
Este ensayo conceptual analiza cómo las apuestas deportivas online configuran sensibilidades adolescentes y que implicancias pedagógicas se derivan para la educación del cuerpo y el ámbito escolar. A partir de una revisión crítica de literatura nacional e internacional (2010-2024) y del diálogo con las nociones de habitus emocional, reparto de lo sensible e inteligencia motriz, se propone la categoría inteligencia sensible para pensar como la percepción, emoción y acción se relacionan en prácticas de apuesta. El artículo discute la estetización del riesgo, la naturalización de la apuesta en contextos escolares y plantea propuestas pedagógicas orientadas a la alfabetización digital crítica y la educación emocional y corporal. Concluye que exceder el marco psicopatologizante abre posibilidades de intervención educativa que reconozcan aprendizajes y regulan riesgos.
De origem eclesiástica, caracterizado como instituição confessional católica, idealizado pelo então pároco de Cícero Dantas/BA, o Ginásio do Instituto Bom Conselho (1961-1972), hoje denominado Colégio Municipal Monsenhor Galvão, localizado no semiárido baiano, carrega consigo a história de um povo, sendo a principal instituição de ensino daquele município. Aqui, tenho por objetivo analisar a trajetória de implantação e funcionamento e a importância histórico-social da referida escola para o desenvolvimento da região. Para isso, apoiei-me em levantamentos bibliográfico e documental e em minha experiência enquanto docente da citada instituição, aportado em elementos da literatura científica. Considerei, a partir do material empírico que, ao longo dos anos, o Colégio para além de uma escola pública municipal, configura-se como patrimônio intelectual, científico e cultural da região semiárida da Bahia.
A tradição dialética ensina que uma maneira de entender o espírito do tempo é analisar como ele se materializa em forma estética. Neste sentido, o presente artigo procura investigar a prática do magistério em alguns materiais literários, enfatizando lugares do professor de Educação Física e da própria disciplina na literatura ficcional e memorialística. Destaca a centralidade da forma escolar na constituição da modernidade, para então abordar o corpo e sua educação em algumas obras, em especial o romance Nemesis, de Philip Roth, cujo personagem central é um professor judeu durante a epidemia de poliomielite nos Estados Unidos da América, em 1944. Suficiência e insuficiência corporal, masculinidade e esporte, hierarquias escolares, anti-intelectualismo e política, são temas que emergem e ganham importância a partir de uma dialética do esclarecimento. Ao final, faz-se uma discussão sobre a Educação Física e seu ensino, em meio às dificuldades tanto na tradição, quanto no tempo presente.
Este artigo tem o objetivo de analisar marcadores sociais que podem remeter às representações da violência na(s) unidade(s) escolar(es), dentre as quais afetam a todos os envolvidos da comunidade escolar. Para isso, a base é a revisão teórico-bibliográfica acerca de conceitos importantes, tais como: marcadores sociais da diferença (Fonseca, 2024), representação (Hall, 2016) e violência (Trevisan, 2021), bem como na análise de dados recentes acerca da violência escolar em suas intersecções, sobretudo a violência de gênero. Torna-se evidente, portanto, a partir dos dados analisados, que a estruturação de dimensões com marcadores pautados na violência deve suscitar, como pauta da agenda governamental, a implementação de políticas públicas que possibilitem mitigar a institucionalização da(s) violência(s) em suas múltiplas configurações, abarcando ainda a inserção dos dados do Boletim Técnico nos espaços educacionais como forma de criação das próprias ações e protocolos de ação, bem como construindo estratagemas para os grupos mais afetados pelas violências.
