
RESUMO Introdução: A iniciação científica (IC) é uma ferramenta essencial no ensino universitário que promove o desenvolvimento acadêmico e profissional dos discentes. No entanto, a motivação para a adesão à IC, os desafios enfrentados e os impactos na formação médica ainda são pouco explorados na literatura. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção de discentes e docentes sobre a IC, avaliando suas motivações, desafios e repercussões acadêmicas e profissionais. Método: Trata-se de um estudo observacional e transversal, com abordagem quantitativa, cuja coleta de dados foi realizada por meio de questionário eletrônico, enviado a estudantes e docentes de um centro universitário brasileiro. Resultado: Entre os discentes, o enriquecimento curricular foi a principal motivação para o ingresso na IC (92,70%), já que mais da metade dos alunos a considera como essencial ou muito importante para a graduação médica. No entanto, a taxa de publicações foi de apenas 12,73%, demonstrando uma lacuna entre a participação na IC e a efetiva produção científica validada pelos pares. No que concerne às dificuldades institucionais, os participantes do estudo mencionaram a falta de tempo (41,7%) e o déficit de orientação, justificado, sob a perspectiva docente, também pela falta de tempo (41,67%) e de oportunidade (58,33%). Conclusão: A IC é amplamente valorizada por estudantes e professores, mas desafios como sobrecarga acadêmica, falta de apoio institucional e baixa taxa de publicação devem ser enfrentados para otimizar seus impactos na formação profissional.
RESUMO Introdução: A inserção da espiritualidade na formação em saúde tem sido progressivamente reconhecida como componente relevante para a promoção do cuidado integral, em consonância com o modelo biopsicossocial-espiritual e com as evidências científicas atuais. Apesar disso, sua institucionalização nos currículos permanece limitada e heterogênea. Relato de experiência: Trata-se de um relato descritivo da trajetória institucional da disciplina optativa Saúde e Espiritualidade de uma universidade pública do Amazonas, ofertada de forma contínua entre 2019 e 2025 para estudantes de Medicina, Enfermagem e Odontologia. O componente curricular possui carga horária de 30 horas, organização em unidades teórica e aplicada, fundamentação no modelo biopsicossocial-espiritual, uso de metodologias ativas e avaliação predominantemente formativa. O relato descreve o processo de implantação, as sucessivas atualizações do plano de ensino, a organização didático-pedagógica, as estratégias avaliativas adotadas e a articulação com atividades acadêmico-científicas, incluindo eventos institucionais e a criação da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade do Amazonas (Liase Amazonas). Ao longo de 14 semestres, participaram da disciplina 619 estudantes, com elevada e recorrente demanda por vagas. Discussão: A experiência evidencia que a adoção do modelo biopsicossocial-espiritual como referencial pedagógico oferece um enquadramento conceitual consistente para a inserção da espiritualidade na formação em saúde, superando reducionismos biomédicos. A organização didático-pedagógica da disciplina favoreceu a reflexão crítica, o desenvolvimento de competências relacionais e a abordagem ética da dimensão espiritual no cuidado, em consonância com recomendações nacionais e internacionais para a educação em saúde. A articulação entre ensino e extensão, materializada na integração com a Liase Amazonas, ampliou o alcance formativo da proposta. Conclusão: A experiência evidencia que a inserção estruturada da espiritualidade na formação em saúde é viável, pertinente e alinhada às diretrizes educacionais vigentes, reforçando a importância da sistematização e divulgação de experiências semelhantes para o fortalecimento desse campo na educação em saúde.
