
O artigo tem como objetivo compreender, à luz da Psicologia Histórico-Cultural, como pesquisas do Ensino de Química apresentam suas concepções de sujeito destinatário e formas de realização do trabalho educativo, visando ao ensino de pessoas com deficiência intelectual. A partir da revisão sistemática de literatura, selecionamos cinco dissertações de mestrado sobre o tema. Os resultados mostram que alguns trabalhos ainda reproduzem concepções médicas sobre deficiência e desenvolvimento humano. Além disso, destacam a experimentação como contribuição para a formação de conceitos. Contudo, verificou-se que o uso exclusivo de atividades práticas pode reforçar o estereótipo de que pessoas com deficiência intelectual não desenvolvem pensamento abstrato.
No contexto de disputas pelos sentidos que atravessam a Educação Básica brasileira, o presente artigo tem como objetivo analisar o conceito de Projeto de Vida contido na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à luz da teoria histórico-cultural, de Lev S. Vigotski. Para isso, são focalizadas as dimensões coletiva e prospectiva do desenvolvimento abordadas nos estudos em defectologia, a fim de destacar tensionamentos e fornecer contrapontos necessários para o debate atual sobre a temática. A escolha dessa fundamentação teórico-metodológica justifica-se pelo fato de permitir compreender o desenvolvimento humano como um processo histórico, social e culturalmente mediado, profundamente vinculado às condições concretas de organização da vida em sociedade. Considerando a centralidade das intencionalidades e interesses que constituem os projetos societários, e que determinam os modos de vida em seu interior, salienta-se a urgência em reestruturar a proposta que se reflete na noção de Projeto de Vida. Com base na teoria histórico-cultural, percebe-se que a pedagogia das competências que orienta a BNCC está esvaziada de princípios educativos e tem ocupado consideráveis espaços no currículo e na formação escolar da classe trabalhadora. Na contracorrente, os pressupostos do desenvolvimento humano, que envolvem a discussão da deficiência como condição humana, podem fundamentar um autêntico Projeto de Vida, impulsionado por um modelo de educação integral, prospectiva, pautada na coletividade e referenciada socialmente.
Este artigo analisa a implementação de um modelo escolar gerencialista pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, durante a gestão de Wilson Risolia, entre 2010 e 2014, com foco na meritocracia e em suas implicações para o trabalho docente. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combina revisão bibliográfica e análise documental de fontes oficiais, materiais sindicais e cobertura jornalística. A análise relaciona a reforma fluminense às experiências do Reino Unido e de Nova Iorque, examinando suas bases teóricas, seus mecanismos de gestão e a resistência docente. Estruturada pela metodologia Gestão Integrada da Escola (GIDE), a reforma articulou centralização administrativa, avaliações externas, bonificação por resultados e tentativa de certificação docente, visando à melhoria do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A análise identifica a intensificação do trabalho docente e a ampliação da responsabilização dos profissionais pelos resultados escolares, acompanhadas de resistência organizada, expressa em três greves do magistério. Embora tenham ocorrido ganhos iniciais no Ideb, a reforma enfrentou dificuldades de adesão e de continuidade. O estudo conclui que a experiência fluminense evidencia os limites de reformas orientadas pela lógica de mercado e impostas sem diálogo com os profissionais da educação, destacando o papel da organização coletiva na contestação dessas políticas.
Este artigo analisa o Currículo da Rede Municipal de Cascavel - PR e seu papel na disseminação do conhecimento científico. A relevância do estudo está na necessidade de um currículo que valorize o saber diante do negacionismo e das fake news. A pesquisa, bibliográfica e documental, fundamenta-se na Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) e no Materialismo Histórico-Dialético. Os resultados mostram que o currículo de Cascavel, orientado pela PHC, contribui para a elevação cultural dos trabalhadores e para a formação crítica dos estudantes. Destaca-se a importância da formação continuada docente, do engajamento político em defesa da escola pública e da adoção de práticas que promovam a emancipação dos educandos.
Este artigo analisa a produção acadêmica brasileira sobre o trabalho da Coordenação Pedagógica (CP) na Educação Infantil, após a publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009). Para tanto, realizou-se um levantamento bibliográfico, do tipo Estado do Conhecimento, buscando mapear como a temática tem sido investigada, para identificar os aspectos que têm recebido maior atenção e apontar questões que ainda demandam aprofundamento. O levantamento abrangeu 46 estudos localizados no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes e 27 na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, defendidos entre 2010 e 2025. Dentre essas pesquisas, 14 mostraram-se duplicadas, totalizando 59 estudos no corpus final. Os resultados evidenciaram a predominância de pesquisas sobre a atuação, as funções e o cotidiano da CP, com destaque para a organização do trabalho pedagógico, o acompanhamento docente e a formação em serviço. Também foram identificados estudos sobre formação continuada, desenvolvimento profissional, identidade profissional e temáticas emergentes, esta última ainda pouco explorada. A conclusão é que, embora a atuação da CP na Educação Infantil apresente produção acadêmica significativa, permanecem lacunas relacionadas à identidade profissional, aos processos formativos e às temáticas emergentes, indicando possibilidades de ampliação das investigações no campo.