Introdução e objetivos A anemia falciforme é uma doença genética causada por uma mutação de ponto no gene que codifica a cadeia β da hemoglobina (Hb), que resulta na formação de HbS nos indivíduos homozigotos para a mutação. Essa alteração torna as hemácias falcizadas, o que ocasiona as duas apresentações fisiopatológicas principais da anemia falciforme: crises vaso-oclusivas e anemia hemolítica crônica. Como manifestação clínica desse processo, destaca-se a úlcera de perna, que está associada com quadros mais graves da doença, além de ser um fator de risco de mortalidade precoce em pacientes com AF. No entanto, como os mecanismos fisiopatológicos envolvidos no surgimento das úlceras de perna não são bem definidos, é necessário estudar possíveis fatores envolvidos. Assim, o objetivo desse estudo foi investigar a possível associação do polimorfismo rs833068 do gene VEGF com a presença de úlcera de perna em pacientes adultos com anemia falciforme, a fim de contribuir para um melhor entendimento fisiopatológico dessa manifestação clínica tão relevante e de possibilitar uma identificação e manejo precoce de pacientes mais propensos ao seu desenvolvimento. Material e métodos A população estudada corresponde a 211 participantes acompanhados no Ambulatório de Hemoglobinopatias do Hemocentro de Pernambuco (HEMOPE), divididos em um grupo que já apresentou algum evento de úlcera de perna (n = 102) e outro grupo que nunca apresentou episódio dessa manifestação clínica (n = 109). As amostras de DNA foram utilizadas para análise do polimorfismo com a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase quantitativa em tempo real (qPCR) utilizando ensaio TaqMan® SNP Genotyping Assays (Thermofisher, Foster City, CA, EUA) e sequenciamento do DNA de 32 amostras para confirmação dos resultados. Resultados A discriminação alélica de 191 amostras foi realizada. Dentre esses, 91 pacientes são do grupo com úlcera de perna, divididos em 39 (42,9%) homozigotos selvagens (GG), 47 (51,6%) heterozigotos (AG) e 5 (5,5%) homozigotos mutantes (AA), sendo o alelo mutante (A) correspondente ao polimorfismo rs833068 analisado. No grupo controle, foram 100 pacientes, sendo 37 (37%) homozigotos selvagens (GG), 54 (54%) heterozigotos (AG) e 9 (9%) homozigotos mutantes (AA). Discussão A partir dos resultados, observa-se que há maior frequência de indivíduos heterozigotos para o polimorfismo em ambos os grupos analisados. No entanto, em relação aos homozigotos mutantes para o polimorfismo, há diferença entre os grupos, visto que, para os indivíduos com úlcera de perna, essa frequência foi de 5,5% dos pacientes, enquanto para o grupo controle foi de 9%. Conclusão Os resultados mostram a distribuição dos genótipos e, após a análise estatística, será possível determinar a influência do polimorfismo rs833068 do gene VEGF no evento de úlcera de perna em pacientes com anemia falciforme e, assim, possibilitar melhor entendimento dessa manifestação clínica.
