
Este artigo analisa a presença do “Aprender a Aprender” nas licenciaturas ofertadas pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Trata-se de uma pesquisa de análise documental, que utilizou como corpus as disciplinas Psicologia da Educação e Teorias do Currículo dos cursos de Letras, Matemática e Pedagogia. Foi possível perceber a recusa de referências críticas pautadas na defesa de conteúdos científicos, filosóficos e artísticos mais desenvolvidos para o currículo escolar, a centralidade do construtivismo na compreensão de ensino e aprendizagem, e uma diluição da Psicologia Histórico-cultural num heterogêneo (socio)interacionismo construtivista, através de relativismos e ecletismos típicos do pós-modernismo.
Este artigo analisa as categorias ontológicas de ideologia e alienação em Para uma Ontologia do Ser Social (1986; 2018), de György Lukács, destacando suas implicações para a compreensão das dinâmicas sociais e, em particular, da educação. Lukács concebe o ser social como historicamente constituído pela práxis humana, sendo a ideologia uma função social que media conflitos e contradições, e não apenas um véu que encobre a realidade. A alienação, por sua vez, é vista como um fenômeno que distancia o indivíduo de sua essência humana, limitando suas potencialidades. O artigo explora como esses conceitos se manifestam no campo educacional, entendendo a educação como um complexo social que tanto reproduz quanto pode desafiar estruturas de dominação. Com base em uma leitura crítica do Tomo II da obra de Lukács, o texto argumenta que a ideologia não é intrinsecamente negativa, podendo desempenhar um papel emancipador ao conscientizar sobre conflitos de classe. Assim, a educação é analisada enquanto espaço de disputa ideológica, capaz de perpetuar ou transformar as condições sociais, oferecendo subsídios para uma crítica ontológica das práticas educativas em contextos contemporâneos.
O artigo explora as proximidades teóricas entre o último Lukács e a reinterpretação crítica de Marx proposta por Postone ao mesmo tempo em que tangencia os limites da crítica oferecida por Kurz a uma suposta ontologia do trabalho. Após glosar a posição de Kurz a respeito do conceito de substância, trabalho e das categorias de valor e valor de uso, apresenta rápidos comentários introdutórios, recorrendo à formulação de J. Chasin, a um conjunto categorial mobilizado por Lukács em sua Ontologia – trabalho, objetivação, alienação, estranhamento, ideologia e reprodução social. Em seguida expõe, de modo breve, as linhas gerais da reinterpretação de Postone enfatizando a dominação abstrata temporal do valor como forma específica de dominação da sociedade do capital. Ao longo das seções dedicadas a Lukács e Postone oferece comentários críticos à figuração de Kurz sugerindo que nela há uma aporia que leva a incapacidade de propor a constituição de práticas sociais que apontem para a emancipação humana da dominação abstrata do valor e para a humanização do ser humano.
Neste trabalho nos propomos a analisar a “teoria da decadência ideológica” de Lukács, a fim de delimitar seu escopo e objetivo. Apresentamos que sua determinação fundamental está em apreender as transformações no seio do pensamento burguês no período da decadência ideológica. Essas transformações giram em torno da necessidade da apologia do modo de produção capitalista afim de concebê-lo não como uma forma de sociabilidade historicamente determinada, mas como algo eterno e insuperável. Em função disso o pensamento burguês passa por um simultâneo processo de regressão ao empírico e evasão do ontológico no plano teórico, o que determina e caracteriza todo seu cosmo intelectual e resulta em uma ontologia de relações puramente empíricas.
Samora Machel foi um líder da Frente de Libertação de Moçambique e conduziu a independência do país em relação a Portugal. Em 1975, Samora tornou-se o primeiro presidente de Moçambique. Na II Conferência do Departamento de Educação e Cultura, realizada em 1970, Machel apresentou o discurso intitulado Educar o homem para vencer a guerra, criar uma sociedade nova e desenvolver a pátria, no qual define o papel da educação e da cultura. As reflexões de Samora Machel continuam sendo imprescindíveis, na medida em que defendem uma educação revolucionária: que não seja obscurantista, nem baseada em mitos locais ou em aspectos retrógrados oferecidos pelo colonizador, mas sem abrir mão da ciência e da história à serviço do povo