
Resumo Esta resenha analisa criticamente a obra Oprimir não é didático: diálogos sobre a docência, de Maiquel Röhrig, publicada em 2024, situando-a no debate contemporâneo sobre formação docente e ensino de literatura e gramática. O livro está estruturado em dezesseis capítulos e organizado em formato dialógico, trazendo como proposta reflexões sobre a prática docente. A obra aborda temas como gestão da sala de aula, formas de avaliação, autoridade e autoritarismo, contextualização do ensino de literatura e gramática e, ainda, a literatura como proposta metodológica para discussões críticas de contexto social, como forma de desenvolver a alteridade dos alunos. A análise evidencia, do ponto de vista pedagógico, que o livro oferece contribuições consistentes para a gestão da sala de aula. A obra não pretende ser um tratado teórico sistemático nem um livro restrito à área de letras, mas um instrumento reflexivo para o cotidiano escolar. Consolida-se, assim, como leitura significativa para a formação docente, ao articular sensibilidade, experiência e compromisso social, reafirmando que ensinar é um ato que exige firmeza, escuta e responsabilidade ética.
Resumo Dá-se conta, neste artigo, de uma análise exploratória de produções escritas de estudantes de língua materna portuguesa, num exercício de tradução de frases de chinês para português. O exercício pressupõe a ativação articulada de competências de chinês como língua estrangeira, de tradução e de comunicação escrita em português. Procura-se saber se, e em que medida, as propostas de tradução dos alunos são fiéis ao texto de partida e se as mesmas se encontram expressas com correção e acuidade em português. Para o efeito, as frases traduzidas são analisadas em função de três parâmetros: i) fidelidade ao conteúdo do texto de partida, ii) fidelidade pragmática e cultural e iii) correção lexical e gramatical. Os dados revelam várias dificuldades, com destaque para a correta interpretação do texto de partida, a tradução de culturemas e a formulação de enunciados gramaticalmente corretos em português. O treino da comunicação escrita em português emerge, assim, como uma vertente a reforçar na formação de base dos estudantes, juntamente com a aprendizagem da língua chinesa e das práticas de tradução.
Resumo A análise de gêneros expandiu seu escopo metodológico ao incorporar o conceito teórico de colônia de gêneros que identifica relações de semelhança em textos específicos. Partindo desse contexto teórico, este estudo tem o objetivo de explorar o termo trabalho completo em sua multiplicidade, considerando as exigências contextuais e metodológicas que moldam sua nomeação em variados gêneros específicos e podem influenciar sua função. Com base na abordagem sociorretórica sob a ótica dos estudos do inglês para fins acadêmicos e profissionais de Swales (1990; 2004) e Bhatia (2004; 2009), analisamos diferentes fontes de informação para entender como o enunciado trabalho completo se especifica em uma variedade para formar uma colônia de gêneros. Os resultados revelam distintas categorias de descrição em variados gêneros de trabalho completo, diferenciados por filiação contextual e metodológica. Consideramos que os resultados evidenciam a importância do conceito de colônia de gêneros para compreender sua variedade agrupada sob o termo trabalho completo, colaborando para interpretação de classes de eventos comunicativos na produção de textos acadêmicos e profissionais que constituirão gêneros cada vez mais específicos e de reconhecimento compartilhado.
Resumo Este artigo analisa a produção de materiais didáticos de Português como Língua Estrangeira (PLE) no Centro de Extensão da Universidade Federal de Ouro Preto. O objetivo é identificar as representações culturais nesses recursos e avaliar seu alinhamento com a educação intercultural. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de cunho documental e exploratório, cujo corpus compreende oito unidades didáticas produzidas entre 2020 e 2025. A análise de conteúdo adotou as cinco dimensões da competência intercultural de Byram (1997) como categorias a priori. Os resultados revelam que, embora todas as dimensões coexistam, há predominância de "atitudes" e "conhecimentos", indicando que o foco recai majoritariamente na apresentação de fatos culturais e na disposição para o contato. Em contrapartida, o desenvolvimento das habilidades de interação e da consciência crítica demanda mediação docente mais intencional e sistemática. O estudo conclui que a elaboração de materiais próprios constitui uma prática formativa essencial para o professor em formação, permitindo o exercício do descentramento e da reflexão política. Todavia, ressalta-se a necessidade de avanços na estrutura pedagógica para que os recursos promovam uma educação linguística efetivamente inclusiva, ética e voltada à agência crítica do aprendiz estrangeiro no cenário contemporâneo.
Resumo Neste trabalho, investigamos o processo de transitivização de um conjunto de verbos monoargumentais em português brasileiro (PB) e relacionamos esse processo com a cristalização da ordem SVO em PB, entendida como a ordem default na língua. Analisamos um conjunto de dados do tipo DP2 V DP1, em que V corresponde a um “originalmente” a um verbo monoargumental, DP1 corresponde ao argumento “original” do verbo (em sua forma monoargumental) e DP2 correspondente ao novo argumento inserido na estrutura bivalente resultante. Formulamos a hipótese de que a inserção desse novo argumento (DP2) na estrutura do verbo é feita via processo de causativização - i.e. a inserção do metapredicado cause na estrutura do verbo, que passa, então, de monoargumental a biargumental. Dessa forma, a ordem linear dos constituintes, antes realizada como DP V/ V DP, passa a ser DP2 V DP1, mantendo o ordenamento frasal básico SVO. Argumentamos que propriedades semânticas compatíveis com a função de sujeito são atribuídas ao DP2 inserido no novo grid argumental verbal, ao passo que propriedades semânticas compatíveis com a função de objeto são atribuídas ao DP1.