Objetivos: O presente trabalho aplicou dois algoritmos de predição da gravidade clínica da COVID-19 utilizando dados clínico-laboratoriais de pacientes atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp (HC/Unicamp), bem como avaliou possíveis associações entre as comorbidades e a mortalidade. Materiais e métodos: Trata-se de estudo retrospectivo (abril/2020 a março/2021) e não intervencionista, com a inclusão de 332 pacientes (amostragem), com idade superior a 18 anos, que estiveram internados no HC/Unicamp e apresentaram o diagnóstico molecular confirmado para COVID-19. Os algoritmos disponíveis nos sites “med-predict.com” (algoritmo A) e “www.mdcalc.com/calc/10338/4c-mortality-score-covid-19” (algoritmo B) foram avaliados, os quais consideraram dados laboratoriais ou clínico-laboratoriais [contagem de leucócitos e linfócitos, dímero-D, fibrinogênio, TTPA, ferritina, PCR, CK, billirubina total, troponina, LDH, AST e ALT (algoritmo A) e ureia, PCR, saturação de O2, idade, sexo e escala de glasgow (algoritmo B)]. Para a aplicação dos algoritmos, os prontuários dos pacientes foram revisados e esses foram agrupados em função da gravidade, de acordo com os critérios da OMS para infecção por SARS-CoV-2: infecção assintomática ou pré-sintomática, doença leve, doença moderada, doença grave e doença crítica. Desta forma, foi analisado o desfecho previsto pelos algoritmos com base na classificação da OMS. Além disso, os pacientes foram agrupados em função do número de comorbidades para avaliar possíveis associações com a taxa de óbito. As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS (versão-22). Resultados: Na análise dos pacientes, 260 (78,3%) receberam alta médica hospitalar e 72 (21,7%) morreram durante a internação. Durante a internação, 17 (5,1%) foram classificados como assintomáticos, 23 (6,9%) como leves, 60 (18,0%) como moderados, 153 (46,0%) como graves e 79 (23,8%) como críticos. Na análise do algoritmo A foi observada associação entre a probabilidade do algoritmo A de predizer um desfecho grave e a classificação da doença em função dos critérios de gravidade da OMS (p < 0,0001). Já o algoritmo B, mostrou associação entre a sua predição de mortalidade e a mortalidade dos pacientes (p < 0,0001), além de apresentar associação entre os grupos de maiores riscos (doença grave e doença crítica) e os pacientes com maior número de comorbidades (3 ou mais) (p < 0,0001). Por outro lado, uma associação entre o maior número de comorbidades (três ou mais) e a mortalidade (p < 0,0001) foi observada, assim como houve também associação entre o menor número de comorbidades (0-2) e a alta da internação (p < 0,0001). Discussão: As associações encontradas entre os algoritmos de predição, comorbidades e desfechos ressaltam a importância de considerar múltiplos fatores na avaliação e tratamento desses pacientes. Conclusão: O presente estudo apresenta limitações, como o fato de não existir um protocolo com os exames requeridos pelos algoritmos e a sua realização logo após a confirmação da infecção por COVID-19, porém, mesmo assim, o uso desses algoritmos apresentou concordância com o desfecho clínico, reforçando a importância da utilização dessas ferramentas para auxiliar nas decisões clínicas e predizer a gravidade da doença.
A COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, tem sido um desafio global sem precedentes, resultando em milhões de infecções e perdas de vidas em todo o mundo. Um aspecto importante da doença é a tempestade de citocinas, caracterizada pela resposta inflamatória exacerbada que pode levar a danos relevantes nos órgãos e agravar o quadro clínico dos pacientes. Nesse contexto, os microRNAs (miRNAs) emergiram como uma abordagem promissora para compreender e potencialmente controlar esse fenômeno através da regulação pós-transcricional de citocinas inflamatórias. O objetivo do trabalho foi realizar análise in silico para identificar possíveis miRNAs que podem controlar a expressão de citocinas envolvidas com a tempestade de citocinas presente na COVID-19. A análise in silico foi realizada utilizando os softwares miRWalk e RNAhybrid, que consideram a complementaridade de sequência e a energia de ligação (MFE, do