
The discourse of individuals with dementia often escapes conventional forms of language. In this context, metaphorical language is frequently interpreted as a language error from a prescriptive grammatical perspective. However, from a neurolinguistic standpoint, language alterations are understood through the identification and description of linguistic phenomena considered deviant in relation to the norm. Here, the use of metaphors in the speech of individuals with dementia is observed as linguistic data: it is not, in itself, an indicator of cognitive impairment, but is inscribed in the singular ways these individuals produce meaning and in their strategies for communicative reorganization. Based on four speech samples, we discuss the dilution of physical experience into seemingly unusual abstractions. The metaphors used in the discourse of people with dementia do not seem deliberately intended to create an emotional effect, but rather present traces of subjectivity. Even when carrying an element of surprise, we understand this creative use—with uncommon shifts between (sociocognitive) domains of experience—as supported by a shared conceptual system. We infer that an imaginative rationality, which remains possible in the context of dementia syndromes through bodily memory, allows biography to be maintained, to some extent, even if out of tune, like notes that resonate with dissonance.
This article aims to reflect on the developments of (neo)conservative discourses produced by the digital environment within the field of Discourse Analysis. To this end, it considers several concepts and notions that were produced and/or further developed based on the theoretical assumptions of Digital Discourse Analysis. The article also proposes a discussion, rooted in the notions of resignification (Paveau, 2021b) and revascularization (Lourenço; Baronas, 2021), of technodiscursive practices formulated in digital media involving utterances about "reverse racism"— specifically looking at posts on Instagram and Facebook and their respective comments. The analysis seeks a theorization that can support studies on the materiality and maintenance of (neo)conservative discourses in digital environments. This theory is termed (un)gluing ((des)colagem), constructed through four classificatory categories that can be successfully verified within the posts on reverse racism selected for this article, which propose the analysis of (neo)conservative discourses.
O presente artigo resulta de pesquisa que avaliou a plataforma digital Sketch Engine (SKE) quanto ao seu diferencial face às demais ferramentas de igual natureza. Da mesma forma, verificou as funcionalidades dessa plataforma, de suas ferramentas e extensões para aplicação aos estudos da linguagem e à elaboração de dicionários bilíngues. A metodologia teve base investigativa e descritiva, com abordagem qualitativa e combinou revisão bibliográfica, estudo e exploração prática da SKE, visando exemplificar seu uso em contextos autênticos. O objetivo deste artigo, portanto, é apresentar as principais características da SKE que a distinguem de outras plataformas da mesma natureza e descrever suas ferramentas e recursos, exemplificando, com ênfase, a funcionalidade da ferramenta Parallel Concordance aplicável aos estudos linguísticos bilíngues voltados à tradução e à lexicografia. A fundamentação teórica selecionada é baseada nos princípios e conceitos da Linguística de corpus, da Lexicografia Geral e da Lexicografia digital. Devido ao dinamismo com que os modelos computacionais têm avançado, fomentar conhecimento sobre a SKE em língua portuguesa brasileira para ampliar as suas possibilidades no âmbito dos estudos linguísticos de base em corpora é imprescindível.
Este artigo tem como objetivo descrever e analisar a construção comparativo-proporcional do português contemporâneo à luz dos pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU). Fundamentado na abordagem construcional da gramática, nos moldes de Goldberg (1995, 2006), Croft (2001) e Traugott e Trousdale (2013), o estudo focaliza especificamente as microconstruções comparativo-proporcionais instanciadas por conectores correlatos, como quanto mais...mais, quanto mais...menos, quanto menos...mais e variações. A pesquisa baseia-se em dados provenientes de corpora da modalidade escrita do português contemporâneo, constituídos por textos do Nexo Jornal, da Folha de S. Paulo e da Gama Revista. A partir de uma abordagem quali-quantitativa, defende-se que a construção comparativo-proporcional constitui um subesquema construcional produtivo, organizado por relações escalares de implicação semântico-pragmática. A análise evidencia que tais microconstruções apresentam forte tendência à iconicidade, sobretudo no que se refere à ordenação lógica entre causa e efeito, além de exibirem diferentes graus de produtividade e flexibilidade formal, podendo instanciar tanto estruturas oracionais quanto não oracionais. Os resultados também demonstram que a construção comparativo-proporcional ultrapassa a descrição tradicional das chamadas “orações subordinadas adverbiais proporcionais”, configurando-se como uma rede de padrões convencionalizados vinculados à expressão de relações escalares.
