
Neste artigo, é apresentado um panorama institucional da Universidade de São Paulo, com o objetivo de analisar as políticas educacionais ao longo das últimas duas décadas. Com base na leitura interpretativa e crítica, respaldada no materialismo histórico-dialético, buscou-se compreender a formação de professores, a fim de identificar direções que se aproximam da perspectiva neoliberal de educação e focos de resistência a essa perspectiva. O corpus da pesquisa consubstancia-se na análise documental, sustentada em três eixos: normativas estaduais e nacionais e seus impactos nas políticas institucionais de formação na USP; a gestão da Pró-Reitoria de Graduação no período de 2002 a 2025, entre o instituído e o instituinte; e programas institucionais de ensino, pesquisa, extensão, permanência e inclusão estudantil. A análise retrospectiva das políticas implementadas revela um cenário complexo, marcado pela dualidade entre avanços institucionais e persistentes desafios estruturais e políticos, com avanços do neoliberalismo na consolidação das licenciaturas.
A infância, compreendida como constructo social e cultural em transformação, tem sido significativamente impactada pelas mídias contemporâneas e tecnologias digitais, que ocupam lugar central na formação da subjetividade infantil. Este trabalho analisou como a música, especialmente o funk, enquanto artefato cultural midiático, pode contribuir para a erotização precoce e a reprodução de discursos sobre gênero e sexualidade na infância. Trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, cujo corpus foi composto por letras de músicas do gênero funk, selecionadas por sua relevância temática. Fundamentado na Análise de Conteúdo, o estudo identificou as categorias erotização precoce, violência de gênero e identidade cultural, interpretadas à luz dos Estudos Culturais em Educação e da Educação Sexual Crítica. Os resultados evidenciam que discursos musicais podem contribuir para naturalizar desigualdades, violências simbólicas e processos de erotização precoce. Destaca-se, portanto, a relevância da educação sexual crítica na escola para promover reflexões sobre as influências midiáticas na construção da subjetividade infantil.
O objetivo desse artigo é analisar a percepção dos professores do Ensino Fundamental I de uma escola pública de Diadema (SP) sobre os impactos da escrita reflexiva em sua prática pedagógica. A fundamentação teórica se localiza na área da Educação, dialogando mais proximamente com os estudos sobre Letramento e Formação de Professores. A metodologia é descritiva, utilizando o survey como estratégia para coleta de dados. A abordagem é quantitativa. O corpus foi coletado em uma escola pública de Ensino Fundamental I, da rede municipal de Diadema, município da região metropolitana do estado de São Paulo. Os participantes da pesquisa são docentes efetivos que exercem o magistério há mais de seis meses na escola campo. Os dados revelam uma percepção sobre escrita reflexiva ainda bastante burocratizada, o que acaba impedindo um real impacto dessa modalidade redacional na realidade da sala de aula.
Este estudo analisa o movimento de esvaziamento teórico presente na formulação das diretrizes curriculares nacionais produzidas para a formação de professores no período 2001–2024. Foram delineados três objetivos específicos: compreender o campo da formação de professores em disputa; examinar os documentos curriculares que regulam a formação de professores; e problematizar os pontos de convergência entre esses documentos curriculares e os seus efeitos para a formação de professores. A pesquisa ancorou-se nos pressupostos da abordagem qualitativa por colocar em discussão a formação de professores e nas contribuições teóricas de André (2016), Contreras (2002), Giroux (1997) e Nóvoa (2017). O estudo demonstra que há um alinhamento dos documentos com as orientações de organismos multilaterais, sobretudo quando fazem a crítica ao “conhecimento teórico” presente na formação universitária de professores. Pretende-se, portanto, esvaziar a formação inicial de professores de conteúdos teóricos e encharcá-los de práticas que podem contribuir para a desintelectualização da docência.
A infância, compreendida como constructo social e cultural em transformação, tem sido significativamente impactada pelas mídias contemporâneas e tecnologias digitais, que ocupam lugar central na formação da subjetividade infantil. Este trabalho analisou como a música, especialmente o funk, enquanto artefato cultural midiático, pode contribuir para a erotização precoce e a reprodução de discursos sobre gênero e sexualidade na infância. Trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, cujo corpus foi composto por letras de músicas do gênero funk, selecionadas por sua relevância temática. Fundamentado na Análise de Conteúdo, o estudo identificou as categorias erotização precoce, violência de gênero e identidade cultural, interpretadas à luz dos Estudos Culturais em Educação e da Educação Sexual Crítica. Os resultados evidenciam que discursos musicais podem contribuir para naturalizar desigualdades, violências simbólicas e processos de erotização precoce. Destaca-se, portanto, a relevância da educação sexual crítica na escola para promover reflexões sobre as influências midiáticas na construção da subjetividade infantil.