inglês minimum free energy) para identificar potenciais interações miRNA-alvo. Com a finalidade de selecionar as possíveis interações mais promissoras, os resultados obtidos pelo miRWalk foram filtrados pelo score (> 0,95) e pela presença de dados no banco de dados miRTarBase, que fornece informações sobre as relações já conhecidas entre os miRNAs e seus genes-alvo. O score fornecido pelo miRWalk é obtido usando uma técnica de aprendizado de máquina chamada random-forest, aplicada pelo algoritmo TarPmiR para prever sítios alvo de miRNA. Essa pontuação representa a probabilidade de que a interação entre o miRNA e o sítio alvo seja funcional. Para as análises no RNAhybrid, foram consideradas MFE inferiores a −20,0 kcal/mol (valores mais negativos indicam uma maior tendência para a formação das interações de pareamento de bases). Em um estudo prévio do nosso grupo de pesquisa (dados não publicados), os níveis das citocinas pró-inflamatórias IL-6, IL-8, TNFα, IFNγ e IL-17 estavam elevados no grupo categorizado como pacientes críticos, em comparação aos pacientes de menor gravidade. Essas citocinas foram consideradas para a análise in silico, resultando em: para IL-6 – miR-149-5p (MFE = −27,7), miR-125a-3p (MFE = −28,1) e miR-124-3p (MFE = −26,2); para IL-8 – miR-302c-3p (MFE = –30,1), miR-302d-3p (MFE = –27,8), miR-204-5p (MFE = –25,7), miR-202-3p (MFE = –24,8) e miR-1294 (MFE = –25,5); para TNFα – miR-34a-5p (MFE = –30,8) e miR-17-5p (MFE = –34,9); para IFNγ – apenas o miR-24-3p (MFE = –29,0); e para IL-17 foi encontrado o miR-16-1-3p (MFE = –20,9), porém, diferente dos demais, apresentou score inferior ao definido para a análise (score = 0,85). Os miRNAs encontrados neste estudo computacional podem estar diminuídos nos pacientes em estado crítico, o que poderia levar à desregulação dos mRNAs dessas citocinas inflamatórias e, consequentemente, ao aumento de sua concentração plasmática. Vale ressaltar que esses resultados são fundamentados em predições de interação, sendo essencial a realização de estudos de expressão gênica de miRNA para confirmar se, de fato, os mesmos encontram-se diminuídos nesses pacientes. Esses achados podem fornecer informações valiosas sobre a regulação pós-transcricional dessas citocinas e podem ser relevantes para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais precisas e eficazes na COVID-19.
Introduction: The hemogram and hemogram-derivative ratios (HDRs) are becoming markers of the severity and mortality of COVID-19. We evaluated the hemograms and serial weekly HDRs [neutrophil-lymphocyte ratio (NLR), monocyte-lymphocyte ratio (MLR), platelet-lymphocyte ratio (PLR), neutrophil-platelet ratio (NPR) and systemic immune-inflammatory index (SII)] in the survivors and non-survivors of COVID-19. Methods: We retrospectively reviewed the medical notes and serial hemograms of real-time reverse-transcription polymerase chain reaction (RT-PCR)-confirmed COVID-19 adults hospitalized from April 2020 to March 2021 from the time of diagnosis to the 3rd week of diagnosis. Results: Of the 320 adults, 257 (80.3%) were survivors and had a lower mean age than the non-survivors (57.73 vs. 64.65 years, p < 0.001). At diagnosis, the non-survivors had lower hematocrit (p = 0.021), and lymphocyte (p = 0.002) and basophil (p = 0.049) counts and the hematocrit showed a p-value (Is this what you meant???) of 0.021); higher NLR (p < 0.001), PLR (p = 0.047), NPR (p = 0.022) and SII (p = 0.022). Using general linear models, the survivors and non-survivors showed significant variations with weekly lymphocyte count (p < 0.001), neutrophil count (p = 0.005), NLR (p = 0.009), MLR (p = 0.010) and PLR (p = 0.035). All HDRs remained higher in the non-survivors in the 2nd week and 3rd week of diagnosis and the HDRs were higher in the intubated patients than in the non-intubated patients. The NLR and SII were more efficient predictors of mortality in COVID-19 patients. Conclusions: This study shows that serial lymphocyte and neutrophil counts, NLR, PLR, MLR, NPR and SII could serve as good and easily accessible markers of severity and predictors of outcomes in COVID-19 patients and should be used for the monitoring of treatment response.
