
O artigo analisa os trabalhos plataformizados e as transformações que promovem nos processos de informalidade. Com base em uma pesquisa empírica realizada com diaristas, programadores e entregadores, defendemos que o trabalho plataformizado modifica as características da informalidade brasileira ao renovar as práticas de exploração e dominação. Com tal movimento emerge a novíssima informalidade, que atualiza as características da nova informalidade e é marcada pela centralidade de trabalhadores informais nas empresas, pelas perdas de formas estáveis de organização produtiva, pelo controle mais minucioso da produção e pela consolidação do modo de vida empreendedor-imediatista. A pesquisa empírica envolveu entrevistas com 18 trabalhadores e netnografia em websites de empresas plataformizadas.
O presente artigo analisa como mulheres sobreviventes do cárcere em São Paulo transformam experiências individuais de encarceramento em práticas coletivas de resistência e produção de sentido político. Partindo do conceito de cidadania carcerária (Miller & Stuart, 2017), originalmente formulado no contexto estadunidense, o texto propõe um deslocamento analítico situado, explorando seus limites e potencialidades para compreender as dinâmicas brasileiras de punição, exclusão e mobilização política, marcadas por profundas desigualdades raciais, de gênero e de classe. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e multimétodos, combinando etnografia, observação participante e análise de narrativas biográficas públicas de cinco ativistas: Tempestade, Camila Felizardo, Helen Baum, Mary Jello e Iyá Batia de Oxum. Suas trajetórias, articuladas a coletivos de sobreviventes do cárcere, como a Por Nós, o Coletivo Memórias Carandiru e a Primeira Frente de Sobreviventes do Cárcere, revelam disputas narrativas, reivindicações por reconhecimento e incidência sobre políticas públicas. Argumenta-se que, em São Paulo, a cidadania carcerária assume contornos paradoxais: ao mesmo tempo em que reproduz exclusões, abre espaço para a emergência de práticas insurgentes, nas quais sobreviventes do cárcere constroem saberes situados, disputam narrativas e incidem sobre as políticas públicas e penais tensionando os limites da cidadania no Brasil contemporâneo.
Na leitura crítica imanente de Postone sobre a teoria madura de Marx, a forma-mercadoria é o eixo a partir do qual toda a sociedade do capital é desvelada, assentando a pedra angular para uma apreensão pertinente das classes sociais e de suas lutas. Ele situa a forma de mediação social específica da sociedade do capital no centro da constituição dessa formação socioeconômica e no cerne da teoria crítica de Marx. No presente artigo, seguindo Postone em sua reinterpretação da teoria madura de Marx, tomamos a categoria classe social e suas necessárias articulações com a dinâmica de acumulação do capital como o centro de nossa atenção. Trata-se de elucidar o adequado e inovador tratamento que Postone oferece a esse conjunto categorial e demonstrar a importância que tais categorias possuem em sua leitura da teoria marxiana. Destacamos, em particular, o tratamento que ele oferta sobre o papel histórico do proletariado e sua relação com a contradição fundamental do capitalismo.
O artigo analisa o surgimento do empreendedorismo popular nas periferias paulistanas como desdobramento histórico da autoconstrução e do projeto familiar de mobilidade social das décadas de 1970 e 1980. Com base em etnografia realizada entre 2017 e 2022 na zona sul de São Paulo, examina as trajetórias de cinco jovens empreendedores do ramo da alimentação em Paraisópolis, Parelheiros e Campo Limpo. O estudo mostra como o ideal da casa própria se converteu em capital simbólico e material para novas formas de empreendedorismo, articulando valores de autonomia, mérito e progresso. Conclui que o empreendedorismo popular ressignifica a ética do trabalho e da autoconstrução, mas também reproduz desigualdades e segmentações de classe no interior das periferias.
Este artigo aborda os fundamentos normativos do direito à moradia, contrapondo direitos naturais e socialmente construídos. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, crítico-conceitual, consubstanciada em revisão bibliográfica. A pesquisa mobiliza o conceito de cidadania de Thomas Marshall e a Abordagem das Capacidades, de Amartya Sen e Martha Nussbaum, para transitar da abstração filosófica à práxis da política pública. Conclui-se ser viável refutar a fundamentação jusnaturalista e, simultaneamente, sustentar garantias jurídicas exigíveis para populações vulneráveis. Para tanto, postula-se uma mudança de paradigma, transcendendo a mera provisão material para focar na expansão das liberdades substantivas. Essa transição estrutura-se em três dimensões de intervenção e avaliação de políticas públicas habitacionais: oportunidade, visando desmantelar arranjos institucionais e estruturas de elegibilidade excludentes; segurança, para garantir a estabilidade de posse, construir resiliência a eventos climáticos e evitar escolhas forçadas na subsistência; e habilidade, focada na literacia habitacional e no empoderamento do cidadão para planejar estratégias e reivindicar direitos coletivos.
