
When the borders between states are subject to dispute, building of good relations among the concerned states become a complicated issue. For decades, Bahrain and Qatar have been incompatible with each other over territorial waters, including sovereignty over the Hawar and Zubarah islands in the southern part of the Persian Gulf. Although, the two countries were satisfied with the final ruling of the International Court of Justice to end the disputes in 2001, the disputes between the two countries over the mentioned islands and areas resumed almost 20 years. This article relies on a descriptive-analytical method and with the aim of investigating why the Arab countries of the Persian Gulf, especially Bahrain and Qatar, are unable to find a comprehensive and complete solution to end border disputes. Focusing on the fact that these two countries have taken serious steps to end the disputes in the recent decades, however, these measures have not been effective, and the border disputes preserve their persistence.
This paper critically examines the multifaceted impact of globalization on small states by interrogating the conceptual foundations of sovereignty, agency, and security in an increasingly interdependent world order. Departing from traditional materialist paradigms, the study employs a constructivist and institutionalist framework to assess how small states, defined by limited strategic depth and asymmetric power relations, navigate structural vulnerabilities through adaptive strategies such as multilateralism, norm entrepreneurship, and niche diplomacy. By using conceptual-analytical methodology, the analysis explores how the erosion of conventional state boundaries, accelerated by digitalization and liberalized communication networks, redefines security imperatives and constrains national autonomy, particularly in states lacking institutional resilience. It concludes that in the globalized era, survival for small states hinges not on traditional power capabilities, but on their capacity to reconceptualize sovereignty, strategically engage international institutions, and innovate diplomatically.
O presente artigo analisa a conceptualização do poder brando no contexto dos megaeventos esportivos. Diante da ambiguidade conceitual encontrada na literatura sobre poder brando e esporte, o artigo propõe uma definição mais clara que facilite um estudo mais eficaz. A análise se baseia em uma revisão crítica das contribuições de Joseph Nye e de outros estudosos, identificando três componentes-chave do poder brando: status, influência e estratégia. Esses componentes são aplicados à organização de megaeventos esportivos, ressaltando como a ausência do componente estratégico em muitos estudos anteriores pode ter levado a confusões com outras ações simbólicas, como a promoção turística e a construção de marca-país. O artigo conclui enfatizando a importância de incluir o componente estratégico para distinguir adequadamente o poder brando de outras ações não coercitivas no âmbito dos megaeventos esportivos. Através desse refinamento conceitual, busca-se estabelecer uma base mais sólida para pesquisas futuras sobre o uso político dos megaeventos esportivos e desenvolver uma agenda de pesquisa mais abrangente, que permita uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas envolvidas em sua projeção e na construção de poder no cenário internacional.
A conjuntura econômica internacional atual apresenta similaridades com a crise do sistema de Bretton Woods, suscitando questionamentos sobre a hegemonia do dólar. A crescente desconfiança nas políticas dos EUA tem impulsionado países do Sul Global a buscar alternativas fora do sistema financeiro ocidental, ampliando o protagonismo da China. Nesse cenário, o mercado petrolífero emerge como vetor estratégico para a internacionalização do renminbi, por meio do fortalecimento do benchmark de Xangai, da expansão de contratos futuros e de reformas liberalizantes. Contudo, desafios como a baixa conversibilidade da moeda e os controles estatais limitam sua projeção global. O artigo analisa se os avanços recentes da China no mercado de petróleo podem rivalizar com a supremacia do dólar. Com base em revisão bibliográfica e análise de dados secundários, utiliza o conceito de poder estrutural de Susan Strange para discutir a competição monetária entre EUA e China, destacando os limites e possibilidades da internacionalização do renminbi. Conclui-se que apesar de Donald Trump desafiar o domínio do dólar, sua superioridade permanece. A China, por sua vez, avança gradualmente, mas ainda carece de estrutura suficiente para rivalizar diretamente com o poder monetário dos EUA.
O que é environmental peacebuilding? Face ao crescente e urgente debate sobre o impacto das mudanças do clima e a necessidade de proteção do meio ambiente, tem crescido a discussão sobre como a questão ambiental contribui não apenas para emergência de conflitos, mas sobretudo para a construção de uma paz duradoura e resiliente. Nesse sentido, mediante revisão bibliográfica e análise qualitativa de trabalhos selecionados, a proposta do artigo é apresentar o campo de environmental peacebuilding. Para tanto, estruturamos o artigo por meio da discussão das principais definições sobre o campo e suas intersecções com os Estudos para Paz; seguido da análise de tendências emergentes no debate e das principais críticas realizadas até o momento. Ao final, argumentamos que a despeito das contradições identificadas, trata-se de campo potencialmente promissor para abertura de caminhos originais para a construção de alternativas mais justas e inclusivas para paz, particularmente quando articulado com perspectivas de gênero, abordagens locais e cosmovisões e práticas indígenas.