A úlcera de perna é uma complicação debilitante da Anemia Falciforme (AF) e está associada ao aumento da morbidade e mortalidade dos pacientes, reduzindo significativamente a qualidade de vida dos mesmos. A etiologia das úlceras de perna ainda não está completamente elucidada, mas sabe-se que a causa é uma combinação de múltiplos fatores, incluindo obstrução mecânica da microcirculação pelas células falcizadas, diminuição do aporte de oxigênio devido à anemia, infecções, traumas, doenças venosas, dentre outros. Os microRNAs (miRNAs) são pequenos RNAs não codificantes com cerca de 22 nucleotídeos que regulam a expressão dos seus alvos de maneira pós-transcricional. Estas moléculas estão envolvidas em praticamente todos os processos biológicos e sua expressão anormal pode estar relacionada a diversas doenças. Assim, o objetivo do presente estudo foi analisar o perfil de expressão de miRNAs relacionados com a via inflamatória em células mononucleares de pacientes com AF com e sem úlcera de perna, acompanhados no Hemocentro de Pernambuco – HEMOPE e, consequentemente, identificar/avaliar um alvo desses miRNAs que possa estar envolvido com essa manifestação clínica. A pesquisa incluiu nove participantes do gênero masculino, adultos, divididos em três grupos e pareados por idade e características étnicas predominantes: controles normais HbAA (n = 3), pacientes com AF sem úlcera de perna (n = 3) e pacientes com AF com úlcera de perna (n = 3). Para a análise da expressão dos miRNAs foi utilizado o ensaio miScript miRNA PCR array (Qiagen/Germany), um painel que permite avaliar o perfil de expressão de 84 miRNAs envolvidos na regulação da expressão de genes da via inflamatória utilizando o sistema de detecção SYBR Green®. No grupo dos pacientes com AF sem úlcera de perna foram encontrados dois miRNAs com expressão diferencial quando comparados ao grupo controle (p < 0,05), sendo o miR-125b-5p diminuído e o miR-21-aumentado. Por outro lado, quando comparado ao grupo controle, o grupo dos pacientes com úlcera de perna apresentou quatro miRNAs com expressão aumentada (p < 0,05): miR-15a-5p, miR-16-5p, miR-195-5p e miR-548d-3p. Interessantemente, os miRNAs miR-15a-5p, miR-16-5p e miR-195-5p pertencem a mesma família, ou seja, tem mRNAs alvos em comum, e sua expressão diferencial pode demonstrar a relevância destes miRNAs para esta comorbidade. O fator de crescimento endotelial vascular A (VEGFA, Vascular Endothelial Growth Factor A) é um alvo predito em comum para esta família e também para o miR-548d-3p e está envolvido no processo de cicatrização de úlceras venosas ao promover os eventos iniciais da angiogênese, favorecendo migração e proliferação de células endoteliais. A expressão gênica do VEGFA foi avaliada em 60 pacientes (29 com úlcera de perna e 31 sem úlcera) por qPCR. Os resultados mostraram que a expressão de VEGFA estava significativamente menor naqueles com úlcera de perna. Sendo assim, os miRNAs encontrados neste estudo poderiam atuar diminuindo os níveis de expressão do VEGFA e dificultando a angiogênese, que é fundamental para que ocorra a formação de novos tecidos e consequentemente a cicatrização da ferida. Esses achados podem indicar a associação desses miRNAs na modulação da expressão do VEGFA em pacientes com úlcera de perna. Análises proteicas do VEGFA poderiam auxiliar na melhor compreensão dessa possível associação. Financiamento: FAPESP, CNPq, CAPES, FAEPEX.