ABSTRACT Introduction: Undergraduate research (UR) is an essential tool in university education that promotes students’ academic and professional development. However, the motivation for adhering to UR, the challenges faced and the impacts on medical training are still little explored in the literature. Objective: to analyze the perception of students and teachers about undergraduate research, evaluating their motivations, challenges and academic and professional repercussions. Methods: observational and cross-sectional study, with a quantitative approach, whose data collection was carried out using an electronic questionnaire, sent to students and teachers at a Brazilian University Center. Results: among students, curricular enrichment was the main motivation for joining UR (around 90%), with more than half of students considering it essential or very important for medical graduation. However, the publication rate was only 12.73%, demonstrating a gap between participation in UR and effective peer-validated scientific production. Among the institutional difficulties, the lack of time (41.7%) and the lack of advisory were mentioned, justified, from the teaching perspective, also by the lack of time (41.67%) and opportunity (58.33%). Conclusion: UR is widely valued by students and teachers, but challenges such as academic overload, lack of institutional support and low publication rate must be faced to optimize its impacts on professional training.
RESUMO Introdução: A mentoria tem sido adotada por escolas médicas como estratégia de apoio ao desenvolvimento acadêmico e pessoal dos estudantes, contribuindo para a promoção da formação médica integral. Entretanto, desafios relacionados ao conhecimento do programa e à adesão discente podem limitar o alcance dessa ferramenta educacional. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção dos estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) sobre o programa de mentoria institucional como estratégia de apoio à formação médica integral. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado com estudantes de Medicina do Cesupa. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado desenvolvido pelos autores e aplicado online via Google Forms. A amostra estimada foi de 275 participantes, sendo obtidas 159 respostas válidas. A análise foi realizada por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Resultado: Observou-se que 40,9% dos estudantes relataram desconhecer as atividades do programa de mentoria e 62,3% afirmaram nunca ter participado de suas ações. Além disso, 19,5% dos respondentes não sabiam identificar seu mentor e 66,7% consideraram a divulgação do programa insuficiente. Entre os estudantes, 69,8% informaram não ter preenchido o questionário de temperamentos proposto pelo programa. As sugestões apresentadas incluíram maior divulgação das atividades, criação de canais de comunicação direta entre mentores e mentorados, e realização de encontros voltados ao planejamento acadêmico e profissional. Conclusão: Os resultados indicam que, embora o programa de mentoria represente uma estratégia relevante de apoio à formação médica integral, ainda existem desafios relacionados ao conhecimento discente sobre suas atividades e à adesão ao programa. O fortalecimento das estratégias de comunicação institucional e de integração entre mentores e mentorados pode contribuir para ampliar o engajamento estudantil e potencializar os benefícios da mentoria no contexto da educação médica.
ABSTRACT Introduction: The inclusion of spirituality in health professional education has been increasingly recognized as a relevant component for promoting comprehensive care, in line with the biopsychosocial-spiritual model and current scientific evidence. Despite this, its institutionalization within curricula remains limited and heterogeneous. Experience report: This is a descriptive report of the institutional trajectory of the elective course Health and Spirituality at a Public University in Amazonas, continuously offered between 2019 and 2025 to students of Medicine, Nursing, and Dentistry. The course comprises a 30-hour workload, is organized into theoretical and applied units, is grounded in the biopsychosocial-spiritual model, employs active learning methodologies, and adopts a predominantly formative assessment approach. The report describes the implementation process, successive updates to the syllabus, the didactic-pedagogical organization, assessment strategies, and the articulation with academic and scientific activities, including institutional events and the creation of the Amazonas Academic League of Health and Spirituality (LIASE Amazonas). Over 14 semesters, 619 students participated in the course, with consistently high demand for enrollment. Discussion: The experience shows that adopting the biopsychosocial-spiritual model as a pedagogical framework provides a consistent conceptual basis for integrating spirituality into health education, overcoming biomedical reductionism. The didactic-pedagogical organization of the course fostered critical reflection, the development of relational competencies, and an ethical approach to the spiritual dimension of care, in line with national and international recommendations for health education. The articulation between teaching and extension, materialized through integration with LIASE Amazonas, expanded the formative scope of the initiative. Conclusion: The experience demonstrates that the structured inclusion of spirituality in health education is feasible, relevant, and aligned with current educational guidelines, reinforcing the importance of systematizing and disseminating similar experiences to strengthen this field in health education.
