Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de neurodesenvolvimento que pode impactar no desenvolvimento global das pessoas, nas interações sociais que estabelecem na apropriação e aprendizagem da linguagem escrita. Ressalta-se as mídias sociais como ferramenta com potencialidades de promover a acessibilidade e difusão de informações e de saberes formulados por profissionais de várias áreas permitem, bem como, a construção partilhada de conhecimentos. Objetivo: Este estudo visa investigar concepções e práticas fonoaudiológicas e educacionais, veiculadas em vídeos disponíveis no YouTube, enfocando tais processos. Método: Foram identificados 484 vídeos em língua portuguesa no YouTube utilizando palavras-chave como "linguagem escrita", "fonoaudiologia", "educação", "TEA", "Autismo", "Letramento" e "alfabetização". Foram adotados como critérios de inclusão vídeos nacionais produzidos nos últimos 10 anos por fonoaudiólogos e/ou professores para o YouTube. Como critérios de exclusão constam reportagens de TV, palestras, vídeos estrangeiros, caseiros ou de outras temáticas. Resultados: Foram selecionados 13 vídeos, sendo que 61,53% são produzidos por fonoaudiólogos e 38,47% por professores, com 92,31% direcionados a professores e 7,69% a fonoaudiólogos. Quanto às concepções de linguagem escrita, 69,23% a concebem como código/instrumento de comunicação e 30,77% como prática social. Além disso, 92,31% dos vídeos abordam práticas de ensino-aprendizagem da escrita. Conclusão: Fica evidente a necessidade de estudos que analisem a qualidade e consistência das informações veiculadas nesse tipo de produção, bem como, impactos que exercem na formação e atuação profissional, envolvendo contextos e processos clínicos e educacionais voltados à linguagem escrita e alunos diagnosticados com TEA. Palavras-chave: TEA, fonoaudiologia, linguagem.
Nowadays, the most used technology is the Internet, but for people with disabilities access to virtual environments is still limited. The goal of this paper is to identify the literature that addresses digital accessibility for people with disabilities in the period from 2011 to 2022. The research was performed in PubMed, Periodicos CAPES, SciELO, BDTD, and Google Scholar, electronic databases focused on articles on "accessibility" and "site". Hundred and ninety five diverse types of research were found: 99 academic articles, 48 dissertations, 7 theses, 25 final papers, 10 monographs, and 6 book chapters. As for results, there is research in: undergraduate (25), specialization (3), and graduate programs (30 masters, 5 doctorates) focusing on digital accessibility, indicating that the field is broad and diverse. It was concluded that most of this collected information is directed to governmental, municipal, and federal academic institutions and libraries websites, addressing accessibility in general for people with disabilities. They do not stop at the specifics of each disability niche, particularities, complexities, and specialties that each type of disability needs. There is still a lack of research focused on other sectors of the daily lives of people with disabilities, especially in the field of health, where digital accessibility is scarce.
A Internet é a tecnologia mais utilizada no cotidiano, mas as pessoas com deficiências ainda têm limitações ao acessar ambientes virtuais. Objetivo: identificar as publicações que abordam sobre a acessibilidade digital por pessoas com deficiência, de 2011 a 2022. Realizada nas bases de dados eletrônicas focadas nos artigos voltados à “acessibilidade” e “site”. Resultados: trabalhos de graduação, especialização e programas de pós-graduação com foco em acessibilidade digital. Conclusão: a maioria desses trabalhos está direcionada aos sites Governamentais, Municipais, de Instituições Acadêmicas Federais e sites de bibliotecas, abordando a acessibilidade de modo geral. Essas não se detêm nas especificidades existentes a cada tipo de deficiência, em suas particularidades, complexidades e especialidades. Ainda faltam pesquisas direcionadas a outros setores da vida cotidiana das pessoas com deficiência, destacando-se a Saúde, na qual a acessibilidade digital é escassa.
