
O presente texto, intitulado Condicionamento linguístico dos sujeitos: caso de Angola, visa demonstrar que a política linguística, em Angola, é um fator que contribui para não preservação das línguas angolanas de origem africana e, consequentemente, para o preconceito linguístico. Recorremos à metodologia qualitativa, mais especificamente aos pressupostos da teoria de gramaticalização de Auroux (2001), Possenti (1995) e (2003), da Constituição da República de Angola (2010). Constituem resultados deste exercício acadêmico: i) o condicionamento linguístico dos sujeitos falantes das diferentes línguas de Angola privilegia a Língua Portuguesa e constitui uma estratégia de invisibilização das línguas angolanas de origem africana a médio e longo prazos; ii) O Estado, enquanto agente de poder, valoriza a Língua Portuguesa (des)caracterizada, como estratégia para o silenciamento das línguas de origem africana; ii) há a necessidade de adoção do multilinguismo na estruturas de ensino e da conformação entre a norma-padrão real e a ideal, visando reduzir as divergências existentes no sistema de ensino.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de um local é sustentado por um cálculo pautado em três importantes pilares – saúde, educação e renda – e, segundo o censo de 2010 (http://www.ibge.gov.br/home/) realizado pelo IBGE, os dados obtidos no estado do Maranhão foram calculados, juntamente com os outros estados brasileiros, e notou-se que ocupa uma das posições mais baixas do país. Unindo, assim, a prerrogativa legal apresentada à necessidade de diminuir os baixos indicativos da cidade maranhense de Aldeias Altas para números mais aceitáveis, se configurou emergencial a implementação de ações que contribuíssem para supri-la, o que evidenciou a relevância da nossa proposta intervencionista, uma vez que seus procedimentos estiveram pautados na utilização da literatura como estratégia capaz de favorecer a interação entre os envolvidos no processo de aprendizagem e atender seus objetivos explícitos e implícitos (Schwartz, 2012). Elegeu-se como principal objetivo promover a construção de espaços formativos que contribuíssem para o processo de reflexão sobre a importância dos atos de leitura, escrita e expressividade oral como prática social.
O artigo explora a profunda influência da cultura Guarani na identidade da Argentina e da América do Sul, argumentando que essa herança indígena é uma força viva presente nas línguas, nos costumes, nas figuras históricas e na vida cotidiana, muitas vezes sem ser reconhecida conscientemente. Destaca-se a presença do Guarani na literatura, na música, na toponímia e nas tradições. Se defende assim a ideia de uma identidade sul-americana compartilhada que integra essa matriz cultural em vez de ver "o indígena" como uma alteridade exótica.
Esta pesquisa examina os mecanismos de atribuição de gênero no dialeto Khattak do pashto e na língua urdu, com foco específico no tratamento dado aos empréstimos do inglês. O estudo utiliza o modelo teórico de Corbett (1991) para analisar o funcionamento dos princípios semântico, morfológico e formal (fonológico) em ambas as línguas. Tanto o pashto quanto o urdu apresentam um sistema binário de gênero, com formas masculinas e femininas, mas as regras de atribuição diferem consideravelmente entre elas. A pesquisa também investiga como os empréstimos do inglês são incorporados ao dialeto Khattak do pashto e ao urdu, e quais parâmetros são adaptados na atribuição de gênero a essas palavras em cada língua. A análise comparativa evidencia a existência de uma sistematicidade nos processos de atribuição de gênero e as estratégias adaptativas empregadas na incorporação de empréstimos do inglês.
Este artigo investiga e aponta as canções de catira ou cateretê como expressão poética, e ao mesmo tempo, como um texto fora da página da literatura canônica. O conceito de “texto fora da página” foi apresentado pelo professor angolano Nsimba José, e abre um importante horizonte de debates, sob o ponto de vista do literário, a respeito daquela gama de textualidades geralmente expulsa para as margens da noção de literatura atrelada à filiação canônica. Concepção reducionista, filiada a uma história única (Adichie, 2019), deixa fora da página um caudaloso, multifacetado e plurissignificativo manancial de textualidades, as quais manifestam poeticidades riquíssimas e generosas, e acumulam em suas partituras universos mentais carregados de força simbólica, dentre as quais, a gama de textos criativos advindos da oralidade (Zumthor, 1993). As expressões poéticas derivadas das formas orais, geralmente costuradas com a performance (Zumthor, 2007), extravasam as páginas dos textos meramente escritos e transitam na voz, circulando de geração em geração, em ampla medida, no registro oral. É o caso do(a) catira ou cateretê, expressão poético-musical, grafada na memória oral, que envolve performance, dança, audiência e repercussão.