RESUMO Introdução: A formação médica contemporânea demanda profissionais tecnicamente competentes e, de modo simultâneo, dotados de competências comunicacionais, reflexivas e éticas. Nesse contexto, os pacientes simulados (PS) representam ferramenta pedagógica de destaque. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar qualitativamente as percepções de estudantes de Medicina sobre sua experiência com PS, com foco em aspectos emocionais, técnicos e comunicacionais. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, fundamentado no guia Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). A amostra foi composta de 353 estudantes de cinco turmas de quarto semestre (2022-2024). Os dados foram coletados por formulário online, com campos dissertativos obrigatórios, e submetidos à análise temática segundo Minayo. Resultado: Emergiram três categorias centrais: 1. ansiedade - presente no início da prática, mas progressivamente reduzida pela repetição dos atendimentos e de feedback estruturado; 2. desenvolvimento técnico - percepção de evolução clínica, autorreflexão e fortalecimento da identidade profissional; e 3. comunicação de más notícias - vivência complexa que evidenciou fragilidades e o valor da simulação como espaço protegido para treino empático. Conclusão: A prática com PS contribuiu para o amadurecimento emocional, técnico e comunicacional dos estudantes, fortalecendo sua segurança e sensibilidade na interação clínica. Os achados reforçam o valor da simulação clínica na formação médica e sugerem sua incorporação sistemática nos currículos.
ABSTRACT Introduction: Mentoring programs have been increasingly implemented in medical schools as strategies to support students’ academic and personal development, contributing to a more comprehensive medical education. However, challenges related to students’ awareness of mentoring activities and engagement in these programs may limit their effectiveness. Objective: To analyze medical students’ perceptions of the institutional Mentoring Program at the Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA) as a strategy to promote comprehensive medical education. Methods: This was a cross-sectional observational study with a quantitative approach conducted among medical students at CESUPA. Data were collected through a structured questionnaire developed by the authors and applied online via Google Forms. The estimated sample size was 275 participants, and 159 valid responses were obtained. Data were analyzed using descriptive statistics, including absolute and relative frequencies. Results: Among the participants, 40.9% reported being unaware of the activities offered by the mentoring program, and 62.3% stated that they had never participated in its activities. Additionally, 19.5% of students did not know who their mentor was, and 66.7% considered the program’s dissemination insufficient. Regarding the temperament questionnaire proposed by the program, 69.8% of students reported not having completed it. Participants suggested improving communication strategies, creating direct communication channels between mentors and mentees, and promoting discussions related to academic and professional planning. Conclusion: The findings indicate that although the mentoring program represents a relevant strategy to support comprehensive medical education, challenges remain regarding students’ awareness of the program and their engagement in its activities. Strengthening institutional communication strategies and fostering closer interaction between mentors and mentees may help increase student participation and enhance the benefits of mentoring in medical education.
ABSTRACT Introduction: Contemporary medical education demands professionals who are technically competent and, simultaneously, possess communication, reflective, and ethical skills. In this context, simulated patients (SP) are a standout pedagogical tool. Objective: To qualitatively analyze students’ perceptions of their experience with simulated patients, focusing on emotional, technical, and communicative aspects. Method: Qualitative, descriptive, and exploratory study based on the Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ) guideline. The sample consisted of 353 students from five fourth-semester classes (2022-2024). Data were collected via an online form with mandatory essay questions and were subjected to thematic analysis according to Minayo (1994). Results: Three central categories emerged: (1) anxiety, which was present at the beginning of the practice but was progressively reduced by the repetition of the sessions and structured feedback; (2) technical development - perception of clinical evolution, self-reflection, and strengthening of professional identity; and (3) communication of bad news - a complex experience that revealed weaknesses and the value of simulation as a protected space for empathetic training. Conclusion: The PS practice contributed to the emotional, technical, and communicative maturation of the students, strengthening their confidence and sensitivity in clinical interactions. These findings reinforce the value of clinical simulation in medical education and suggest its systematic incorporation into curricula.