Atualmente pesquisas vêm analisando e sistematizando instrumentos avaliativos capazes de avaliar o uso de recursos de CSA junto às pessoas com restrições de fala. Objetivo: identificar e caracterizar instrumentos de avaliação utilizados para a implementação da CSA. Metodologia: foram levantados trabalhos apresentados e publicados em livros pertencentes aos Congressos Brasileiros da Internacional Society for Augmentative and Alternative Communication/ISAAC-Brasil, que apresentavam instrumentos avaliativos para a implantação da CSA. Resultados: 30% desses trabalhos foram desenvolvidos nos Estados Unidos, 20% na Europa e 15% no Canadá; dos profissionais envolvidos na tradução, validação e adaptação foram Psicologia (25%), Psicologia e Pedagogia (10%), Terapia Ocupacional (15%), Fonoaudiologia (10%) e Fonoaudiologia e Pedagogia (5%); dos instrumentos desenvolvidos no Brasil, houve predomínio de publicações nas áreas de Fonoaudiologia, Psicologia e Terapia Ocupacional; as áreas avaliadas predominaram linguagem, aspectos motores e cognição; 55% da faixa etária da população avaliada são crianças em idade pré-escolar e escolar; 35% crianças, 10% jovens e adultos e 10% idosos; quanto ao público-alvo dos instrumentos, houve predomínio de pessoas portadoras de paralisia cerebral; os instrumentos utilizados foram questionários (55%), testes (30%), formulário (5%), listas de vocabulário, 5% provas assistidas; dos que responderam os instrumentos, 40% foram profissionais de saúde e educação e pais ou responsáveis (15%). Conclusão: apesar do aumento gradativo na elaboração de instrumentos nacionais, há a necessidade da sistematização de instrumentos avaliativos em situações espontâneas e interativas que priorizem as particularidades e singularidades dos sujeitos. Ademais, é importante o desenvolvimento de estudos assentados numa perspectiva da linguagem como constitutiva dos sujeitos, que promova o diálogo e interações sociais. Além disso, é necessário o desenvolvimento de instrumentos avaliativos junto à população de adultos e idosos.
This article presents the findings of The Digital Turn research project (2020-2021) that sought to understand, via qualitative research, the social value of online music participation offered by Liverpool Cathedral during the COVID-19 pandemic. The article will establish the context for the study, followed by the research methods for data collection and analysis, and the presentation and discussion of the results, which are grouped along four themes: Social Capital, Education, Belonging and Wellbeing. The results show that online music participation during the COVID-19 pandemic enhanced people's sense of social connectedness and belonging; provided important opportunities for formal and informal music education and learning and exposure to an eclectic range of musical styles; resonated with and reinforced participants' sense of shared identity and belonging; and enhanced people's general health and wellbeing, along with a sense of normality and routine. The article will conclude with the study's limitations and vision for future research.
Diante da precária utilização da Prancha de Comunicação Alternativa nos diferentes níveis da formação escolar, torna-se necessário o implemento de pesquisas que promovam a ampliação e a efetividade de seu uso junto aos alunos com restrições de fala. O estudo objetivou analisar parte da produção do conhecimento científico acerca das concepções, finalidades e modos de construção da Prancha de Comunicação Alternativa. Trata-se de uma revisão integrativa de artigos publicados em periódicos indexados em bases de dados. A partir da aplicação de critérios de inclusão e exclusão foram selecionados 12 estudos que passaram a compor o corpus de análise. Quanto aos resultados, destaca-se que dos participantes envolvidos nas pesquisas, 50% eram professores e alunos; 25% eram professores, alunos e familiares; 8% eram apenas alunos e familiares; 8% eram alunos, professores e pesquisador e 8% eram só alunos. Com relação à faixa etária dos alunos, 83% dos participantes eram crianças, 18% eram adolescentes e 8% sem idade definida. Sessenta e seis por cento dos alunos estavam matriculados em escolas regulares e 33% em escolas especiais. Quanto à finalidade, o uso da Prancha de Comunicação Alternativa tinha como objetivo promover a interação/diálogo. Conclui-se que a crescente presença de alunos com oralidade restrita no contexto educacional evidencia a necessidade do implemento de estudos que contribuam para interações entre os diferentes profissionais envolvidos com os processos de ensino-aprendizagem.
