
Célebre pela obra La géographie, ça sert, d’abord, à faire la guerre (1976), o geógrafo francês Yves Lacoste morreu em junho de 2026, um autor cuja trajetória biográfica e intelectual foi marcada pelo resgate da geopolítica na França, principalmente após a fundação da revista Hérodote, periódico que já completa meio século. Da geografia do subdesenvolvimento, Lacoste partiu para os temas da escala, da guerra e da política, na busca por recolocá-los no centro de interesse de seu saber, ampliando o campo da geograficidade. O resultado foi uma abordagem voltada às disputas de poder sobre o território, e atenta às representações engendradas pelos atores rivais, principalmente aquelas relacionadas à nação e ao nacionalismo.
Resenha da obra 15 anos: Geografias da Comunicação: orientações teóricas e metodológicas do percurso, organizada por Sonia Virgínia Moreira, Maria José Baldessar, Daniela Cristiane Ota, Roberta Brandalise, Jacqueline da Silva Deolindo e Paulo Celso da Silva. A coletânea reúne textos produzidos entre 2008 e 2023 e registra a consolidação das Geografias da Comunicação como campo interdisciplinar situado entre geografia e comunicação. Ao longo dos capítulos, são discutidos temas como território, região, fronteira, redes, cartografias digitais, jornalismo, informação e territorialidades midiáticas. Argumenta-se que a principal contribuição da obra está na construção de uma agenda de pesquisa capaz de articular espacialidades da comunicação e dimensões comunicacionais do espaço geográfico, ampliando as possibilidades de diálogo entre os dois campos.
O presente artigo busca examinar a relação entre o Programa de Proteção Ambiental implementado pelo Porto do Açu na Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Caruara e a desterritorialização das comunidades pesqueiras artesanais na Lagoa de Iquipari em São João da Barra (RJ). A discussão deste trabalho concentra-se em elucidar como os Programas Corporativos de Proteção Ambiental podem atuar como mecanismos de mercantilização da natureza e de desterritorialização de comunidades tradicionais. A metodologia adotada combinou revisão bibliográfica, análise documental, questionários e entrevistas semiestruturadas para compreender as relações existentes nesse processo e os impactos para os pescadores. Desse modo, é possível afirmar que o Programa de Proteção Ambiental tem sido utilizado como instrumento de desterritorialização pelo Porto do Açu, devido a uma série de restrições e proibições que foram implementadas sobre os pescadores artesanais com o intuito de extinguir a atividade tradicional da área da reserva.
Los ríos urbanos presentan profundas alteraciones en su dinámica hidrológica y geomorfológica como consecuencia de la expansión urbana, la ocupación de llanuras de inundación y la construcción de infraestructura. Este estudio evalúa la calidad hidrogeomorfológica de dos ríos urbanos de regiones semiáridas de América (México) y Europa (España), mediante el Índice Hidrogeomorfológico. La metodología integra análisis espacial, trabajo de campo, datos hidrológicos históricos y la delimitación de tramos funcionales. Los resultados revelan un marcado contraste entre los tramos urbanos y periurbanos, donde los primeros presentan los valores más bajos de calidad hidrogeomorfológica, asociados a la fragmentación del cauce, la alteración de los regímenes de caudal y la degradación del corredor ripario. Con base en el diagnóstico realizado, se discuten las implicaciones para la gestión y mejora de los ríos urbanos, a través de un conjunto de medidas orientadas a la recuperación funcional y a la mejora de la resiliencia socioambiental.
Esta investigación analiza las dinámicas de mediación social observadas en la interfaz institucional entre una organización de familias poseedoras y la administración estatal provincial en la cuenca del Alto Uruguay, Provincia de Misiones (Argentina) a principios del siglo XXI. El enfoque metodológico empleado es cualitativo-etnográfico, el cual, a partir de fuentes de información primaria (observación participante, entrevistas semi-estructuradas) y secundaria (bibliografía académica, documentos públicos, etc.) se reconstruyen diversos “lugares-eventos” significativos del proceso. Entre los principales resultados, se evidencia que el proceso de regularización de tierras: a) constituye un campo de mediación social: entre poseedores y estatalidad, donde la agencia colectiva y la capacidad técnico-política de los poseedores resultan cruciales para sostener la demanda e incidir en la agenda estatal; y b) el proceso de demanda por la regularización exhibe la reproducción de limitaciones y contradicciones de una estatalidad fragmentada y burocrática, que dificulta la cristalización de procesos integrales de acceso a la tierra.