El estudio evalúa las relaciones comerciales del Perú con los países de la CAN, AP y MERCOSUR en el período 2002-2021, a través de la construcción de índices de complementariedad, comercio intraindustrial y ventajas comparativas. Luego, se estima la eficiencia de las exportaciones del Perú con los países miembros de los bloques comerciales mencionados y las posibilidades de convergencia. De esta manera, se espera identificar sectores que apoyen la diversificación productiva y exportadora, partiendo de la hipótesis de que los acuerdos de integración regional tienen un papel positivo en el logro de este objetivo. Los resultados muestran limitaciones del patrón exportador y del estilo de crecimiento, que ni los procesos de apertura ni los acuerdos Norte-Sur resolvieron. Si bien los acuerdos con socios latinoamericanos permiten avanzar, también revierten el proceso, lo que lleva a la necesidad de discutir la política comercial e industrial y la propia estrategia de desarrollo.
En este trabajo se explora la relación bilateral entre China y Argentina desde la perspectiva de la reglobalización china, con el propósito de comprender más a fondo las oportunidades y desafíos futuros de la cooperación entre ambos países, a partir de una reinterpretación de la noción de Tianxia. Dada la transformación del rol de China en la globalización tradicional y su ascenso como centro del poder mundial, Argentina, como país del Sur Global, se ve inevitablemente involucrada en la cadena global de producción liderada por China. A medida que el comercio y las inversiones de China en Argentina se han ampliado, Argentina ha consolidado su posición como país periférico en esta cooperación, lo que ha suscitado preocupación entre los académicos, especialmente por la posibilidad de que China intente replicar el modelo tradicional de cooperación de Europa y Estados Unidos en Argentina.
El avance acelerado de los Sistemas de Armas Letales Autónomas (LAWS) ha generado una transformación radical en las lógicas del conflicto armado, planteando desafíos ético-normativos que cuestionan la continuidad de la agencia humana en decisiones letales automatizadas. Frente a este escenario, el presente estudio examina críticamente la noción de Control Humano Significativo (MHC) como dispositivo normativo central en la regulación de LAWS, con el objetivo de construir un marco filosófico que fundamente éticamente su exigencia, explore su viabilidad en entornos militares avanzados y proponga una reconceptualización que articule agencia, dignidad y responsabilidad. Los hallazgos evidencian que el MHC, en su formulación actual, presenta limitaciones estructurales derivadas de la opacidad de los sistemas algorítmicos, la imprevisibilidad conductual y la dilución de la responsabilidad moral, lo cual imposibilita su función como garante ético en la guerra automatizada. En conclusión, se plantea un giro normativo que interpela la arquitectura jurídica y técnica existente, exigiendo la adopción de marcos regulatorios internacionales capaces de salvaguardar principios morales fundamentales en un contexto marcado por la creciente mediación algorítmica de la violencia.
A Inteligência Artificial (IA) tem se tornado uma área estratégica para Estados, organizações internacionais e atores não estatais, impulsionando a formulação de regulamentações que conciliem inovação, ética e transparência. No entanto, a governança global da IA ainda carece de um arcabouço regulatório consolidado, enquanto países tecnologicamente avançados moldam normas e mercados, aprofundando desigualdades. Diante desse cenário, este estudo busca responder à seguinte questão: quais são os acordos e agências responsáveis pela regulamentação global da IA? Para isso, adota-se uma abordagem empírica voltada ao mapeamento dos mecanismos e processos que estruturam a governança da IA. O artigo contribui para a literatura existente ao oferecer uma visão abrangente do estado atual da governança global da IA, destacando os principais atores envolvidos na construção desse regime.
The aim of this study is to assess the effect of religious distance between two countries on the beef market. The motivation for the research stems from the incorporation of formal institutional aspects, such as the rules established by religions, into international trade theories. More specifically, the study discusses how institutions and organizations influence the decision-making of agents (government, businesses, and consumers) guide a country's export performance. The beef market was chosen due to the religious specifications associated with animal slaughter and processing. A structural gravity model is employed with 21 exporting countries and 167 importing countries for the commodity during the period from 2000 to 2021. The study concludes that bilateral beef trade is influenced by distance, importer and exporter income, common language, and trade agreements. However, the religious asymmetry between countries does not statistically impact overall beef trade flows, except when focusing on major Halal and Kosher-certified beef exporters. In these cases, religion significantly influences trade, particularly in the frozen beef sector. Furthermore, religious certifications, such as Halal and Kosher, offer a competitive advantage for exporters by meeting the specific demands of religiously observant markets.
