
Este artigo propõe uma análise crítica do estudo Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task, publicado em 2025 pelo Massachusetts Institute of Technology, que associa o uso de IA à redução do engajamento cognitivo e da retenção de memória. Sustenta-se que tal leitura não decorre apenas de fragilidades técnicas, mas de um déficit epistemológico que reduz a cognição a padrões neurais, ignorando suas dimensões sociais, culturais e mediadas. Apontam-se como limites a homogeneidade da amostra, a artificialidade da tarefa (redação em vinte minutos), a ausência de acompanhamento longitudinal e a restrição do eletroencefalograma para mensurar processos complexos. Diferentemente da narrativa midiática de “emburrecimento”, argumenta-se que os efeitos observados são imediatos e situados. Em diálogo com autores como Simondon, Régis, Varela e defende-se que a IA implica reorganização, e não perda da cognição.
Este artigo analisa como a inteligência artificial generativa pode disseminar desinformação ao simular autenticidade em conteúdos audiovisuais. O estudo aborda dois casos de 2025: o vídeo da personagem virtual Marisa Maiô e a campanha do São João da Prefeitura de Ulianópolis, Pará, amplamente divulgados nas redes sociais. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base na Análise de Conteúdo, buscando compreender como narrativas automatizadas reconfiguram debates sobre verdade, pertencimento e sensibilidade. Os resultados mostram que, mesmo sem difundir falsidades, esses conteúdos reforçam estéticas padronizadas, invisibilizam sujeitos locais e confundem a percepção pública. Conclui-se pela necessidade de uma crítica comunicacional voltada à mediação cultural e à responsabilidade ética diante da automação simbólica.
Este artigo analisa como a inteligência artificial generativa pode disseminar desinformação ao simular autenticidade em conteúdos audiovisuais. O estudo aborda dois casos de 2025: o vídeo da personagem virtual Marisa Maiô e a campanha do São João da Prefeitura de Ulianópolis, Pará, amplamente divulgados nas redes sociais. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base na Análise de Conteúdo, buscando compreender como narrativas automatizadas reconfiguram debates sobre verdade, pertencimento e sensibilidade. Os resultados mostram que, mesmo sem difundir falsidades, esses conteúdos reforçam estéticas padronizadas, invisibilizam sujeitos locais e confundem a percepção pública. Conclui-se pela necessidade de uma crítica comunicacional voltada à mediação cultural e à responsabilidade ética diante da automação simbólica.
O estudo investiga o atravessamento dos contratos publicitários oficiais na prática jornalística do portal Banzeiro News, que se configurou como o maior beneficiário de recursos da Prefeitura de Manaus entre fevereiro e abril de 2025. O recorte empírico considerou 64 matérias publicadas na primeira quinzena de maio de 2025, partindo da hipótese de que a dependência financeira do portal em relação ao poder público reduz a pluralidade de fontes, privilegiando a reprodução de versões oficiais. Com base na tipologia de fontes, realizou-se uma análise de conteúdo, operacionalizada no software ATLAS.ti, estruturada em três eixos: grau de originalidade, tipologia das fontes e protagonismo de fontes oficiais. Os resultados indicam que todas as matérias reproduziam integralmente textos divulgados pela Prefeitura em seu site, apresentando predominância e elevado protagonismo de fontes oficiais, além de limitada diversidade de vozes populares ou especializadas. Os achados sugerem que a estrutura de financiamento pode influenciar a mobilização das fontes e a pluralidade informativa, com possíveis efeitos sobre o exercício da função fiscalizadora do jornalismo. Reconhece-se, contudo, que o corpus analisado, restrito a um único portal e ao período da primeira quinzena de maio de 2025, não permite generalizações para o conjunto do ecossistema midiático amazônico. Ainda assim, a investigação contribui para a compreensão da macrodinâmica dos contratos publicitários oficiais e do controle jornalístico pelo poder público, oferecendo elementos que podem orientar pesquisas futuras sobre economia política da comunicação na Amazônia.
O presente artigo investiga os processos de criação do programa Cocoricó, veiculado pela TV Cultura, através de aportes teórico-metodológicos da crítica genética e de processo de criação, analisando como profissionais de diferentes áreas colaboraram para a produção da obra. Com base em entrevistas, documentários e registros em mídias sociais, a pesquisa levanta um dossiê genético que demonstra que a vocação pedagógica da emissora foi integrada ao ímpeto criativo coletivo, com atores, roteiristas, figurinistas e compositores transformando restrições técnicas em escolhas artísticas que permitiram ao programa manter relevância geracional e reconhecimento como um importante programa educacional na televisão brasileira.