O presente artigo analisa fatos sociais amplamente divulgados pela mídia que se caracterizam por violência política impetrada por autoridades políticas brasileiras contra profissionais da educação. A análise em pauta prima por demarcar que tais violências não são um arbitrário qualquer, mas se estabelecem numa bem demarcada rede que, utilizando de artefatos fascistas como intimidação, produção de medo por pânico moral, perseguições e punições indevidas, constroem silenciamentos, minam a liberdade de cátedra e produzem um ensino instrumental que invalida o pensamento crítico e o pleno exercício de cidadania. A análise dos fatos aqui apresentados permite identificar figuras centrais que transformaram a vigilância sobre professores em uma plataforma de capital político. Através do uso de mandatos legislativos, ferramentas digitais e discursos incendiários, esses atores criaram um ecossistema de medo que induz à autocensura e ao adoecimento da categoria e, consequentemente, à obstrução da democracia.
O estudo teve como objetivo analisar como a metodologia ativa Estudo de Caso pode contribuir para a compreensão teórica e crítica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na formação docente em Química. A pesquisa, de natureza aplicada, adotou uma abordagem quali-quantitativa, configurando-se como estudo de caso exploratório e descritivo. Participaram 21 licenciandos de um curso de química vinculados ao PIBID, organizados em cinco grupos. Os dados foram constituídos a partir das respostas ao estudo de caso e de duas assertivas avaliativas em escala Likert. As produções escritas foram analisadas por rubrica interpretativa-indutiva, enquanto as assertivas passaram por análise frequencial, seguidas de triangulação entre os resultados qualitativos e quantitativos. Os resultados indicaram elevada concordância quanto à contribuição do estudo de caso para o desenvolvimento da reflexão crítica e para a articulação entre teoria e prática. Os grupos alcançaram níveis de compreensão variando de intermediário a crítico-reflexivo, revelando apropriação gradual e consistente dos ODS. A discussão evidencia o estudo de caso como mediador pedagógico, capaz de integrar dimensões científicas, éticas e socioambientais da aprendizagem. Conclui-se que a metodologia promoveu aprendizagem contextualizada e crítica, fortalecendo a formação docente voltada à sustentabilidade e à Agenda 2030.
Constitui a principal finalidade desse trabalho esquematizar reflexões acerca de avanços, violações e violências de gênero no contexto Brasil-Portugal. Trata-se do desejo de tensionar debates sobre o tratamento dispensado a corpos que fogem do padrão heteronormativo no contexto do Estado contemporâneo. Para cumprir esse intuito recorremos como metodologia à pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico e documental através de: levantamento de literatura; recolha de documentos e análise comparativa. Conclui-se que no contexto presente urge a necessidade de alianças para que sejam mobilizadas resistências e combates a discursos de ódio que defendem a restauração da moral judaico-cristã e que enfatizam a presença da população LGBTQIA + como inimiga. Sendo necessário o entendimento de que esses corpos têm direito à vida com possibilidades de sonhar futuros possíveis onde seus corpos sejam respeitados e sua vida assegurada pelo Estado.
Este artigo analisa a relação entre a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as práticas de letramento digital, considerando os desafios enfrentados por professores e estudantes no uso de tecnologias educacionais. A pesquisa baseia-se na implementação do projeto "Discutir, criar e dissertar", desenvolvido em uma escola pública de Anápolis (GO), com a utilização das ferramentas Padlet, Google Docs e Google Classroom como instrumentos para aprimorar a leitura, a escrita e a argumentação. O estudo discute as dificuldades técnicas e pedagógicas observadas, bem como as estratégias adotadas para integrar os multiletramentos ao ensino da produção textual. Metodologicamente, a pesquisa é qualitativa quanto à abordagem, exploratória quanto aos objetivos, bibliográfica, documental e netnográfica, quanto aos procedimentos. A base teórica se pautou nos documentos pertencentes ao INEP (Brasil, 2024) e BNCC (Brasil, 2018), além dos autores: Cope e Kalantzis (2020), Jordão (2007), Coscarelli e Ribeiro (2007), Dudeney, Hockly e Pegrum (2016), Cavalcante et al (2022), Caetano e Pinto (2018) e Alves (2025). Os resultados indicam que o uso planejado de tecnologias digitais favorece a construção de conhecimentos, amplia o engajamento dos estudantes e contribui para o desenvolvimento de habilidades exigidas pelo Enem.
