
Phenomena such as disinformation, interaction with artificial intelligence systems, and the emergence of technosocial movements have created a challenging scenario for teachers and students, beyond purely technical considerations. Thus, media and information literacy (MIL) plays a fundamental role in the training of informed and critical citizens. However, a clear understanding of its objectives, along with consideration of cultural particularities, is key to its teaching and acquisition. This article aims to provide a MIL competency framework based on the reflection of educational actors regarding their own processes of analysis and expression, as well as those of their students, through a action research methodology. To achieve this, a techno-pedagogical experience was designed using the stages of the ADDIE (analyze, design, develop, implement, and evaluate) model, in which 117 primary education professionals from Mexico and Chile participated. As a result of the analysis and process of co-creation, eight dimensions and their respective indicators were obtained: civic participation and digital responsibility, interculturality, processes of interaction and emotional well-being, processes of production and dissemination, processes of comprehension, management of information, languages and aesthetic sensibility, and use and adaptation of technology. The resulting framework provides current and relevant information to create curricular proposals, projects, and assessment resources in this field, as well as a tool to promote collaboration and improve understanding of the reach of MIL among teachers and education authorities.
Em 2009, o Peru lançou, pela primeira vez, uma estratégia de marca-país visando promover investimento, exportações e turismo. Este estudo analisa as ações de comunicação da Marca Perú, para identificar os fatores-chave na construção da sua identidade de marca e avaliar, a partir da proposta de Villafañe (2014), se a sua narrativa e os seus atributos conseguiram estabelecer um código de marca funcional. Através de uma análise qualitativa da sua comunicação, baseada numa abordagem crítico-discursiva e na perspetiva interpretativa aplicada ao estudo do branding nacional proposta por Silverman (2015), examina-se a estratégia comunicacional da PromPerú durante a sua primeira década (2009–2019). A análise permitiu identificar e classificar a narrativa da marca, os seus atributos, a promessa de marca e a sua adaptação a diferentes grupos de interesse. Os resultados evidenciam que a Marca Perú estabeleceu um posicionamento diferenciador baseado na sua diversidade cultural e natural, consolidando uma identidade de marca reconhecível. Contudo, observa-se a coexistência de duas construções sociais diferenciadas: uma interna, orientada para o fortalecimento do sentido de identidade peruana, e uma externa, centrada na projeção internacional do país. Conclui-se que, embora a narrativa da Marca Perú tenha conseguido articular uma identidade sólida, continua a enfrentar o desafio de conciliar ambas as construções numa narrativa unificada, garantindo a perceção coerente da sua promessa de marca no interior e no exterior do país.
Although city branding has been consolidated as a strategic resource for projecting cities internationally, in practice it often reproduces top-down approaches dominated by specialised consultants and urban elites, with only limited citizen participation. This limitation is particularly evident in the Global South, where participation is frequently reduced to symbolic and dismissive consultations during the final stages of projects, and where documented methodological experiences remain scarce. Within this context, the city of Trinidad (Cuba), a UNESCO World Heritage Site recognised for its cultural, natural, and patrimonial richness, launched the construction of its city brand. This paper aims to present the participatory construction of that brand, whose novelty lies in the use of participatory ethnography. For this purpose, a methodological protocol was designed, validated through expert judgment, and implemented by combining cycles of participatory ethnographic work with critical reflection by the creative professional team. Across three ethnographic cycles, more than 1,200 contributions were gathered from citizens, entrepreneurs, cultural stakeholders, and government representatives, applying the criterion of theoretical saturation by cohorts. The final brand proposal was evaluated by an interdisciplinary expert panel of 20 international specialists, who confirmed both its validity and the robustness of the methodological procedure. In addition to achieving a brand with a high level of social appropriation, the findings highlight active participation and critical reflexivity as means to make visible and address tensions between hybrid identities, community conflicts, the technical criteria of creative professionals, and local aspirations. The validated methodological protocol represents a novel contribution, offering a reference applicable to city branding projects developed in socialist and centralised contexts of the Global South. Furthermore, this study contributes to theoretical debate by proposing practical guidelines for implementing participatory city branding.