Este artículo analiza la acción corporativa de la Asociación Empresaria Argentina (AEA), la Cámara Argentina de Empresas Mineras (CAEM), la Unión Industrial Argentina (UIA) y la Sociedad Rural Argentina (SRA) durante el primer año de gobierno de Javier Milei (2023-2024), mediante el análisis documental de sus declaraciones, posicionamientos y demandas. Sostenemos que las corporaciones mostraron un apoyo inicial que varió en función de su afinidad ideológica y de la correspondencia entre su agenda y las políticas públicas implementadas, lo cual a su vez se vincula con el nivel de agregación de las entidades y, en el caso de las cámaras sectoriales, la posición que ocupa el sector al que cada una representa en la estructura económica del país.
O objetivo do artigo é investigar as alianças do PT baiano entre 2006 e 2022, quando venceu todas as eleições para governador, bem como o governo formado por Jerônimo Rodrigues (2023-2026). Utilizando dados do TSE, de sites do governo e de portais de notícias, nossos resultados demonstram que as coligações e a coalizão analisadas, apesar de suas especificidades, reproduzem padrões nacionais. O PT estabelece alianças estáveis e que se estendem aos municípios, estruturando a competição do âmbito macro para o micro. E, mesmo compartilhando poder com os partidos aliados de 2022, o governo petista concentra secretarias e ocupa áreas chave no Executivo. O presente caso traz elementos explicativos – eleitorais e governativos – que podem auxiliar o entendimento de outros casos estaduais.
O artigo analisa a ascensão de Giorgia Meloni como principal liderança da extrema direita italiana, destacando a articulação entre protagonismo feminino e conservadorismo tradicional, fundamentado na defesa da família, do cristianismo e na rejeição do que é interpretado como “degeneração” cultural da modernidade globalizada. Examina-se o processo de transformação política iniciado nos anos 1990, marcado pela reconfiguração partidária e pela emergência de novos atores que empregam estratégias populistas baseadas em narrativas e apelos emocionais. A trajetória de Meloni, do Movimento Social Italiano à criação do partido Irmãos da Itália, evidencia a construção de uma liderança combativa e comunicativa que promove a feminização simbólica do partido sem alterar suas bases conservadoras, reforçando políticas excludentes e processos de erosão democrática.
A cidade do Rio de Janeiro experimenta desde a década de 1990 as ações da chamada “operação verão”, com foco prioritário nas orlas das praias cariocas. Neste artigo, a apreensão preventiva de crianças e adolescentes, determinada em dezembro de 2023 pelos governos municipal e estadual, foi o ponto de partida para as análises. As investigações basearam-se em matérias jornalísticas publicadas nas décadas de 1990, 2000, 2010 e 2020. Buscou-se evidenciar o caráter racista e segregacionista das ações empreendidas pelo Estado, na medida em que jovens negros e moradores de bairros periféricos da cidade são historicamente o alvo prioritário no âmbito da referida operação. Conclusivamente, pode-se observar como a construção social do medo se vincula à atualização do dispositivo de racialidade que permeia as relações sociais e mantém espaços de privilégio para a branquitude nas áreas nobres da cidade.
Este artigo analisa o componente emocional nas formações discursivas de publicações no Twitter relacionadas ao termo “festa da Selma”, veiculadas entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2023. A partir de um corpus de tweets coletados durante esse período, a investigação foi conduzida em duas etapas: inicialmente, por meio de uma análise textual automatizada, buscou-se mapear os principais territórios temáticos da conversação; em seguida, realizou-se uma análise qualitativa de conteúdo, com o objetivo de identificar quais emoções foram mobilizadas pelos usuários na convocação e sustentação do ato golpista ocorrido em 8 de janeiro. Parte-se do pressuposto de que emoções exercem um papel central na construção da ação política, podendo ser acionadas de forma estratégica (ou não) para mobilizar indivíduos em torno de uma causa específica (Goodwin, Jasper e Polletta, 2001; Jasper, 1998, 2009; Melucci, 1996). No contexto das plataformas digitais, o caráter emocional da comunicação tende a ser intensificado pelo design das interfaces e pelos mecanismos de viralização (Crockett, 2017; Papacharissi, 2015; Ferreira, 2021).
O artigo investiga o processo de construção de credibilidade dos experts nos espaços de formulação de políticas públicas. A pesquisa foi realizada a partir da análise temática das audiências públicas realizadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal sobre a proposta legislativa do marco geral do licenciamento ambiental, nos anos de 2019 e 2022. Os resultados do estudo indicam que há certos ritos de performance comum ao aconselhamento científico, mesmo quando os especialistas pertencem a grupos com posições divergentes no debate. Nesse contexto, os autores propõem a categoria de “estratégias de credibilidade”, que se refere aos recursos mobilizados pelos especialistas para construir credibilidade e reagir aos espaços de conflito.
