
The Kaiowá and Guarani organize themselves into bilateral kinship groups, bringing together a number of familial nuclei. Each group is articulated and politically directed by one or more elderly couples, the "house owners –“ ogajara, metaphorically recognized as the grandparents of the entire kin (ramõi and jaryi). Until 1988, the federal bodies for indigenous policy had forcefully displaced those groups from their traditionally occupied territories to legal reserves, where they implemented a regimen of political control through indirect administration devices, appointing a “captain” and several indigenous assistants. Such a regimen remains to this day, despite changes in legislation. This generates connections, oscillations, and counterpoints between a political system we call “presentation,” based on a leader following reciprocity between relatives, and an allegedly representative political system, where the person leading the “captaincy” tries to represent all the kinship groups in the reserve area by activating the categories “community” and “village.”
This article addresses indigenous political movements and actions based on the ethnography of expressive practices of a Kaingang collective called Nẽn Ga. These practices, described by the Kaingang as rituals [tỹnh], include songs, dances, body painting, ornaments, and are essential for holding festivals, which are linked to retaken movements and to indigenous struggle. It is proposed that indigenous mobilizations, as well as kanhgág festivals/rituals – of wich Kiki’s funeral celebration stands out – produce movements of distancing and approximation, construction and deconstruction of bonds, promoted largely due to the experience of singing-dancing together and mobilizing against common enemies. The annual Acampamento Terra Livre and other mobilization events are essential for renewing alliances between diverse groups and peoples, who unite especially against deadly governments. The existence of Apib, the largest network of the contemporary national indigenous movement, is, therefore, inseparable from these meetings, from face-to-face struggles, which are sung, moved by painted and rhythmic bodies.
Resenha do livro: SIMON, Scott; LAUGRAND, Frédéric. 2024. Feathered entanglements: Human-birds relations in the Anthropocene. Vancouver, UBC Press, 340p.
En este artículo me interesa analizar algunas acciones colectivas ocurridas durante la crisis provocada por la pandemia del Covid-19. Basado en un trabajo de campo realizado entre el 2020 y 2021 a través de dispositivos tecnológicos y digitales, me propongo indagar sobre las formas de organización colectiva que se desarrollaron entre los/as trabajadores/as y hacedores/as del tango en la Argentina. En primer lugar, analizo el proceso de elaboración e implementación de una encuesta, como parte de una investigación colaborativa desarrollada junto con la Asamblea Federal de Trabajadores/as del Tango (AFTT). Problematizo de qué manera esta investigación colaborativa supuso una producción de conocimiento que involucró múltiples posicionamientos y miradas en relación a los diversos actores y organizaciones con las que trabajé. En segundo lugar, reflexiono sobre nuestro rol como investigadores implicados en prácticas de construcción de conocimiento elaboradas junto y con los colectivos sociales.
A Câmara de Resolução de Litígios de Saúde (CRLS) foi criada para oferecer “soluções administrativas” para pedidos judiciais na área da saúde e controlar um alegado problema de “excesso de judicialização”. A partir de uma etnografia empreendida durante treze meses nesse órgão, discuto as relações entre mediação e judicialização instituídas pelas práticas de gestão das demandas por direito à saúde no cotidiano da instituição. Meu argumento central é o de que a ameaça da Justiça – isto é, a possibilidade de que um caso seja encaminhado para a Defensoria Pública para ser judicializado – funciona como uma espécie de instrumento de pressão e mecanismo de coerção. Ao abordar esses temas, pretendo demonstrar como a gestão de potenciais litígios em saúde configura um espaço no qual são disputados não somente direitos, mas também a atribuição de deveres e responsabilidades entre os diferentes agentes e agências estatais com as quais a CRLS dialoga.
Esse artigo analisa o papel central do crédito na reprodução social das famílias do morro de um bairro popular de Vitória entre 2016 e 2021. Em um contexto de apertos exacerbados pela recessão, a etnografia sublinha a ampliação das dependências intergeracionais que se entrelaçam com as relações de gênero. No seio das famílias, as práticas financeiras giram em torno dos avós aposentados, especialmente das avós. Com seu acesso privilegiado ao crédito e a uma renda estável, elas desempenham um papel central, dando dinheiro e emprestando o nome para ajudar os descendentes. Essas movimentações financeiras fazem parte de uma circulação mais ampla de pessoas, de cuidados e de alimentos entre as casas. No cotidiano, gerir as dívidas exige descer e subir o morro para pagar e movimentar vários cartões de crédito entre as casas de parentes, fazer atividades e horas extras para conseguir pagar as mensalidades. Essas inúmeras atividades podem ser definidas como o “trabalho da dívida” (Guérin, 2023), ou seja, atividades que são tão necessárias para a reprodução social da família quanto para a acumulação financeira. Esse trabalho é moldado pela divisão de obrigações entre gerações e sexos, e redefinido, ao longo do tempo, de acordo com as trajetórias de trabalho, os arranjos familiares e os ciclos de vida. Partindo desse ponto, este artigo contribui tanto para a antropologia da casa, ao colocar a dinâmica do endividamento no centro das “configurações de casa” (Marcelin, 1994), quanto para a antropologia da dívida, ao conceitualizar a família como um coletivo intergeracional endividado.
Resenha do livro: MANCERON, Vanessa. Wild and wonderful: An ethnography of English naturalists. Chicago, HAU Books, 2025. 260 pp.
