
A Base Nacional Comum Curricular e a Política Nacional de Educação Digital atribuem à escola a formação para a cultura digital e o pensamento computacional, incluindo a Educação Física entre os componentes que devem tematizar as tecnologias. Na prática, contudo, essa incorporação segue limitada, e o alto custo dos kits de robótica restringe seu alcance na escola pública. Este artigo tem como objetivo desenvolver uma atividade maker com Arduino para apoiar práticas pedagógicas de Educação Física por meio da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). Trata-se de relato de experiência dos autores, de abordagem qualitativa, sobre a concepção, a construção e a programação de um dispositivo de baixo custo e sua aplicação nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Botões de papel-alumínio, papelão e esponjas foram ligados a um Arduino com resistor pull-up e integrados a um desafio motor gamificado. O estudo não avaliou a aprendizagem nem o desempenho dos estudantes.
Este artigo aborda a atuação profissional de pedagogos/as em Universidades Federais Brasileiras, cuja contratação foi impulsionada pelas políticas de expansão da Educação Superior. O objetivo deste artigo é caracterizar a atuação profissional e as funções desempenhadas por pedagogos nas Universidades Federais brasileiras, identificando elementos constitutivos de sua identidade profissional. A pesquisa é qualitativa, e o corpus é composto por questionários autoaplicáveis e entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciam que sua presença nas Universidades Federais é recente e que a identidade profissional se constrói no exercício das funções, conforme as especificidades institucionais. A atuação concentra-se em três áreas: assistência estudantil, assessoria pedagógica aos docentes e gestão pedagógica. Destacam-se desafios relacionados à falta de clareza das atribuições e à necessidade de formação continuada. O estudo contribui para ampliar a compreensão sobre as funções e a identidade profissional desses profissionais na Educação Superior
Este trabalho analisa a relação entre decolonialidade e educação para desmistificar o discurso da meritocracia. Articular esses conceitos é indispensável para compreender como legados coloniais ditam as regras do sucesso na América Latina. A análise desmascara a ilusão da igualdade de oportunidades, evidenciando que, sob o racismo estrutural e a exclusão histórica, as linhas de partida são desiguais. Metodologicamente, a pesquisa é um ensaio filosófico-teórico, fundamenta-se em Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Nelson Maldonado-Torres, Ruth Pavan y Shirley Tedeschi, com base jurídica e empírica nas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 e no Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2025. A investigação estrutura-se em três eixos: manifestações do racismo, meritocracia latino-americana e sua incidência na educação. Como resultado, propõe-se o deslocamento da crítica tradicional à meritocracia liberal em direção a uma articulação com o debate sobre relações raciais.
Este artigo, parte de uma dissertação, objetivou compreender os sentidos e significados das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) produzidos por docentes de escolas do campo de Caruaru-PE durante a pandemia da Covid-19. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida em dois momentos: aplicação de questionário on-line e realização de grupo focal, via Google Meet, com nove docentes. Neste artigo, analisam-se os dados obtidos pelo formulário, buscando compreender os processos vivenciados pelos participantes durante a pandemia. Fundamentamo-nos na abordagem histórico-cultural dos processos de ensino-aprendizagem e em uma perspectiva crítica da tecnologia, considerando a cultura campesina e as condições de existência dos sujeitos do campo. A análise baseou-se na Análise Dialógica do Discurso, a partir do Círculo de Bakhtin. Os resultados evidenciam sentidos e significados que defendem o uso das TDIC para favorecer os estudos e as práticas educativas, sem, contudo, destacar seu potencial crítico para a transformação social.
O artigo objetiva analisar como a colonialidade continua estruturando as epistemologias da educação brasileira e discutir as possibilidades abertas pela crítica decolonial para a reconstrução curricular e pedagógica. Trata-se de pesquisa bibliográfica, qualitativa e de caráter crítico-interpretativo, organizada mediante interlocução entre pensamento decolonial, pensamento negro, pedagogias críticas e estudos publicados entre 2022 e 2026. A análise sustenta que a colonialidade não constitui herança do colonialismo, mas racionalidade ativa na seleção curricular, na formação docente, na avaliação e na organização institucional. Pesquisas recentes sobre as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 demonstram que sua aplicação ainda é frequentemente episódica, dependente de iniciativas individuais e tensionada por resistências religiosas, políticas e institucionais. Defende-se a categoria racionalidade pedagógica colonial para interpretar a articulação entre epistemicídio, branquitude, normalização escolar e desigualdade cognitiva. Conclui-se que uma educação decolonial requer políticas institucionais permanentes, formação docente antirracista e abertura efetiva a epistemologias negras, indígenas, afro-diaspóricas e populares.