O texto discute a violência epistêmica a partir do fatalismo, examinando como processos de subjetivação são moldados pelas colonialidades. Argumenta-se que o fatalismo reflete essa violência, especialmente quando analisado pela interseccionalidade e pelos processos psicossociais que estruturam identidades. A partir de uma revisão narrativa, problematiza-se como o (re)conhecimento das colonialidades influencia experiências subjetivas em contextos marcados por silenciamentos e pela lógica neoliberal. As mudanças sociais exigem reflexão crítica sobre discursos que afirmam identidades, mas também restringem autonomia. Assim, o texto propõe a construção de novas narrativas e significados cotidianos que enfrentem os tensionamentos do neoliberalismo e promovam liberdade, autonomia e justiça epistêmica. Destaca-se a importância de espaços que possibilitem ação e expressão, especialmente a escola, como cenário para práticas que rompam com a violência epistêmica e ampliem possibilidades de existência.
Este artigo investiga como organizar experiências didáticas fundamentadas na Teoria da Atividade (Leontiev, 2014; Vigotsky, 2021) e na Cognição Distribuída (Cole & Engeström, 1993; Pea, 1993) nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa teórica que analisa como a sistematização dessas experiências pode subsidiar práticas pedagógicas baseadas em múltiplas interações e na coletividade. Os resultados identificaram cinco elementos centrais: organização do ambiente (Pea, 1993), motivo (Leontiev, 2014; Asbahr, 2014; Medeiros, 2021), papéis docente e discente (Vigotsky, 1998, 2010; Moraes; Lima, 2017), inter-relação com artefatos mediadores (Vigotsky, 1998; Moraes, 2017; Salomon, 1993) e dinâmica da atividade (Cole & Engeström, 1993; Leontiev, 2014; Moraes, 2017). Conclui-se que a sistematização intencional desses elementos favorece experiências capazes de promover a distribuição da cognição, valorizando a coletividade, a diversidade cultural e as interações entre sujeitos, artefatos, cultura e história, ampliando as possibilidades de aprendizagem significativa.
Discute-se a avaliação docente no ensino superior, em contexto de curricularização da extensão universitária. Vale-se de revisão bibliográfica acerca dos condicionantes da organização do trabalho acadêmico, no que tange ao planejamento e implementação de ações. Os resultados indicam que as influências do modelo de universidade operacional impõem a prevalência do paradigma curricular técnico-linear, de instrumentalização para o mercado de trabalho, em detrimento da ênfase em investigações voltadas à resolução de problemas sociais abrangentes e ao desenvolvimento sustentável, algo a se lograr com a ampliação do diálogo com a sociedade. Enfrentar as imposições ultraliberais exige respeito à autonomia docente e atuação no sentido de firmar o paradigma curricular crítico-emancipatório.
Este estudo aborda o crescente número de estudantes com NEE em escolas regulares e a necessidade de ferramentas eficazes para o desenvolvimento da IE. O objetivo é avaliar o desenvolvimento criativo e emocional combinado de crianças com NEE por meio de metodologias baseadas em arte e analisar seu impacto na IE. Os métodos incluíram análises de regressão e correlação, estatística descritiva e sistematização. Os resultados mostram que o número de estudantes com NEE influencia significativamente a prevalência da escolarização inclusiva, enquanto a carga de trabalho docente e a proporção de crianças fora da escola correlacionam-se com os níveis de inclusão. As regiões da Ucrânia foram agrupadas em clusters com altas e baixas taxas de inclusão. Foi identificada uma relação negativa entre a matrícula em instituições especiais e o potencial de desenvolvimento de competências sociais e emocionais. Destaca-se que uma maior participação em práticas artísticas inclusivas esteve associada ao aumento da IE, que passou de 55,6 para 91,0 pontos.
Este artigo analisa a Amefricanidade como categoria política, epistêmica e estética a partir da obra de Lélia Gonzalez. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, teórico-bibliográfica e interpretativa. A investigação fundamenta-se na análise conceitual da produção intelectual de Gonzalez, em diálogo com debates sobre colonialidade do poder, geopolítica do conhecimento, racismo, branqueamento, mestiçagem e mito da democracia racial. Destaca-se a linguagem como campo de disputa, especialmente por meio da noção de pretuguês, bem como o reconhecimento de práticas artísticas, religiosas e literárias como arquivos vivos da diáspora. Conclui-se que a Amefricanidade permanece atual como chave analítica para interpretar desigualdades, resistências e produções culturais no Sul Global.