As crises e transformações do jornalismo na última década afetaram, de diversas formas, o trabalho dos jornalistas, em geral, e das mulheres, em particular. Neste artigo, observamos que dimensões da precarização e riscos ligados ao trabalho sobrecaem mais sobre as jornalistas brasileiras e como isso afeta a sua saúde física e mental. A investigação é feita a partir da comparação entre homens e mulheres, observando as condições de trabalho, a saúde e quais as violências sofridas por conta da atividade laboral. Fazemos isso com base na análise dos dados da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro (Lima et al., 2022), um estudo demográfico que ouviu 3.100 pessoas entre agosto e outubro de 2021. O principal resultado demonstra que o cenário é negativo para ambos os gêneros, mas com as mulheres a sofrerem com particular intensidade os efeitos da crise do setor em todos os âmbitos, o que pode impulsionar o processo de desfeminilização ou diminuição do número de mulheres jornalistas, verificado na última década no país. Observou-se que as mulheres estão mais vulneráveis a problemas de saúde relacionados com o trabalho e a violências decorrentes do relacionamento interpessoal entre colegas e chefias, as quais podem ser mascaradas pelas rotinas e práticas profissionais; enquanto os jornalistas acabam mais expostos a agressores externos.
O artigo analisa as paragens de autocarro como lugares onde se materializam usos do espaço, desigualdades e práticas de comunicação no território, permitindo compreender como a experiência da espera estrutura a leitura dos territórios. O estudo foi desenvolvido em áreas mediamente urbanas e predominantemente rurais no Norte de Portugal, com base em observação direta e registo visual. A análise centrou-se em três dimensões: (a) a materialidade da mobilidade, que torna visíveis desigualdades de acesso e situações de precariedade; (b) as inscrições simbólicas, pelas quais as paragens se convertem em lugares de memória, identidade e pertença; e (c) as disputas de comunicação, que emergem no espaço da espera, marcadas pela coexistência entre informação institucional e usos comunitários. Entre circulação e suspensão, abandono e apropriação, as paragens de autocarro revelam tensões sociais e territoriais mais amplas, expressas nas formas como a mobilidade é organizada e vivida no espaço público. Embora discretas, estas infraestruturas constituem lugares estratégicos para compreender como o território comunica através dos usos do espaço da espera, das presenças e ausências de informação e das marcas deixadas pelas práticas institucionais e comunitárias. As paragens surgem, assim, como imagens do território, participando na produção social do espaço ao refletirem processos de transformação, relações de poder e dinâmicas sociais que ultrapassam a sua função técnica.
Este artigo investiga a produção científica brasileira sobre a marca-lugar do ponto de vista de suas escalas territoriais (urbana, rural ou regional). O estudo ancora-se na abordagem teórica que posiciona o place branding como uma política pública multissetorial, vinculada à governança, ao planejamento urbano e à gestão de públicos de interesse, articulando-se a uma comunicação de natureza estratégica. A noção de “marca-lugar” não se restringe a um conjunto de ações com fins promocionais de um dado território, mas configura-se em um arranjo institucional que depende da coordenação de múltiplas políticas públicas e da capacidade relacional de múltiplos atores. O corpus apresentado na pesquisa abrange a produção realizada no período de 2005 a 2025, em que foram contempladas informações coletadas em bases de dados brasileiras e internacionais. Os resultados indicam o predomínio de estudos sobre grandes cidades — sobretudo as capitais —, sendo recorrentes onde há maior capacidade institucional. Como proposição final, sugere-se a construção de um indicador quantitativo para mensuração da marca-lugar, nomeado “índice de multissetorialidade”, capaz de avaliar comparativamente o grau de integração entre políticas públicas que sustentam a narrativa territorial.
