexivo sobre o lugar atual dos povos originários sul-americanos. Usa a arte para fazer ativismo. Atualmente é Ouvidora Geral do Município de Belém-PA. Em 2020 entrou para a AILB (Academia Internacional de Literatura Brasileira) nos EUA e é membro da Academia Formiguense de Letras (AFL), em Formiga-MG.