This study investigates the identity self-perception of speakers from the community of Macaúbas (BA) based on the perception of fine phonetic detail related to the (de)palatalization of the alveolar stops /t/ and /d/ before the high vowel /i/. The main objective is to examine how different realizations, palatalized and non-palatalized, are perceived and how these phonetic cues are associated with social and linguistic meanings linked to the local speech. The study is grounded in a sociophonetic perspective, particularly in approaches that treat phonetic variation as a resource in the construction of identities. Methodologically, previously recorded audio stimuli were used and made available in online forms for the perception task, with the data analyzed through statistical procedures. The results indicate that speakers from Macaúbas do not show a categorical preference between the palatalized and non-palatalized variants of the alveolar stops before [i], although the non-palatalized variant presents greater relevance in dialect self-perception in specific contexts.
Este artigo tem por objetivo investigar atividades nas categorias verbos e advérbios presentes no livro didático do 2º ano do Ensino Médio. O estudo desdobra-se ainda em dois objetivos específicos: selecionar uma amostra de atividades sobre as categorias verbos e advérbios e identificar nessas atividades de análise linguística o uso ou não do ensino produtivo. A pesquisa é de caráter descritivo-explicativa e tem como fundamento a contribuição de estudos dos autores: Possenti (1996), Mendonça (2006), Travaglia (2009), Geraldi (2011); também, tomou-se por base, os documentos oficiais da Educação Básica PCN (Brasil, 2000) e BNCC (Brasil, 2018). A investigação traz uma amostra de sete atividades do livro didático “Se liga nas linguagens”, da editora Moderna e dos autores Wilton Ormundo e Cristiane Siniscalchi, sendo cinco da classe de verbos e duas da classe de advérbios. Essa amostra é analisada sob a perspectiva dos tipos de atividade: linguística, epilinguística e metalinguística, ressaltando a presença ou não do ensino produtivo como também a identificação do tipo de ensino que é predominantemente usado, ou seja, o ensino tradicional, compreendido aqui como prescritivo, o qual está implícito sob um suposto ensino produtivo, conforme o estudo feito.
This work aims to highlight the analytical potential of combining J. L. Austin's ([1962] 1990) Speech Acts theory with Alain Rabatel's (2016) point of view theory towards the analysis of textual production proposals in textbooks. It seeks to evidence that the articulation between these theoretical frameworks can broaden the understanding of activity proposals beyond operational descriptions, as well as reveal teaching and learning conceptions of writing. The framework includes theoretical studies on Speech Acts (Austin, [1962] 1990), point of view (Rabatel, 2015, 2016; Cortez, 2011a, 2011b; Carmo, Costa & Cortez, 2026), and writing (Koch & Elias, 2010; Geraldi, 2015; Lopes, 2025). The analysis extracted tasks from textbooks is based on a qualitative methodology. The results indicate that the proposed editorial sequence does not necessarily imply greater complexity in the teaching approach on writing. This finding confirms the relevance of this articulation for the critical analysis on teaching materials as well as for considerations on writing teaching practices in Portuguese language classes.
