
Minorias sexuais são acometidas por diversos estressores que tendem a diminuir sua qualidade de vida. Modelos teóricos como a Teoria do Estresse de Minorias e a Terapia do Esquema (TE) podem ser ferramentas importantes para compreender o impacto destes estressores no desenvolvimento de processos cognitivos disfuncionais e na piora dos índices de saúde mental, contudo, existem poucos estudos que utilizam estas duas teorias como forma de compreender este tópico. A partir disso, esse estudo se propõe a identificar se há relação entre os Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) propostos pela TE e indicadores de Estresse de Minorias (EM) em uma amostra brasileira de lésbicas, gays e bissexuais (LGB). Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e correlacional. Participaram 154 adultos LGB que responderam aos seguintes instrumentos: questionário sociodemográfico, Protocolo de Avaliação do Estresse de Minoria em Lésbicas, Gays e Bissexuais e Questionário de Esquemas de Young. Verificou-se correlações estatisticamente significativas entre a maioria dos EIDs, com um ou mais indicadores de EM, com exceção do EID de Padrões Inflexíveis. Estes resultados estão de acordo com outros achados da literatura, demonstrando a relação entre as duas teorias e trazendo reflexões sobre como o ambiente impacta no desenvolvimento de Minorias sexuais e de gênero.
Essa pesquisa de revisão de literatura questionou sobre o papel da família, da escola e da equipe multiprofissional em intervenções com crianças e jovens com autismo e/ou deficiência intelectual (DI), à luz do conceito de metacontingência. Mais especificamente, o objetivo identificar as condições de envolvimento e impacto na aprendizagem da criança com autismo e/ou deficiência intelectual em seu processo escolar inclusivo. A revisão foi realizada em cinco bancos de dados, por palavras-chave: autismo e intervenção comportamental, autismo e Análise Aplicada do Comportamento (ABA), deficiência intelectual e ABA, deficiência intelectual e intervenção comportamental. A busca recuperou 54 estudos, das quais 26 foram selecionados. A análise dos resultados descreveu os objetivos de ensino e das relações estabelecidas entre instituição escolar e família, em díades (intervenção-família e intervenção-escola) e tríade (intervenção-família-escola). Os estudos mostraram maior ênfase na avaliação de desenvolvimento de crianças com autismo em relação à família ou às demandas oriundas do ambiente escolar. Recomenda-se avaliar a viabilidade de uso de instrumentos que entrelacem os três contextos (escola na classe comum, intervenção em contraturno e família), para estabelecer planejamentos de ensino mais colaborativos, favorecer a aprendizagem da criança e qualidade de vida da família e das professoras.
Buscamos identificar as violências dirigidas às mulheres institucionalizadas em situação de sofrimento mental em consequência da lógica manicomial. Realizamos estudo qualitativo com três mulheres adultas que experienciaram internação em hospitais ou clínicas psiquiátricas, a fim de entender os impactos da violência institucional em suas vidas. As entrevistas foram realizadas de forma online, entre janeiro e março de 2022, em Goiás. Foram gravadas e, posteriormente, transcritas. A análise dos dados foi feita por meio dos núcleos de significação, em uma perspectiva sócio-histórica. Foram constituídos os seguintes núcleos: “Eu tava sendo tratada, mas acredito que não era da maneira correta”: sobre as vivências médicas das participantes e ser mulher no mundo e “Se eles não conseguem ouvir com a pessoa, [...] a resposta pra eles é a injeção na bunda”: violências em âmbito institucional. Encontramos diversas violências cometidas contra as participantes, como descrédito, utilização de medicamentos de maneira forçada e coercitiva, violência física e sexual, negligência, entre outras. O ambiente opressivo e violento das instituições psiquiátricas corrobora para o adoecimento e confusão quanto à própria constituição de si. Por fim, alertamos para a importância de uma sociedade não opressora e com uma rede de atenção à saúde pública fortalecida e bem consolidada.
A lesão medular é uma das lesões mais incapacitantes e que provoca mudanças drásticas e repentinas na vida da pessoa, exigindo formas de enfrentamento para o encontro de novos significados e do sentido para sua existência. Este estudo teve como objetivo identificar núcleos de sentidos da vida e apreender valores de criação, de vivência e de atitude a partir das autobiografias de pessoas com lesão medular. Participaram da pesquisa sete pessoas com sequelas de lesão medular, de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos. Os participantes narraram sua autobiografia considerando três perspectivas: a visão retrospectiva (passado), o mundo presente e a visão prospectiva (futuro). Como resultados foram identificadas as seguintes categorias: família, fé e espiritualidade, esporte, arte, trabalho e estudo, tomadas de atitude, sentidos, futuro e legado. A autobiografia se revelou como um recurso terapêutico que possibilitou a reavaliação do sofrimento em termos significativos e auxiliou na detecção de valores e de sentidos de vida.
Filhos atípicos requerem cuidados diferenciados, geralmente demandados às mães, podendo impactar na adaptação destas a algo que não foi planejado. O Modelo do Processo de Adaptação e Desenvolvimento descreve o percurso de pais desde o diagnóstico até a adaptação e desenvolvimento pessoal. Objetivou-se identificar se há diferença nos níveis de adaptação das mães em relação ao tipo e tempo do diagnóstico e idade dos filhos. Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo. Amostra foi composta por 29 mães com filhos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Paralisia Cerebral. A coleta de dados ocorreu através da Escala Parental de Adaptação à Deficiência (EPAD) e a análise por meio do Teste U de Mann-Whitney. Identificou-se diferenças na adaptação nas dimensões apoio social, resiliência, culpa, depressão e funcionalidade mensuradas pela EPAD conforme o tipo e tempo de diagnóstico e idade das crianças. Conclui-se que algumas variáveis como o tipo e tempo de diagnóstico e idade das crianças podem interferir em como as mães se adaptam aos filhos atípicos.