O presente artigo analisa a efetividade das Metas 17 e 18 do Plano Nacional de Educação (PNE 2014–2025), com foco na valorização dos profissionais do magistério da educação básica no Brasil. Adota abordagem qualitativa de natureza documental, fundamentada na análise de conteúdo temática de legislação educacional, relatórios do INEP/MEC, Balanço Técnico do PNE (2025) e literatura especializada. Os resultados evidenciam avanços normativos, como a consolidação do Piso Salarial Profissional Nacional e a institucionalização dos planos de carreira, mas apontam lacunas entre a legislação e sua implementação, decorrentes de restrições fiscais, desigualdades regionais e fragilidades da coordenação federativa. Ao final do período, a equiparação salarial alcançou 86,1%, enquanto 62,6% dos municípios cumpriram integralmente as exigências relativas ao piso, à jornada e à carreira. Conclui-se que a valorização docente depende de políticas integradas, financiamento sustentável e mecanismos efetivos de governança para assegurar a implementação das políticas educacionais.
O objetivo deste artigo é caracterizar a gestão de egressos pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) – Campus Guarapari à luz dos propósitos das políticas públicas federais de educação profissional e de accountability na gestão pública contemporânea. A pesquisa é qualitativa e exploratória, utilizando um estudo de caso único e a técnica de entrevista semiestruturada com três gestores do Campus, com Análise de Conteúdo. Os resultados sugerem que, embora os gestores reconheçam a importância do acompanhamento de egressos como ferramenta de accountability e eficácia social, ele é inexistente de forma permanente e não institucionalizado como dimensão estratégica. As barreiras incluem falta de pessoal, ausência de sistemas informatizados e baixa prioridade gerencial (barreiras organizacional, cultural e política). Conclui-se que a gestão do Campus está em transição, requerendo a incorporação do acompanhamento de egressos como eixo estratégico para transformar a accountability formal em um mecanismo efetivo de aferição da eficácia social.
O processo de formação do gestor escolar iniciante representa um dos maiores desafios das instituições de ensino, configurando-se como um problema relevante no contexto da educação contemporânea, diante da democratização da educação escolar intensificada com a Lei de Diretrizes e Bases n. 9.394/1996 e a consequente expansão das unidades escolares. Este estudo tem como objetivo investigar a formação continuada do gestor escolar iniciante, à luz da literatura, da legislação educacional brasileira e das diretrizes institucionais da Educação Adventista, uma rede confessional privada. Ele caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico e documental, com base no levantamento e análise de produções acadêmicas e documentos institucionais, tais como o Projeto Político-Pedagógico, o Regimento Escolar e o Guia de Funções. Os resultados indicam que existem lacunas no processo de formação do gestor escolar, conforme evidenciado na literatura e percebido na rede estudada, uma vez que os programas de formação existentes se mostram insuficientes na preparação deste profissional. Como contribuição, o estudo aponta a necessidade de implementação de políticas e programas de formação de gestores educacionais, ancorados em práticas reais da gestão escolar, oferecendo subsídios para o seu aprimoramento.
Trata-se das implicações dos cursinhos populares frente à desigualdade do acesso à Educação Superior. Realiza-se um estudo exploratório de abordagem qualitativa, com levantamento bibliográfico (são mobilizados autores que estudam as temáticas correlatas às desigualdades educacionais e ao Ensino Médio) e documental (Lei nº 13.415/2017, Lei nº 14.945/2024 e o Censo Escolar 2023). O objetivo consiste em problematizar o papel que tais cursinhos desempenham, considerando a distorção idade‐série e a estrutura curricular do Novo Ensino Médio. Os dados evidenciam a possibilidade de reedição das desigualdades entre o público das escolas públicas, devido à diversidade do currículo e às questões socioeconômicas que os afetam. Cenário em que os cursinhos gratuitos atuam, potencializando futuros mais promissores.
Este estudo avaliou o impacto de uma intervenção pedagógica mediada por Inteligência Artificial (IA) e algoritmos adaptativos no desempenho acadêmico de estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental de duas escolas privadas localizadas em Ananindeua (PA) e São Luís (MA). Foi realizado um estudo comparativo entre o grupo teste, que utilizou trilhas personalizadas de aprendizagem em plataforma baseada em IA, e o grupo controle, submetido à metodologia tradicional. A análise dos resultados utilizou dados do Programa Adventista de Avaliação da Educação Básica (PAAEB) e indicadores fundamentados na Teoria de Resposta ao Item (TRI). Os resultados apontaram avanços nos níveis de proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, além de um ganho médio relativo de aproximadamente 49% no desempenho dos estudantes acompanhados pela plataforma. Conclui-se que a IA pode contribuir para a personalização do ensino, desde que associada à mediação pedagógica ativa e ao acompanhamento contínuo dos estudantes.