This article investigates attempts to cancel implicatures as politeness strategies aimed at restoring positive face in contexts of online shaming. The analysis draws on Grice’s theory of implicature (1975), Politeness Theory (Brown; Levinson, 1987), and a metapragmatic perspective (Silverstein, 1993). Through a qualitative analysis of two cases that received wide circulation on Brazilian social media, the study examines the controversial utterances, subsequent retractions, and evaluations documented in audience responses. It proposes a distinction between logical cancelability and interactional cancelability, as well as the analytical category of reverse FTA. In both cases, the recontextualizations are semantically and formally compatible with the original utterances, but the selected comments document resistance to revising the controversial interpretations. A reverse FTA is identified only in the case in which the reassignment of interpretive responsibility to the audience is explicitly contested. The study concludes that the logical possibility of cancellation does not guarantee its interactional effectiveness.
Los medios de comunicación desempeñan un papel fundamental en la sociedad, actuando no solo en la difusión de información o en la formación de la opinión pública, sino, sobre todo, en la creación de nuevas formas de interacción y relación del individuo consigo mismo y con los demás (Thompson, 1998). Estas interacciones producen maneras de ejercer poder a través del lenguaje, en las que las representaciones ideológicas se materializan en textos (Fairclough, 2003). Las prácticas periodísticas no son un fenómeno estático ni fijo. Por el contrario, a través de ellas se difunden, reelaboran o mantienen significados y sentidos (Thompson, 2011). Para reflexionar sobre estas cuestiones, el presente trabajo propone, a partir del caso de homicidio cometido por Thales Naves Alves Machado, un análisis crítico de los discursos materializados en los titulares producidos y difundidos por los siguientes periódicos: Fórum, Metrópole y Terra. Para el análisis del corpus, elegimos el Análisis Crítico del Discurso (ACD), específicamente las contribuciones de Norman Fairclough (2003) y de Chouliaraki y Fairclough (1999), así como la teoría sistémico-funcional (Halliday, 2004; Fuzer y Cabral, 2014) incorporada por el ACD. Constatamos, a través de los análisis léxico-gramaticales de los titulares, la reproducción de discursos misóginos y machistas dirigidos contra la exesposa del homicida.
Human communication has been widely described, in recent decades, as essentially multimodal, since it involves the coordinated integration of multiple semiotic resources in the construction of meaning (Kenneally, 2007; Zima, 2025). However, according to Schembri, Cormier and Fenlon (2018), Lepic and Occhino (2018), and Pêgo (2023), although this perspective has been extensively applied to spoken languages, its incorporation into sign language studies still presents important theoretical challenges, given that multimodality in these languages is often reduced to the visual-spatial dimension, as if the channel of materialization alone exhausted the discussion. Starting from this gap, and adopting a theoretical approach, this article seeks to discuss the following question: if human communication is essentially multimodal, how can we analyze multimodality in deaf signers’ communication beyond its visual-spatial characterization? More specifically, we investigate the relevance of the mouth in signing, whether through mouth articulations (arising from language contact) or mouth gestures (language-specific), and the implications this brings to usage-based grammatical and analytical models. Based on an initial analysis of the role of the mouth in interrogative pronouns extracted from spontaneous signing, our objective is to propose theoretical elements for a multimodal approach to sign languages that considers the integration between different layers of signing, thus paving the way for future analyses to be carried out within this line of research.
Este trabalho tem como objetivo descrever as variantes lexicais referentes à carta L79-Amanhecer, pertencente ao banco de dados do Atlas Linguístico do Amapá (ALAP). A pesquisa está fundamentada nos princípios da Geolinguística Pluridimensional, que busca evidenciar as variantes, considerando o aspecto espacial e sociocultural de seus falantes (Cardoso, 2010). O corpus metodológico utilizado faz parte do Projeto ALAP, que contou com 40 informantes distribuídos em dez localidades do estado do Amapá (1-Macapá, 2-Santana, 3-Mazagão, 4-Laranjal do Jari, 5-Pedra Branca do Amapari, 6-Porto Grande, 7-Tartarugalzinho, 8-Amapá, 9-Calçoene e 10-Oiapoque). Em cada ponto de inquérito, foram entrevistados um homem e uma mulher da primeira geração (18 a 30 anos) e um homem e uma mulher da segunda geração (50 a 75 anos). Em relação à cartografia linguística, a carta com as denominações para amanhecer foi elaborada pelos autores desta pesquisa por meio do software de design gráfico Inkscape. Os resultados obtidos foram representados com base na distribuição percentual das ocorrências de cada variante. Assim, observou-se a seguinte frequência: amanhecer (54,36%), raiar o dia (13,04%), dia clareando (13,04%), manhã (6,52%), nascer do sol (4,35%), aurora (2,17%), dia (2,17%) e sem resposta (4,35%).