RESUMO Introdução: O letramento digital em saúde tornou-se uma competência essencial na formação de profissionais da saúde, diante da crescente digitalização do acesso à informação, da incorporação de tecnologias na prática clínica e do aumento da exposição à desinformação on-line. Apesar desse cenário, ainda são escassos os estudos nacionais que avaliam o nível dessa competência entre estudantes de graduação da área da saúde e os fatores associados. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o nível de letramento digital em saúde de estudantes de graduação da área da saúde utilizando a versão brasileira da eHealth Literacy Scale (eHEALS-Br) e investigar a associação com variáveis sociodemográficas. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado com 91 estudantes dos cursos de Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Medicina e Psicologia de uma instituição privada do Sul do Brasil. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line contendo informações sociodemográficas e a eHEALS-Br. Realizaram-se análises estatísticas descritivas, testes univariados, regressão linear múltipla e análise de componentes principais (PCA). Resultado: A amostra apresentou idade média de 22 ± 4 anos, com predominância do sexo feminino (83,5%). O escore médio global da eHEALS-Br foi de 32,66 ± 4,54 pontos. De acordo com pontos de corte nacionais, 52,7% dos estudantes apresentaram nível alto de letramento digital em saúde; 42,9%, moderado; e 4,4%, baixo. A regressão linear múltipla identificou o domínio de uma segunda língua (β = 2,17; p = 0,043) e o recebimento de bolsa de estudos (β = 1,81; p = 0,061) como preditores independentes do escore. A PCA revelou duas dimensões principais, preservando a estrutura unidimensional do instrumento. O item relacionado à confiança para uso das informações on-line na tomada de decisão apresentou a menor média. Conclusão: Os estudantes demonstram elevado letramento digital em saúde para localizar e avaliar informações on-line, porém persistem incertezas quanto à aplicação prática dessas informações. O domínio de outra língua e o apoio institucional emergem como fatores facilitadores, indicando que estratégias de internacionalização curricular e políticas de equidade podem fortalecer competências digitais em saúde na graduação.
RESUMO Introdução: A formação médica deve preparar profissionais para atendimento integral e humanizado, independentemente da identidade de gênero ou orientação sexual. Apesar de políticas, o preconceito e despreparo persistem, o que afasta a população LGBTQIA+ dos serviços e aumenta as vulnerabilidades. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção acadêmica discente sobre a formação médica acerca da população LGBTQIA+. Método: Trata-se de um estudo transversal em que se utilizou um questionário em escala Likert de 5 pontos (de 1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente), cujas respostas foram analisadas por meio de médias e comparação entre grupos. Entrevistaram-se 135 estudantes de Medicina (do nono ao 12º semestre) de uma universidade privada localizada na zona sul de São Paulo, que responderam a um questionário dividido em três partes: conhecimentos prévios sobre a população LGBTQIA+, impacto da formação médica sobre os internos e acolhimento de pacientes LGBTQIA+. Na análise dos dados, compararam-se as respostas dos estudantes cis-heterossexuais com as dos discentes LGBTQIA+ por meio do teste t de Student. Resultado: Entre os estudantes, 68,1% se declararam do sexo feminino, 31,2% mencionaram ser do sexo masculino, e 0,7% relatou outras designações; em relação à sexualidade, 80,7% eram cis-heterossexuais, e 19,3%, LGBTQIA+. Observou-se que os estudantes LGBTQIA+ possuem maior conhecimento sobre a sigla (4,96 versus 4,82; p = 0,325) e conceitos como identidade de gênero (4,96 versus 4,66; p = 0,044), e os cis-heterossexuais relataram maior aprendizado na faculdade (2,88 versus 3,8; p = 0,008). Já no impacto da formação médica, as discussões sobre LGBTQIA+ na formação são percebidas como superficiais, e há diferença significativa sobre “ouvir falar da sigla” entre cis-heterossexuais e LGBTQIA+ (4,19 versus 4,62; p = 0,023). Quanto ao acolhimento e à sensibilidade, os LGBTQIA+ demonstraram maior preocupação com o uso humanizado de pronomes corretos (4,92 versus 4,42; p = 0,020) e com o acolhimento (4,92 versus 4,65; p = 0,099). Em relação à insegurança no atendimento, os estudantes cis-heterossexuais apresentaram média próxima ao ponto neutro da escala (2,7), enquanto os discentes LGBTQIA+ apresentaram média inferior (2,08), indicando maior tendência à discordância (p = 0,048). Conclusão: A percepção discente estudada revela que a formação médica ainda é superficial quanto à saúde de pessoas LGBTQIA+, o que indica a necessidade de abordagens mais profundas, inclusivas, com enfoque na redução de preconceitos e alinhadas à realidade dessa população, visando a um atendimento integral e humanizado.