A digital presence is crucial for civic recognition since globalisation and digitalisation have altered how regions are portrayed. This article examines two environmental justice movements in the same state in Tamil Nadu, India: the Kudankulam anti-nuclear resistance movement and the Thoothukudi anti-Sterlite resistance movement. The study employs a mixed-methods design, including a quantitative analysis of 400 social media posts (200 from each protest) and qualitative audience interviews. The analysis reveals disparate levels of engagement on digital platforms. The Thoothukudi protest had broad attention through arresting images of police violence disseminated by verified accounts in India. In comparison, the Kudankulam protest was constrained by technical issues given its rural and coastal location. The quantitative analysis reveals that emotion, rather than logic, is an essential factor in engagement. Qualitative analysis shows that the origin of a protest, whether rural or urban, influences how people assess its importance and whether they believe it deserves attention online. By demonstrating how protest movements shape the audience’s perceptions of a place as either marginal “anti-development” spaces or cosmopolitan centres of resistance, the study contributes to the epistemic discussion on digital communication practices and territorial branding. It argues that communicative justice and environmental justice are inextricably linked, emphasising the need for inclusive representational tactics that balance democratic citizenship, fairness, and territorial branding.
Sem compreender os fundamentos políticos e a viragem cultural que se operou na Revolução dos Cravos, não seria possível analisar as respostas dadas pelo novo poder no domínio da comunicação social, um dos vetores estruturantes da realidade revolucionária. O exercício da democracia encontra-se conectado com a prática da liberdade de expressão, capacidade fomentadora do debate público, que, consequentemente, se torna numa das bases para o funcionamento da política. Tendo presente este enquadramento, o artigo analisa esta realidade, explorando a convergência entre a imprensa periódica de natureza política e os modos como esta foi concebida, mobilizada e instrumentalizada enquanto ferramenta de orientação e enquadramento de um estrato social específico: as classes rurais. Ao privilegiar o estudo dos jornais, revistas e boletins dos partidos políticos então existentes, bem como de algumas publicações produzidas ou patrocinadas pelo Estado, propomos compreender as formas específicas de comunicação política que a imprensa tornou possíveis entre 1974 e 1975, tanto no plano discursivo como no plano visual. Esta abordagem permite problematizar a imprensa como veículo de informação e como dispositivo de construção de sentidos, de mobilização e de disputa num período de profunda reconfiguração política e social. Metodologicamente, são combinadas técnicas de crítica textual, estudo das linguagens visuais e procedimentos de análise do discurso, articulando-as com uma contextualização histórica do processo revolucionário. Esta triangulação analítica possibilita identificar padrões de representação, estratégias de interpelar públicos específicos, em particular o público rural, e modos de legitimação das posições políticas em confronto. Este artigo permite, assim, aprofundar a compreensão sobre o papel da imprensa na formação de públicos políticos, na circulação de narrativas concorrentes e na cristalização de categorias sociais durante a revolução.
Local media are a cornerstone of communities, providing helpful information for everyday life, but the news production has undergone massive changes as a result of digital technologies. The transformation of the sector has even threatened the existence of local media. In this study, we present a systematic literature review on local news production, which aims to analyze and understand research conducted over 10 years (2012–2022). The review focused on two databases: Web of Science Core Collection and Scopus. Applying the Prisma methodology and relying on five exclusion criteria, a corpus of 69 papers was selected. The analysis shows that the number of articles has grown over the years, especially in journals indexed in Q1. Anglo-Saxon countries, and, to a lesser extent, the Nordic nations are the most studied areas. We also identify thematic patterns, including digital changes in the local media ecosystem, local journalists and their working conditions, business models, audience approach, and social mission and informational gap (“news deserts”), which is the most frequent topic. Our manuscript intend to contribute to current discussions, shedding light on how literature pays attention to the transformation of local news production. The results reveal the lack of information to assess the local media landscape beyond wealthy countries.