O presente artigo se debruça sobre o caso de Matheuzinho, um jovem do interior de Minas Gerais cuja trajetória revela as fraturas do sonho europeu, especialmente ao explorar a frustração, o adoecimento, a precariedade e a continuidade de lógicas transnacionalmente articuladas. O artigo é parte de uma pesquisa maior que explorou as experiências de trabalho sexual de homens brasileiros na Europa, cujo trabalho de campo foi realizado entre 2020 e 2023. Ao analisar as frustrações, o adoecimento e a precariedade enfrentadas por esse interlocutor, problematiza-se o sonho europeu de ascensão social e financeira. O artigo também discute a ressignificação de práticas sexuais transnacionais, como as sex parties com chemsex, adaptadas ao contexto de Ipatinga, Minas Gerais, evidenciando a complexidade das migrações e o impacto do retorno nos contextos de origem. A pesquisa adota uma perspectiva interseccional, considerando raça, classe, gênero e nacionalidade na estruturação das hierarquias nos mercados de sexo. retorno migratório, bem como de possibilidades de agência.
Neste artigo, analiso as raízes católicas que direcionaram o desenvolvimento da assistência social no Brasil desde a colonização e que, séculos depois, culminaram na formação do campo das organizações não governamentais (ONGs). Após situar brevemente o contexto macrohistórico do protagonismo da Igreja na promoção de assistência social no ocidente em geral e no Brasil em particular, a análise será concentrada na segunda metade do século XX, quando padrões históricos das relações entre Igreja, Estado e sociedade passaram por intensas transformações. Esse processo é interpretado através da noção de “laicização religiosa”, definida como o horizonte de valores cristãos que conduziram a formação de instituições públicas e privadas de promoção de assistência social. Entre as décadas de 1950 e 1960, a aproximação de instituições e agentes ligados à Igreja com ideologias de esquerda tornou possível a formação do que, hoje, é apresentado como esquerda católica no Brasil. Posteriormente, entre as décadas de 1970 e 1980, essas instituições se afastam dos movimentos sociais e inauguram o campo das ONGs. Na última década do Século XX, a profissionalização da assistência social imprimiu um novo sentido, implicando a ideia de um profissionalismo situado para além tanto da política quanto da religião.
O artigo tem como objetivo contribuir nos debates acerca das teorias sociais contemporâneas, especialmente das teorias críticas, na ênfase aos descentramentos teóricos e à inclusão das vozes subalternas. Elege a crítica póscolonial e a interseccionalidade a fim de, na esteira de Collins (2022), propor o “engajamento dialógico” capaz de, sem deixar de problematizar os impasses das distintas linhagens, conceber um “projeto de conhecimento resistente”. Nesse movimento, destaca a experiência e a “autoridade testemunhal” como produtoras de epistemes legítimas. Traz, para sustentar o argumento, as escrevivências (Evaristo, 2005) das autoras negras que, longe de abdicar da autorreflexividade, produzem contradiscursos importantes na configuração do mundo por outros sujeitos epistêmicos, capazes de desvelar e desestabilizar a estrutura da diferença/estrutura da subalternidade que fundou a modernidade hegemônica. Tais discursos combinam recursos heurísticos vários que combatem os epistemicídios, provocam novos processos de subjetivação, expandem as comunidades interpretativas no seio da academia e apontam valiosas possibilidades ao pensamento crítico.
O objetivo deste artigo é contribuir para a análise dos comportamentos políticos entre famílias de trabalhadores e trabalhadoras metalúrgicas, moradores da região do ABC Paulista. Para tal, recorre-se a resultados obtidos em duas pesquisas realizadas em momentos distintos, com recortes empíricos ligeiramente diferentes e metodologias que lançaram mão de etnografia, survey e entrevistas biográficas. A primeira pesquisa relaciona a possível manutenção das memórias de militância sindical ao período da aposentadoria e do distanciamento do engajamento político-militante, a segunda aborda a questão da transmissão e herança geracional de princípios e valores políticos em famílias de trabalhadores metalúrgicos. Em ambos os casos se está relacionando famílias, como domínio do social, e política, como elemento de socialização, para compreender a constituição/manutenção de comportamentos políticos. A religião surgiu como imposição do campo, e se apresentou como uma variável interveniente no processo de gestão do comportamento político, impactando a negociação de elementos afetivos entre as famílias, bem como no que tange às memórias políticas empreendidas e herdadas. E, além disso, capaz de gerar transformações nos modos de entender e reagir aos acontecimentos presentes e passados ligados às ações e percepções políticas entre os participantes de ambos os estudos.