RESUMO Objetivo Analisar o efeito do modelo de Cuidado Centrado no Paciente na satisfação de profissionais de saúde enfermeiros, fonoaudiólogos ou odontólogos, que atendem adultos hospitalizados. Método Revisão Sistemática realizada de outubro/2020 a março/2021, nas bases PubMed/Medline, CINAHL, EMBASE, SCOPUS, Web of Science e LILACS. Incluídos estudos observacionais e intervencionais, relacionando o efeito do Cuidado Centrado no Paciente na satisfação dos profissionais. As ferramentas Cochrane Collaboration Tool e Meta-Analysis of Statistics Assessment and Review Instrument avaliaram a qualidade metodológica dos estudos. Resultados O efeito do cuidado centrado no paciente na satisfação profissional não foi identificado em fonoaudiólogos ou odontólogos. Nove artigos selecionados o relacionam aos enfermeiros. Os preditores de satisfação apontaram para fatores relacionados às relações interpessoais, cuidados para o paciente e organização no trabalho. Conclusão O modelo do Cuidado Centrado no Paciente pode constituir estratégia facilitadora para a satisfação no trabalho do enfermeiro. Contudo a atual literatura científica ainda necessita de mais estudos para fortalecer a evidência existente.
This article illustrates, with particular focus on Rolando Chaparro's rock fusion album Bohemio (2011), the way in which music operates in expressing Paraguayan national, racial and class identity. It first reviews the literature on music and identity generally, as well as more specifically in relation to Paraguay. It then explores expressions of nationalism and paraguayidad (Paraguayanness) in folkloric 'popular' musics (musica popular) and the concept of raza guarani (a widespread belief in a common ancestry based on Spanish and Guarani ethnic identity) in the construction, maintenance and expression of identity. Finally, it examines the Agustin Barrios revivals in Paraguay and people's class consciousness as it is expressed in Paraguayan guitar music culture.
Patrick Valiquet (PV): My name is Patrick Valiquet. I am a British Academy Postdoctoral Fellow in Music at the University of Edinburgh and I would like to welcome you to this roundtable discussion of the book Composing Capital: Classical Music in the Neoliberal Era, published by University of Chicago Press in 2019. I am very pleased to have had two guests with me to discuss the book. The first voice you will hear is that of Dr Anna Bull, who is a senior lecturer in the School of Education and Sociology at the University of Portsmouth. Anna is cofounder of The 1752 Group, a campaign and research group addressing staff/ faculty sexual harassment in higher education, and was lead author of their report ‘Silencing Students’ in 2018. Her first monograph is entitled Class, Control, and Classical Music and was published by Oxford University Press in 2019. The second voice you will hear is that of Simone Krüger Bridge, who is Reader inMusic in the Department of Sociology at Liverpool JohnMoores University. Simone has authored and edited several books, including the most recent Trajectories and Themes in World Popular Music: Globalization, Capitalism, Identity, published by Equinox in 2018. The conversation you will hear is edited from a Zoom call that I conducted with Anna and Simone at the beginning of October 2020. First, you will hear ten-minute commentaries from each of us in turn. Then you will hear roughly 15minutes of questions and answers, where we discuss some key themes that we identified in the book. After that, you will hear a response to our conversation that was recorded at the end of November 2020 by Marianna Richey herself. Marianna is Associate Professor of music history at the University ofMassachusetts at Amherst, and I am very, very grateful for her generosity in agreeing to respond to us. Before we begin, then, I would like to thank all of my co-contributors again, and I would like to thank the reviews editor of RMA Research Chronicle, Dr Sarah Collins, who invited me to convene this conversation. Anna Bull (AB): I really enjoyed reading this book, and I was really fascinated by the case studies that Richey discusses, as well as the wider arguments that she draws