
A adubação verde é a prática de cultivar plantas leguminosas ou gramíneas visando melhorar as condições produtivas do solo e, considerando a relevância socioeconômica do quiabo para pequenos agricultores, esta técnica pode ser promissora no cultivo do quiabeiro. Assim, o objetivo do trabalho foi estudar o uso da adubação verde em consórcio com quiabo, avaliando dois arranjos de planta com duas plantas como adubos verdes. O experimento foi realizado em blocos casualizados, com três repetições, em arranjo fatorial 3 x 2, onde foram avaliados Feijão Guandu e Crotalária como adubos verdes e controle (sem consórcio), e dois arranjos de adubos verdes nas entrelinhas do quiabeiro, constituídos por uma linha de adubo verde (Arranjo 1) e duas linhas de adubo verde (Arranjo 2). Os resultados demonstraram que o uso dos adubos verdes, além de aumentar a produção (g) do quiabeiro, também promoveu a antecipação do início da produção de frutos de quiabo em 28 dias, o que se deu a partir de 97 DAS, enquanto no controle iniciou apenas após 125 DAS. O arranjo das plantas também demonstrou efeito, indicando maior taxa de crescimento e produção de plantas de quiabo desenvolvidas sob arranjo com duas linhas de adubos verdes. Desta forma, o consórcio com crotalária e feijão guandu como adubo verde foi eficiente para o cultivo da cultura do quiabeiro.
O presente estudo objetivou avaliar as respostas bioquímicas de plantas de milho crioulo submetidas ao déficit hídrico (déficit hídrico), adubadas com fosfato natural reativo (fnr) e inoculadas com microrganismos promotores de crescimento de plantas (mpcp). O experimento foi conduzido em vasos, em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × 7, com cinco repetições por tratamento. O primeiro fator correspondeu às condições hídricas: 100% da capacidade do vaso (cp), caracterizando ausência de déficit hídrico, e 50% da cp, caracterizando déficit hídrico. O segundo fator foi composto por sete tratamentos: controle (sem inoculação e sem fnr), fnr isolado, azospirillum brasilense (az), bacillus subtilis + bacillus megaterium (bsbm), microrganismos eficientes (me), fnr + az, e fnr + bsbm. Os microrganismos foram aplicados nas sementes antes da semeadura e diretamente no solo e nas plantas, com periodicidade semanal até 35 dias após a semeadura (das). Aos 35 das, no estádio v6, foram determinados os teores de proteínas, a atividade da enzima guaiacol peroxidase (gpod), prolina e malondialdeído (mda) nas folhas e raízes. Os teores médios de proteínas nas raízes das plantas submetidas ao déficit hídrico foram 66% superiores aos teores das plantas não submetidas ao déficit hídrico. O déficit hídrico incrementou a atividade da gpod, mas reduziu os teores de prolina e mda nas raízes. O maior acúmulo de prolina foi observado em plantas que receberam fnr+bsbm, porém, sob déficit hídrico, o tratamento bsbm induziu maior acúmulo de prolina nas folhas (3,7 vezes). Os níveis de mda (produto da peroxidação lipídica) foram maiores nas folhas no controle, az, bsbm ou fnr+bsbm de plantas sem déficit hídrico. Os bioinsumos foram capazes de amenizar as alterações bioquímicas provocadas pelo déficit hídrico em plantas de milho crioulo.