A pesquisa analisa o impacto das tecnologias digitais na Educação Matemática no Ensino Médio, com foco nas abordagens pedagógicas que consideram a diversidade sociocultural dos estudantes, a adoção de metodologias alternativas e perspectivas decoloniais. Investiga como esses artefatos culturais podem promover aprendizagens lúdicas, reduzir a ansiedade matemática e tornar os conteúdos mais acessíveis ao cotidiano escolar. A partir de uma revisão bibliográfica e análise de produções acadêmicas, destacamos softwares e iniciativas pedagógicas inovadoras que favorecem práticas decoloniais. Os resultados indicam que o uso de tecnologias digitais de forma planejada dinamiza as aulas, estimula o pensamento crítico e amplia a compreensão de conceitos matemáticos, atuando não apenas na facilitação do conteúdo, mas como estratégias de equidade de gênero e superação de barreiras estruturais de gestão escolar. Contudo, desafios como infraestrutura precária e formação pedagógica insuficiente ainda são entraves para a efetividade dessas práticas em escolas públicas. Conclui-se que a perspectiva intencional do uso de tecnologias pode transformar a educação Matemática, a equidade e o engajamento na aprendizagem, além de reconectar teorias e práticas.
O corpo nos é apresentado como um ponto de entrada para a compreensão do processo de colonização, que se materializa nas últimas décadas por meio de tecnologias digitais, na forma da governamentalidade algorítmica. A modernidade implicou uma relação de dominação subjugadora sobre a natureza, centrada na tecnociencia, pilar fundamental da relação técnico-instrumental que possibilitou a dominação de outros considerados inferiores. Humanos, brancos e europeus pavimentaram o caminho para um processo colonizador que se atualiza tecnicamente hoje por meio da existência de algoritmos, que dão continuidade, intensidade e amplitude a uma governamentalidade agora robotizada, globalizada e individualizada. Assim, o colonialismo atual, desprovido de um Estado-nação opressor ou dos processos de aculturação em massa típicos do século XX, tem como arena o capitalismo de plataformas, e como alvo indivíduos e corpos cada vez mais isolados em sua relação simbiótica com os dispositivos digitais, e com as plataformas e aplicativos das Big Techs. Apontar para o corpo no atual processo colonizador permite analisar a configuração de novas subjetividades pautadas no controle, na vigilância e na normalização exercidos agora por algoritmos, nos quais não apenas dominam-se inferioridades geopolíticas, mas instauram-se novos modos de ser, existir e sentir como efeito de novas dinâmicas de poder e saber.
Este artigo analisa a instrução pública em Alagoas durante a administração de Graciliano Ramos como diretor entre 1933 a 1936, período em que o Estado foi administrado por dois interventores federais: Capitão Francisco Affonso de Carvalho e Osman Loureiro. As estratégias políticas adotadas por eles influenciaram diretamente a atuação de Graciliano Ramos, especialmente em um contexto de crescente articulação entre as esferas local e federal. Jornais como o Jornal de Alagoas (1933), o Diário de Maceió (1934), O Semeador (1934) e o Diário de Pernambuco (1933) foram mobilizados como parte de uma estratégia de aproximação com as camadas populares e de alinhamento com os ideais do governo Vargas. Ao abordar temas como alimentação escolar, infraestrutura e formação docente, o estudo contribui para a compreensão das interfaces entre instrução pública, poder e imprensa no contexto da centralização varguista, oferecendo uma leitura crítica das políticas educacionais e de suas implicações sociais, sobretudo para as camadas populares.
O estudo analisa as (in)visibilidades de crianças fronteiriças nas escolas de Corumbá (Brasil) e Puerto Quijarro (Bolívia), focalizando aquelas nascidas no Brasil, residentes na Bolívia e matriculadas em escolas brasileiras. Com abordagem qualitativa e delineamento de estudo de caso, foram aplicados formulários abertos a quinze jovens universitários de origem boliviana, cujas respostas foram examinadas por meio da Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que barreiras linguísticas, práticas pedagógicas homogêneas e avaliações centradas na norma do português contribuem para a invisibilidade desses alunos. A cultura escolar tende a ignorar as diferenças culturais e linguísticas, produzindo exclusões simbólicas e afetivas. Em contrapartida, o jogo e a brincadeira, dimensões da cultura lúdica, emergem como espaços de reconhecimento e visibilidade, permitindo a expressão identitária e a integração entre pares. Conclui-se que práticas pedagógicas interculturais são essenciais para valorizar a pluralidade das infâncias fronteiriças.