from them. It’s wonderful to see such an ambitious argument being made. There was a lot of intersection with some of the things I’ve been thinking about over recent years, and I’mgoing to focus on two of the key concepts from the book—genre and autonomy—as these concepts jumped out at me as being interesting contributions that she makes. I’ll start with genre. I find it really interesting that Ritchey names classical music as a category, that she uses that label. Until fairly recently, of course, it was normal to talk about Western art music, but more people are now using the term classical music, including sociologists such as Christina Scharff and I. I use this term as it’s the vernacular term that themusicians inmy study usedwhen they were talking about the music that they were making. But aside from this common sense meaning, I think it’s really important that Ritchey names the genre in this way. This naming does important work in relocating classical music in the cultures that produce and consume it, and in doing this moving beyond universalizing discourses, and recognizing that this is a genre that is located in particular cultures, times and spaces. For Ritchey, this is the US context specifically. But although she names the genre, she doesn’t actually define classical music. That’s clearly a move that shemakes on purpose, as she states that the book examines classical music ‘as an idea and a conveyer
OBJECTIVE:To analyze the effect of the Patient-Centered Care model on the satisfaction of health professionals, nurses, speech therapists or dentists, who care for hospitalized adults.METHOD:Systematic Review conducted from October/2020 to March/2021 at PubMed/Medline, CINAHL, EMBASE, SCOPUS, Web of Science and LILACS databases. Observational and interventional studies were included, relating the effect of Patient-Centered Care on the satisfaction of professionals. The Cochrane Collaboration Tool and Meta-Analysis of Statistics Assessment and Review Instrument tools assessed the methodological quality of the studies.RESULTS:The effect of patient-centered care on job satisfaction was not identified in speech therapists or dentists. Nine selected articles relate it to nurses. Predictors of satisfaction pointed to factors related to interpersonal relationships, patient care and work organization.CONCLUSION:The Patient-Centered Care model can be a facilitating strategy for nurses' job satisfaction. However, the current scientific literature still needs further studies to strengthen existing evidence.
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Objetivo: analisar a visão de um grupo de professores de duas Instituições de Ensino Superior acerca do tradutor e intérprete de Libras (TILS). Método: estudo descritivo, de caráter quantitativo e qualitativo. Foi realizada entrevista semiestruturada junto aos 14 professores que têm alunos surdos em suas turmas. Para análise dos dados foi adotado o método de análise de conteúdo. Os conteúdos foram agrupados em dois eixos temáticos: a) visão de professores acerca do papel do TILS: em relação ao surdo, ao professor e à turma; b) visão de professores quanto à relação entre professor e TILS. Resultados: Todos os participantes afirmaram que compete a tal profissional traduzir as falas do professor para Libras. 57% concebem o processo de tradução para mediar à aprendizagem e 43% para transmitir conteúdo. Na relação com os professores, 71% consideram que o TILS deve adequar-se ao professor e à disciplina, e 29%, que cabe ao TILS orientá-lo quanto ao aluno surdo. Quanto à interação do aluno surdo com outros acadêmicos, 64% consideram que o TILS deve favorecer tal interação, e 29%, que ele não deve intervir nesse aspecto. Conclusão: as parcerias entre TILS e professores do ES ainda se encontram num processo inicial de construção nas IES. As particularidades pertinentes às ações de cada profissional e os pontos de convergência entre as mesmas vêm sendo identificadas. É necessário o implemento de pesquisas, que promovam conhecimentos capazes de subsidiar parcerias entre TILS e professores do ES construídas a partir da troca de conhecimentos e informações acerca dos conteúdos acadêmicos.