RESUMO Introdução: Macaé, município do norte fluminense marcado por passado escravocrata e processos de favelização, apresenta intensa segregação socioespacial entre as regiões norte e sul, com impacto no acesso à saúde da população negra e periférica. Este artigo analisa, em perspectiva racializada e interseccional, a experiência de campos práticos de estudantes de Medicina em uma unidade de atenção às urgências (UAU) no norte do município, tendo como fio condutor a trajetória de uma discente negra e periférica. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência qualitativo, fundamentado em diário de campo cartográfico e em referenciais de narrativa experiencial. Foram realizados quatro encontros na UAU, acompanhados por tutoria. As cenas descritas evidenciaram: hierarquização racial entre profissionais; preenchimento incompleto e inadequado do quesito raça/cor; uso recorrente da expressão “pessoas vulneráveis” e associação dos usuários, majoritariamente negros, à violência e à criminalidade; além do impacto desses discursos na construção de estereótipos pelos discentes, incluindo a presunção de envolvimento criminoso em situações ambíguas. Discussão: À luz do conceito de racismo estrutural e da literatura sobre segregação urbana, branquitude e currículo oculto na educação médica, interpreta-se que a UAU reproduz violências institucionais ao invisibilizar dados raciais, desumanizar usuários negros e naturalizar discursos que reforçam desigualdades. Tais práticas funcionam como mensagens pedagógicas implícitas, moldando identidades, percepções e atitudes dos discentes. Conclusão: O estudo evidencia a persistência do racismo estrutural nos serviços de saúde de Macaé e aponta a necessidade de qualificar a coleta do quesito raça/cor, fortalecer o letramento sociorracial e oferecer formação pedagógica e antirracista a profissionais que atuam como preceptores. Os achados sugerem a importância de novas investigações sobre a relação entre raça, organização do cuidado e implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em contextos periféricos.
RESUMO Introdução: A formação em programas de residência médica enfrenta desafios crescentes, demandando abordagens educacionais mais eficientes e seguras. Nesse contexto, tecnologias inovadoras surgem como soluções promissoras para aprimorar a aquisição de competências e os métodos de avaliação. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar, avaliar e sintetizar as evidências sobre o uso e a eficácia de ferramentas tecnológicas inovadoras na formação e avaliação de médicos residentes. Método: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida segundo as diretrizes PRISMA 2020, com registro prospectivo no PROSPERO (CRD420231162907). Foram consultadas as bases PubMed/Medline, Embase, Scopus, Web of Science, Eric e Google Scholar para estudos publicados entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2026. A qualidade metodológica foi avaliada com as ferramentas RoB 2 e Newcastle-Ottawa. Resultado: Foram incluídos 102 estudos (45 sobre simulação, 32 sobre realidade virtual, 18 sobre inteligência artificial e sete sobre plataformas digitais). A simulação de alta fidelidade demonstrou melhora em habilidades técnicas em 35/45 estudos (77,8%); a realidade virtual reduziu o tempo para atingir proficiência cirúrgica em 26/32 estudos (81,3%); e a inteligência artificial apresentou alta correlação com avaliações de especialistas em 12/18 estudos (66,7%). Plataformas digitais reportaram maior engajamento em 5/7 estudos (71,4%). Oito estudos não identificaram superioridade da simulação sobre métodos tradicionais para desfechos de longo prazo, e três estudos com realidade virtual relataram limitações por cinetose. Estudos de contextos latino-americanos representaram apenas 2,9% do total (n = 3). Conclusão: As tecnologias educacionais analisadas demonstram eficácia para a formação de competências na residência médica, com benefícios documentados em habilidades técnicas, não técnicas e segurança do paciente. Sua implementação estratégica e baseada em evidências, com atenção a custo-efetividade e equidade, pode contribuir para a qualificação dos programas de residência no Brasil.