O texto se situa no campo da avaliação educacional. Objetivou apresentar e analisar as implicações dos resultados da Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) de 2024 à formação escolar. Problematizou: O SARESP cumpre o objetivo de indicador da qualidade do ensino público? Ancorou-se na perspectiva crítica que considera a educação como ferramenta capaz de superar desigualdades sociais por meio do acesso ao conhecimento científico e da cultura acumulada pela humanidade. A investigação é de natureza qualitativa, de técnicas bibliográfica e documental, e contou como categorias principais de análise: a) o currículo de Língua Portuguesa, b) avaliação externa, c) política de avaliação. As conclusões apontaram que a avaliação pouco considera as múltiplas capacidades que o ensino da Língua Portuguesa contempla; está focada na compreensão linguística, de tendência reducionista e sua elaboração atende unicamente aos propósitos da BNCC (2017) e do Currículo Paulista (2018).
O movimento, aqui denominado como Primavera Autista, adquire essa categorização diante da sua emergência, a partir do uso das redes sociais por jovens e adultos autistas. A Primavera Autista, enquanto acontecimento político-pedagógico, apresenta-se como uma possibilidade para autistas trazerem suas perspectivas, vivências e desafios diante do diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), evadindo da patologização e do paradigma biomédico que os classifica. Esse movimento assume a linha de devir que, de acordo com Deleuze e Guattari (2012b), é um rizoma e não uma árvore classificatória ou genealógica. O presente artigo objetiva elucidar o desenho político-pedagógico da Primavera Autista, a partir de discursos de 5 jovens e/ou adultos autistas, que foram convidados a participar desta pesquisa pelo potencial de sua atuação política no universo da rede social Instagram. Os dados foram coletados entre os meses de janeiro e fevereiro de 2024, a partir da realização de entrevistas semiestruturadas. Conclui-se que a Primavera Autista pode ser compreendida como uma possibilidade política de linha de fuga, em um espaço impregnado por estereótipos, que pode tão somente fixar as pessoas autistas em um molde identitário.
O presente artigo teve como objetivo investigar como a perspectiva interdisciplinar emerge na prática de docentes que ministram o componente curricular de Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental, com atenção voltada para o ensino de Física. Para tanto, as informações da pesquisa foram produzidas mediante entrevistas semiestruturadas com professores que lecionam neste componente curricular e analisadas através da metodologia da Análise Textual Discursiva. A partir disso, evidenciamos que a interdisciplinaridade, assim como os conceitos das diferentes áreas que compõem o componente curricular de Ciências nesta etapa escolar, emergem na prática dos docentes mesmo que de maneira limitada. Além do mais, apontamos a atitude interdisciplinar como aspecto fundamental para a prática docente ancorada nessa perspectiva.
RESUMO Este estudo analisou a relação entre o desenvolvimento profissional docente e as condições de trabalho de professores do Ensino Superior. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa e descritiva, com 65 docentes dos cursos de Licenciatura e Bacharelado da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Campus de Itapetinga. O corpus foi interpretado pela análise da técnica de conteúdo de Bardin (2011), tendo três categorias: condições de trabalho, saúde física e mental e ambiente de trabalho. Os resultados revelaram que a maioria dos docentes enfrenta carga horária excessiva e múltiplas demandas do tripé universitário, o que impacta negativamente sua saúde. Mais de 87% relataram fadiga e cansaço extremo, e 63% têm dificuldades para dormir devido ao estresse. O estudo também aponta que 35% dos professores já foram diagnosticados com problemas de saúde mental, evidenciando o adoecimento da categoria. Conclui-se que o desenvolvimento profissional docente é comprometido por condições insatisfatórias, destacando a urgência de políticas públicas para criar um ambiente acadêmico mais saudável e apoiar o bem-estar dos professores. Palavras-chave: Condições de Trabalho. Desenvolvimento Profissional Docente. Políticas Públicas.
