For decades, more than a writer, Jorge Amado became a sort of icon of Brazil. He brought to his works social spaces, atmosphere and characters identified with the mar -gins of society, highlighting the African footprints in our culture. This Brazil -erased in its own territory- conquered readers in many countries. In former African Portuguese colonies, other than creating enthusiastic readers, Jorge Amado's works encouraged the prac-tice of writing and had a strong influence on the formation of key authors of the literature of these emerging nations.
The overlapping of the concepts of homeland and empire, much encouraged by the Estado-Novo, still influences the debates on colonial history, and for a long time reduced the critical potential of pol-itics and literary life in the Lusitanian metropolis. Drawn the contradictions of colonialism obsessed with the idea of sin-gularity, only after the radicalization of relations in the colonies, the Portuguese society formulated responses that came to give density to the anti-colonial cri-tique, initiated in the invaded territories, in which writers combined aesthetic re-newal and libertarian ethics.
Este artigo analisa os planos diretores das cidades de Curitiba e Joinville, realizados por Jorge Wilheim, um dos maiores influentes urbanistas brasileiros. Sua produção intelectual revela constante preocupação em não desconectar a prática profissional dos aspectos teóricos e sua atividade criadora objetiva a transformação da realidade urbana. Não se pode compreender o urbanismo sem pensar na vida urbana, portanto sem pensar em consciência social. Os planos elaborados pelo escritório SERETE, em 1965, são testemunhos da reflexão sobre o urbanismo brasileiro e os problemas gerados pelo adensamento e crescimento populacional. O Brasil deste período era carente em recursos, quadros e infraestrutura. A demanda por novos planos mobilizava muitos profissionais no país, e as dinâmicas aqui aplicadas permitiam experiências mais ricas e inovações distintas. Através da análise desses projetos é possível ainda notar as discussões e investigações propostas: o futuro do transporte público e privado, a comunicação de massa e seu perigo de hipnotismo, as semelhanças formais e diferenças funcionais entre as metrópoles e os aspectos políticos implícitos. O urbanismo tem sido considerado tradicionalmente uma ciência física, isolada dos aspectos sociais e econômicos, capaz apenas de disciplinar o uso do solo e estabelecer uma hierarquia de vias. Para o urbanista, falar em cidade significa pensar em vida urbana. E para que o urbanismo tenha um conteúdo humano, não é suficiente abordar somente a questão da escala humana ou a proporção da relação dos espaços e árvores nas ruas. É preciso levar em conta a capacidade criadora e transformadora da sociedade urbana. O urbanismo como técnica de transformação da realidade, deve então ter um objetivo fundamental que é o de contribuir à superação do subdesenvolvimento atuando sobre as estruturas urbanas existentes.
Neste artigo partilhamos a nossa visão de que o ensino das línguas estrangeiras deverá ter como objetivo contribuir para incrementar o potencial de desenvolvimento dos aprendentes de uma forma holística, nomeadamente no que respeita à interação social, indo assim mais além do que a simples promoção das competências linguísticas e comunicativas. Tal implica não descurar os aspetos sociais e afetivos da aprendizagem de uma língua estrangeira, bem como contribuir para a progressiva autonomização do aprendente. Consequentemente, iremos demonstrar, na senda do que Araújo e Sá (2013) defende, que a aquisição e desenvolvimento da linguagem não deverão ser desassociados das práticas sociais que comummente os acompanham. Assim, o desenvolvimento de competências em sala de aula terá a beneficiar com contextos que promovam a interação social, pelo que com este artigo pretendemos revelar alguns dos aspetos que se evidenciaram no decorrer de uma investigação centrada nos aprendentes, a qual permitiu conhecer melhor de que forma se processa a aprendizagem na aula de língua estrangeira, no que respeita à vertente da interação social e afetiva.
RESUMO A sobreposição dos conceitos de pátria e império, muito incentivada pelo Estado-Novo, ainda incide nos debates sobre a história colonial, e por muito tempo reduziu o potencial crítico da política e da vida literária na metrópole lusitana. Recortada pelas contradições de um colonialismo obcecado pela ideia da singularidade, a sociedade portuguesa, somente depois da radicalização das relações nas colônias, formulou respostas que vieram a conferir densidade à crítica anticolonial, iniciada nos territórios invadidos, em que os escritores aliaram renovação estética e ética libertária.
In José Craveirinha's poetic project, a sense of belonging is identified, involving the duty and the right to an expression in which the struggle against exclusion also defines a pedagogy with the focus in the land and the peoples in movement, an option shared with other contemporary poets, like Antonio Jacinto from Angola.In its constitution, language pursues a link with orality and locates the difference in historical landmarks, to make poetry a space for reflection on the contradictions of its present.
Resenha de: MELO, João. O dia em que Charles Bossangwa chegou à América. Lisboa: Caminho; Leya, 2020. 144p.
This chapter analyses some of the ways in which the notion of race, the (still ongoing) engine of Western expansion in the world, is projected in works published in different contexts. In a first moment, it is observed how a certain idea of race brings together three European narratives separated by more than a hundred years: Heart of Darkness (1902) by Joseph Conrad, Zambeziana – Scenas da vida colonial [Zambezian – Scenes of Colonial Life] (1927) by Emílio de San Bruno and A última viúva de África [The Last Widow of Africa] (2017) by Carlos Vale Ferraz. This chapter also examines the literary project of Angolan Ruy Duarte de Carvalho, who, between the final decades of the 20th century and the first ones of the 21st century, resized the debate. In these two tempos, the authors identify the process that reflects the permanence of a worldview that hierarchises human beings by skin colour, which they call "the schism of race," and its counterpoint, produced on African soil, which they call the "seism of the other."
Previsto para o mês de junho, o lançamento do número 22 da Revista Mulemba só agora pode ser realizado, em um reflexo direto da conjuntura que não deixa indiferente o campo da reflexão. Entre tantas urgências, tivemos que descobrir outras formas de comunicação, buscando sob a pressão das novas demandas recursos que propiciassem a interlocução exigida pelo exercício intelectual. Está em tudo isso a explicação para que alguns autores não tenham conseguido complementar os artigos com as indicações de pareceristas, e, em outros casos, não tenham sequer podido finalizar seus textos. Em síntese, os efeitos objetivos da situação que nos atinge a todos recaíram na preparação desse trabalho coletivo, que só foi possível graças à insistência daqueles que, ultrapassando o desalento, empenharam-se intensamente na conclusão dos trabalhos, aos quais redobramos o nosso reconhecimento.
O presente artigo tem como objetivo discutir a relação entre História, memória e ficção em textos e contextos africanos. Levando em conta que, sobretudo em países identificados com a pressão colonial, o apelo ao testemunho e a diversas formas de narrativa possibilita assomarem-se vozes até então silenciadas, questionar a impenetrabilidade do debate informado pelos autores da dominação e sua conservação do monopólio do discurso e do direcionamento de análise, bem como o poder indiscutível dos documentos como fonte de verdade. Daí a importância da integração de outras narrativas cujos procedimentos são associados ao território da memória e dos seus campos de subjetividade, sem desconsiderar os riscos desse recurso. Portanto, devido ao itinerário histórico de alguns países, a exemplo de Moçambique e Angola, precisam-se de outros modos de lidar com as linhas da memória. O papel da ficção expressa-se como recurso a um instrumento de análise diferente daqueles com que lidamos commais frequência. Nesse sentido, estabelece-se, a partir da literatura, um papel no processo de formação da identidade nacional, de interpretação do país, interferindo no coro que canta a grande narrativa e fornecendo instrumentos que permitem olhá-lo mais profundamente.