How do Portuguese older adults perceive advertising and the representations of aging it conveys? And how can advertising be more effective and age-inclusive, considering this demographic? To explore these questions, 25 individual in-depth interviews were conducted with Portuguese consumers aged 65 and above, using a qualitative approach to understand their experiences and perspectives. A particular focus was placed on uncovering the meanings of advertising for this audience and on what changes they believe are needed to make advertising more effective and engaging, while offering more authentic and respectful representation of later age. The findings indicate a generally negative perception of advertising among these older adults, many of whom actively avoid it. Senior-targeted advertising is frequently associated with deceptive practices and can, sometimes, lead these consumers to feel overlooked or invisible to brands. Moreover, most participants agree on a biased, negative, and stereotypical misrepresentation of older adults in advertising to which they don’t identify. Drawing on these findings and the existing literature, a set of actionable recommendations is provided to guide advertisers in creating more inclusive, diverse, meaningful, and effective campaigns that better resonate with older consumers.
A inteligência artificial (IA) tem ganho um papel preponderante na interação entre indivíduos e na produção de informação nas mais diversas esferas sociais. Ao mesmo tempo, surgem alertas de diferentes instituições e especialistas quanto à sua proliferação, seja pela possibilidade de automatizar determinados trabalhos ou tarefas, seja pela progressiva dificuldade em distinguir aquilo que é produzido por um ser humano daquilo que é produzido por esta nova tecnologia. No entanto, em muitas destas discussões são utilizados termos como “comunicação”, “informação”, “conhecimento”, “consciência”, “criatividade”, entre outros, sem a devida preocupação em definir estas capacidades e em situá-las historicamente — daí que rapidamente se caia numa perspetiva ora apocalíptica, ora entusiástica, sem que se perceba os processos sociais em causa e as possíveis consequências do desenvolvimento e aplicação destas tecnologias. Face a este panorama discursivo, que prolifera em todo o tipo de média, ao focarmo-nos na produção de bases de dados nas quais os diversos modelos de IA generativa se baseiam pretendemos situar historicamente o desenvolvimento da IA, e mais concretamente da IA generativa, no contexto do desenvolvimento do capitalismo; avançar uma perspetiva crítica sobre as capacidades humanas (nomeadamente, comunicar, pensar e produzir conhecimento) e, por fim, tentar antecipar possíveis consequências da introdução destas tecnologias não só no processo produtivo como também na esfera do consumo.
This article examines the internal experiences of Indigenous Sámi journalists reporting on sexual violence in their homeland of Sápmi, a region spanning the Northern areas of Norway, Sweden, and Finland, and the Kola Peninsula of Russia. Drawing on interviews with nine Sámi journalists and an analysis of 30 articles from Sámi news publications, the study identifies the challenges they face in their reporting. These include their experiences of hostile work environments and a deep, almost indescribable discomfort at the prospect of encountering the subjects of their reporting in non-professional “arenas” (Clarke et al., 2018) such as grocery stores or weddings. Using situational analysis, the study explores how these challenges are also relational, situated within interacting social worlds. Although they were not explicitly asked about their own experiences of harassment, five out of six female Sámi journalists shared that they had been sexually harassed at work, some saying that this impacted their sexual violence reporting. Some of those participants felt the incidents had not affected them, while others described longstanding negative impacts on their self-esteem and recent efforts to discuss their experiences with fellow journalists. The findings point to a need for scholarly attention to the complex internal and relational lives of Indigenous journalists.
Os recordes na temperatura média da Terra e a reincidência de eventos extremos tornaram as mudanças climáticas agenda central de organizações internacionais e governos de todo o mundo. A crise epistêmica da ciência, em paralelo com o avanço de sistemas de crenças individuais, acende um alerta sobre a propagação de desinformação climática, sobretudo com a midiatização do cotidiano em plataformas de redes sociais. Neste artigo, analisamos os sentidos circulados em conteúdos desinformativos sobre mudanças climáticas publicados no TikTok, para identificar quais atores, recursos técnicos e estratégias discursivas foram mobilizados para reforçar narrativas acerca do tema. Com esta finalidade, recorremos a procedimentos metodológicos vindos da análise de conteúdo para examinar materiais desinformativos selecionados randomicamente no TikTok a partir das palavras-chave “mudança climática”, “mudanças climáticas” e “aquecimento global”. Foram analisados 207 vídeos. Nossos resultados evidenciam um percentual alto (71%) de materiais recortados ou descontextualizados no TikTok que recorrem a argumentos científicos ou jornalísticos para propagar factoides sobre as mudanças climáticas. Contraditoriamente, os principais vetores da desinformação são profissionais da ciência ou jornalistas (34%), cujo capital científico é mobilizado em vídeos para desinformar, com ou sem intencionalidade do protagonista. Assim, os resultados apontam que há instrumentalização da ciência e mobilização de cientistas para promover uma desordem informacional baseada em exageros quanto às mudanças climáticas e seus desdobramentos, demandando ações coletivas igualmente complexas para mitigar tais efeitos.