O presente estudo analisa o contributo das tecnologias digitais para a redução das desigualdades sociais em Moçambique. A pesquisa teve como objectivo compreender até que ponto estas tecnologias podem facilitar o acesso a recursos essenciais como informação, educação, saúde e inclusão financeira. O estudo é quantitativo e envolveu a pesquisa bibliográfica e documental, bem como a aplicação de um questionárioonline a 47 inquiridos. Os resultados apontam para barreiras, como o custo elevado de dispositivos tecnológicos que suportam estas tecnologias, acesso limitado à internet e um baixo nível de literacia digital, sublinhando a importância da expansão da infraestrutura tecnológica e promoção de acções de literacia digital como caminhos para combater as desigualdades sociais.
O objetivo deste artigo é compreender as representações da escolarização francesa feitas em três artigos produzidos por educadores brasileiros que realizaram estágio na França, na segunda metade dos anos 1950, os quais foram publicados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Para tanto, usamos o conceito de representação formulado por Roger Chartier, pensado como presentificação de algo ausente ou já ocorrido, que é produzida pelas estratégias textuais de seu autor, e de história transnacional, enunciado por Eugenia Roldán Vera. Cada um desses artigos lançou o seu olhar a aspectos singulares da escolarização francesa: o de Gildásio Amado foi dirigido para o Plano Langevin-Wallon e as classes nouvelles, o de João Roberto Moreira foi para a formação dos professores para o ensino secundário e o de Oswaldo Domiense de Freitas focalizou a reforma Berthoin. Estes textos, portanto, fazem circular aspectos inovadores do ensino secundário no Brasil.
A ascensão da extrema-direita contemporânea gerou uma guinada autoritária no mundo, que vem demarcando o rumo do debate político. Através da análise fílmica temática do filme “A Onda” (2008), traçamos um paralelo com a fascistização do mundo, sob o viés da crítica à educação de Hannah Arendt relacionando totalitarismo, amor mundi, responsabilidade e ação pedagógica. Tomando a educação como preparação dos recém-chegados ao mundo e um problema político de responsabilidade dos adultos, refletimos como fazer da escola, um espaço que pulse liberdade, criticidade, pela mediação do professor. Na dinâmica narrativa fílmica, um professor ao tratar sobre autocracia, propõe a criação de um grupo denominado A Onda. Esse experimento pedagógico atinge os alunos em sua autoestima, fortalecendo o pertencimento e a disciplina, todavia gerando alienação e uma escalada de fanatismo e violência, culminando em uma tragédia, que reflete uma sociedade de indivíduos em coletividade, porém completamente isolados e atomizados.
O artigo analisa os modos de produção do mapeamento no Currículo Cultural da Educação Física (CC), com base em 14 relatos de práticas pedagógicas publicados no livro Escrevivências da Educação Física Cultural. Com abordagem qualitativa, identificam-se quatro modalidades de mapeamento mobilizadas pelos docentes: saberes discentes, mapeamento interno, escolar e do entorno. Também se examinam os momentos em que essas práticas ocorrem e suas articulações com o Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas. O mapeamento orienta escolhas metodológicas e favorece conexões entre práticas corporais, territórios e repertórios culturais dos estudantes. Longe de se reduzir a uma avaliação diagnóstica ou levantamento de conhecimentos prévios, configura-se como prática ética, política e criadora, ao colocar em jogo escutas, leituras e ressignificações dos contextos em que se ensina. A análise evidencia a necessidade de formação docente que amplie a sensibilidade para os saberes locais, as experiências vividas e as condições institucionais. Conclui-se que o mapeamento contribui para reinvenções curriculares situadas, sustentando pedagogias que operam pela diferença e pela multiplicidade.