O presente trabalho trata da trajetória político-institucional da Fiocruz, a partir da discussão do seu modelo de gestão, entre os anos de 1970 e 2003. Discutimos a organização e política da instituição, tendo como objetivo identificar os conflitos entre os ideais público e privado relativos à fundação, explorando os itinerários que culminaram na edificação de um projeto institucional flexível. Definiu-se como baliza temporal o período de 1970 a 2003, que compreende dois distintos momentos na história da Fiocruz: um primeiro subperíodo de 1970 a 1988, em que responde pelo Direito Privado; e de 1988, ano da promulgação da Constituição Federal Brasileira, até 2003, quando se enquadra no regime de Direito Público, define seu modelo de gestão e estabelece o estatuto oficial vigente até os dias de hoje.
O objetivo deste artigo é examinar as relações entre Brasil e China usando as ferramentas analíticas da teoria da dependência, elaborada por autores latino-americanos (sobretudo) ao longo dos anos 1960-1970 do século passado. A proposição básica é a de que, apesar de não serem simétricas (em função de discrepâncias tecnológicas e econômicas vigentes entre os países), as relações entre as duas nações estão longe de serem de dominação e subordinação, na medida em que a China não estabelece condicionalidades políticas e financeiras incontornáveis para as relações comerciais com o Brasil, nem imposições em âmbito das políticas de Governo. Como método, utiliza-se a sistematização de evidências sobre as relações comerciais entre os dois países no século XXI, e o exame de bibliografia secundária. Os resultados a que se chega indicam que a detecção de assimetrias econômicas ou de “associação econômica subordinada” não é suficiente para caracterizar relações de dependência política entre ambos os países. Finaliza-se o texto com algumas considerações sobre as possibilidades de estabelecimento de relações entre as duas nações no atual contexto geopolítico.
O artigo tem como objetivo principal refletir sobre a precarização do trabalho docente nas Universidades Federais brasileiras, partindo do pressuposto de que essa é uma das expressões de um processo mais geral de reestruturação do serviço público, decorrente da emergência e fortalecimento do Estado neoliberal. No caso do sistema educacional, essa reestruturação instituiu e promoveu o princípio da concorrência e o modelo empresa por meio da adoção de práticas de gestão baseadas em critérios de “eficiência”, produtividade e resultados mensuráveis, alterando profundamente a organização do trabalho nas instituições de ensino, particularmente nas Universidades públicas brasileiras. O texto é constituído de três partes principais. Na primeira são apresentadas algumas transformações que constituem o Estado neoliberal; na segunda parte se discute as principais mudanças no serviço público brasileiro e, por fim, examina-se como a adoção do princípio da concorrência e do modelo empresarial alterou a organização do trabalho na Universidade em um quadro de subfinanciamento público, e tem acarretado a precarização do trabalho docente.
Este artigo tem como objetivo discutir as relações existentes entre os principais fenômenos que conformaram e caracterizam mundialmente o capitalismo contemporâneo, quais sejam: o neoliberalismo, a reestruturação produtiva e a financeirização da acumulação de capital - fenômenos que foram se delineando, e retroagindo mutuamente, ao longo de um processo que já tem quase 50 anos. Embora presentes em todos os países, produtos de uma nova fase da mundialização do capital, eles se expressam de forma diferente (em grau, qualidade e consequências) em países centrais e periféricos. Por isso, mais especificamente, o artigo evidencia as suas particularidades nos países de capitalismo dependente, com a constituição, a partir da crise do “Desenvolvimentismo” nesses países (anos 1980), de um novo modo de dependência, no qual se destacam a reconfiguração do Estado e a transferência de excedentes, da periferia para o centro, na forma de novos tipos de rendas financeiras e de renda-conhecimento.
Políticas de crédito popular têm suscitado controvérsias tanto empíricas quanto teóricas. Este artigo compara políticas implementadas simultaneamente em dois países latino-americanos por governos ideologicamente divergentes: no Brasil, sob o primeiro mandato de Lula (PT), de centro-esquerda, e no México, sob a presidência de Vicente Fox (PAN), de direita. O objetivo é analisar os atores da formulação e da implementação dessas políticas, bem como os desenhos adotados. Argumenta-se que os atores específicos envolvidos impactam o formato da política e que a participação de cada ator é possibilitada pelo governo incumbente. A pesquisa emprega metodologia qualitativa, envolvendo entrevistas em profundidade com “informantes de elite”. No Brasil, as entrevistas abrangeram (i) burocratas, (ii) líderes sindicais e (iii) banqueiros. No México, os sindicalistas foram excluídos, pois não participaram dos debates sobre as políticas de crédito popular. Embora Brasil e México tenham implementado políticas semelhantes, seus desenhos, atores e as motivações de seus proponentes variaram, gerando resultados distintos. Essa disparidade pode ser atribuída ao envolvimento de sindicatos no processo brasileiro e de organizações internacionais no mexicano.