Resumo: A Gramática de Construções Baseada no Uso (GCBU) propõe um modelo integrativo do conhecimento linguístico, em que as unidades da língua são concebidas como construções que pareiam forma e função (Goldberg, 2006; Diessel, 2019; Hoffmann, 2022). O esquema fonológico em nível submorfêmico recentemente tem sido evocado como uma construção (Höder, 2019), renovando a discussão com a qual contribuímos neste artigo com dados do português brasileiro. Valendo-nos de uma revisão bibliográfica, objetivamos argumentar em favor da pertinência de se considerarem esquemas fonológicos intrapalavras como construções parcialmente esquemáticas. Partindo de pressupostos de que esquemas fonológicos são unidades entrincheiradas e convencionalizadas que emergem do uso linguístico (Höder, 2014; Port, 2010; Silvennoinen, 2023; Mai et al., 2024) e de que unidades abaixo do nível da palavra também desempenham papel na organização do conhecimento linguístico (Höder, 2019), arrolamos argumentos que fortalecem a proposição de que tais unidades podem ser entendidas como construção, cuja dimensão funcional não se limita à distinção fonológica, mas envolve, também, aspectos interpretativos com implicações contextuais. Nossas discussões resultam na assunção de que padrões submorfêmicos podem portar graus diferenciados de densidade funcional, ao defender que a fonologia, extrapolando um papel meramente formal-estrutural, integra as camadas semântico-pragmáticas do conhecimento linguístico.
O objetivo deste estudo é compreender o processamento metarrepresental da ironia na constituição inferencial dos memes (Sperber; Wilson, 1995; 2002; Rauen, 2020; Wilson, 2013; Piskorska, 2016; Silveira; Feltes, 2002). Neste artigo, procedemos a um estudo de caso de um meme publicado pelo perfil @meuparenteoficial (no Instagram) em 26 de agosto de 2025 intitulado Tá lento❤️😍. Nossa hipótese reside no argumento de que os memes constituem-se como espaço comunicativo privilegiado para observarmos a integração de diferentes estímulos (inputs) em esquemas de processamento complexos para efeitos cômicos (Silva; Cortez, 2020; Chagas et al., 2017). Os resultados apontam para uma arquitetura inferencial alusivo-dissociativa, que apesar de exigir esforço extra de processamento, é compensada pela integração de diferentes inputs, recompensado pelos efeitos humorísticos.
The article analyzes the media transposition of The Hate U Give, from book to film. Inspired by the death of Oscar Grant in 2009, the story—both in Angie Thomas's novel and in the film directed by George Tillman Jr.—follows Starr Carter, a Black teenager navigating two contrasting space-time settings: the marginalized neighborhood of Garden Heights and the elite Williamson school. The study aims to understand how the articulations of time and space in the cinematic adaptation of The Hate U Give function as narrative and discursive strategies, contributing to the construction of meaning and the deepening of the social critique present in the work. By examining the predominant chronotopes, the analysis seeks to highlight their role in structuring argumentation and mediating the social tensions that permeate the narrative. Grounded in intermediality, media transposition, and Bakhtinian chronotope theory, the article demonstrates how these space-time configurations sustain ethical and political meanings, revealing historical inequalities and the dehumanizing effects of structural racism. By integrating diverse social and ideological voices, chronotopes become critical operators of enunciation, memory, and conflict, fostering an engaged reading of cinema.
