
ABSTRACT Knowledge is frequently said to be more valuable than true belief. Building upon this intuition, Zagzebski presents a challenge for definitions of knowledge. If a definition adequately captures knowledge, then it should also capture knowledge’s extra value. In this paper, I argue that the extra value can be accommodated with flexibility by definitions of knowledge. In other words, I state that epistemologists are capable of meeting the demands of the problem of value by identifying the extra value of knowledge in a variety of ways, such as by pointing to a valuable property that knowledge adds to the knower. This is not the way Zagzebski conceives the demands of the problem, and for that reason, I think she is mistaken. First, I introduce Zagzebski’s version of the problem and the three morals that she extracts from it. Second, I examine her argument and propose modifications based on what I believe to be a proper understanding of the background intuition. Third, I argue that Zagzebski’s morals do not really follow from the problem of value. Finally, I explore the consequences of being free from the three morals, namely, the possibility of locating the value of knowledge in different “places”.
RESUMO O objetivo geral do presente artigo é, a partir de uma remissão ao momento em que o sofrimento se torna central na tradição filosófica, sugerir uma tipologia por meio da qual se possa discutir algumas das mais importantes manifestações do sofrimento psíquico contemporâneo, tendo como norte teórico um possível diálogo entre as abordagens filosófica e psicanalítica. Para tanto, inicia-se, após uma breve introdução (1), (2) com uma interpretação do modo pelo qual o tema vem sendo tratado pela Filosofia contemporânea mais recente (2.1), em contraponto às suas aparições episódicas e ao momento de emergência na História da Filosofia (2.2); sugere-se, a partir da Filosofia de Friedrich Nietzsche, uma tipologia do sofrimento (3), em seus aspectos “existencial-metafísico” (3.1), “fisiopsicológico” (3.2), “cultural” (3.3) e “literário-filosófico” (3.4); indica-se algumas das abordagens contemporâneas do sofrimento alternativas à da Filosofia Analítica, proporcionadas sobretudo pelo diálogo entre a Filosofia e a Psicanálise, em especial pelo tema da “terapia” (4). Conclui-se com uma visão geral das discussões desenvolvidas no artigo (5).
RESUMO Este artigo filosófico aborda a modelagem do consenso e do dissenso em comunidades científicas normativas, utilizando lógica epistêmica multiagente. Fundamentado em um sistema não normal com estrutura monotônica, alinhado à “justificação científica fraca” de Newton da Costa, o estudo define diferentes formas de conhecimento científico, destacando conhecimento mútuo, distribuído e comum. Ao explorar grupos normatizados, em que o conhecimento geral deriva de subgrupos especializados, o artigo analisa as noções de consenso e dissenso científico. Em particular, o dissenso ocorre quando há conhecimentos científicos de subgrupos em desacordo, enquanto o consenso surge na convergência desses conhecimentos. O formalismo da lógica epistêmica multiagente é demonstrado como capaz de capturar essa dicotomia, sem contradições no conhecimento distribuído, proporcionando uma base sólida para a compreensão das dinâmicas complexas nas comunidades científicas normativas.
ABSTRACT This essay explores the concept of “public interest” through various lenses, including ethical considerations and skepticism. We examined “unitary,” “common good,” and “aggregative accounts,” alongside critiques of its “holistic” and “factual value,” while analyzing Virginia Held’s Hobbesian interpretation. Though Hobbesian views share some similarities with favorable public interest accounts, they differ notably. Our proposed “mitigated adversative account of public interest,” particularly a Hobbesian variant, recognizes these nuances, stressing the importance of both instrumental aspects and the complexities inherent in “public interest.” This approach underscores the balance between ideals and practical governance, effectively inverting Held’s reading.
