
O presente artigo debruça-se sobre a visita do Príncipe Real D. Luís Filipe fez, no ano de 1907, às colónias africanas no geral e a Moçambique. O objetivo central foi o de compreender o contexto da preparação da viagem, assim como analisar os propósitos implícitos e explícitos da sua realização, incluindo correspondência diplomática e registros oficiais da época. Embora a expedição tenha sido inicialmente impulsionada pelas pressões britânicas e humanitárias em torno da persistência do trabalho escravo e forçado nas roças de cacau de São Tomé e Príncipe, o estudo demonstra que outros motivos transcenderam esta questão. Conclui-se que a jornada obteve um enorme sucesso político e diplomático. A visita serviu não apenas para legitimar o domínio ultramarino português e afirmar o regime monárquico, mas, sobretudo, funcionou como a peça-chave para a consolidação da reaproximação diplomática entre Portugal e o Reino Unido após a crise do Ultimatum de 1890. Apesar de ter contribuído para o crescimento institucional do futuro herdeiro, o pleno reconhecimento público e as consequências da viagem foram tragicamente interrompidos pelo regicídio de 1 de fevereiro de 1908.
O presente artigo analisa a conexão intelectual desenvolvida ao longo da década de 1930 entre o mexicano Moisés Sáenz, um dos mais importantes indigenistas do México pós-revolucionário, e o estadunidense John Collier, então Comissário de Assuntos Indígenas de seus país. Mostramos que as influências mútuas dessa relação estiveram na base da construção de um indigenismo progressista que, no âmbito estadunidense, norteou a transformação das políticas públicas para os povos nativos e, no cenário continental, foi responsável pelo projeto original do Instituto Indigenista Interamericano, sediado no México. A análise se desenvolve no campo da história intelectual e baseia-se no paradigma relacional, a partir da perspectiva transnacional.
O artigo analisa o poema À maneira de G. S. (“Με τον τρόπο του Γ. Σ.”), de Giorgos Seferis, como elaboração poética da Catástrofe de Esmirna e crítica às políticas de monumentalização e silenciamento na Grécia do entreguerras. Argumenta que a paisagem e o mito operam no poema como dispositivos de ruína e memória fraturada, produzindo uma experiência de exílio ontológico: desenraizamento simbólico mesmo no interior do próprio território. Em perspectiva comparativa, aproxima essa condição de processos latino-americanos de folclorização da memória indígena, propondo a poesia de Seferis como um arquivo insurgente contra a pacificação nacional do passado. A aproximação proposta não opera por paralelismos histórico-lineares nem supõe equivalências causais entre dois mundos distantes, mas busca explorar ressonâncias estruturais produzidas pela colonialidade, pela violência fundacional e pelos modos de silenciamento que atravessam diferentes formações históricas.
This article presents the development of an e-learning teaching project focused on Ancient Egyptian language, initially launched as an academic experiment among Portuguese and Brazilian universities. Since 2020, the initiative has expanded into a robust network, culminating in the creation of a digital, open-access anthology of sources. The rise of Digital Humanities has introduced new research possibilities by offering specialized digital tools and methodologies that integrate into Humanities studies. This became particularly crucial during the COVID-19 pandemic of 2020, when universities were compelled to shift classes and meetings to online platforms due to physical restrictions. This transition fostered greater international collaboration and networking. The project key achievement was the production of recorded lectures on Middle Egyptian, delivered in Portuguese and made freely accessible across various platforms. It represents a groundbreaking effort in the digitization of Egyptology resources for Portuguese-speaking students, significantly improving access to academic materials in the field.
Neste trabalho resenhamos o livro “Eugenia ontem e hoje”, de Robert Wegner. Iniciaremos esta resenha discutindo alguns aspectos importantes do debate atual a respeito da eugenia, considerando que é neste contexto que se explica a publicação de trabalhos como o de Robert Wegner. Na segunda parte da resenha, analisaremos especificamente o livro “Eugenia ontem e hoje”.