Microstories are texts that stand out for their synthesis and the absence of a development considered classic according to Aristotelian rhetoric or according to the norms of textual production. In view of this peculiarity, the objective of this article is to discuss the argument from a discursive perspective. To fulfill this proposal, some microstories were selected from the work The hundred smallest Brazilian tales of the 21st century (2004), organized by Marcelino Freire: “The Bible (special features)” by Antonio Prata; “Duels” by Flávio Carneiro; “But Rio is still beautiful” by Antônio Torres. The selected examples are analyzed considering the communicative proposal as a discursive genre and the possibilities of reconstruction that explain the argument suggested in the story. Structural fragmentation invites the reader to reconstruct the narrative scene based on their previous knowledge and their place in the social context. Thus, the multiplicity of interpretation mobilizes the narrative and argumentative articulators of each reader/enunciator/writer, putting into operation the dialogical discursive process in the theoretical-methodological perspective of Dialogical Discourse Analysis (Bakhtin, 2016); Volóshinov (2017, 2019) and authors who deal with argumentation, such as Amossy (2008); (2011); Maingueneau (2006, 2008). Because they are short and fragmented texts, they allow for classroom work, mobilizing students' creativity by reworking the narrative with cohesion and coherence, exercising the living language, as Bakhtin (2013) proposes.
This article proposes a Dialogical Discourse Analysis (DDA) of an episode of the Flow Podcast, aired in February 2022, in which host Monark suggests the creation of a Nazi party in Brazil, prompting a strong reaction from congresswoman Tábata Amaral. The research problem lies in understanding how both participants construct their arguments, considering the dialogical relationship between speaker, interlocutor, and audience. The general objective is to investigate the discursive effects of this argumentative onstruction within the framework of a polemical debate, highlighting how the I-other relation guides and shapes the enunciations. The methodology followed three steps: 1) selection of a three-minute excerpt from the interaction; 2) simple transcription of the segment, without specific conventions, preserving the discursive and ideological focus; and 3) application of DDA based on the concepts of dialogism, polyphony, heteroglossia, and ethical act, according to the postulates of Bakhtin (2002; 2015; 2017a; 2017b; 2020; 2022). The results reveal that Monark represents authoritarian and prejudiced voices, while Tábata reinscribes alterity as an ethical-discursive value. The analysis highlights strategies of objectification, denial, extremization, and dispute for audience adherence, framing the videocast as a dialogical arena for the circulation of hate speech and resistance.
O presente estudo explora a leitura argumentativa, um fenômeno interdisciplinar que integra perspectivas da linguagem, pautadas pela Filosofia, Psicologia e Educação. Diante da necessidade de aprofundamento teórico-prático sobre o tema, este ensaio teórico tem por objetivo discutir a dimensão dialógica da leitura, com ênfase nas especificidades dos diálogos argumentativos dialéticos e não mediatizados, bem como no procedimento de questionar um assunto. Metodologicamente, a reflexão se fundamenta em uma abordagem qualitativa e está organizada em duas partes interligadas por uma análise interacional no qual os sujeitos, por meio de relações dialógicas, praticam a compreensão responsiva. Os resultados apontam que a leitura argumentativa é um processo interacional no qual os indivíduos, por meio de relações dialógicas, exercitam a compreensão responsiva. Esse processo mobiliza múltiplas dimensões, incluindo a perceptual, sociocognitiva, emocional e simbólica. Como contribuição, o artigo apresenta esquemas e procedimentos que visam apoiar o desenvolvimento de práticas de leitura argumentativa em contextos escolares.
