
Este artigo discute o papel histórico de resistência da imprensa negra no Brasil, examinando se sua trajetória configura uma estratégia de afirmação dos povos amefricanos e uma expressão da Amefricanidade proposta por Lélia Gonzalez (1988). Com base em análise bibliográfica e documental, sustenta-se que a imprensa negra materializa uma resistência estratégica ao racismo, atuando como prática socio-histórica de afirmação, consciência política, produção de memória e promoção de uma perspectiva plural e antirracista no país.
Os estudos sobre divulgação científica têm se dedicado à presença de pesquisadores e de suas instituições na imprensa, as áreas do conhecimento mais divulgadas e a diferença entre cientistas homens e mulheres procurados como fontes. Este artigo apresenta uma investigação sobre a presença de pesquisadores no jornal Folha de S. Paulo entre articulistas e entrevistados, tanto na editoria de Ciência quanto nas demais editorias. Utiliza-se a Análise Textual Discursiva como metodologia e classifica-se os pesquisadores por instituição, área do conhecimento e se são homens ou mulheres. Os resultados mostram que instituições estrangeiras e Ciências Exatas e Biológicas se destacam na editoria de Ciência. A USP e as Ciências Sociais Aplicadas se destacam nas demais editorias. As mulheres representam pouco mais de um terço dos cientistas nos artigos e 27% dos entrevistados na editoria de Ciência.
O artigo analisa as práticas comunicacionais relacionadas à transferência de conhecimento e à mobilização de públicos no contexto do Centro de Ciências para o Desenvolvimento Smart B100 (CCD-SB100), iniciativa financiada pela FAPESP voltada à Plataforma Smart Boletim 100 (SB100), destinada à difusão de conhecimento sobre manejo eficaz do solo. Parte-se da compreensão da comunicação como eixo estruturante da governança do conhecimento, superando o modelo linear de difusão para enfatizar circulação e coprodução. A pesquisa, exploratória e descritiva, envolve mapeamento de públicos estratégicos, revisão teórica sobre comunicação organizacional e pública da ciência, e estudo de caso da EMBRAPA em Sergipe. Os resultados indicam que a efetividade da transferência depende de confiança, diálogo e mediação territorial. Propõem-se cinco eixos comunicacionais participativos para o CCD-SB100. Conclui-se que a inovação científica exige estratégias comunicacionais capazes de promover apropriação social do conhecimento.
Este artigo investiga o papel das narrativas digitais no design como estratégia para a construção de experiências imersivas no metaverso, tendo como objeto de estudo a exposição Rock Metalverso Brasília. A pesquisa fundamenta-se em uma análise qualitativa, a partir do olhar de Bardin (1977), como forma de identificar e categorizar os elementos de design presentes no ambiente expositivo. A análise mostra como componentes visuais, sonoros e interativos foram articulados de modo a promover o engajamento dos visitantes, fortalecer a memória coletiva e reforçar a identidade cultural vinculada ao rock produzido em Brasília. Os resultados apontam que a integração eficaz desses recursos contribui para uma vivência significativa e à ressignificação da memória coletiva e do reposicionamento do avatar enquanto sujeito ativo na experiência imersiva.
O presente trabalho investiga os episódios do Podcast Sozinha de Si, idealizado e produzido por Mayra Abbondanza, à luz das discussões sobre estar à escuta e das questão de gênero. Ao longo de menos de 10 meses (entre abril e outubro de 2024), 30 mulheres foram ouvidas para que suas histórias fossem contadas nesses episódios. Em sua maioria, essas mulheres não haviam partilhado tais situações que as dilaceraram em sua humanidade, forçadas a viver suas dores sozinhas e em silêncio. A escuta, mediada pelo celular e pela prática de ghostwriting, possibilitou perceber como, para a mulher, há uma sobrecarga no campo do cuidado, consigo e com aquelas e aqueles que as rodeiam. A veiculação dos episódios do podcast, como produto comunicacional, possibilitou a existência de uma rede que, pela história, fortalece a comunidade daquelas que viveram a pior face do patriarcado. O trabalho apresenta, ainda, alguns números relacionados a essas mulheres e como instituições se portaram diante das violações que viveram.