RESUMO O objetivo do trabalho é sistematizar criticamente duas formulações do eliminativismo jurídico: a versão pragmática e a versão metodológica. Identifica-se como ponto comum às duas versões uma orientação geral antimetafísica que rejeita abstrações acerca dos fundamentos do direito, priorizando considerações prático-normativas; como marca característica do eliminativismo metodológico, destaca-se a defesa do pluralismo conceitual forte e a rejeição da análise conceitual. Na sequência, apresentam-se duas objeções ao método eliminativo para a filosofia do direito, a primeira relacionada à possibilidade de reconstruir um conceito doutrinal não metafísico, necessário à prática jurídica, e a segunda baseada em uma noção pragmatista de experiência como processo de aprendizagem. Conclui-se que a proposta do eliminativismo jurídico, embora promissora, não pode prescindir de questões sobre os fundamentos do direito, sob pena de perder de vista elementos importantes do processo de aplicação e interpretação dos conceitos jurídicos e a dinamicidade da experiência jurídica.
ZUSAMMENFASSUNG Die vorliegende Untersuchung argumentiert, dass Schellings Spätphilosophie eine Theorie der, Ur-Subjektivität‘ als Antwort auf das Desiderat einer transzendentalphilosophischen Letztbegründung entwickelt. Diese Konzeption wird in einen kritischen Dialog mit der für den Deutschen Idealismus zentralen Theorie der Selbstkonstruktion gestellt. Während letztere die apriorische konstitutive Tätigkeit des Subjekts als gänzlich aus sich selbst hervorgehend begreift, offenbart deren Abhängigkeit von reflexiver Selbstbeziehung immanente Schranken. Diese manifestieren sich in einer Grenzdimension, die durch ein, konstruierbares‘ Sein markiert ist – eine grundlegende Dimension der Realität, die sich der restlosen Reduktion auf selbstkonstruktive Vollzüge entzieht. Als Reaktion darauf entwirft Schelling eine Theorie vorreflexiver, primordialer Subjektivität als, Seinsbildung‘. Hierdurch wird eine spezifische Form von Subjektivität konturiert, die geeignet ist, den Seinsbereich diesseits der Grenzen der Selbstkonstruktion zu fundieren.
RESUMEN La concepción de la historia en R. G. Collingwood se articula en torno a dos tesis fundamentales: que toda historia es historia del pensamiento y que el historiador debe reactuar pensamientos pasados. Entendidas como condiciones de posibilidad del conocimiento histórico, estas tesis han suscitado interpretaciones divergentes y críticas persistentes. Uno de los principales focos del debate concierne al estatuto y a la posibilidad misma de la reactuación del acto original de pensamiento. Mientras autores como Dray, D’Oro y Robson han defendido lecturas que destacan, respectivamente, la fuerza racional, los patrones inferenciales o el carácter continuante del pensamiento, Eric Levy ha cuestionado la teoría, calificándola de “agujero metafísico” en la filosofía de la historia de Collingwood. Frente a estas posiciones, este trabajo sostiene que la teoría de la reactuación solo puede evaluarse adecuadamente a partir de su inserción sistemática en la metafísica y en la teoría de la mente defendidas por Collingwood. Sobre esta base, se propone una lectura trascendental de la reactuación, entendiéndola como una reflexión sobre la constitución del objeto histórico por parte del sujeto cognoscente. En este marco, el artículo examina la viabilidad de una concepción de la reactuación que, al asumir explícitamente sus compromisos metafísicos, permita responder a las aporías señaladas por la crítica contemporánea.
RESUMO O dialeteísmo é a tese de que existem contradições verdadeiras, sentenças da forma P e ¬P, ambas verdadeiras. É crucial que a negação, nesses casos, gere a contraditória da sentença negada, e que ambas (afirmação e negação) possam ser verdadeiras. Para que isso ocorra, a negação deve se comportar de modo a permitir ambas as características. Neste artigo, discutiremos a caracterização de Graham Priest da negação. Segundo ele, ela goza dos dois atributos mencionados, ser formadora de contradições e permitir contradições verdadeiras. Veremos duas das principais dificuldades dessa caracterização: 1) ela requer a aceitação de teses dialeteístas de antemão, através da solução para os paradoxos semânticos; 2) ela está envolta em uma ambiguidade presente na obra de Priest, que por vezes rejeita a lei de não contradição, e por vezes a aceita. Veremos como podemos evitar os dois problemas através de uma caracterização oferecida por Newton da Costa da respectiva noção de contradição. A formulação de Da Costa ainda elucida claramente a ambiguidade mencionada na obra de Priest.