Este artigo investiga os posicionamentos axiológicos da Deputada Erika Hilton (Psol) na Câmara dos Deputados, enfatizando sua atuação como força discursiva que desterritorializa discursos niilistas e conservadores hegemônicos — especialmente os enraizados no fundamentalismo cristão. Ao reacentuar ideologias que negam a existência e os direitos da população LGBTQIAPN+, Hilton rompe com pactos velados de exclusão e insere no espaço institucional um discurso politicamente performativo que reivindica o direito ao casamento gay. Fundamentado em abordagem qualitativa, o estudo analisa os posicionamentos axiológicos assumidos por Hilton em uma sessão solene na Câmara dos Deputados, ao confrontar a retórica ultraconservadora, e busca subsídio teórico em Bakhtin, Volóchinov e Medviédev, bem como em Butler e Preciado. A pesquisa articula também o marco legal da criminalização da homofobia como forma de situar a potência jurídica e simbólica da atuação de Hilton. Os resultados evidenciam como sua presença discursiva reconfigura os sentidos estabilizados da velha política, instaurando uma ética da responsabilidade e da alteridade. Ao desestabilizar enunciados normativos de apagamento, silenciamento e extermínio de corpos infames, Hilton constrói um horizonte político inclusivo, reafirmando a linguagem como território de disputa e transformação social.
Em um cenário marcado por crises humanitárias, desigualdades sociais e discursos de ódio nas mídias digitais, crianças e jovens sofrem com opressões e injustiças sociais. Este artigo discute como uma ação do Projeto Brincadas auxiliou estudantes do Ensino Médio de uma escola pública de São Paulo a refletirem criticamente sobre questões da saúde mental. Fundamentada na Pesquisa Crítica de Colaboração (PCCol) e em análise qualitativa, a pesquisa investiga como a Argumentação Colaborativa Multimodal pode contribuir para a superação do Sofrimento Ético-Político de adolescentes. Os dados foram produzidos em um encontro realizado em maio de 2024, nas dependências da escola. Além da Argumentação Colaborativa Multimodal, o conceito de Multiletramento Engajado auxiliou na análise dos dados audiovisuais registrados no acervo do Projeto Brincadas. Os resultados indicam que a argumentação colaborativa favorece a superação de dores decorrentes das desigualdades ao integrar diversos recursos semióticos e permitir a criação de novos significados por meio do diálogo e do confronto de perspectivas. Conclui-se que práticas baseadas na Argumentação Colaborativa Multimodal e no Multiletramento Engajado auxiliam na formação de sujeitos mais críticos e engajados na transformação social. A pesquisa evidencia a relevância de práticas dialógicas que promovam reflexão crítica e ação coletiva.
Este artigo analisa o potencial pedagógico e argumentativo do gênero discursivo "assembleia deliberativa", presente no livro didático Multiversos – Língua Portuguesa (Campos; Oda, 2020). Fundamentado no dialogismo do Círculo de Bakhtin (Bakhtin, 2003; 2008; 2010; 2013; 2016; Volóchinov, 2013; 2018) e em uma perspectiva cultural sobre a argumentação defendida por autores como Plantin (2008), Grácio (2023) e Zarefsky (2009), o estudo explora como a prática argumentativa pode promover a formação de cidadãos críticos, reflexivos e participativos na vida pública, contribuindo, assim, ao desenvolvimento de uma cultura da argumentação. A metodologia baseou-se na análise qualitativa do material didático, com foco nas etapas de planejamento, produção, revisão e avaliação da atividade. Os resultados apontam que a atividade não apenas desenvolve capacidades argumentativas previstas pela BNCC, como também incentiva a escuta ativa, a negociação de significados e o respeito à diversidade de ideias. A abordagem prática e colaborativa promove a vivência democrática, conectando o aprendizado escolar às práticas sociais. Por fim, conclui-se que o gênero discursivo "assembleia deliberativa" representa uma prática significativa para o ensino da argumentação, fortalecendo o diálogo e a convivência democrática, e sugere-se sua ampliação para diferentes contextos educacionais.