
Resumo: Esse estudo buscou compreender como mães que perpetram violência/negligência contra suas filhas adolescentes vivenciam a maternidade. Trata-se de uma pesquisa clínico-qualitativa fundamentada no referencial winnicottiano. As entrevistas com as sete mães foram mediadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. A maternidade estava sendo exercida com uma importante restrição da capacidade transicional, sendo esse um obstáculo para a oferta de um cuidado alinhado às necessidades emocionais das filhas. As manifestações de violência e negligência indicaram a impossibilidade dessas mulheres fazerem uso da transicionalidade para se relacionar com as filhas e para recriar o vínculo na fase da adolescência.
Resumo: A partir da experiência clínica com dois casos de adolescentes que apresentam uma relação fusional com a mãe, propomos uma discussão a respeito da utilização da transferência e da contratransferência como método de escuta para diagnóstico diferencial e estabelecimento de setting. Compreendemos dois tipos de vínculo fusional: “circunstancial” e “psíquico”, o que acarreta diferentes manejos e prognósticos. A contribuição do psicanalista é restrita à estrutura psíquica do paciente. Contudo, um espaço intersubjetivo e pensante pode auxiliar na (re)construção de histórias e vínculos. A escrita se mostrou parte importante do método clínico para elaboração dos casos pelos psicanalistas.
Resumo: Este artigo propõe uma leitura da situação contemporânea da psicanálise, com ênfase na tradição lacaniana, a partir do diagnóstico de um desgaste ético e epistêmico. Retomando o gesto lacaniano do “retorno a Freud”, argumenta-se que, na atualidade, tal operação requer um deslocamento metodológico: não mais um retorno centrado na obra do autor, mas uma releitura permanente dos fundamentos da psicanálise em sua inscrição histórica, cultural e geopolítica. Trata-se de promover uma psicanálise situada, atenta às marcas de raça e gênero na constituição do sujeito e na prática clínica, e uma metapsicologia como produção histórica, atravessada por determinações ideológicas.
Resumo: Este artigo tem o objetivo de apresentar concepções para o amor, elevadas da literatura de Daniel Munduruku e orientadas pelo perspectivismo ameríndio de Viveiros de Castro. Fazendo uso da equivocação controlada, promovemos a sua diferenciação ontológica em contraponto à psicanálise. Como resultado, destacamos que, para amar, é preciso um corpo, que o amor precipita a transformação do corpo e da perspectiva, bem como carrega um propósito coletivo. Em contribuição, o amor comparece como via de transformação mutualista dos sujeitos e o perspectivismo como aporte para a transformação teórica, cujos efeitos metapsicológicos repercutem na ética e na clínica psicanalíticas.