
A excessiva produção de resíduos sólidos na atualidade é um dos grandes desafios para os gestores municipais, principalmente no que tange os problemas ambientais e sanitários em áreas urbanas e rurais. Este cenário se sobressai nas comunidades isoladas ou rurais por apresentar uma região menos povoada, dificuldade de logística e falta de infraestrutura de saneamento, acarretando efeitos negativos nos aspectos sociais, econômicos e sanitários dos comunitários. A pesquisa buscou identificar as formas de disposição final dos resíduos sólidos em cinco comunidades rurais de Humaitá, além de elaborar e aplicar uma matriz de indicadores para a gestão sustentável dos resíduos sólidos produzidos nessas comunidades. O processo metodológico incluiu revisão bibliográfica, visitas in loco, registro fotográfico, avaliação visual para descrever as formas de disposição dos resíduos, caracterização quali-quantitativa dos resíduos sólidos gerados nas comunidades, levantamento de dados junto aos órgãos públicos e empresas de manejo de resíduos no município de Humaitá, e aplicação e análise de oito indicadores de sustentabilidade. Os resultados indicaram que a queima de resíduos sólidos inorgânicos em trincheiras a céu aberto é a forma mais comum utilizada pelos comunitários. Foi observada uma diferença significativa entre os locais analisados, com predominância do material orgânico, seguido pelo plástico filme. A matriz de indicadores revelou que os estágios em todas as comunidades foram similares em relação aos indicadores de gestão. As informações geradas por este estudo poderão auxiliar na melhoria da gestão de resíduos sólidos em comunidades rurais da Amazônia Ocidental, servindo como base para a elaboração adequada de um plano integrado de gestão de resíduos sólidos.
Essa pesquisa busca discutir a relação do desenvolvimento de doenças e o desequilíbrio ambiental, tendo como objetivo a reflexão perante a literatura existente sobre as conexões entre esses fatores e propor estratégias para mitigar os impactos na saúde. Além disso, a pesquisa visa oferecer insights sobre como os serviços de saúde podem se adaptar e responder a esses desafios em suas comunidades locais. Para alcançar os objetivos, foi realizado um estudo descritivo, tipo análise teórico reflexiva. Assim, a integração da Saúde Planetária e da Educação em Saúde Planetária às práticas da Atenção Primária em Saúde (APS) e Atenção Primária Ambiental (APA) torna-se cruciais para abordar questões de qualidade de vida, conservação ambiental e prevenção de doenças relacionadas ao ambiente, pois ensinar a população que o desequilibro ambiental afeta a qualidade de vida e está relacionado ao amento de doenças é primordial a esses serviços, especialmente em momentos de tantos desarranjos climáticos. Logo, a educação em saúde, respaldada pela educação ambiental e educação em Saúde Planetária, desempenha um papel fundamental na mediação e mitigação de tais agravos, promovendo um aumento da resiliência populacional e, consequentemente, um aumento do letramento ambiental, em saúde e em Saúde Planetária.
O lúpulo (Humulus lupulus L.), espécie trepadeira da família Cannabaceae, é uma cultura fundamental para a indústria cervejeira. Esta planta de rápido crescimento pode atingir alturas de sete metros em 90 dias após a rebrota, demandando aportes substanciais de nutrientes devido à sua elevada acumulação de biomassa. No Brasil, as pesquisas sobre a nutrição do lúpulo permanecem limitadas, sendo necessários estudos sobre estratégias sustentáveis de adubação. Este estudo avaliou os efeitos da adubação com um composto fermentado (bokashi) formulado a partir de bagaço de malte de cervejaria e torta de mamona sobre os componentes de produção do lúpulo e as propriedades químicas do solo sob manejo orgânico. O experimento testou cinco doses do composto (0, 2, 4, 8 e 16 Mg ha⁻¹) em delineamento de blocos casualizados. Os resultados revelaram aumentos lineares nas concentrações de P, K e Mg na camada de 0–20 cm do solo com as doses mais elevadas do composto. A análise foliar mostrou níveis elevados de K, Zn e Mn, proporcionais às doses aplicadas. Para os componentes de produtividade, a maior dose (16 Mg ha⁻¹) alcançou o desempenho ótimo: 639,13 cones planta⁻¹ e 0,51 kg de biomassa fresca planta⁻¹. Embora o composto tenha fornecido aportes significativos de nutrientes, a produtividade do lúpulo não atingiu o potencial máximo, sugerindo a necessidade de testes com doses mais elevadas.
The growth and carbon (C) sequestration capacity of native trees depend on environmental factors and the intrinsic characteristics of each species. In urban environments, there is a gap in the comparative understanding of the potential for growth and C sequestration between pioneer and non-pioneer tree species. Therefore, the objective of this study was to assess the growth and C accumulation in the aboveground biomass of pioneer and non-pioneer tree species in urban afforestation. Using forest inventory data, the average annual increments in diameter (AAIDBH), height (AAIH), and C (AAIC) were calculated and compared between ecological groups and species in the urban afforestation of the Federal Institute of Espírito Santo. The pioneer group exhibited higher AAIDBH and AAIC, but no significant difference was found between groups for AAIH. Among species, AAIDBH, AAIH, and AAIC varied considerably, with the pioneer species Cenostigma pluviosum, Enterolobium contortisiliquum, and Schizolobium parahyba showing great potential in storing C in aboveground biomass. Given the interspecific variation, intrinsic characteristics must be considered when selecting species to maximize C sequestration in urban environments. The results of this study highlight the influence of ecological group and the individual characteristics of species on C sequestration and can guide urban afforestation planting and management strategies aimed at mitigating greenhouse gas emissions.
A gestão dos resíduos sólidos urbanos constitui um dos principais desafios socioambientais contemporâneos, especialmente em municípios de pequeno e médio porte onde limitações financeiras e institucionais dificultam a implementação de soluções ambientalmente adequadas. À luz da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei nº 12.305/2010), este artigo analisa a evolução histórico-jurídica das políticas públicas de manejo de resíduos sólidos urbanos no Brasil, articulando fundamentos do Direito Ambiental e da História Ambiental, com ênfase no estudo de caso do município de Jaraguá/GO. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter histórico-documental e jurídico-normativo, fundamentada na análise de legislação, planos oficiais, relatórios técnicos, dados institucionais e materiais de comunicação pública. Os resultados evidenciam que Jaraguá percorreu um processo tardio, porém significativo, de adequação às diretrizes da PNRS, marcado pelo encerramento definitivo do lixão a céu aberto, pela implantação da coleta seletiva, pela formalização de cooperativa de catadores e pela adoção de um sistema licenciado de transbordo e de destinação final em aterro sanitário. O estudo demonstra que a intervenção do Ministério Público de Goiás, aliada à criação de instrumentos econômicos municipais e à intensificação de campanhas de educação ambiental, foi decisiva para a superação de obstáculos estruturais e normativos. Conclui-se que o caso de Jaraguá revela a importância da integração entre a regulação jurídica, as políticas públicas e a participação social para a efetivação da gestão sustentável dos resíduos sólidos urbanos, ao mesmo tempo em que evidencia limites à promoção do consumo responsável, apontando desafios persistentes à consolidação de cidades ambientalmente sustentáveis.