
Este artigo tem como objetivo refletir sobre os estudos das práticas informacionais na educação básica sob a perspectiva dos estudantes e, a partir desses estudos, interpretá-los à luz da arquitetura de prática, de modo a investigar a atuação da escola como espaço mediador na formação de sujeitos informacionais. Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória, com abordagem qualitativa, que utiliza como procedimento metodológico a revisão bibliográfica na Bases de Dados em Ciência da Informação, Scientific Electronic Library Online e Portal de Periódicos da Capes, a qual resultou na seleção de cinco estudos para a análise crítica. Os materiais foram selecionados por apresentarem o recorte temático pretendido nesta discussão: educação básica, estudantes e práticas informacionais, além de dimensões relevantes, atuais e em diferentes perspectivas das práticas informacionais no contexto escolar, de modo que se complementam e possibilitam um olhar abrangente sobre o fenômeno investigado. Conclui-se que as práticas informacionais podem ser analisadas, compreendidas e transformadas no contexto escolar, sob a ótica da arquitetura de prática: cultural-discurso, material-econômico e sociopolítico, que podem favorecer ou limitar o desenvolvimento das práticas em informação. Assim, a escola, como instância mediadora, pode intervir nesses arranjos de modo a colaborar para o oferecimento de apoio efetivo na construção do conhecimento e na formação do estudante como sujeito informacional competente.
O avanço acelerado das Tecnologias da Informação e Comunicação tem contribuído para a emergência e a expansão, em larga escala, do fenômeno da desinformação. Partindo do princípio de que a desinformação constitui objeto de investigação da Ciência da Informação, questiona-se: de que forma a Ciência da Informação tem conceituado e estudado a desinformação? Objetivo geral: investigar o modo como a literatura científica do domínio da Ciência da Informação compreende o conceito de desinformação. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada na Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação, considerando o recorte temporal de 2015 a 2026, com o propósito de compreender como a Ciência da Informação vem conceituando a desinformação no contexto contemporâneo. A busca resultou em 38 registros. Inicialmente, buscou-se identificar a conceituação do fenômeno nos resumos. Todavia, diante da constatação de que as definições e conceituações de desinformação nem sempre estavam presentes nessa seção dos trabalhos, procedeu-se à leitura integral dos textos, mediante a qual foram identificadas 11 conceituações. Observou-se que a compreensão da temática da desinformação se modificou e se ampliou ao longo dos anos. Inicialmente, o fenômeno era predominantemente associado à informação falsa; posteriormente, passou a incorporar novas dimensões analíticas, como a influência social, a manipulação de decisões e comportamentos e sua caracterização como fenômeno sistêmico integrado ao ecossistema informacional. Os resultados evidenciam que a desinformação é frequentemente associada à intencionalidade. Infere-se, ainda, que o fenômeno pode ser mobilizado a serviço de grandes grupos de interesse, sejam econômicos ou políticos, contribuindo para a manutenção de relações de dominação e poder por meio do controle dos processos informacionais.
Este artigo analisa o uso de ferramentas de inteligência artificial por alunos da Educação Profissional e Tecnológica, focando nas práticas informacionais ligadas a esse uso e nas percepções dos estudantes sobre os impactos na aprendizagem. O estudo é parte de uma pesquisa de doutorado em Ciência da Informação e busca entender como estudantes de cursos técnicos utilizam a inteligência artificial em suas rotinas de busca, seleção e uso da informação em contextos digitais. A pesquisa, de abordagem mista e caráter descritivo-analítico, utiliza dados atualizados do primeiro semestre de 2025 coletados em uma escola técnica pública do Distrito Federal. A análise considerou dados sobre frequência de uso, aplicativos populares, percepção dos estudantes sobre a contribuição da inteligência artificial para a aprendizagem e formatos de conteúdo educacional nas redes sociais. Os resultados indicam uma adoção massiva de ferramentas como o ChatGPT (74,3%), revelando que a inteligência artificial atua como um “andaime digital” para o estudante-trabalhador, mediando lacunas de tempo e conhecimento. Conclui-se que o potencial educativo da inteligência artificial está intrinsecamente ligado às condições institucionais e à transparência informacional.
Os fundamentos teóricos e metodológicos da análise de políticas de informação na Arquivologia e na Ciência da Informação ainda são incipientes, o que evidencia a necessidade de novas investigações nessas áreas. Por isso, objetiva-se refletir sobre as possíveis contribuições da análise de políticas públicas, a partir da perspectiva neoinstitucionalista histórica e sociológica, para o estudo das políticas de informação em âmbito arquivístico na gestão de documentos e arquivos, transparência e acesso à informação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada em revisão bibliográfica, que possibilitou articular a teoria neoinstitucionalista de análise de políticas públicas à análise de políticas de informação, resultando na construção de uma matriz de análise ancorada nas especificidades da Arquivologia. Os resultados indicam que a integração entre o neoinstitucionalismo histórico, que enfatiza a centralidade dos atores, suas escolhas estratégicas e a dependência de trajetória, e o sociológico, que valoriza normas, valores e significados culturais na legitimação institucional, oferece subsídios relevantes para compreender as políticas de informação arquivísticas. Essa abordagem amplia a análise para além do enfoque legal, ao integrar dimensões objetivas e subjetivas, temporais e simbólicas. Assim, o neoinstitucionalismo apresenta elementos constitutivos capazes de contribuir para o fortalecimento teórico-metodológico da análise de políticas de informação tanto na Arquivologia quanto na Ciência da Informação.
A expansão da Tecnologia da Informação e da Inteligência Artificial tem reconfigurado processos de produção, circulação, mediação e uso da informação na sociedade contemporânea, com efeitos relevantes sobre o trabalho, a educação, a cidadania e a governança pública. Este artigo apresenta um ensaio teórico-analítico, apoiado em revisão bibliográfica narrativa e interdisciplinar, com o objetivo de examinar criticamente os impactos, as oportunidades e os riscos associados à disseminação dessas tecnologias. A análise enfatiza, no campo da Ciência da Informação, três dimensões centrais: a competência em informação, a governança de dados e a ética informacional. Discute-se como Tecnologia da Informação e Inteligência Artificial ampliam o acesso a conhecimentos, serviços e formas de participação social, mas também intensificam assimetrias, opacidades decisórias, vieses algorítmicos e novas modalidades de exclusão digital. O estudo sustenta que o enfrentamento desses desafios requer políticas públicas, arranjos regulatórios e práticas formativas orientados por transparência, justiça informacional e uso crítico das tecnologias digitais. Conclui-se que a contribuição da Ciência da Informação para esse debate reside em compreender a Inteligência Artificial não apenas como inovação técnica, mas como fenômeno sociotécnico que reorganiza mediações, competências e regimes de legitimidade da informação.