Abstract Background: Brazil became the South American epicenter for coronavirus disease (COVID-19) soon after the first case was diagnosed in February 2020 with the highest infection rate occurring in the state of Sao Paulo. COVID-19 is characterized by marked thrombo-inflammation mechanisms, and neutrophil-lymphocyte ratio (NLR) among many clinical and laboratory data, is becoming an inflammatory marker of severity and mortality of COVID-19. We evaluated the serial weekly lymphocyte ratios, which are easily derivable from the routine blood counts, in the survivors and non-survivors of COVID-19 at the Clinical Hospital of University of Campinas (UNICAMP), Campinas, Sao Paulo, Brazil, from time of diagnosis to the 3 rd week of care. This hospital is one of the referral centers for COVID-19 patients in this state. Methods: In this retrospective study, we reviewed the medical notes of 320 adults hospitalized patients with PCR-confirmed COVID-19 at the Clinical Hospital of UNICAMP, from March 2020 to March 2021. The serial weekly hematological parameters (analyzed using automated counter - XN 9000™, Sysmex, Japan) from the time of diagnosis were analyzed and lymphocytes ratios (neutrophil-lymphocyte, NLR, platelet-lymphocyte PLR, and monocyte-lymphocyte MLR) were calculated. The survivors (n=257) were those who recovered from the disease and were discharged from the hospital, while the non-survivors (n=63) were those who died in the course of treatment. Statistical analyses were performed using SPSS (version 22). Unpaired data of Survivors and Non-survivors with COVID-19 were compared using Mann-Whitney tests. Repeated measures were compared within and between groups using univariate and multivariate tests in general linear models. All results were considered significant if p<0.05. Results: Of the 320 patients, 257 (80.3%) were survivors and had lower mean age than the non-survivors (57.73 vs 64.65 years, p<0.001). At diagnosis, the non-survivors had a lower lymphocyte count (p=0.002), basophil count (p=0.049), and hematocrit (p=0.021) than the survivors, Table 1. We used general linear models for repeated measures and corrected for the patients who did not stay long enough to have a complete series of blood counts, Figure 1 A-G. Multivariate tests between the survivor and non-survivor groups showed significant variations with serial weekly lymphocyte count (p<0.001), neutrophil count (P=0.005), NLR (p=0.009), MLR (p=0.010), and PLR (p=0.035) but not with the weekly monocyte count (p=0.352) and platelet count (p=0.505). The NLR was higher and PLR was lower in the non-survivors at diagnosis (p<0.001 and p=0.047 respectively), both were higher in the 2 nd week post-diagnosis (p<0.001 and 0.043 respectively), and in the 3 rd week (p<0.001 and p=0.043 respectively) (Figure 1D and E). The MLR was not significantly different at diagnosis but became elevated in the following two weeks post-diagnosis (p=0.09, p=0.022, and p<0.001 respectively) (Figure 1F). Conclusions: The non-survivors were older and their NLR and MLR tend to increase from the time of diagnosis while their PLR tend to decrease after the 2 nd week post-COVID-19 diagnosis and treatment. On the other hand, all three ratios significantly decrease in the survivors. While neutrophilia and lymphopenia improved in the survivor, they worsen in non-survivors. These cells may have contributed towards the recovery by ameliorating the inflammatory response in survivors, and death by worsening the response in non-survivors of COVID-19. This study shows that serial lymphocyte count, neutrophil count, NLR, PLR, and MLR could serve as good and easily accessible markers of outcomes in patients with COVID-19 and could be used for monitoring of response to treatment. Figure 1 Figure 1. Disclosures Costa: Novartis: Consultancy.
Alpha thalassemia is the most common genetic disorder across the world, being the α-3.7 deletion the most frequent mutation. In order to analyze the spectrum and origin of alpha thalassemia mutations in Uruguay, we obtained a sample of 168 unrelated outpatients with normal hemoglobin levels with microcytosis and hypochromia from two cities: Montevideo and Salto. The presence of α-thalassemia mutations was investigated by gap-PCR, restriction endonucleases analysis and HBA2 and HBA1 genes sequencing, whereas the alpha-MRE haplotypes were investigated by sequencing. We found 55 individuals (32.7%) with α-thalassemia mutations, 51(30.4%) carrying the -α3.7 deletion, one with the -α4.2 deletion and three having the rare punctual mutation HBA2:c.-59C>T. Regarding alpha-MRE analysis, we observed a significant higher frequency of haplotype D, characteristic of African populations, in the sample with the -α3.7 deletion. These results show that α-thalassemia mutations are an important determinant of microcytosis and hypochromia in Uruguayan patients with microcytosis and hypochromia without anemia, mainly due to the -α3.7 deletion. The alpha-MRE haplotypes and the α-thalassemia mutations spectrum suggest a predominant, but not exclusive, African origin of these mutations in Uruguay.