O artigo discute a articulação entre docência, cidadania e criação musical no IFSP Itapetininga, destacando a trajetória que culminou na formação da Banda Meia Boca durante a pandemia de covid-19. O objetivo é investigar como a integração entre vida docente, prática cidadã e expressão artística gera processos que transcendem a formação convencional. Por meio da narrativa (auto)biográfica, reconstrói-se o percurso do autor para interpretar os sentidos produzidos na experiência musical coletiva. A análise indica que esse processo é impulsionado tanto pela criação como expressão de si quanto pelo convívio na banda, fortalecendo vínculos e identidades. A narrativa evidencia, por fim, a potência da escrita de si para revelar a inseparabilidade entre vida, ensino e educação crítica, ampliando a compreensão dos espaços formativos na docência.
Este estudo examina o uso dos métodos TRIZ (Teoria da Resolução Inventiva de Problemas) para desenvolver a competência comunicativa de estudantes universitários de linguística. A pesquisa responde a desafios contemporâneos — pensamento em clipes, lacunas comunicativas pós-pandemia e aprendizagem orientada por exames — que reduzem a capacidade dos estudantes de analisar situações comunicativas e participar de diálogos espontâneos. Diferentemente de discussões ou dramatizações rotineiras, a TRIZ estrutura a resolução de problemas por meio da análise de contradições, raciocínio causal, brainstorming, análise morfológica e método dos objetos focais. Um estudo em três etapas diagnosticou a competência inicial, implementou tarefas baseadas em TRIZ e comparou os resultados. Os achados indicam melhora no desempenho comunicativo, na flexibilidade linguística e nas estratégias de resolução de conflitos, embora alguns estudantes ainda dependam de gramática simplificada e análise incompleta das tarefas.
Este artigo examina como a tecnologia de WebQuest influencia a qualidade da formação profissional de estudantes no ensino superior. O estudo combina revisão de literatura com comparação empírica de dois grupos de estudantes do segundo ano, dos cursos de Economia e Pedagogia. A questão de pesquisa é como as WebQuests afetam a busca de informações, o trabalho em equipe, a resolução de problemas profissionais e a apresentação de resultados. Os achados mostram que ambos os grupos realizaram as tarefas em nível suficiente e que a tecnologia favoreceu a motivação, o trabalho independente, o processamento de informações digitais e o desenvolvimento de competências profissionais. A discussão também identifica limites de implementação, como acesso a equipamentos, conectividade e letramento digital. Conclui-se que as WebQuests melhoram a qualidade da aprendizagem quando são estruturadas, alinhadas aos objetivos disciplinares e acompanhadas por orientação docente e critérios transparentes de avaliação.
O presente artigo analisa o Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034 como política pública educacional, examinando sua estrutura a partir das etapas do ciclo de políticas públicas: agenda, formulação, implementação, monitoramento e avaliação. O objetivo consiste em compreender como a construção normativa do plano e seus mecanismos de implementação e acompanhamento podem contribuir para a promoção da qualidade educacional e para a redução das desigualdades no sistema de ensino. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, fundamentada em análise bibliográfica e documental. Os resultados evidenciam que o PNE se constitui como importante instrumento de planejamento educacional, articulando objetivos, metas e estratégias voltados à garantia do direito à educação, à promoção da equidade e à melhoria da qualidade do ensino. Conclui-se que sua efetividade dependerá do compromisso dos entes federativos, da participação social e de processos permanentes de monitoramento e avaliação.
The aim of this study is to clarify the role of state management mechanisms in ensuring access to and maintenance of education for disadvantaged students. Based on an interdisciplinary approach between law and education management, the study aims to assess the compatibility between the current legal framework and the practices of policies supporting students, while identifying bottlenecks in the implementation process. The study combines a survey of 189 people and semi-structured interviews with 15 people. The results show that, although legal regulations on educational equality have been relatively fully established, implementation is still affected by limitations in management coordination, monitoring mechanisms, and an approach that leans towards administrative support. This study contributes to clarifying the gap between legal design and higher education management practices, thereby proposing policy implications to enhance the coordination, accountability, and effectiveness of state management in promoting educational equality for disadvantaged students.