
Em meados do século xix, o francês Anatole Louis Garraux abriu um empreendimento de grande sucesso na cidade de São Paulo. Ele vendeu variados itens e, em especial, romances traduzidos em língua portuguesa. Ao apresentar estes romances, o livreiro-editor organizou um catálogo com as publicações em língua portuguesa disponíveis para encomenda por meio da Casa Garraux. Este artigo examinará algumas estratégias realizadas pelo livreiro para escoar a publicação lusitana em terras brasileiras por meio da distribuição dos seus catálogos e da publicação de anúncios em jornais. Iniciamos com a apresentação dos passos seguidos para organizar a variedade de itens apresentados nos catálogos da Casa Garraux. Em seguida, descrevemos os catálogos da Casa Garraux, com especial atenção para o catálogo publicado em 1866, com títulos exclusivos em língua portuguesa e publicados, em sua grande maioria, em Portugal. Na terceira seção do artigo, destacamos a presença dos livros em língua portuguesa publicados pela Editora Pillet Fils Ainés no catálogo da Casa Garraux.
Neste mundo multicultural e globalizado a industria do libro ocupa un lugar importante dentro do ámbito dos bens de consumo cultural e/ou da oferta de produtos culturais (sexan comerciais ou non). Os fluxos literarios entre as literaturas galega e portuguesa, como os que se producen entre calquera outro campo literario, están gobernados polos imperativos do mercado do libro onde interveñen numerosos axentes (Bourdieu 1998) ou/e actantes (Callon e Latour 1991) dende os iniciadores ata os consumidores finais pasando polos tradutores/ras, editores, feiras do libro, institucións gobernamentais etc. que buscan diferentes estratexias para internacionalizar (Sapiro e Fondu 2023) as obras. Con este traballo queremos saber cal é a relación e o intercambio de obras literarias escritas por mulleres entre as comunidades lusas e a cultura-literatura galega, e como foi evolucionando ao longo do tempo. Por outra parte, interesa tamén a consideración que en Galicia se lle dá á literatura portuguesa, brasileira ou a de outras comunidades da Lusofonía e cal é o interese que amosan as comunidades lusas pola literatura galega.