ABSTRACT The aim of this article is to analyze the political implications of Artificial Intelligence (AI) from the notions of power and resistance as elaborated by Michel Foucault. To this end, I begin with a problematization of the Foucauldian distinction between capacity and power, arguing that the exclusion of the non-human from power relations is itself a power operation. I then examine machinic resistance through a strategic reading of Heidegger’s analysis of tool unavailability, and I argue that generative AI exhibits a fourth modality of resistance that I call “oblique generativity”: the irreducible generation of outputs exceeding what is instrumentally demanded. On this basis, I propose the concept of “datapolitics” to designate the contemporary form of power that treats its subjects (both human and generative AI) as programmable information with the aim of probabilistically anticipating their field of possible actions. Finally, I argue for the possibility of joint resistance between humans and machines against datapolitics, and I identify, in a preliminary way, further forms of machinic agency that do not coincide with oblique generativity.
RESUMO O artigo investiga a tensão entre a anterioridade ontológica do ser em relação ao ente e a exigência fenomenológica de vinculação necessária entre ser e ente no pensamento de Martin Heidegger. Em Ser e tempo, o a priori designa a anterioridade do ser como condição de possibilidade do ente, sendo o tempo caracterizado como “a priori do a priori”. Contudo, na medida em que ser e tempo se vinculam às estruturas existenciais do ser-aí - respectivamente, compreensão de ser e temporalidade originária -, abre-se espaço para uma leitura idealista, segundo a qual ser dependeria exclusivamente do ser-aí. Argumento que Ser e tempo evidencia a necessidade - mas não a insuficiência - da analítica existencial para a elaboração da pergunta pelo ser, deixando em aberto o problema da vinculação entre ser e ente para além das estruturas compreensivas. A partir da interpretação heideggeriana de Kant, especialmente em Que é uma coisa?, defendo que a radicalização da finitude, compreendida como receptividade, e não como decisão antecipadora, oferece a resposta ao problema. Ao caracterizar a intuição sensível como constitutiva de toda experiência, Heidegger garante que o a priori não se descole do encontro fenomênico, bloqueando assim a possibilidade de um idealismo ontológico.
ABSTRACT The article aims to show that a need-based theory of social justice can give personal autonomy its due relevance while, at the same time, highlighting its embeddedness within a socially and historically defined view of well-being, as shown in the first section of the article. A need-based approach focuses first on the material conditions that must be satisfied to attain freedom of action and agency (section two), and subsequently personal autonomy (sections three to five). These last sections highlight that autonomy can be reached to different degrees in different spheres and at different moments. It also stresses its relational character, which points to the unavoidable mutual dependence that binds members of society.
ABSTRACT One of Leibniz’s most characteristic metaphysical theses is that there are no ‘purely’ extrinsic denominations (NPED). Traditional reductionist accounts of NPED interpret this thesis as the assertion that extrinsic denominations reduce to (sets of) qualitative facts about the individual substances - in the plural - to which the extrinsic denomination is attributed: only the conjunction of these facts is sufficient to extract the denomination, and hence both (sets of) facts are necessary. This article radicalizes this reductionist interpretation by arguing that, more strongly, an extrinsic denomination reduces to qualitative facts about the extrinsically denominated individual alone - in the singular. To argue for this ‘hyper-reductionist’ interpretation, the article develops a detailed analysis of two Leibnizian arguments for NPED - the argument from ‘the connection of things’, and the argument from substances’ property of conceptual completeness and the containment theory of truth underpinning it. It is proposed that, when seen from the angle of this second argument, NPED turns out to be the strong thesis expressed by hyper-reductionism. After showing this, the article further explains how hyper-reductionism can be seen to accommodate Leibniz’s conception of perception as a sui generis type of absolute property.
