
Resumo O objetivo do artigo foi comparar os níveis de capital acadêmico de egressos cotistas e não cotistas das universidades federais e revelar como ocorre a formação desse capital acadêmico pelos egressos. Para tanto, realizamos uma pesquisa com dados mistos. Na parte quantitativa, aplicamos um questionário a uma expressiva amostra de 11.458 egressos, de 18 universidades federais brasileiras. Criamos a variável “capital acadêmico” por meio de Análise Fatorial e comparamos as médias obtidas através do Teste t de Student. Na parte qualitativa, realizamos 10 Grupos Focais com 34 egressos, dentre as 18 universidades da pesquisa, e utilizamos a Análise de Conteúdo para a análise dos dados. Os resultados sugerem que egressos cotistas possuem os mesmos níveis de capital acadêmico que os egressos não cotistas. Os resultados também sugerem um esforço dos egressos cotistas em desenvolver o seu capital acadêmico, refletindo em benefícios consideráveis para a sua vida pessoal e profissional.
Resumo A literatura sobre a relação entre classes médias e política no Brasil mostra que os setores delas que podem ser chamados genericamente de “culturais” apresentam longo histórico de posicionamento político à esquerda. O objetivo deste artigo é conceituar esses setores como a fração cultural das classes médias e, então, descrever e oferecer uma explicação para seu posicionamento político. O argumento central é o de que existe uma adequação estrutural entre a posse de capital cultural e os repertórios ideológicos de esquerda, adequação que é efeito da lógica de denegação do capital econômico. Assim, posicionar-se à esquerda constitui um critério fundamental de demarcação de identidade para as frações culturais, e, no caso das classes médias, esse posicionamento opera ainda na justificação moral de sua posição social. O artigo se ancora em dados produzidos em 2023 por meio de questionários e entrevistas com 27 membros da fração cultural das classes médias paulistanas
Abstract As the United Nations Security Council (UNSC) regained momentum and became more influential in the mid- to late 1980s, its procedures rapidly evolved toward greater secrecy, barring outsiders from its substantive debates and quid pro quos. The opacity of the Council is further compounded by its unanimous decision-making, which hides disagreements behind the adopted texts. Although it is common to attribute dominance of the UNSC to its five permanent members, little is systematically known about the preferences effectively reflected in its decisions. This article aims to discuss the meaning of the pursuit of unanimity and to establish a method to assess the degree to which members of the Council are satisfied or dissatisfied with decisions, and to hypothesize on which countries feel more benefited by the Council’s work. Aggregate data from 1994 to 2012 were used, drawing on votes, co-sponsorship, and explanations of vote as expressions of political disagreement.
Abstract This paper analyzes the distribution of political-party affiliations among the defendants implicated in Brazil’s Car Wash Operation. Methodologically, the study compiled the names of all Car Wash Operation defendants and cross-referenced them with official records of political-party membership. The analysis yielded three principal findings. First, the proportion of defendants with political-party affiliations exceeds that observed in the general population. Second, the distribution of party affiliations among defendants mirrors the relative size of the parties, with larger parties associated with a greater number of affiliated defendants. This pattern holds for both ordinary court defendants and individuals with privileged jurisdiction before the Brazilian Supreme Court (the latter being classified as persons under investigation rather than formal defendants). Third, the data indicate that a single jurisdiction, Curitiba, was responsible for the majority of complaints filed against members of the Workers’ Party.
Resumen Este trabajo analiza la configuración legislativa del partido La Libertad Avanza (LLA), exponente de la derecha radical en Argentina. El objetivo es describir los perfiles, agendas y trayectorias de los legisladores electos en las listas de LLA –y sus variantes provinciales– en las elecciones de 2023, tanto a nivel nacional como subnacional. Para ello, se proponen cinco categorías de derecha agrupadas en dos bloques: el primero incluye a las derechas integradas previamente al sistema político-partidario –la derecha neoliberal y la tradicional liberal–; el segundo abarca a los nuevos movimientos de derecha con carácter marcadamente disruptivo, como la derecha radical y la extrema derecha. La asignación de cada legislador a estas categorías se basó en el análisis de sus discursos, iniciativas legislativas, declaraciones públicas y contenidos difundidos en redes sociales. Los datos revelan una marcada diversidad interna en LLA, con trayectorias políticas heterogéneas, distintos vínculos con sectores sociales, empresariales y religiosos, y desigualdades en la representación de género, que evidencian tensiones relevantes entre las agendas locales y nacionales en el actual escenario político argentino.