
This paper introduces “policy rebranding” as a strategy in which incumbents employ institutional change to an existing successful program to reverse policy ownership and claim credit. It analyzes the transition from Brazil’s Bolsa Família to Auxílio Brasil under the Bolsonaro administration. Using data from 2022 Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb) and A cara da democracia, this paper tests the electoral impact of the rebranding strategy. The results show that while the strategy failed to fully reverse policy ownership, it successfully attenuated the historically strong electoral advantage Conditional Cash Transfers (CCTs) provided to the opposition. The findings suggest that effective rebranding requires sufficient time for institutionalization, expansion of the beneficiary base, and the total removal of legacy symbols. Rebranding thus serves as a risky but vital tool that allows incumbents to invade rival policy “turf”.
O artigo examina as relações entre visões de democracia e participação política no Brasil com base em survey nacional do INCT-ReDem, aplicado em 2025 a 1.504 entrevistados. As visões foram organizadas em cinco perfis por escalonamento de Mokken e relacionadas a oito formas de participação em modelos de regressão logística com termos de interação. Identificamos que 42,4% dos respondentes se concentram no perfil multidimensional (visões que combinam exigências procedimentais, redistributivas e participativas), proporção cinco vezes superior à europeia. As associações diretas entre esses perfis e as formas de participação são escassas. O achado central é que as concepções democráticas funcionam como filtros cognitivos na conversão de recursos e nas motivações de engajamento. Os modelos de interação indicam três mecanismos: equalização (visões amplas reduzem a dependência do associativismo), ativação seletiva (a orientação social amplia o efeito do interesse político sobre doações) e canalização normativa (a escolaridade amplia a participação eleitoral e atenua a contestatória).
Trust in the police in Latin America is explained through the integration of attitudinal and institutional approaches at both the micro and macro social levels. Based on the Latin American Public Opinion Project (Lapop, 2012), the hypothesis suggests that in contexts of low democratic quality and police performance, institutional trust emerges if individual attitudes are authoritarian, provided that the police are effective in ensuring public security even when the police violate the law. The effects of attitudes and performance are tested simultaneously, but separately, and with interaction terms on police trust, using fixed-effects model by country. The results confirm that both attitudes and institutional performance explain police trust, which is favored by authoritarian attitudes in Latin America. However, the quality of democracy and the rule of law distance democratic individuals from the positive association between authoritarianism and police trust. This study offers two original contributions that integrate culturalist (attitudinal) and institutionalist approaches: an association between authoritarianism and institutional trust, and the consideration of democratic quality as an “antidote” to this association.
Este artigo investiga a relação entre a percepção do desempenho governamental e a performance eleitoral de candidatos governistas em eleições municipais nas capitais brasileiras entre 2000 e 2024. A partir de um banco de dados com 135 pleitos e de pesquisas realizadas às vésperas do primeiro turno, analisa-se como a aprovação do governante e a avaliação de governo correlacionam-se com o voto e a probabilidade de vitória de candidatos governistas — incumbentes ou apoiados. Os resultados indicam que ambas as variáveis captam uma mesma dimensão de satisfação com o governo. Ademais, propõem-se faixas classificatórias para identificar eleições de continuidade, de mudança ou de meio-termo, contribuindo para qualificar análises estratégicas e debates acadêmicos.
Este artigo analisa o processo de diferenciação ideológica das opiniões do eleitorado brasileiro após a emergência política de Jair Bolsonaro em 2018. Como resultado da polarização política entre as elites, eleitores foram estimulados a se identificarem ideologicamente e a adotarem opiniões consistentes com sua autoidentificação. Para demonstrar o fenômeno, foram analisados dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) de 2014, 2018 e 2022. Esses dados mostram que divergências ideológicas em relação a dois temas politicamente sensíveis, as cotas raciais e a lisura do processo eleitoral, só se tornaram significantes após alcançarem grande visibilidade pública, motivada por declarações de Jair Bolsonaro e das novas elites da direita. Fenômeno similar pode ter ocorrido com diversos temas culturais e econômicos, de acordo com evidências do survey de 2022. Esses achados sugerem que o significado de rótulos ideológicos é fluido e objeto de contínua reelaboração social.