This entry illustrates the gendering of music in popular culture from a historical perspective. Beginning in the 1950s, popular music was created, produced, and promoted from a fundamentally sexist and misogynistic position, shaped by the commercial success of rock music and its explicit concern with sexual representation. Female creative roles were limited, while women musicians who “made it” were almost always singers and “judged” by male notions of female ability. In the 1980s, the music industry shifted its emphasis toward a global preoccupation with “image” and MusicTeleVision. Music videos constructed and naturalized a specific system of gendered representation targeted at a “youth” market, while representing male youth privilege and male ideology, and subjecting female artists and women in pop videos to the male gaze. Since the 1960s, the feminist movement has played a significant role in challenging the hegemonic order of the music industry and imperialist White supremacist capitalist patriarchy at large. The riot grrrl movement, for example, was fundamentally opposed to the overtly masculine customs of the music industry and actively sought to challenge the dominant roles of males. The 2000s witnessed a shift toward a new cultural logic, cool, evident in the branding of cool “celebrity personas” in popular culture, while gender (and race) acquired new meanings in neoliberal multiracial White supremacist patriarchy. Commercialized hip‐hop and its expression of cool Black masculinity, and the music of female celebrity stars in their embrace of cool postfeminism both demonstrate the gendered narratives expressed in much contemporary popular culture.
Introduction: Speech is the language modality prioritized in most social relationships. Therefore, in interactions where oral speech becomes limited or unviable, other manifestations of subjects with impaired speech must be put into operation. Thus, Alternative Communication (AC) provides the use of resources, strategies and techniques that give people with oral limitations greater authorship in their speeches through the Alternative Communication (AC) boards. Objective: To analyze the vision of a group of speech therapists about knowledge and uses related to AC boards and to reflect on language concepts. Method: Based on an extension course taught at a private university, a semistructured questionnaire was applied to 11 speech therapists who work with subjects with speech restrictions. Results: A vision of language as a communication code prevails among the responses of the participants, there was also a predominance of the concept of the board as an instrument of communication and expression of needs. In contrast, it was found that part of speech therapists conceive of this resource as a mediator of social relations and learning. Conclusion: It is up to the speech therapist a theoretical perspective that allows him to see language in its functioning and in its subjectivity, offering elements for the advancement of therapeutic approaches. The board's mediating function must go beyond communicating wants and needs, aiming to expand dialogical interactions, the development of language and knowledge of people with impaired speech.
ABSTRACT Purpose: to compare and analyze social attitudes of students and professors of a higher education institution about the inclusion of people with disabilities according to variables gender, age and areas of knowledge of participants. Methods: the quantitative study was conducted on 601 academics, 583 being students and 18 university professors from a private university, who have contact with individuals with disabilities in the classroom. A questionnaire was applied to identify the social attitudes related to the variables correlated above. Results: the sample included 97% of students, 417 being females and 184 males. Nearly 43% were younger than 20 years and 6% older than 40 years. The female professors and students had higher agreement with the questionnaire, while male professors and students reported lower satisfaction. Concerning age, the younger individuals were the most dissatisfied ones. In relation to the field of knowledge, the Exact, Human and Health Sciences, in this order, presented increased agreement with the research instrument. Conclusion: the study investigated the social attitudes of professors and students about the inclusion of people with disabilities, analyzing the results according to gender, age and area of knowledge, comparing and correlating with the agreement about the questionnaire. The results revealed the need to deepen the studies about variables that may influence the social attitudes related to the inclusion and permanence of these individuals in higher education institutions.
Introdução: Estudos recentes na área da Fonoaudiologia vêm considerando a velhice, para além de aspectos orgânicos, a partir da participação social e da autonomia da pessoa idosa. Nesse sentido, cabe ressaltar o papel da linguagem, concebida como atividade dialógica, na promoção do envelhecimento ativo, a qual depende da possibilidade de escutar e de ser escutado. Objetivo: Investigar a autopercepção de idosos a respeito de suas condições auditivas, de sua escuta e de suas estratégias de comunicação. Método: Tendo em vista a análise dialógica do discurso, foi realizada uma entrevista semiestruturada com sete idosos, com e sem perda auditiva, participantes de uma Oficina da Linguagem que ocorreu em uma Universidade localizada no Sul do Brasil, durante o ano de 2016. Resultados: Os enunciados produzidos pelos participantes evidenciam que os idosos fazem uso de estratégias para ouvir melhor, tais como aproximar-se do falante, olhar de frente e prestar atenção no outro. No que diz respeito à autopercepção da escuta, alguns idosos relacionam o fato de não ouvirem às experiências negativas na infância e aos seus anos na escola. Conclusão: A possibilidade ou dificuldade para escutar, na percepção dos participantes, distancia-se de explicações de caráter orgânico e indica a importância da valorização e do acolhimento à palavra singular do outro. Assim, essa percepção pode servir de referência a outros profissionais que trabalham com idosos, para que possam atuar, considerando cada idoso como único e suas produções discursivas como singulares. Essa mudança de olhar pode favorecer a autonomia, a qualidade de vida e a inserção social dessa parcela da população.