O presente artigo se propõe a analisar o papel do Brasil na construção de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, no âmbito do G20. Para isso, serão apresentadas as estratégias, as políticas e as iniciativas lideradas pelo governo brasileiro durante sua presidência no Grupo dos 20, com o objetivo de compreender como essas ações contribuem para a promoção de uma agenda mais inclusiva e coordenada entre os países membros. O exame será feito sob o modelo teórico de Keohane e Milner (1996) para abordar cooperação internacional, considerando a interação e a experiência da política doméstica brasileira de ênfase ao combate à fome e à pobreza e a proposta de uma Aliança Global. Trataremos de descrever os desafios assumidos pelo governo brasileiro e sua atuação nos meses que se seguiram para atingir o objetivo de formação da Aliança. Democratizar o acesso à alimentação adequada e reduzir a pobreza em escala global foi a meta que o Brasil estabeleceu, e parece estar prestes a atingir, ao propor a construção da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Nesse cenário, o desenho apresentado pelo governo brasileiro, de um G20 mais social, inclusivo e coordenado está totalmente alinhado com as aspirações dos países do Sul Global que se mostram cada vez mais capazes e dispostos a assumir e se comprometer com mudanças significativas para a redução da pobreza e das desigualdades em seus territórios e a nível mundial, apresentando soluções pertinentes para as várias questões sociais que fazem parte de uma engrenagem que, no âmbito global, influencia as economias de todo o planeta.
Partindo da premissa que imperialismo continua sendo um conceito-chave para se entender o mundo atual, o argumento central desenvolvido é que vivenciamos a crise da etapa neoliberal do sistema imperialista liderado pelos Estados Unidos da América (EUA). Assim, o artigo está dividido em quatro tópicos. No primeiro, faz-se breves apontamentos sobre os debates marxistas inaugurais sobre o conceito de imperialismo e algumas de suas lições para se pensar o presente. No segundo tópico, aprofunda-se a análise sobre as características gerais e transformações do imperialismo sob a gestão dos EUA. No terceiro, a ênfase da análise recai sob os aspectos financeiros e monetários justamente para localizar os contornos da ascensão e crise da etapa neoliberal. Por último, traçam-se algumas observações sobre as facetas mais atuais dessa crise do imperialismo, que se manifesta, dentre outros elementos, na agenda da des-dolarização.
Este artigo analisa o papel do G20, sob a presidência brasileira, na promoção da inovação tecnológica como ferramenta para reduzir desigualdades socioeconômicas, com foco na inclusão financeira e na equidade no acesso à saúde. O estudo destaca como avanços tecnológicos têm potencial para superar barreiras históricas de acesso a serviços financeiros, especialmente para populações marginalizadas. No campo da saúde, o G20 reforça a importância de sistemas de saúde resilientes e inclusivos, com ênfase no acesso equitativo a medicamentos e vacinas. Este estudo tem uma abordagem metodológica, baseada em análise bibliográfica e documental. Conclui-se que, embora a inovação tecnológica seja um instrumento relevante e avanços tenham sido alcançados no âmbito da inclusão financeira e acesso à saúde, seu impacto a longo prazo na redução da pobreza e desigualdades depende de um arcabouço regulatório sólido, políticas públicas inclusivas e cooperação no âmbito global. No entanto, a crescente fragmentação geopolítica e as tensões entre grandes potências ameaçam a ordem multilateral, impondo obstáculos significativos à agenda do G20 e desafiando sua capacidade de manter-se como um fórum global eficaz de cooperação global.
O artigo em destaque se propõe a refletir sobre as principais características da política externa da África do Sul entre 1994 e 2024. Feito isso, espera-se apresentar as principais especificidades vistas nas administrações Mandela (1994-1998), Mbeki (1999-2008), Zuma (2009-2018) e Ramaphosa (2018-2024), que não apenas levaram ao fim o isolamento diplomático resultante do regime de segregação racial (apartheid), como também garantiram o maior protagonismo da África do Sul nos cenários regional e internacional. Em termos metodológicos, adotaremos abordagem qualitativa, de caráter interpretativo, uso de fontes primárias e secundárias consideradas relevantes para o desenvolvimento do tema, bem como a estruturação em quatro seções, sendo a primeira, a introdução, e a última, as considerações finais. Acerca das outras duas seções, na primeira centraremos a discussão sobre as principais características da política externa sul-africana adotada durante as duas primeiras administrações pós-apartheid, enquanto a segunda, concetrará a análise das políticas externas adotadas nas administrações Zuma e Ramaphosa. Palavras-Chaves: África do Sul; Continente Africano; Política Externa; Potências Tradicionais; Potências Emergentes.
A Crise Financeira Global (GFC) provocou a ascensão do G20 como principal mecanismo de governança financeira internacional, implicando no reconhecimento que a economia internacional não poderia mais ser gerida sem a contribuição das novas potências presentes no clube. Essa contribuição, no entanto, ensejou a reforma da governança do FMI e do Banco Mundial para que refletissem a crescente multipolaridade econômica no sistema internacional, a qual, apesar de um impulso inicial, teve curso lento e logrou resultados tímidos. As negociações para a reforma, no entanto, contribuíram positivamente para a consolidação do Brics, revelando uma dinâmica política dialética entre os dois clubes. Tendo em vista que a atual troika reúne três membros originários do Brics, o presente trabalho intenciona, utilizando a literatura de clubes aplicada às relações internacionais, compreender o estado da reforma inacabada tomando políticas do Novo Banco de Desenvolvimento como fonte reveladora de preferência do Brics para uma melhor compreensão da dinâmica política da reforma da governança financeira internacional no presente momento.