Journalism has long been criticized for its lack of diversity, both in the newsrooms and in content production. In response, media professionals, policymakers, and even some scholars commonly assume that hiring journalists from minoritized groups would lead to a more diverse and inclusive news coverage — or, put simply, that “diverse” journalists would produce more “diversity-related” content. Yet, interviews with LGBT journalists and racialized journalists working in French-speaking Belgium call this assumption into question. Drawing on 61 semi-structured interviews, this research challenges institutional discourses that frame minoritized journalists as a solution to the lack of diversity in media content. The findings highlight three key issues: minoritized journalists feel that they have a limited influence on newsroom content due to routines and bias, their efforts to improve representation result in unpaid, unrecognized and invisible labor and they face professional risks for engaging in diversity-related work. Systemic barriers embedded within newsroom routines, editorial gatekeeping and entrenched journalistic norms significantly restrict minoritized journalists’ capacity to influence media narratives. As a result, they often find their ability to shape coverage severely constrained. Yet, pushing back against these institutionalized practices and ideological frameworks in an effort to foster more inclusive reporting demands considerable labor — labor that is frequently invisible, uncompensated, and disproportionately borne by journalists from minoritized groups. Moreover, this study reveals a distinct professional penalty associated with working on diversity. Many minoritized journalists recount being cast as biased simply for defending stories that reflect the realities of their own communities, further reinforcing their precarious position within news organizations.
The aim of this research is to analyse the evolution of the photographic representation of women on the front pages of the newspapers ABC and El País, based on a convenience sample of all March issues from 1977 to 1997. The research method used is visual content analysis (Neuendorf, 2017). The units of analysis were obtained from the digital newspaper archives of both newspapers, specifically the front-page archive sections. Of the 1,300 front pages examined, 242 photographs featured women. Beyond the quantitative dimension, the interpretative aspects of visual representation were also considered. This dual approach not only allows for measuring frequencies but also for understanding the cultural and ideological implications of the portrayals. The presence of women on the front pages remains a minority compared to that of men, usually not exceeding 10–15%. Results show that ABC reinforces traditional roles and the decorative representation of women, while El País highlights their political and labour presence, albeit with an emphasis on victimisation. The analysis reveals how these photographs shaped a gendered visual narrative in the press, restricting women’s visibility and recognition in political and professional spheres. Extending these findings to the present, visual stereotypes are shown to persist and to be reproduced not only in digital environments but also in artificial intelligence-generated imagery.
Este artigo analisa as estratégias discursivas de convocação ao consumo presentes em rótulos de cervejarias artesanais que fizeram referência às eleições presidenciais brasileiras de 2022. A partir dos pressupostos teóricos e metodológicos da análise de discurso de linha francesa, foram examinados os rótulos das cervejarias Rock n’ Bräu, Mito, Vapor Negro e Hey Ho, produzidos entre janeiro e setembro de 2022 e divulgados em sites e redes sociais. O estudo busca compreender de que modo esses rótulos funcionam como palavras de ordem e enunciados performativos que vinculam o ato de beber a formas de engajamento político e moral, produzindo o que se denomina “consumo efígico”. Os resultados mostram que as marcas mobilizam discursos alusivos ao pertencimento político, à ironia e à celebração de candidatos, transformando o rótulo em espaço de expressão ideológica e de circulação de afetos cívicos. Conclui-se que as cervejas panfletárias exemplificam um movimento de politização dos objetos de consumo, no qual a comunicação publicitária atua como mediadora simbólica entre consumo e participação pública. O artigo contribui para o campo da comunicação publicitária ao evidenciar como marcas de pequeno porte podem intervir no debate político por meio de estratégias criativas de branding e discurso, ampliando as fronteiras entre publicidade, cultura e política.