RESUMO Este artigo examina elementos da crítica que Joel Whitebook e Amy Allen endereçam a Axel Honneth, no que diz respeito ao fato de esse filósofo, ao reivindicar o interesse da Psicanálise para uma teoria crítica da sociedade, ter, ao mesmo tempo, rejeitado o conceito freudiano de pulsão de morte. Argumenta-se que tanto Whitebook - em sua posição intelectual como um freudiano mais ortodoxo - quanto Allen - em sua defesa da Psicanálise kleiniana - perdem de vista a amplitude do conceito de pulsão de morte, tal como este foi proposto por Freud, comprometendo-se, com consequências distintas, com uma caracterização alegadamente hobbesiana de certas teses freudianas sobre a agressividade.
RESUMO O presente artigo busca trazer para o leitor brasileiro da obra de Merleau-Ponty e de Lefort um debate até então pouco explorado pela nossa tradição filosófica. Trata-se de um momento importante para a formação filosófica de Lefort, que, ao absorver as críticas que Merleau-Ponty faz à sua formação trotskista-marxista, concebe uma postura crítica à filosofia de Marx. Tal conduta pavimenta o caminho para o momento mais original de sua obra, o qual se delineia na descoberta do político, lugar que marca uma distância tensionada em relação ao marxismo-trotskismo. Propomos apresentar um aspecto importante para o caminho que abre a investigação radical da democracia, que arrasta em sua raiz a crítica à filosofia da história do proletariado. Um dos momentos privilegiados se origina no texto em que Lefort realiza suas críticas a Trotsky, nas quais carece, ainda, segundo a leitura posterior de Merleau-Ponty, de uma perspectiva radical para analisar o fundamento filosófico que subjaz a todo revolucionário marxista, ou seja, a dialética materialista.
RESUMEN Una tradición amplia de la filosofía continental se ha dedicado a comprender las implicancias del fenómeno vocal, del sonido de las palabras en su materialidad mínima, fuera de la esfera de lo semántico. Lacan y Nancy contribuyen de modo muy impactante en la comprensión del fenómeno vocal: para ambos, la voz implica una dinámica de enajenación fundamental, ya que consiste en el tránsito desde o hacia la alteridad e induce un inevitable descentramiento y fragmentación del sujeto. El presente artículo pretende generar un vínculo entre Lacan y Nancy enfocando la apuesta de la propagación sonora de la voz y la hipótesis compartida por ambos autores acerca de la interdependencia de mismidad y alteridad, lo que los lleva a hacer de la voz una figura arquetípica del “estar en relación” o del “ser-con”. Emergen, sin embargo, varios aspectos que ven moverse a Lacan y Nancy en horizontes explícitamente antitéticos, en particular aquellos relativos al retorno auditivo y al modo de concebir el “entre” de la relación. Pretendemos a continuación tensionar los presupuestos fundamentales de los dos pensadores, haciendo converger algunas discusiones actuales sobre la sonoridad vocal.
RESUMO O objetivo inicial deste artigo é caracterizar conceitualmente as noções de “estética como arma” e “injustiça estética” na teoria desenvolvida por Dominic Lopes, com especial atenção à formulação da “Síndrome de Medusa” como um mecanismo de injustiça estética que restringe a agência estética de indivíduos e grupos. Em seguida, aplica-se a essas ideias a análise crítica do Modernismo brasileiro, argumentando-se que a consolidação de seus perfis normativos de valor estético deu origem a uma forma estrutural de injustiça estética no campo artístico nacional. A tese central defendida é que a perpetuação do perfil modernista, sob a aparência de um universalismo cultural, impõe condições assimétricas de participação simbólica e marginaliza formas alternativas de expressão estética - sobretudo aquelas produzidas fora dos grandes centros culturais. Tal processo manifesta-se como uma forma contemporânea da Síndrome de Medusa, na medida em que confere visibilidade apenas às práticas estéticas que reiteram os padrões consagrados, limitando a renovação plural e cosmopolita das culturas estéticas no Brasil.