RESUMO Realizou-se um resgate histórico acerca da delimitação e difusão da Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) em âmbito internacional e nacional, a fim de elucidar como a área vem sendo constituída, bem como uma revisão da literatura para identificar as principais concepções de linguagem que vêm fundamentando a produção acadêmica em CSA no contexto internacional e nacional Parte-se do pressuposto de que a CSA é uma atividade semiótica composta por signos verbais e não-verbais que medeiam as interações dialógicas, favorecendo a apropriação da linguagem, a aprendizagem e, portanto, a constituição do sujeito com significativas limitações de fala. Pretende-se apreender movimentos e tendências comuns que permitam estabelecer um panorama geral de constituição desta área. O acesso aos acontecimentos, fatos e conhecimentos que participam da delimitação da CSA se deu a partir de revisão de fontes documentais e de revisão de literatura, nacional e internacional, que abordavam, especialmente tais movimentos nos Estados Unidos da América (EUA), Canadá e Brasil, a partir da década de 1950 até a atualidade. Puderam-se apreender, nas cinco últimas décadas, elementos que participaram da constituição de tal área em âmbito internacional. Chega-se a conclusão que a CSA passa a ser identificada como uma área específica a partir de 1950, internacionalmente e no Brasil, a partir do final da década de 1970. Defende-se a ideia de que a CSA não deve ser considerada e organizada como uma área especializada deve sim ser constituída por diferentes disciplinas atreladas às áreas da saúde e da educação que, voltadas à linguagem, considerem a historicidade e complexidade dos fenômenos envolvidos.
Discussões e questionamentos comprometidos com a democratização do ensino superior têm ocupado importante espaço nos debates educacionais, tanto para garantir o ingresso de pessoas em tal nível de ensino, quanto à melhoria da qualidade do mesmo. Objetivo: descrever e analisar as diretrizes e ações que direcionam o Programa Incluir e a Comissão de Educação Inclusiva de uma universidade privada de Curitiba, bem como a visão de alunos com deficiência acerca de sua experiência acadêmica, no tocante à infraestrutura, às relações interpessoais e aos aspectos pedagógicos pertinentes à sua formação. Método: estudo de caso do tipo qualitativo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com a presidente da Comissão e 5 graduandos que se autodenominam deficientes. A análise dos dados baseou-se na análise de conteúdo. Os enunciados produzidos pelos participantes foram analisados a partir dos seguintes eixos temáticos: comissão de Educação Inclusiva; relações interpessoais e experiências pedagógicas e a visão dos alunos sobre mudanças necessárias. Resultado: Embora os estudantes possuam uma visão positiva sobre as atividades desenvolvidas pela comissão, fica evidenciado que a mesma tem uma ação restrita no que tange aos aspectos relacionais e pedagógicos da vivência acadêmica dos alunos. Conclusão: No que se refere à Comissão Inclusiva da universidade e ao Programa Incluir, ambos possuem objetivos focados no trabalho para questões funcionais de acessibilidade. Quanto aos aspectos pedagógicos e relacionais, seu alcance apresenta-se frágil. Sugere-se o implemento de estudos que analisem os aspectos singulares das pessoas com deficiência e os determinantes sociais e históricos que perpassam o sistema educacional brasileiro.