Resenha da obra ESPÍRITO SANTO, Diana. UFOS, the absurd, and the limit of anthropological knowledge: imagining the impossible in Chile. New York: Routledge, 2025, 169pp.
Interview, in mid-May 2025, with the Catalan anthropologist Manuel Delgado (1956-), full professor in the Department of Social Anthropology at the University of Barcelona, who has addressed, in his renowned academic trajectory, theoretical and methodological foundations of an anthropology of the urban.
La filósofa belga, Vinciane Despret (1959) suma a su producción intelectual un nuevo libro acerca de las relaciones entre los vivos y los muertos. Antes lo hizo con A la salud de los muertos. Relatos de quienes quedan (2021), publicado bajo el sello editorial Cactus, y ahora presenta al lector Muertos a la obra (2024) por la misma editorial. Desde el propio título Despret sugiere el núcleo del libro. Con la variación de la frase coloquial “manos a la obra” la autora condensa y anticipa el material que pone a disposición del lector: producciones artísticas que son demandadas tras un fallecimiento, cercano o distante en el tiempo. Muertos a la obra es un libro compuesto por cinco historias que tienen como hilo conductor la productividad de los muertos. Despret describe e historiza la “insistencia” de los “muertos en común” y las obras que a ellos se les tributan. Los sucesos que aquí son narrados tienen como protagonistas a víctimas de femicidio, de accidentes viales, de la guerra, del sistema judicial y del terrorismo. Aun cuando esos muertos ya no están entre los vivos ̶ afirmación solo parcialmente verdadera ̶ su insistencia da a luz jardines, obras plásticas, arquitectónicas, y piezas musicales.
In this article I describe the emergence of the so-called Revolutionary Movement ("Revú") in Angola, which appeared in 2011 in the aftermath of the Arab Spring. Based on my ethnographic fieldwork with this movement since 2015, I will debate how this revolutionary emergence is an epistemological feedback against a previous revolutionary process in the country – that of the liberationist and independence movements in the 1960s and 1970s. Invoking concepts of cyclicity (Gonçalves 2017; Blanes 2019) and rhetorical feedback, I will describe an effect of ‘mutual epistemology’ between both revolutionary processes, through which the perception of one is dynamically determined by the perception of the other. In this framework, more than a mimetic revolutionary semiotic, I will entertain the idea of a ‘revolutionary doppëlgangers’, the concurrent construction of ‘evil twins’ as part of a process of political dialectic between regime enablers and oppositionists.
A discussão sobre unidades de conservação e populações locais atingidas pela sua criação tem sido bastante controversa. Ciente disso, por quatro anos mantive contato com 33 pesquisadores que, transitando entre a ciência e política, se tornaram influentes na concepção deste tipo de política ambiental. Contudo, escolhê-los como nativos trouxe um questionamento que ultrapassa a publicação da pesquisa, pois, entre quem viraria assunto de nossas conversas estavam grupos que sofrem com restrições impostas por esta forma de controle do território. O que me levou a indagar: ao restringir o debate ao que cientistas teriam a dizer, não teria invisibilizado quem já tem poucas condições de acessar instâncias onde são pensadas políticas ambientais, reproduzindo um tipo de violência epistêmica neocolonial de viés acadêmico? Partindo desta possibilidade incômoda, tomo a escolha que fiz como fato etnográfico para refletir sobre as condições de produção do discurso científico quando este leva ao silenciamento do outro.
Esta é uma resenha do livro "CARPENEDO, Manoela. Becoming Jewish, Believing in Jesus: Judaizing Evangelicals in Brazil. Oxford University Press, 2021."
El 25 de abril de 1974 Portugal se embarcó en la llamada “Revolución de los Claveles”, considerada una revuelta popular y pacífica liderada por las fuerzas armadas. Desde entonces, Portugal se ha convertido, en el imaginario popular, principalmente entre intelectuales y activistas de izquierda, en el “país de abril”, recordado por su Revolución y no por un mero golpe de Estado, en textos políticos, intelectuales, de todo tipo. de textos, de representaciones culturales y en libros pedagógicos infantiles. Sostengo que, por un lado, al combinar perspectivas domésticas e incluso íntimas y poéticas, con el sentido de involucrarse en una nueva atmósfera y política internacional, la “libertad de abril” (libertad revolucionaria) es a menudo interpretada como libertad moral, opuesta y en contra de la política y censura del antiguo régimen: no regreso al pasado, “fascismo nunca más”. Por otro lado, la apertura del país se concibe como “no dar la espalda al mundo”, lo que significa ir más allá en una dirección específica, la nueva Europa (Unión Europea), manteniendo un poscolonialismo virtuoso en relación con lo llamado “mundo lusófono”.
Resenha do livro A leste dos sonhos: respostas even às crises sistêmicas de Nastassja Martin.
Based on fieldwork in the Dominican Republic capital, Santo Domingo, I explore the different ways to refer and relate to the 1965’s Revolution, that defended the return of the 1963 Constitution. In the article I follow the celebration of the 54th anniversary of the Revolution in 2019 and the march of a group of “forgotten” combatants. The solemn walk of their commemoration offers an index of tracks and traces of histories of “anonymous heroes” as alter ways to talk about what meant the 1965 Revolution. My goal is to demonstrate how the mention to a revolution motivatede by returns allows the access to future past's nostalgias and melancholies.