Assente em estudos acerca dos critérios de noticiabilidade nos média tradicionais e na invisibilidade de temáticas e grupos sociais (Hall, 1997; Traquina, 2000), este estudo enquadra-se na discussão do papel dos média na construção da realidade social e na marginalização e não representação de determinados grupos sociais. Com o avanço da internet e das redes sociais, apesar de terem sido criadas formas de exclusão mediática, com a personalização dos conteúdos através dos algoritmos (Noble, 2018; Pariser, 2011; Roberts, 2019), os média comunitários surgem como uma alternativa para dar voz a estes grupos marginalizados, através do jornalismo cidadão, comunitário e independente, promovendo a tão desejada, e prometida, maior participação cívica e democrática (Atton & Hamilton, 2008; Forde, 2011; Radsch, 2016). Este estudo exploratório centra-se na análise qualitativa a quatro rádios comunitárias portuguesas, Rádio Sintoniza-T, Rádio Ophelia, Rádio Freguesia de Belém e Rádio Antecâmara, exclusivamente online, sem fins lucrativos e geridas por voluntários. A pesquisa evidencia que, apesar dos esforços dessas emissoras comunitárias para preencher as lacunas deixadas pelo jornalismo mainstream, o jornalismo praticado por estas rádios e pelos seus voluntários ainda está em desenvolvimento. O envolvimento comunitário é um desafio e as emissoras estão mais voltadas para programas culturais e de entretenimento do que para noticiários regulares e a produção de notícias, justificado pelo seu ainda curto período de existência. Contudo, o potencial dessas iniciativas é significativo, podendo evoluir para modelos mais estruturados de jornalismo alternativo, jornalismo cidadão e jornalismo comunitário, que atendam às necessidades informativas das suas comunidades.
Research on journalists’ safety reveals two intertwined dimensions: physical risks in conflict zones and less tangible risks to performance in comparatively safe environments. In Latvia, as elsewhere in Europe, journalists face online humiliation, harassment, hate speech, and attacks on their professional credibility. This raises two central questions: how do journalists perceive safety risks, and are media institutions equipped to provide adequate support? This paper examines the perceptions of Latvian media professionals regarding work-related safety issues and the mechanisms available to mitigate stress and risks. A mixed-methods design was applied, combining literature analysis, a two-round Delphi expert survey (25 and 23 participants from national and regional media, non-governmental organisations, and journalism-related organisations), eight semi-structured interviews with solicitors and media law specialists, case studies of court decisions, and three focus group discussions (with legal experts, media managers, and investigative journalists). The results highlight a complex threat environment in which multiple risks coexist, while support structures remain limited. Women, regional reporters, Russian-language journalists, and freelancers emerge as the most vulnerable groups, revealing safety risks shaped by both group invisibility — where their professional identities are insufficiently recognised — and concerns of invisibility — where persistent threats are normalised or dismissed. While institutional shortcomings are partly due to resource constraints and insufficient legal or psychological expertise, reluctance and reactive practices further weaken organisational responses. A lack of effective action from law enforcement and courts, combined with the rise of strategic lawsuits against public participation, reinforces a “culture of impunity”. A paradox emerges: online humiliation and harassment are omnipresent and thus routinised, making them effectively invisible despite their persistence. By contrast, cyberattacks and strategic lawsuits against public participation cases are highly visible, as they directly affect media companies’ legal and financial interests. This asymmetry of visibility exacerbates the erosion of journalists’ professional integrity and their societal role.