RESUMO Introdução: A educação médica continuada representa um desafio crescente diante da rápida expansão do conhecimento científico. Pesquisas diagnósticas de conhecimento constituem ferramentas valiosas para a identificação de lacunas formativas e, quando associadas a devolutivas imediatas aos participantes, agregam a dimensão formativa ao processo investigativo. Este relato descreve e analisa o potencial formativo e a satisfação dos participantes em uma pesquisa sobre conhecimento e práticas de endocrinologistas brasileiros no manejo da insuficiência adrenal em situações de estresse. Relato de experiência: Trata-se de um estudo transversal observacional realizado por meio de formulário online com 280 endocrinologistas de 24 estados brasileiros. O instrumento continha duas questões gerais e oito vinhetas clínicas sobre ajustes de dose de glicocorticoides em pacientes com insuficiência adrenal. Ao concluírem o preenchimento, os participantes receberam automaticamente, por e-mail, devolutiva com justificativa das respostas e referência bibliográfica. Posteriormente, foi enviada aos participantes uma pesquisa de satisfação com quatro questões dicotômicas sobre a experiência de participação. Discussão: A adesão à pesquisa principal foi expressiva, superando o tamanho amostral calculado e alcançando representatividade nacional, apesar do possível constrangimento decorrente da coleta de endereços eletrônicos. O índice médio de acertos foi de 63,3%, revelando lacunas no conhecimento técnico e na competência educadora dos participantes. A taxa de resposta à pesquisa de satisfação foi de 16,4%, com viés de não resposta esperado. Entre os respondentes, a quase totalidade relatou ter acessado a devolutiva, considerou-a útil e prevê impacto positivo em sua prática clínica. Todos manifestaram interesse em participar de estudos futuros com formato similar. Conclusão: A pesquisa com devolutiva formativa imediata mostrou-se uma estratégia viável e bem recebida para promover educação médica continuada entre especialistas, integrando diagnóstico de lacunas de conhecimento e atualização profissional em um único instrumento. O modelo demonstrou ser viável e bem-aceito, podendo contribuir para aproximar a geração de evidências científicas de sua aplicação na prática clínica.
ABSTRACT Introduction: Medical education still shows significant gaps in nutritional therapy training, despite the proven impact of clinical nutrition on patient outcomes. Experience report: Since 2013, the program has offered an additional optional year for physicians previously trained in related specialties, emphasizing supervised clinical practice, participation in multidisciplinary nutrition support teams (EMTN), and management of enteral and parenteral nutrition. To date, nine physicians have completed the residency; three have earned the Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE/Braspen) certification, others are in progress, and all are currently involved in clinical practice and teaching within public and private hospitals. Discussion: The experience gained by the HUWC/UFC Medical Residency Program in Parenteral and Enteral Nutrition demonstrates the importance of incorporating formal training in nutritional therapy into advanced medical education. The model reported represents an innovative institutional response, integrating practical learning in EMTN into the routine of hospital care. The results observed, with a high rate of professional certification and placement in preceptorship and management positions, suggest a positive impact of the program on the consolidation of clinical nutrition as a strategic area in the health system. Conclusion: The HUWC/UFC experience demonstrates that a residency focused on clinical nutrition is a feasible and effective strategy for integrating education and healthcare, strengthening nutrition support teams, and improving the quality of hospital nutritional care.