O desenvolvimento radicular inicial das plântulas de soja determina eficiência hídrica e nutricional, influenciando estratégias adaptativas e desempenho de cada cultivar. Este estudo teve como objetivo avaliar a arquitetura radicular inicial de cinco cultivares de soja. O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado, composto por cinco cultivares (Ataque, Neo 790, Olimpo, Sparta e Tormenta), com dez repetições. O experimento foi conduzido em outubro de 2024, na estufa do Grupo Canassa, em Inhumas, Goiás, em cada repetição foram semeadas 50 sementes, totalizando 500 por tratamento. Apenas dez plântulas centrais por repetição foram avaliadas, resultando em 100 plântulas analisadas por tratamento, sendo retiradas dos canteiros e fotografadas com uma câmera digital. As imagens obtidas foram analisadas através do software WinRHIZO 2012, para avaliação de: comprimento total da raiz, diâmetro da raiz), área de superficie total de raízes e volume de raízes. A cultivar Olimpo apresentou o maior comprimento radicular (49,19 cm), 28,6% superior à cultivar com menor valor (Neo 790, 38,30 cm). O diâmetro radicular foi máximo em Tormenta (1,98 mm), 20,7% maior que a média das demais cultivares. Em volume radicular, Sparta destacou-se (0,089 cm³), 111,9% superior à cultivar de menor volume (Neo 790, 0,042 cm³). A área de superfície radicular foi maior em Ataque (48,80 cm²), 28,5% acima da menor cultivar (Neo 790, 37,99 cm²). O desenvolvimento radicular inicial das plântulas evidência diferentes estratégias adaptativas das cultivares quanto à exploração do solo e ao potencial de absorção de água e nutrientes, sendo as cultivares Olimpo e Sparta com maior exploração do solo, e a cultivar Tormenta com raízes mais espessas.
Mentha piperita, comumente conhecida como menta, é uma planta valorizada por suas propriedades aromáticas e medicinais, sendo amplamente utilizada na indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi analisar as respostas morfológicas e bioquímicas da M. piperita cultivada em casa de vegetação, após a aplicação foliar semanal do biofertilizante derivado de Kappaphycus alvarezii. O experimento foi realizado de maneira casualizada, envolvendo 50 plantas organizadas em 25 vasos, com duas plantas por vaso e 5 tratamentos distintos, totalizando 10 plantas por tratamento. Foram investigadas quatro concentrações do biofertilizante (1%, 3%, 5% e 7% - v/v), com água destilada como controle. Os resultados demonstram os benefícios do biofertilizante, evidenciando aumentos significativos em comparação ao controle. A aplicação do biofertilizante a 7% resultou em um aumento de 66% no número de regiões nodais em comparação ao controle e uma elevação de 19,78% no conteúdo de amido. As concentrações de 3% e 5% aumentaram os níveis de carboidratos totais, com incrementos de 38,12% e 28,65%, respectivamente, em relação ao controle. No entanto, considerando o custo-benefício, a aplicação do biofertilizante a 1% mostrou-se vantajosa, promovendo o desenvolvimento das plantas por meio do aumento da massa fresca e seca das folhas, além de favorecer respostas bioquímicas associadas ao acúmulo de açúcares solúveis totais e amido. Dessa forma, seu uso pode contribuir para a otimização da produção dessa planta medicinal e condimentar.
O extrato pirolenhoso (EP) é um subproduto da produção de carvão vegetal, obtido pela condensação dos gases liberados durante a carbonização da madeira, cuja captação contribui para a redução da poluição ambiental. Em sua composição, o EP apresenta substâncias bioativas capazes de influenciar processos fisiológicos em sementes e plantas. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes concentrações de extrato pirolenhoso de eucalipto híbrido sobre a germinação e o crescimento inicial de sementes de cártamo (Carthamus tinctorius L.). O experimento foi conduzido em condições laboratoriais, utilizando o método do papel para germinação, com aplicação única do extrato correspondente a 1,5 vezes o peso do papel. Foram testadas quatro concentrações (0; 2,5; 5 e 7,5% v.v.) em delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições de 75 sementes cada. Avaliaram-se o percentual de germinação (%G) e o índice de velocidade de germinação (IVG), além de parâmetros morfológicos das plântulas: comprimento da parte aérea (CP), comprimento da radícula (CR), teor de água (TA) e massa seca (MS). Observou-se que o EP de eucalipto apresentou efeito fitotóxico sobre a germinação e o crescimento inicial das plântulas de cártamo, uma vez que todas as concentrações resultaram em desempenho inferior ao do grupo controle. Portanto, pode-se concluir que o extrato pirolenhoso de eucalipto, nas condições avaliadas, não é recomendado para promover a germinação e o crescimento inicial de sementes de cártamo.