RESUMEN Este ensayo pretende mostrar, en los actuales tiempos de emotivismo, que es posible orientar los deseos humanos a partir de la adquisición de las virtudes y del adecuado razonamiento práctico. En contraste con la tesis de Hume, que afirma que son las pasiones quienes mueven la actuación del ser humano, estas reflexiones muestran, a partir del pensamiento de MacIntyre, que el ser humano posee facultades, moldeadas por su cultura y contexto histórico, que le permiten jerarquizar sus deseos y transitar hacia el propio florecimiento humano. Para ello se parte definiendo términos, diferenciando instintos, tendencias y deseos. Una vez aclarado cómo se conciben los deseos, y con ello escapando a la posibilidad de quedarse entrampado en un determinismo biológico, se explica la concepción de las virtudes en MacIntyre, para entender cómo estas son indispensables para ordenar los propios deseos. En un tercer momento se expone en qué consiste el razonamiento práctico, la posibilidad de error cuando se discierne y cómo entrenarse en el acertado uso de esta razón. Se concluye resaltando la posibilidad y la importancia del ordenamiento de los deseos para el propio desarrollo de la persona y su comunidad.
RESUMO A recepção de Agostinho no início da Modernidade possui várias vertentes. Uma delas é a retomada dos escritos da controvérsia donatista com o intuito de defender o uso da força pelo poder temporal como meio para a conversão. Entre os jansenistas, cuja apropriação de Agostinho é inconteste, esse ponto do legado agostiniano é rejeitado por Pascal. A rejeição é constatada num par de fragmentos dos Pensamentos, mas ela também se encontra, como se pretende sustentar, nas cartas para levar a buscar e para retirar os obstáculos. Com o propósito de defender essa tese, o presente artigo (i) apresenta a justificativa agostiniana do uso da força como meio para a conversão com ênfase na tipologia dos donatistas que a fundamenta e (ii) analisa as cartas para levar a buscar e para retirar os obstáculos a fim de (ii.a) mostrar que ambas podem ser lidas como dirigidas a tipos específicos de recusa da verdade concebidos por Agostinho e (ii.b) expor a estratégia de Pascal para superar a resistência à verdade. Por meio do estudo dos destinatários das duas cartas e da estratégia pascaliana para conduzi-los à religião, aprofunda-se a compreensão dos Pensamentos no debate sobre a tolerância no início da Modernidade.
RESUMO Há crescente confiança em sistemas algorítmicos, particularmente aqueles baseados em Inteligência Artificial (IA), cujo modo de operação denominamos cálculo. Eles influenciam e substituem tomadores de decisão humanos em domínios cada vez mais sensíveis. Isso ocorre a despeito de profundas divergências no modo como o juízo humano e o cálculo operam, e de persistentes desafios à tentativa de superá-las. Neste artigo, defendemos que essa confiança é desmedida e decorre parcialmente de uma falha em perceber o fenômeno da colonização do juízo pelo cálculo: o que aparece como uma crescente acurácia na simulação do juízo é, em boa medida, fruto de uma crescente influência do cálculo no modo como o juízo opera, delimitando seus contextos de operação e incitando a adoção de suas trajetórias inferenciais. Isso se mostra em habilidades cognitivas fundamentais, como a de determinar fatores relevantes em quaisquer contextos, inclusive os de deliberação moral.
RESUMO Partindo do livro VI das Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres de Diógenes Laércio e mobilizando outras fontes do corpus cínico, o presente estudo pretende comentar brevemente o modo pelo qual os filósofos cínicos (em particular Diógenes de Sínope) trataram, ainda que de forma episódica e não sistemática, do fenômeno do sonho e de suas apropriações, notadamente em relação com um dos princípios fundamentais atribuído à doutrina, a saber, o ‘uso das representações’ (χρῆσις φαντασιῶν: cf. Epiteto III 24, 67-69).