
Este artigo tem por objetivo descrever a queda no ingresso e a persistência da evasão, entre 2019 e 2024, nos cursos de licenciatura (LQ) e bacharelado (BQ) em Química de uma universidade federal mineira, bem como apresentar o perfil e as intenções formativas dos ingressantes do período letivo de 2024/1. A pesquisa baseia-se em registros institucionais e em um questionário aplicado aos ingressantes. Os dados revelam entrada declinante e evasão historicamente elevada na LQ, sobretudo após 2020, quando os efeitos do ensino remoto emergencial se tornaram evidentes. Os objetivos profissionais dos ingressantes indicam predominância de motivações voltadas a carreiras técnico-científicas, com poucas menções à docência. Essa tendência reflete a hierarquia de prestígio social, que valoriza formações em bacharelado em detrimento das licenciaturas, contribuindo para a fragilidade da permanência de licenciandos e para a escassez docente estimada para 2040. Conclui-se que a combinação entre o baixo prestígio da carreira docente, as consequências do período pandêmico e as intenções profissionais dos calouros contribui para a evasão persistente, especialmente na LQ. Desta forma, são necessárias reformulações curriculares, apoio institucional e políticas públicas de valorização da carreira de professor, como tentativas de mitigar esta situação agravante.
Este estudo teve por objetivo investigar as representações sociais construídas por estudantes da Educação Física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro a partir das disciplinas de práticas de ensino. Trata-se de uma pesquisa de campo, qualitativa, transversal e de caráter descritivo. Os participantes foram 21 discentes matriculados no curso de licenciatura em Educação Física da referida universidade, sendo 14 mulheres e 7 homens, todos maiores de 18 anos de idade, cursando a partir do 7º período de graduação. A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa (CAEE 78496224.6.0000.0311), e, como instrumento de produção de dados, utilizou-se questionário semiestruturado entre os dias 12 e 23 de julho de 2024. Para análise de dados, foi utilizada a teoria das representações sociais. Identificou-se como núcleo central: dimensão prática da disciplina; valoração positiva; aproximação e contato com o cotidiano escolar e comparação com outras disciplinas; e como núcleo periférico: temas atuais e feedbacks. A partir das representações apontadas, notou-se que a disciplina de Ensino da Educação Física II é um elemento essencial ao percurso formativo dos discentes, aproximando-os da realidade escolar e suprindo lacunas deixadas por outros componentes curriculares.
Este artigo tem por objetivo problematizar obstáculos à atuação e ao desenvolvimento profissional de coordenadores de área do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e docentes orientadores do Programa Residência Pedagógica na docência superior. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com abordagem bibliográfica e documental, baseada em um recorte analítico de uma revisão integrativa realizada no Banco de Teses e Dissertações da CAPES e no Catálogo da CAPES, no período de 2009 a 2023, na qual foram identificadas nove pesquisas relacionadas apenas ao PIBID. Embora a revisão, inicialmente, tenha se voltado à identificação de contribuições desses programas para o desenvolvimento profissional docente, em duas pesquisas emergiram obstáculos à atuação desses docentes. Os dados indicam que a ausência de uma vivência na educação básica pode dificultar a condução das ações do programa pelos coordenadores no âmbito universitário, uma vez que tal experiência se constitui como aspecto relevante para a articulação do PIBID com a escola e com docentes da universidade. Observou-se, ainda, que docentes não vinculados à área de ensino em nível superior tendem a adotar concepções instrumentais e tecnicistas de ensino de Ciências, centradas no domínio do conteúdo, o que pode comprometer o processo formativo dos alunos bolsistas. Conclui-se, diante disso, que a ausência de formação pedagógica específica desses coordenadores, responsáveis pela formação inicial docente, pode comprometer a qualidade da docência universitária e a efetividade do programa.
A reestruturação do trabalho no Brasil, desde a década de 1990, intensificou o processo de precarização das relações entre capital e trabalho, repercutindo diretamente no campo educacional e nas condições de atuação dos docentes. Este artigo tem como objetivo investigar, por meio de uma revisão bibliográfica do tipo narrativa, os impactos da precarização do trabalho docente na saúde física e mental dos professores do ensino superior. Com base em uma abordagem qualitativa e exploratória, analisa-se de que maneira a flexibilização das relações de trabalho, a intensificação das exigências produtivas e a mercantilização da educação têm comprometido o bem-estar dos docentes, gerando estresse, ansiedade, depressão e perda do sentido da docência. São também discutidos os efeitos da expansão do ensino a distância e do crescimento do setor privado, fatores que intensificam a vulnerabilidade desses profissionais diante de vínculos instáveis, sobrecarga laboral e ausência de políticas efetivas de valorização. O estudo destaca, ainda, a importância da resistência coletiva e da mobilização docente como estratégias para enfrentar esse cenário adverso. Conclui-se que reconhecer e combater os efeitos da precarização é essencial para assegurar condições de trabalho mais justas e preservar a saúde dos professores e a qualidade do ensino superior.
O artigo tem como objetivo analisar como instituições de ensino superior brasileiras lidam com a interseção entre a inteligência artificial e o processo de ensino-aprendizagem, com ênfase no desenvolvimento e na implementação de diretrizes institucionais orientadas por princípios éticos, transparência e letramento digital. No contexto da crescente adoção da inteligência artificial na educação, emergem desafios relacionados integridade acadêmica, à equidade e à transparência, bem como tensões de natureza política e econômica envolvendo grandes empresas de tecnologia. Para enfrentar essas questões, adota-se uma metodologia cartográfica, baseada em levantamento documental e bibliográfico, que permite identificar marcadores relevantes para a discussão sobre ética e regulação da inteligência artificial. Os resultados evidenciam tanto oportunidades quanto riscos associados à aplicação da inteligência artificial, à luz de diretrizes internacionais e de iniciativas legislativas nacionais. O estudo contribui para a formulação de políticas institucionais voltadas ao uso responsável da inteligência artificial no ensino superior e para a compreensão das tensões emergentes no campo educacional.