ABSTRACT Introduction: Family Medicine training requires educational processes that integrate theory, practice, and the learner’s subjectivity. In the Family Medicine Residency Program of Recife’s Municipal Health Department, the need emerged to improve the allocation of residents in Primary Health Care (PHC) longitudinal placements, aligning profiles, expectations, and learning contexts. Experience Report: Between 2021 and 2022, the PRMFC designed and implemented the Match strategy, grounded in learner-centered teaching and the critical-reflective paradigm. The process integrates educational, personal, and logistical variables into the first-year residents’ distribution. Conducted during the “Welcome Week,” it includes activities such as Story Tent, Narrative Workshop, Cine Debate, and coordination-preceptorship meetings. These methods promote self-expression, empathy, and meaningful educational bonds. Discussion: The Match strategy enables a comprehensive understanding of residents, valuing their trajectories, contexts, and learning goals. It strengthens preceptor-resident relationships, enhances pedagogical coherence, and fosters mental health protection. A progressive reduction in requests to change PHC units was observed, indicating improved satisfaction and better alignment between residents and teaching settings. Conclusion: The Match represents an innovative pedagogical approach in medical education, combining participatory and affective methods with structured management of residency placements. By promoting personalized educational bonds and critical reflection, it demonstrates potential for broader application in other FM programs. Its documentation contributes to advancing the discussion on learner-centered pedagogical practices and reinforces the role of empathy and subjectivity in shaping transformative medical education in Primary Health Care.
ABSTRACT Introduction: Immersive technologies, such as augmented reality (AR), have expanded teaching and learning possibilities in medicine, especially when combined with internationalization initiatives and clinical simulation. Objective: To report the experience of an international activity using AR smart glasses as a proof of concept for remote usability in trauma care, involving the University of Granada (Spain) and the State University of Maringá (Brazil). Methods: This is a descriptive report of an intercontinental proof-of-concept experience. The activity took place at the Iavante facilities at the University of Granada, with synchronous transmission to UEM. Participants included a researcher in Spain who performed the simulated procedure, a specialist in Brazil who guided the diagnosis, and undergraduate and graduate students who observed the activity.A pediatric abdominal trauma case was simulated, with a Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) examination performed on a pediatric manikin and transmitted via AR smart glasses. Results: Participants followed the examination in real time, with ultrasound images interpreted by a specialist. They were able to interact and discuss with the Spanish team, led by a Brazilian researcher. A specialist in Brazil remotely diagnosed hemoperitoneum, demonstrating the feasibility of remote decision-making, such as referring the patient to a trauma center. The experience was later presented at the XII National Congress of Clinical Simulation in Málaga, Spain. Conclusion: The use of augmented reality proved to be a feasible and effective tool for integrating medical education across continents, with potential applications in both training and clinical practice.
ABSTRACT Introduction: Multiple Casualty Incidents (MCIs) are complex events that overwhelm healthcare system resources, requiring trained professionals to make rapid and effective decisions. Pre-hospital care (PHC), especially through the use of the Simple Triage and Rapid Treatment (START) algorithm, is essential in this context, as it enables quick triage and prioritization of victims. Given the need to prepare healthcare professionals for such situations, Clinical Simulation (CS) emerges as an effective educational strategy, promoting the development of technical and behavioral competencies without risks to those involved. Objective: To construct and validate the content of a simulated scenario for MCI care using the START algorithm, intended for healthcare students. Method: This was a methodological study divided into two stages: scenario construction and content validation by experts. The design followed the standards of the International Nursing Association for Clinical Simulation and Learning (INACSL), considering components such as prebriefing, scenario, progression, debriefing, and evaluation. The content was based on national Basic Life Support (BLS) protocols. Results: Six experts in emergency care and CS participated in the validation, selected according to Fehring’s criteria. The analysis was performed using the Content Validity Index (CVI), obtaining an overall value of 1.0, demonstrating high agreement among the evaluators. Suggestions were incorporated, mainly regarding textual clarity, technical accuracy, and item detail, without the need for structural changes. The contribution to interprofessional education is noteworthy, promoting teamwork, communication, and collaborative decision-making in critical situations. Conclusion: CS, when grounded in quality standards and validated by experts, constitutes a valuable tool for teaching in healthcare, preparing future professionals to perform in highly complex contexts within a safe and controlled environment.
ABSTRACT Introduction: Medical residency in Brazil has experienced significant expansion over the past two decades; however, the socioeconomic diversity of candidates contrasts with persistent barriers to access and gaps in institutional inclusion policies. Despite political discourse on social responsibility, the systematic reality of policies implemented in Brazilian residency programs remains unknown. Objective: To critically analyze institutional policies and practices for socioeconomic inclusion in Brazilian medical residency programs, identifying access mechanisms, support dimensions, and significant gaps. Method: A qualitative study using document analysis approach was conducted on 25 selection notices (2023-2024) and 12 institutional student assistance policies from Brazilian residency programs, representing different regions and specialties. Thematic analysis followed Braun and Clarke procedures with independent dual coding. Five dimensions were investigated: affirmative action in selection, financial support, pedagogical support, mental health policies, and resident monitoring. Results: Significant disparities were identified among institutions. Only 24% had structured affirmative actions; 67% offered some financial assistance (often inadequate); 42% had formal mentorship programs; 33% had psychological support. Public institutions showed higher prevalence of inclusion policies compared to private institutions (28% vs. 14% in affirmative actions). Regional disparities evident, with Northeast and North regions showing greater density of inclusive policies per program. No institution had a psychologist exclusively dedicated to resident support. Conclusion: There is a significant gap between rhetorical commitments to socioeconomic inclusion and systematic implementation of institutional policies. Development of national guidelines for standardization of inclusive practices is recommended, aligned with SUS objectives and promotion of equity in medical specialist training.
ABSTRACT Introduction: The National Palliative Care Policy (PNCP) was established in the Unified Health System (SUS) in 2024. One of its principles is the provision of palliative care by a multidisciplinary and interdisciplinary team. Its objective is the integration of Palliative Care (PC) into the Health Care Network, with emphasis on Primary Health Care (PHC). Objective: Since the National Curricular Guidelines (DCN) of health courses focus especially on changes in the health care model, the objective was to analyze converging relationships between the PNCP, and the DCN of the undergraduate medical course. Method: An exploratory qualitative study was carried out through documentary analysis of the undergraduate medical course DCNs published in 2001, 2014, and 2022, to examine their perspectives on Palliative Care. Results: The first DCN outlined specific competencies and skills for medical training in monitoring the death process, focusing on the physiological aspects of human development, from gestation to death. The 2001 and 2014 DCNs made no mention of Palliative Care. The 2022 DCN, however, included specific competencies and skills for PC, along with end-of-life care considerations. This inclusion appears in the comprehensive care section, spanning health promotion to rehabilitation. Conclusions: As health care continuously evolves, new fields emerge, including Palliative Care. While discussions remain open-such as whether PC should be a specialist or generalist field - the path toward integrating palliative care into medical training is outlined.
ABSTRACT Introduction: The state of Ceará has developed an organizational policy for the health services network, strengthening regionalization and expanding health facilities. This model has faced a shortage of professionals, especially medical specialists, particularly in the interior of the state. The implementation of residency programs, in addition to a career strengthening policy, can be a strategy for retaining and engaging professionals in the health network. Experience report: The project to expand and regionalize medical residencies (Ampliares) initially carried out a situational analysis of the state scenario. The result was the identification of priority areas for the training of medical specialists in the state, as well as municipalities with the potential to offer residency programs, considering the capacity of the facilities, services, and preceptorship. The result was an increase in vacancies and planned expansion, with monitoring of the new programs, pedagogical support, and teacher training for preceptors. Discussion: The Ampliares project presents significant results not only in increasing the number of vacancies and programs, but also a qualitative advance in the regional distribution of specialized training, responding to a situational diagnosis carried out and the articulation between state management, health services and training institutions, representing a relevant milestone in the regionalization of medical residency in Ceará. Conclusion: This project resulted in the creation and implementation of a regionalized system for offering residencies, a program for the development and enhancement of preceptorship, a structure for on-the-job training and the development of professional skills focused on health systems, with the potential to catalyze transformations and innovations in the state’s health care network and the consequent benefit in the care of people and the population.